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S e l e e s

de Swami Vivekananda

Conferncias, Prticas, Cartas, Poemas

1977 Editorial Kier S.A 3 Edi豫o.

Buenos Aires Agentina

 

 

젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨 PREF핧IO

 

젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨 젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨(Da edi豫o em ingls)

 

젨젨젨젨젨젨 Os escritos e conferncias de Swami Vivekananda j publicados, chegam a mais de 3.000 pginas. Como so muitas as pessoas que no tm a seu alcance todo esse material ou que no dispe de tempo ou de pacincia para l-lo em sua totalidade, h tempos atrs se necessitava de uma sele豫o daquelas obras. Mas efetuar tal sele豫o, a tarefa no foi fcil. O Swami Vivekananda era um Vidente inspirado, nascido para cumprir uma misso; por conseguinte, tudo o que brotou de seus lbios ou de sua pena, tm profundo significado e resulta difcil resolver o que desejar e escolher, sobretudo quando se dispe de um espao limitado. Alm disso, sempre existiram divergncias de opinio acerca de quais escritos ou conferncias seriam mais importantes.

젨젨젨젨젨젨 Apesar de tudo, nos aventuramos a publicar este livro de sele寤es, procurando que nele estejam representados todos os aspectos de sua obra. Para isso, escolhemos algumas de suas conferncias, discursos, perguntas e respostas, ensinamentos inspirados, cartas e poemas.

젨젨젨젨젨젨 Pode ser que estas sele寤es no sejam aceitas por todo mundo como expoentes do melhor que escreveu e disse o Swami, apesar de nosso sincero esforo para que assim fosse, mas daro, ao menos, um vislumbre da verstil genialidade de Vivekananda e do alcance e profundidade de sua mensagem. Abrigamos a esperana de que em alguns leitores desperte o desejo de estudar a forma mais completa da identidade do Swami.

O Editor

Advaita Ashrama

Mayavati, Himalayas

23 de fevereiro de 1944

 

젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨 NOSSA PALAVRA

 

젨젨젨젨젨젨 O compilador dessas Sele寤es, Swami Pavitrananda, nos autorizou a traduzi-las ao espanhol e, alm disso, de expressar seu agradecimento pelas publica寤es que temos feito (desde 1909, com a 1 edi豫o do EVANGELHO DE RAMAKRISHNA) nos agraciou com palavras de alento para que possamos perseverar; por longo tempo, na difuso de to sublimes ensinamentos.

젨젨젨젨젨젨 Tampouco nos faltou seu paternal interesse por nossa ventura pessoal, com carinhosas palavras que, por sua sinceridade, temos sentido como uma bn豫o.

젨젨젨젨젨젨 Por tudo o que expressamos aqui ao Swami Pavitrananda, nosso profundo agradecimento.

O Editor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

밢 SWAMI VIVEKANANDA

 

 

 

젨젨젨젨젨젨 Raramente aps longos perodos de tempo, chega a este planeta um ser que, evidentemente, provm de outras esferas e que traz consigo a este mundo de misrias algo de glria, de poder, de esplendor, daquela longnqua regio de onde partiu. Caminha entre os homens, mas se sente aqui como um estranho. um peregrino, um estrangeiro que se acha de passagem e que s permanece uma noite.

젨젨젨젨젨젨 Participa da vida daqueles que o rodeia, compartilha suas alegrias e dissabores, ri com eles e com eles chora, mas em nenhum momento esquece quem , de onde veio, nem para qu veio. Jamais esquece sua divindade. Lembra que o grande, o glorioso, o majestoso Eu. Sabe que provm daquela regio inefvel e suprema que no necessita do sol nem da lua, porque est iluminado pela Luz das luzes. Sabe que ele era, muito antes daquele instante em que 뱓odos os filhos de Deus cantaram juntos sua alegria.

젨젨젨젨젨젨 Vi, ouvi e adorei a um destes seres. A seus ps depositei a devo豫o de minha alma.

젨젨젨젨젨젨 Tal ser est alm de toda compara豫o, porque transcende todas as medidas e ideais comuns. Outros podem ter brilho, mas ele deslumbra, porque sua mente luminosa e porque possui a faculdade de se colocar em contato imediato com a fonte de toda sabedoria. Est desligado do lento processo que limita aos seres humanos comuns. Outros podem ser grandes, mas s o so se comparados com os de sua prpria espcie. Outros podem ser bons, poderosos, talentosos, por ter mais bondade, mais poder, mais talento que seus semelhantes; s uma questo de compara豫o. Tambm um santo mais santo, mais puro e vive mais dedicado a um s ideal que o comum dos mortais. Mas no existe compara豫o possvel, tratando-se de Swami Vivekananda. Ele constitui, por si s, uma categoria. Pertenceu outra ordem de seres; no era deste mundo. Era um ser radiante que desceu de uma esfera mais alta, para cumprir um propsito definido. Podia-se prever que no permaneceria aqui muito tempo.

젨젨젨젨젨젨 Deveria nos surpreender que a prpria natureza se regozije, quando ocorre um nascimento assim, que os cus se abram e os anjos entoem hinos de louvor?

젨젨젨젨젨젨 Bendito o pas em que nasceu, benditos aqueles que viveram nesta terra no mesmo tempo que ele e trs vezes benditos aqueles poucos que se prostraram a seus ps!

(Memrias de Sister Christine)

 

 

 

밣OSTULADOS

 

Cada alma potencialmente divina.

 

A meta manifestar esta divindade que trazemos dentro de ns, controlando a natureza externa e interna.

 

Atingir essa meta por meio do trabalho, da devo豫o, do controle psquico ou da filosofia; por mais de um ou por todos esses seres e serem livres. Nisto consiste a religio.

 

As doutrinas, dogmas, rituais, livros, templos ou formas, so somente detalhes secundrios.

 

Swami Vivekanada

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DISCURSOS

 

밨ESPOSTA 픓 BOAS VINDAS

 

Swami Vivekananda

 

Congresso Mundial das Religies

Chicago, 11 de setembro de 1893.

 

Irms e irmos da Amrica:

Meu cora豫o se enche de uma alegria indescritvel ao poder me levantar-me em resposta s calorosas e cordiais boas-vindas que nos haveis dado. Dou-lhes a graa, em nome da mais antiga ordem dos monges do mundo; dou-lhes as graas em nome da me das religies e dou-lhes em nome dos milhes e milhes de indianos de todas as classes e seitas.

Agradeo, tambm, a alguns dos oradores desta tribuna que, ao referirem-se aos delegados do Oriente, disseram que esses homens de longnquos pases podem reclamar para si a honra de levar s diferentes terras, a idia de tolerncia.

Sinto-me orgulhoso de pertencer a uma religio que tem ensinado ao mundo no s a tolerncia, mas tambm a aceita豫o de todos os credos religiosos. No s acreditamos na tolerncia universal, mas aceitamos todas as religies como verdadeiras.

Estou orgulhoso de pertencer a uma na豫o que deu hospitalidade aos perseguidos e aos refugiados de todas as religies e de todas as na寤es da terra. Orgulha-me poder dizer que temos abrigado em nosso seio os remanescentes mais puros dos israelitas, que chegaram ndia do Sul e refugiaram-se em ns, no mesmo ano em que seus santos templos foram destrudos pela tirania romana.

Sinto-me orgulhoso de pertencer a uma religio que amparou e ampara os remanescentes da grande na豫o zoroastriana.

Citarei, irmos, algumas linhas de um hino que recordo terem repetido desde minha mais tenra infncia e que todos os dias repetem milhes de seres humanos: Assim como os diferentes riachos tm suas fontes em diversos lugares e vertem todas suas guas no mar, assim, oh Senhor!, os distintos caminhos que os homens tomam por diferentes tendncias, por diversas que paream, tortuosas ou retas, conduzem a Ti.

A presente conven豫o, que uma das mais augustas assemblias que jamais se havia constitudo , em si mesma, uma justificativa, uma declara豫o ao mundo da maravilhosa doutrina predicada no Gita 1: Qualquer um que se dirija a Mim, por qualquer caminho que seja, Eu chego a ele; todos os homens esto lutando em caminhos que, finalmente, conduzem a Mim.

1. Pronuncia-se Guita.

젨젨젨젨젨젨 O sectarismo, a intolerncia e seu horrvel descendente, o fanatismo, apoderaram-se, h muito tempo, deste formoso planeta. Encheram a terra com violncias, regando-a, com farta freq獪ncia, com sangue humano; destruram a civiliza豫o e levaram na寤es inteiras ao desespero. Se no fosse por esses horrveis demnios, a sociedade humana estaria muito mais adiantada do que est atualmente.

젨젨젨젨 Mas sua hora aproxima-se e espero, fervorosamente, que a campainha que repicou esta manh em honra desta conven豫o, seja o toque fnebre pela morte de todo fanatismo, de todas as persegui寤es com a espada e com a pena e de todos os sentimentos pouco caritativos entre pessoas que seguem seu caminho para o mesmo fim.

 

 

 

밣OR QUE N홒 ESTAMOS DE ACORDO

 

Swami Vivekananda

(15 de setembro de 1893)

 

젨젨젨젨젨젨 Lhes contarei uma pequena histria: Ouvistes dizer o eloqente orador que acaba de falar: 밣aremos de nos injuriar uns aos outros, e mostrava-se muito aflito de que houvesse sempre tanta discrdia.

젨젨젨젨젨젨 Creio que seja oportuno fazer referncia a uma histria que ilustrar a causa desta desavena: 밬ma r vivia num poo. Fazia muito tempo que ali vivia e, todavia, era uma pequena, muito pequena r. Naturalmente, os evolucionistas no estavam ali para nos dizer se a r havia perdido seus olhos ou no, mas por convenincia do conto, devemos admitir que tinha olhos e que diariamente limpava a gua de todos os vermes e bacilos que vivem nela com uma energia que faria honra a nossos modernos bacteriologistas. Desta maneira, tornou-se lustrosa e gordinha. Bem, certo dia, outra r, que vivia no mar, passava por ali e caiu no poo.

젨젨젨젨젨젨 - De onde s?

젨젨젨젨젨젨 - Sou do mar.

젨젨젨젨젨젨 - Do mar? muito grande isso? to grande quanto meu poo? e deu um salto de um lado a outro do poo.

젨젨젨젨젨젨 - Minha amiga disse a r do mar como queres comparar o mar com teu pequeno poo?

젨젨젨젨젨젨 Ento a r deu outro salto e perguntou:

젨젨젨젨젨젨 - assim to grande o mar?

젨젨젨젨젨젨 - Que besteira dizes; comparar o mar com teu poo!

젨젨젨젨젨젨 - Bem, pois disse a r do poo no pode haver nada maior que meu poo; no pode haver nada maior que isso; esta r uma embusteira, fora daqui!

젨젨젨젨젨젨 Esta tem sido a eterna dificuldade.

젨젨젨젨젨젨 Eu sou hindu. Resido em meu prprio e pequeno poo e penso que todo o mundo se reduz a meu pequeno poo. Os cristos moram em seu pequeno poo e pensam que este o mundo inteiro. Os maometanos habitam em seu pequeno poo e crem que ele o mundo todo. Tenho que vos agradecer, os americanos, a grande tentativa que estais fazendo de romper as barreiras deste nosso pequeno mundo e abrigo a esperana de que, no futuro, o Senhor os ajudar a realizar vosso propsito.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

밆ISSERTA플O SOBRE O HINDUSMO

 

젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨 Swami Vivekananda

 

(Lida no mesmo Congresso das Religies em 19 de setembro de 1893)

 

젨젨젨젨젨젨 H trs religies no mundo e que chegaram a ns desde tempos pr-histricos. O hindusmo, o zoroastrianismo e o judasmo. Todas elas receberam tremendos choques e todas tm demonstrado, com sua sobrevivncia, sua fora interna. Mas, enquanto o judasmo no pde absorver o cristianismo e foi expulso de seu lugar de nascimento por seu predominante filho, e um punhado de parsis o quanto ficou para contar a histria de sua grande religio, na ndia nasceram seitas e mais seitas que pareciam fazer estremecer a religio dos Vedas at seus fundamentos; mas assim como as guas das costas, em um violento terremoto, retrocedem um momento s, para voltar em uma avassaladora onda mil vezes mais vigorosa, quando o tumulto do empuxo passa, assim essas seitas tm sido absorvidas e assimiladas no imenso corpo da me f.

젨젨젨젨젨젨 Desde as mais elevadas elocu寤es espirituais da filosofia vedanta, da qual as mais recentes descobertas da cincia s parecem ecos, at as mais baixas idias de idolatria, com sua multiforme mitologia, o agnosticismo dos budistas e o atesmo dos jainas, todos e cada um tm um lugar na religio dos hindus.

젨젨젨젨젨젨 De onde, surge a pergunta, onde est, ento, o centro comum ao qual convergem todos esses raios to divergentes? Onde est a base comum, sobre a qual se apiam todas essas contradi寤es que parecem irreconciliveis? Esta a pergunta que me proponho a responder.

젨젨젨젨젨젨 Os hindus tm recebido sua religio mediante a revela豫o, os Vedas; sustentam que os Vedas no tm princpio, nem fim. Pode parecer cmico a este auditrio, a possibilidade de que um livro no tenha princpio nem fim. Mas ao dizer Vedas, no os entendemos como livros. Os Vedas significam o tesouro acumulado de leis espirituais descobertas por distintas pessoas em diferentes tempos. Do mesmo modo que a lei da gravita豫o existia antes de sua descoberta e continuaria existindo mesmo que toda a humanidade esquecesse dela, assim ocorre tambm com as leis que governam o mundo espiritual. As rela寤es morais, ticas e espirituais entre as almas e entre os espritos individuais e o Pai de todos os espritos, existiam antes de seu descobrimento continuariam a existir ainda que todos ns viemos a se esquecer deles.

젨젨젨젨젨젨 Os descobridores dessas leis so chamados rishis (videntes) e ns os veneramos como seres perfeitos. Tenho a satisfa豫o de dizer a este auditrio que alguns dos maiores deles foram mulheres.

젨젨젨젨젨젨 Desde j se pode dizer que estas leis, como tais, podero no ter fim, mas devem ter algum princpio. Os Vedas nos ensinam que a cria豫o no tem princpio, nem fim. dito que a cincia provou que a soma total da energia csmica sempre a mesma. Ento, se houve um tempo no qual nada existia, onde estava toda esta energia que foi manifestada? Alguns dizem que se encontrava em uma forma potencial em Deus. Neste caso, Deus algumas vezes potencial e outras vezes cintico, o qual o faria mutvel. Todo o mutvel um composto e todo o composto deve sofrer essa mudana que chamada destrui豫o. Sendo assim, Deus morreria, o que um absurdo. Portanto, jamais existiu um tempo em que houvesse cria豫o.

젨젨젨젨젨젨 Se me permitem fazer uma compara豫o, cria豫o e criador so duas linhas sem princpio e sem fim, que correm uma outra. Deus a Providncia sempre ativa, de cujo poder surge do caos sistemas aps outros, seguem existindo por um tempo e depois so novamente destrudos. Isto o que o menino brahmnico repete todos os dias: 밢 Senhor criou o sol e a lua, da mesma forma que sis e luas dos ciclos anteriores.

젨젨젨젨젨젨 Eu estou aqui e fecho os olhos e procuro conceber minha existncia, 밻u, 밻u, 밻u, qual a idia que se me apresenta? A idia de um corpo. Eu no sou, ento, seno uma combina豫o de substncias materiais? Os Vedas declaram: 밡o, eu sou um esprito que vive em um corpo. Eu no sou do corpo. O corpo morrer, mas eu no morrerei. Aqui estou eu neste corpo; ele cair, mas eu seguirei vivendo. Eu tambm tive um passado. A alma no foi criada, porque a cria豫o significa uma combina豫o, o que implica uma futura e certa dissolu豫o. Ao contrrio, se a alma foi criada, ento deve morrer. Alguns nascem felizes, gozam de perfeita sade, tem um corpo formoso, vigor mental e todas as necessidades satisfeitas. Outros nascem na misria, alguns carecem de mos ou ps, outros so idiotas e s arrastam uma desventurada existncia. Por que, se todos foram criados, por que um Deus justo e misericordioso criaria alguns felizes e outros infelizes, por que to parcial? No resolve de nenhuma forma a questo, a sustenta豫o de que os miserveis, nesta vida, sero felizes em uma vida futura. Por que um homem h de ser desgraado mesmo aqui, no reino de um Deus justo e misericordioso?

젨젨젨젨젨젨 Em segundo lugar, a idia de um Deus criador no explica a anomalia, seno que expressa simplesmente o fiat cruel de um ser todo-poderoso. Ento deve haver causas, antes do nascimento, que faam um homem desgraado ou feliz, e essas causas so suas a寤es passadas.

젨젨젨젨젨젨 Todas as tendncias da mente e do corpo no so atribudas s atitudes herdadas? Aqui h duas linhas paralelas de existncia: uma da mente, outra da matria. Se a matria e suas transforma寤es podem nos explicar tudo o que temos, ento no h necessidade de supor a existncia de uma alma. Mas no se pode demonstrar que o pensamento tenha sido originado na matria e se inevitvel um monismo filosfico, certamente lgico o monismo espiritual e no menos desejvel que o monismo materialista; porm, nenhum deles nos necessrio aqui.

젨젨젨젨젨젨 No podemos negar que os corpos adquirem certas tendncias pela herana, mas essas tendncias se relacionam to somente com a configura豫o fsica, mediante a qual uma mente particular s pode atuar de uma maneira particular. H outras tendncias especiais da alma, causadas por suas a寤es passadas. E uma alma com uma tendncia herdada poderia, mediante as leis da afinidade, nascer em um corpo que fosse o instrumento mais apto para manifestar essa influncia. Isso se acha de acordo com a cincia, porque a cincia necessita explicar tudo pelo hbito e o hbito adquirido mediante as repeti寤es. Assim, as repeti寤es so necessrias para explicar os hbitos naturais em uma alma recm-nascida. E desde que no foram adquiridos nesta vida, devem provir de vidas passadas.

젨젨젨젨젨젨

 

 

H algo mais que dizer a respeito. Se admitirmos o que foi dito, como que eu no lembro de nada de minha vida passada? Isto pode ser facilmente explicado. Estou falando agora em ingls. Esta no minha lngua materna; com efeito, nenhuma palavra de minha lngua me est agora presente em minha conscincia, mas se procuro lembra-las, vm a mim. Isto demonstra que a conscincia to somente a superfcie do nosso oceano mental e que, dentro de suas profundidades, esto armazenadas todas nossas experincias. Com perseverana e tenacidade e estimuladas essas experincias, podereis ter a conscincia at de vossa vida passada.

젨젨젨젨젨젨 Esta uma evidncia direta e demonstrativa. A verifica豫o a prova perfeita de uma teoria e aqui est o desafio lanado ao mundo pelos rishis: 밡s descobrimos o segredo mediante o qual as profundezas do oceano da memria podem ser revolvidas; queira-o e obtereis uma completa reminiscncia de vossa vida passada.

젨젨젨젨젨젨 De modo que o hindu cr que ele um esprito. A espada no pode penetrar, o fogo no pode queimar, a gua no pode dissolver, o ar no pode secar. O hindu cr que a alma um crculo, cuja circunferncia no est em nenhuma parte, mas cujo centro se acha localizado em um corpo, e que a morte significa a mudana deste centro de um corpo a outro. A alma tampouco est sujeita pelas condi寤es da matria. Na sua prpria essncia livre, ilimitada, santa, pura e perfeita. Mas de um modo ou de outro, se acha ligada matria e considera a si mesma como matria.

젨젨젨젨젨젨 A pergunta imediata : por que a existncia pura, livre e perfeita est desta maneira sob o domnio da matria? Como pode ser enganada, a alma perfeita, com a crena de que imperfeita? Se nos foi dito que os hindus fazem referncia questo e sustentam que no pode ser feita tal interroga豫o. Alguns pensadores tratam de responder a isso, supondo um ou mais seres quase perfeitos e empregando sonoros nomes cientficos para chegar ao vazio. Porm, dar nomes no explicar. O problema permanece sempre o mesmo, como o perfeito pode chegar a ser o quase perfeito? Como o puro, o absoluto, pode mudar at uma microscpica partcula de sua natureza? Mas o hindu sincero. No quer refugiar-se sob um sofisma. intrpido o bastante para encarar a questo com honradez e responder: 밡o sei. No sei como a existncia perfeita, a alma, pode considerar-se imperfeita, como agregada matria e condicionada por ela. Mas o fato evidente; est na conscincia de cada um, que nos consideramos como um corpo. O hindu no pretende explicar por que algum pensa que o corpo. A resposta de 몈ue a vontade de Deus, no uma explica豫o. Isso no mais que o que os hindus dizem: 밡o sei.

젨젨젨젨젨젨 Bem, a alma humana eterna e imortal, perfeita e infinita e a morte s significa uma mudana de centro de um corpo a outro. O presente est determinado por nossas a寤es passadas e o futuro pelo presente. A alma continuar evoluindo e retrocedendo de nascimento em nascimento e de morte em morte.

젨젨젨젨젨젨 Mas se faz outra interroga豫o: o homem uma pequena barca em uma tempestade, levantada num momento sobre a espumosa crista de uma onda, para ser tragada em seguida, pelas faces do abismo, rodando de um lado a outro, a merc das boas e ms a寤es; um nufrago desamparado e impotente na fria de uma incessante e implacvel corrente de causa e efeito; um pequeno verme colocado sob a roda causal que gira, esmagando tudo o que se acha em seu caminho, sem fazer caso das lgrimas das vivas, nem dos lamentos dos rfos? O cora豫o oprime-se ao pensar nisso e, contudo, essa a lei da Natureza.

젨젨젨젨젨젨 No h esperana? No h escapatria? Eram os gritos que surgiam do fundo do cora豫o do desesperado. Esses gritos chegaram ao trono da misericrdia e dele saram palavras de esperana e de consolo, que inspiraram um sbio vdico, o qual erguendo-se ante o mundo, proclamou, com voz potente, a boa nova: 밢uam, filhos da felicidade imortal! Mesmo vs que morais em elevadas esferas! Eu que achei o Antigo Uno, o que est alm de toda obscuridade, de toda iluso: conhea-o e para sempre sereis salvos da morte.

젨젨젨젨젨젨

 

 

 

 

 

밊ilhos da felicidade imortal, que doce e venturoso nome! Deixem-me que os chamem, irmos, por esse doce nome herdeiros da felicidade imortal; sim, o hindu se nega cham-los pecadores.

젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨

 

 

 

Vs, os partcipes da felicidade imortal, seres santos e perfeitos, sois filhos de Deus. Sois divindades sobre a terra, pecadores? um pecado chamar aos homens de uma difama豫o da natureza humana. Levanta-os, oh lees! E sacode-os da iluso de que sois carneiros; sois almas imortais, espritos livres, benditos e eternos; no sois matria, no sois corpo; a matria vossa serva e no vs servos dela.

젨젨젨젨젨젨 Isto o que proclamam os Vedas e no uma combina豫o aterrorizante de leis inclementes, nem uma interminvel priso de causa e efeito, seno que frente de todas essas leis, em cada partcula de matria e fora e atravs dela, est Aquele 뱎or cujo mandato, o vento sopra, arde o fogo, as nuvens vertem a chuva e a morte passa sobre a terra.

젨젨젨젨젨젨 E qual sua natureza?

젨젨젨젨젨젨 Ele est em todas as partes, o Uno puro e sem forma, o Todo-poderoso e Todo-misericordioso. 밫u s nosso pai, Tu s nossa me, Tu s nosso querido amigo, Tu s a origem de toda a fora; nos d fora. Tu s quem suporta as cargas do universo; ajuda-me a suportar a pequena carga desta vida. Assim cantaram os rishis do Veda. E como O adorar? Pelo amor. 밇le h de ser adorado como o nico amado e mais querido que tudo desta vida e da futura.

젨젨젨젨젨젨 Esta a doutrina de amor proclamada nos Vedas e vejamos como ela plenamente desenvolvida e ensinada por Krishna, a quem os hindus consideram como Deus encarnado na terra.

젨젨젨젨젨젨 Ele ensinou que o homem deve viver neste mundo como a folha de loto, que cresce na gua, mas que jamais umedecida por ela; assim deve viver o homem no mundo: com o cora豫o em Deus e as mos no trabalho.

젨젨젨젨젨젨 bom amar a Deus pela esperana e recompensa neste mundo ou em outro, mas melhor amar a Deus pelo amor mesmo e a prece : 밪enhor, eu no desejo riquezas, nem filhos, nem ilustra豫o. Se for Tua vontade, irei de nascimento em nascimento, mas concede-me isto: que possa amar-Te sem esperana de recompensa; amor abnegado, por amor ao amor.

젨젨젨젨젨젨 Um dos discpulos de Krishna, Yudhisthira, ento Imperador da ndia, foi expulso do trono por seus inimigos e teve que se refugiar, com a rainha, em um bosque dos Himalaias: ali, a rainha perguntou-lhe, certo dia, por que ele, o mais virtuoso dos homens, haveria de sofrer tanta misria? Yudhisthira respondeu: 밅ontempla, rainha minha, os Himalaias, quo belos e grandes so; eu os amo. No me do nada, mas minha natureza amar o grande, o belo, por isso os amo. Por isso mesmo, amo ao Senhor. Ele a origem de toda beleza, de toda sublimidade. Ele o nico objeto que deve ser amado; minha natureza ama-lo e, por isso, o amo. Nada imploro, no peo nada. Que me coloque onde lhe agrade. Devo ama-lo por amor ao amor. Eu no posso comercializar com o amor. Os Vedas ensinam que a alma divina, mas que est retida aos laos da matria; quando esses laos se romperem, se alcanar a perfei豫o e a palavra que se emprega para designa-la, mukti, liberdade da morte e da misria.

젨젨젨젨젨젨 E essas cadeias s podem cair feita em pedaos, mediante a graa de Deus, graa que chega aos puros. Assim, pois, a pureza condi豫o indispensvel de Sua graa. Como acontece essa graa? Ela se revela no cora豫o puro; o puro e imaculado v a Deus, sim, at nesta mesma vida, e ento, s ento, se endireitam todas as sinuosidades do cora豫o. Ento cessam todas as dvidas. J no se acha mais submetido ao capricho da terrvel lei da causalidade. Este o centro, na concep豫o vital do hindusmo.

젨젨젨젨젨젨 O hindu no quer viver baseando-se em palavras e em teorias. Se h existncias alm da existncia sensorial ordinria, ele necessita enfrenta-la. Se existe nele uma alma que no matria, se h uma Alma universal que toda bondade, ele dirige-se diretamente a ela. Necessita v-la e, somente isto, desvanecer todas as suas dvidas. A melhor prova que um sbio hindu oferece acerca da alma, acerca de Deus, 밻u vi a alma; eu vi a Deus. Esta a nica condi豫o de perfei豫o.

젨젨젨젨젨젨 A religio dos hindus no consiste em lutas e tentativas de crer em certas doutrinas ou dogmas, mas em realizar; no em crer, mas em ser e chegar a ser. Assim, todo o objetivo de seu sistema , mediante luta constante, chegar a ser perfeito, chegar a ser divino, chegar a Deus e ver a Deus; e este alcanar a Deus e v-lo e chegar a ser perfeito como o Pai Celestial, constitui a religio dos hindus.

젨젨젨젨젨젨 E o que acontece a um homem quando alcana a perfei豫o? Vive uma vida de infinita felicidade. Goza da felicidade infinita e perfeita, uma vez que obtm o nico em quem deveria achar prazer e dizer: Deus. E desfrutar da felicidade com Deus.

젨젨젨젨젨젨 Todos os hindus esto de acordo nisto. Todas as seitas da ndia tm em comum esta religio. Mas ento a perfei豫o absoluta e o absoluto no pode ser dois, ou trs. No pode ter nenhuma qualidade. No pode ser um indivduo. E assim, quando uma alma se torna perfeita e absoluta, deve ter chegado a se unificar com Brahman e s realizar ao Senhor como a perfei豫o, a realidade de sua prpria natureza e existncia; a existncia, o conhecimento e a felicidade absolutos. Com muita freq獪ncia temos lido que isto perder a individualidade e converter-se em um tronco ou uma pedra: 밪e ri das cicatrizes, quem nunca teve uma ferida. Direi que nada h de certo em tudo isso. Se h felicidade em gozar a conscincia deste pequeno corpo, deve ser maior a felicidade de gozar a conscincia de dois corpos e a medida da felicidade se acrescentar com a conscincia de um nmero aumentado de corpos, alcanando-se o objetivo, ou seja, o grau mximo da felicidade, ao se alcanar a conscincia universal.

젨젨젨젨젨젨 Portanto, para alcanar a infinita individualidade universal, deve desaparecer a mesquinha individualidade aprisionada. S ento pode cessar a morte, quando eu me unificar com a vida; cessar a infelicidade, quando eu for uno com a felicidade; e cessaro todos os erros, quando eu me unificar com o conhecimento; tal a concluso cientifica inevitvel. A cincia demonstrou-me que a individualidade fsica uma iluso, que meu corpo realmente um pequeno corpo que est constantemente mudando em um oceano contnuo de matria e a concluso necessria para minha contraparte, a alma, advaitam (unidade).

젨젨젨젨젨젨 A cincia no seno a conquista da unidade. To logo a cincia alcana a unidade perfeita, se detm em seu progresso, porque chega sua meta. Deste modo, a qumica no poderia progredir mais, se descobrisse um elemento do qual poderia derivar-se todos os outros; a fsica se deteria, quando pudesse coroar seus esforos, descobrindo uma energia da qual todas as outras fossem apenas manifesta寤es e a cincia da religio alcana a perfei豫o, quando descobrir Aquele que a nica vida num oceano de morte; Aquele que a base constante de um mundo sempre mutante; Aquele que a nica Alma da qual todas as demais almas so manifesta寤es ilusrias. Assim se alcana, atravs da multiplicidade e da dualidade, a unidade final. A religio no pode ir mais alm. Esta a meta de toda cincia.

젨젨젨젨젨젨 Toda cincia chega, por fora, em ltima instncia, a esta concluso. Manifesta豫o e no cria豫o o que, atualmente, proclama a cincia e gratificante ao hindu comprovar que as concluses mais recentes da mesma cincia ensinam, em linguagem mais potente e com maior clareza, tudo o que foi ensinado e compreendido por ele, durante sculos.

젨젨젨젨젨젨 Desamos agora, das aspira寤es da filosofia religio do ignorante. Diante de tudo, posso dizer que no h politesmo na ndia. Se algum no se detm a escutar, achar que cada templo dos devotos aplica todos os atributos de Deus, inclusive a onipresena, s imagens. Isto no politesmo, nem tampouco a denomina豫o de henotesmo explicaria a situa豫o: 밃 rosa, chamada com outro nome, teria sempre o mesmo aroma. Os nomes no so explica寤es.

젨젨젨젨젨젨 Lembro que, quando criana, ouvi na ndia um missionrio cristo que pregava a uma multido. Entre outras coisas amveis que dizia naquela ocasio, uma era que se ele pegasse com um pau o dolo deles, que este faria? 밪erias castigado, quando morresses, respondeu o pregador. 밫ambm meu dolo te castigarias quando morresses, acrescentou o hindu.

젨젨젨젨젨젨 밣or seus frutos, conhecers a rvore. Quando vir que entre os chamados idlatras h homens de tal moralidade, espiritualidade e amor como nunca encontrei em parte alguma, detenho-me a perguntar: pode o pecador engendrar tal santidade?

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A supersti豫o um grande inimigo do homem, mas o fanatismo pior; por que vai um cristo a igreja? Por que santa, a cruz? Por que, na ora豫o, se dirige o rosto para o cu? Por que h tantas imagens na Igreja Catlica? Por que h tantas imagens nas mentes dos protestantes, quando oram? Irmos meus, no nos possvel pensar sem uma imagem mental, como viver sem respirar. Pela lei da associa豫o, a imagem material evoca a idia mental e vice-versa. Por esse motivo o hindu usa um smbolo externo, quando adora, e ele lhes dir que mantm fixa a mente no Ser a quem adora. Sabe, to bem como vs, que a imagem no Deus, nem onipresente. Depois de tudo, que significa onipresena para quase todo mundo? simplesmente uma palavra, um smbolo. Tem Deus rea superficial? Se no tem, quando repetimos a palavra onipresena, pensamos no vasto firmamento e no espao, isso tudo.

젨젨젨젨젨젨 Assim como falamos que, de um modo ou outro, temos que associar nossas idias de infinidade com a imagem do cu azul, ou do mar, pelas leis de nossa constitui豫o mental, assim tambm relacionamos nossa idia de santidade com a imagem de uma igreja, de uma mesquita ou de uma cruz.

젨젨젨젨젨젨 Os hindus associam as idias de santidade, pureza, verdade, onipotncia e outras, com diferentes imagens e formas. Mas com esta diferena: enquanto que algumas pessoas dedicam toda sua vida ao dolo de sua igreja e nunca se elevam mais porque para eles a religio significa um assentimento a certas doutrinas e fazer o bem a seus semelhantes, toda a religio do hindu se acha concentrada na realiza豫o. O homem h de chegar a ser divino pela realiza豫o do divino; os dolos, os templos, as igrejas e os livros, so to somente os suportes, os auxlios de sua infantil espiritualidade; mas deve continuar progredindo constantemente.

젨젨젨젨젨젨 No deve deter-se em nenhuma parte: A adora豫o externa, a adora豫o material, dizem os Vedas, o estado inferior; lutando por elevar-se maior altura, a ora豫o mental o estado seguinte e o mais elevado quando se realiza ao Senhor.

젨젨젨젨젨젨 Notando isso, o mesmo fervoroso homem que est ajoelhado ante o dolo, diz: O sol no pode expressa-lo, nem a lua, nem as estrelas; tampouco podem expressa-lo o relmpago nem o que denominamos fogo; eles brilham mediante Ele. Mas no ultraja os dolos dos demais, nem chama pecado o culto alheio, seno que reconhece neste, um estado necessrio da vida. O menino o pai do homem; seria justo que um ancio dissesse que a infncia ou a juventude um pecado?

젨젨젨젨젨젨 Se um homem pode realizar sua natureza divina com o auxilio de uma imagem, seria justo chamar pecado a isto? Nem mesmo quando haja passado por este estado, deveria cham-lo de erro. Para o hindu, o homem no passa do erro verdade, seno que vai de verdade em verdade, de uma verdade inferior outra superior. Para ele, todas as religies, desde o mais baixo fetichismo ao mais elevado absolutismo, significam outros tantos esforos da alma humana por alcanar e realizar o infinito, cada um dos quais se acha determinado pelas condi寤es de seu nascimento e associa豫o e marcando cada um, um estado de progresso; cada alma uma guia jovem que paira constantemente mais alto, desenvolvendo mais e mais fora at que chega ao Glorioso Sol.

젨젨젨젨젨젨 Unidade na variedade o plano da natureza e o hindu o reconhece. Cada uma das demais religies estabelece certos dogmas fixos e procura obrigar a sociedade a adora-los. Apresenta sociedade uma s capa que se deva assentar bem em Joozinho, em Joo e em Henrique, a todos igualmente. Se no fica bem em Joozinho ou em Henrique, devero passar sem capa com que cobrir o corpo.

젨젨젨젨젨젨 Os hindus descobriram que o Absoluto s pode ser realizado, imaginado ou exposto, mediante o relativo; e as imagens, cruzes e meias-luas, constituem simplesmente outros tantos smbolos, outras tantos cabides para pendurar idias espirituais. No que esta ajuda seja necessria para todos, mas quem no necessita dela no tem direito de dizer que m. Nem obrigatria no hindusmo.

젨젨젨젨젨젨 Eu tenho isto em conta; a idolatria na ndia no significa algo horrvel, no a me da corrup豫o; pelo contrrio, a inten豫o das mentes no desenvolvidas de alcanar verdades espirituais mais elevadas.

젨젨젨젨젨젨 Os hindus tm suas faltas, algumas vezes tm suas exce寤es; mas advertem-se disto: sempre castigam seu prprio corpo; jamais degolam o prximo. O hindu fantico se queima sobre uma pira, mas jamais acendem o fogo da inquisi豫o. E mesmo isto no pode ser atribudo a sua religio, do mesmo modo que o fato de queimar bruxas no pode ser atribudo ao cristianismo.

젨젨젨젨젨젨 Para o hindu, todo o mundo de religies to somente uma viagem; uma promo豫o de diferentes homens e mulheres, atravs de vrias condi寤es e circunstncias para a mesma meta.

젨젨젨젨젨젨 Toda religio tem, por nico objeto, transformar em um Deus o homem material e o mesmo Deus o inspirador de todas elas. Por que h, ento, tantas contradi寤es? To s so aparentes, disse o hindu. As contradi寤es procedem da mesma verdade ao adaptar-se s variadas circunstncias de diferentes naturezas. A mesma luz atravessa vidros de diferentes cores. Essas pequenas varia寤es so necessrias para propsitos de adapta豫o. Mas no cora豫o de todas as coisas, reina a mesma verdade.

젨젨젨젨젨젨 O Senhor, em sua encarna豫o como Krishna, declarou ao hindu: Eu estou em cada religio como o fio atravs de uma fileira de prolas. Donde vir surgir extraordinria santidade e extraordinrio poder que purificam a humanidade, sabe que ali estou eu. E qual tem sido o resultado? Desafio o mundo a encontrar em todo o sistema de filosofia snscrita, alguma expresso que diga que s o hindu ser salvo e os demais no. Disse Vyasa: Achamos homens perfeitos mesmo alm das fronteiras de nossa casta e credo. Mais at. Como pode o hindu, cuja total estrutura de pensamento tem seu centro em Deus, crer no budismo, que agnstico, ou no jainismo, que ateu?

젨젨젨젨젨젨 Os budistas e os jainas no recorrem a Deus; porm toda a fora de sua religio recai sobre a grande verdade central de cada religio; transformar o homem em Deus. Eles no vem o Pai, mas vem o Filho. E aquele que viu o Filho, v o Pai.

젨젨젨젨젨젨 Isto, irmos, um pequeno esboo das idias religiosas dos hindus. O hindu talvez tenha sido impotente para realizar todos seus planos, mas se algum dia houver uma religio universal, h de ser aquela que no est radicada no tempo e no espao; que seja infinita como o Deus que predique, e cujo sol brilhe sobre os discpulos de Krishna e os de Cristo igualmente, sobre os santos e sobre os pecadores; que no seja brahmnica, nem budista, nem crist, nem maometana, seno a soma de todas elas e tenha infinito espao para evoluir: que em seu catolicismo abrace com seus infinitos braos e que haja um lugar para cada ser humano, desde o selvagem mais rstico, que em muito pouco ultrapassa o bruto, at o homem mais elevado que se eleva pelas virtudes de seu crebro e de seu cora豫o quase acima da humanidade, fazendo com que a sociedade se assombre ante sua presena e duvide que seja de natureza humana. Ser uma religio que no ter lugar em seu seio para a persegui豫o, nem a intolerncia, que reconhea em cada homem e mulher a divindade e cujo fim, cuja fora total, esteja concentrada em ajudar a humanidade a realizar a sua prpria e verdadeira natureza divina.

젨젨젨젨젨젨 Oferece uma religio assim, e todas as na寤es os seguiro. O conclio de Asoka foi uma assemblia de f budista. O de Akbar, embora mais apropriado a esse fim, foi to somente uma reunio de salo. Estava reservado Amrica proclamar a todas as partes do globo, que o Senhor est em cada uma das religies.

젨젨젨젨젨젨 Que Aquele que o Brahman dos hindus, o Ahura-Mazda dos zoroastrianos, o Buda dos budistas, o Jeov dos judeus e o Pai Celestial dos cristos, d-lhes fora para realizar vosso nobre ideal! A estrela nasceu no Oriente, avanou com firmeza para o Ocidente, algumas vezes obscurecida, outras vezes esplendorosa, at que circundou o mundo e agora surge novamente no mesmo horizonte do Oriente, s fronteiras do Sanpo, cem vezes mais resplandecente que nunca.

젨젨젨젨젨젨 Salve Columbia, me da liberdade! A ti, que jamais empapaste tua mo no sangue de teu prximo, a ti que jamais pensaste que o modo mais rpido de enriquecer consiste em roubar os vizinhos, a ti, que marchou na vanguarda da civiliza豫o, levando despregada a bandeira da harmonia.젨젨

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

밃 RELIGI홒 N홒 A MAIS IMPERIOSA NECESSIDADE DA NDIA

 

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(20 de setembro de 1893)

 

젨젨젨젨젨젨 Os cristos devem estar sempre dispostos a uma crtica amistosa e penso que no levareis a mal que eu faa uma pequena crtica.

젨젨젨젨젨젨 Vs, os cristos, que sois afetos a enviar missionrios para que se salvem as almas dos hereges, por que no procurais salvar seus corpos da morte pela fome? Na ndia, durante as terrveis fomes, milhares de pessoas morreram de inani豫o, sem que vs, os cristos, fizessem algo para evitar.

젨젨젨젨젨젨 Construs igrejas por toda a ndia, mas o mal que aflige a ndia no falta de religio que dessa tem o suficiente mas po. Po que pedem com angustiada voz, os milhes de desgraados hindus. Pedem po, mas lhes damos pedras.

젨젨젨젨젨젨 um insulto oferecer religio a um povo que morre de fome, ou ensinar metafsica a um homem que desfalece de necessidades.

젨젨젨젨젨젨 Na ndia, um sacerdote que predica por dinheiro perderia sua casta e seria insultado pelo povo.

젨젨젨젨젨젨 Vim aqui em busca de ajuda para meu empobrecido povo, mas agora compreendo perfeitamente o quo difcil conseguir, em terra crist, ajuda dos cristos para os hereges.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

밢 BUDISMO, CONSUMA플O DO HINDUSMO

 

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(26 de setembro de 1803)

 

젨젨젨젨젨젨 Eu no sou budista, como j ouviram e, contudo, o sou. Se China, Japo e Ceilo seguem os ensinamentos do Grande Mestre, a ndia o adora como a Deus encarnado na terra.

젨젨젨젨젨젨 Acabais de ouvir que vou criticar o budismo, mas por crtica, desejo que compreendais to somente isto: Estar longe de meu nimo criticar a quem adoro como Deus encarnado na terra. Opinamos que Buda no foi devidamente interpretado pelos seus discpulos. A rela豫o ente o hinduismo (por hinduismo significa a religio dos Vedas) e o que na atualidade denomina-se budismo, quase a mesma existente no judasmo e no cristianismo. Jesus Cristo era judeu, e Sakiamuni era hindu. Os judeus rechaaram Jesus e at o crucificaram; os hindus aceitaram a Sakiamuni e o adoraram como Deus.

젨젨젨젨젨젨 Mas a verdadeira diferena que os hindus querem assinalar entre o moderno budismo e o que devemos considerar como ensinamentos do Senhor Buda reside, principalmente, em que Sakiamuni no veio pregar nenhuma coisa nova; ele tambm, o mesmo que Jesus, veio cumprir sua misso e no para destruir. S que no caso de Jesus, foram os judeus, os mais velhos, quem no o compreendeu, enquanto que no caso de Buda, foram seus mesmos discpulos que no captaram o significado de seus ensinamentos. No entenderam, os judeus, que se consumava o Antigo Testamento, nem tampouco os budistas, que se consumavam as verdades da religio hindu.

Novamente repito que Sakiamuni no veio para destruir, seno que foi ele o cumprimento, a concluso lgica, o desenvolvimento lgico da religio hindu.

젨젨젨젨젨젨 A religio dos hindus divide-se em duas partes: a cerimonial e a espiritual, sendo esta ltima estudada especialmente pelos monges. No h castas, nela. Um homem de classe superior e outro da inferior pode, na ndia, converter-se em monge ficando, assim, igualadas suas castas. Na religio no h castas; a casta simplesmente uma institui豫o social. O mesmo Sakiamuni foi monge e sua glria consistiu em ter tido um cora豫o to grande, que quis desenterrar as verdades dos ocultos Vedas para dissemina-las por todo o mundo. Ele foi o primeiro no mundo que instituiu a prtica das misses, e o primeiro a conceber a idia de proselitismo.

젨젨젨젨젨젨 A grande glria do Mestre est em sua assombrosa compaixo para todo o mundo, especialmente pelos ignorantes e pobres. Alguns de seus discpulos eram brahmanes. Quando Buda ensinava, a linguagem falada na ndia no era o snscrito, idioma que s aparecia nos livros dos sbios.

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Alguns dos brahmanes, discpulos de Buda, quiseram traduzir seus ensinamentos para o snscrito, mas ele lhes disse terminantemente: 밇u sou para os pobres, para o povo; deixe-me falar na lngua do povo. E por isso, at hoje, a maior parte de seus ensinamentos se encontra em uma lngua vulgar da ndia daqueles tempos.젨젨젨

젨젨젨젨젨젨 Seja qual for a atitude da filosofia, seja qual for a atitude da metafsica, enquanto existir no mundo isso que chamamos morte, enquanto houver fraquezas no cora豫o humano e lance este gritos de impotncia, haver f em Deus.

젨젨젨젨젨젨 Pelo lado filosfico, os discpulos do Grande Mestre chocaram-se contra as rochas eternas dos Vedas e no puderam derruba-las e, por outro lado, tiraram da na豫o aquele Deus eterno, ao qual todo indivduo, homem ou mulher, aferram-se com tanto amor. Como lgico resultado, aconteceu que o budismo morreu na ndia, de morte natural e, na atualidade, no existe ali, na terra onde nasceu Buda, nada que se aprecie de budista.

젨젨젨젨젨젨 Porm, ao mesmo tempo o brahmanismo perdeu algo, perdeu aquele zelo reformador, aquela assombrosa simpatia e caridade para com todo o mundo, aquela maravilhosa levedura que o budismo ps nas massas e que engrandeceu tanto a sociedade hindu, que um historiador grego escreveu sobre a ndia daquela poca, chegando a dizer que no conhecia nem um hindu que dissesse uma mentira, nem uma s mulher que no fosse casta.

젨젨젨젨젨젨 O hinduismo no pode existir sem o budismo, nem o budismo sem o hinduismo. Compreendamos, pois, o que evidenciou a separa豫o: que os budistas no podem prescindir do crebro e da filosofia dos brahmanes, nem os brahmanes do cora豫o dos budistas. Esta separa豫o entre budistas e brahmanes, tem a culpa da decadncia da ndia e que est agora povoada por trezentos milhes de mendigos e tem sido escrava dos conquistadores durante os ltimos mil anos. Unamos, por conseguinte, o prodigioso intelecto dos brahmanes com o cora豫o, a nobre alma e o maravilhoso poder humanitrio do Grande Mestre.

 

 

 

밆ISCURSO NA SESS홒 FINAL

 

젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨 Swami Vivekananda

 

(27 de setembro de 1893)

 

젨젨젨젨젨젨 O Congresso Mundial das Religies j um fato consumado e o Pai misericordioso tm ajudado aos que trabalharam para conclui-lo, coroando com xito seu muito altrusta labor.

젨젨젨젨젨젨 Agradeo s nobres almas, cujo grande cora豫o e amor verdade, conceberam primeiro este maravilhoso sonho, realizando-o depois. Obrigado pela demonstra豫o de sentimentos liberais que reinou nesta tribuna. Obrigado ao esclarecido auditrio, por sua unnime bondade para comigo e por saber valorizar todo pensamento que tende a suavizar o atrito das religies.

젨젨젨젨젨젨 Em meio desta harmonia, se ouviram, de vez em quando, algumas notas discordantes; estou especialmente agradecido aos seus autores porque, com seu forte contraste, tornaram mais doce a harmonia geral.

젨젨젨젨젨젨 Muito tem se falado da base comum para a unidade religiosa. No vou propor minha teoria precisamente agora. Mas se alguns dos presentes esperam que esta unidade se produza mediante o triunfo de alguma das religies e a destrui豫o de outras, eu lhes digo: 밒rmo, esperais o impossvel. Hei de desejar que o cristianismo se faa hindu? Deus me livre. Desejarei que o hindu ou o budista converta-se em cristos? Que Deus no permita.

젨젨젨젨젨젨 A semente est semeada; a terra, a gua e o ar a rodeiam. Converter-se- a semente em terra, em ar ou em gua? No. Far-se- planta, crescer segundo sua prpria lei e, assimilando o ar, a terra e a gua, os converter em material vegetal; assim, a semente se converter em planta.

젨젨젨젨젨젨 O caso da religio anlogo. O cristo no se far hindu nem budista; o hindu e o budista no se convertero em cristos. Mas cada um deve assimilar o esprito dos outros e conservar, no entanto, sua individualidade, crescendo segundo suas prprias leis.

젨젨젨젨젨젨 Se o Congresso das Religies demonstrou algo ao mundo, o seguinte: Provou que a santidade, a pureza e a caridade no so possesses exclusivas de nenhuma igreja do mundo e que cada sistema produz homens e mulheres de ordem mais elevada. Na presena deste fato evidente, se algum sonha com a exclusiva sobrevivncia de sua prpria religio e da destrui豫o das outras, compadeo-me dele, do fundo do meu cora豫o e o fao notar que na bandeira de cada religio logo se escrever: 밃juda, e no luta, 밃ssimila豫o, e no destrui豫o, 밐armonia e paz, e no distin豫o.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

밢 IDEAL DE KARMA-YOGA

 

젨젨젨젨 젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨 Swami Vivekananda

 

 

젨젨젨젨젨젨 O mais admirvel que tem a religio da vedanta, o conceito de que podemos alcanar a mesma meta por diferentes caminhos. Foram divididos em quatro classes: o trabalho, o amor, a psicologia e o conhecimento. Recorda, contudo, que tal classifica豫o no de todo exata e que essas classes no se excluem umas as outras, mas que cada uma mescla-se com as demais. Denominamos essas classes, ou categorias de indivduos, segundo o tipo que prevalece em cada um; mais isso no significa que existem homens que no possuem mais faculdades que a de trabalhar e outros que s sejam devotos fervorosos, nem outros que s tenham sabedoria. Aquela classifica豫o se efetua de acordo com o tipo ou tendncia que parece prevalecer em um individuo. Temos visto que, no fim, os quatro caminhos convergem e convertem-se em um s. Todas as religies e mtodos de trabalho e adora豫o nos conduzem a um nico e mesmo fim.

젨젨젨젨젨젨 J vos procurei indicar qual esse fim. a liberdade, tal como eu a compreendo. Tudo o quanto percebemos em torno de nossa luta pela liberdade, desde o tomo ao homem, desde a insensvel partcula de matria inerte, at a existncia mais elevada da terra, a alma humana. O universo inteiro , na verdade, o resultado dessa luta pela liberdade. Em todas as combina寤es, cada partcula trata de seguir seu prprio curso e afastar-se dos demais; mas as outras as sujeitam. Nossa terra trata de fugir do sol e a lua, de distanciar-se da terra. Tudo tende para a disperso infinita. Tudo o que vemos no universo tem por base esta luta pela liberdade; impulsionado por esta tendncia, o santo ora e o ladro rouba.

젨젨젨젨젨젨 Quando a linha de trabalho que se segue no adequada, a chamamos mal, e quando correta e elevada, a denominamos bem. Porm o impulso o mesmo: a luta em prol da liberdade. Sente-se oprimido o santo ao saber-se cheio de liga寤es e deseja livrar-se delas; por isso, adora a Deus. Para o ladro, o oprime a idia de que carece de certas coisas e procura livrar-se de tal necessidade; por isso rouba. A liberdade o nico objetivo de toda natureza, seja sensvel ou insensvel; e consciente e inconscientemente, tudo luta em prol dessa meta. A liberdade que busca o santo muito distinta da que persegue o ladro; a liberdade amada pelo santo, o leva ao gozo da infinita e inefvel felicidade, enquanto que aquela em que se empenha o ladro, s forja outras cadeias para a sua alma.

젨젨젨젨젨젨 Em todas as religies se manifesta esta luta pela liberdade, fundamento de toda moralidade e do altrusmo; o qual significa abandonar a idia de que os homens no so seno seu msero corpo. Quando vemos um homem realizando uma boa a豫o, ajudando os outros, quer dizer que no pode ficar confinado dentro de um reduzido crculo do 밻u e 뱈eu. No existe limite para esta renncia ao egosmo. Todos os grandes sistemas de tica pregam, como objetivo, o absoluto altrusmo. Suponha que este absoluto altrusmo fosse alcanado por um homem; que sucederia? J no seria Senhor Fulano de Tal; haveria se engrandecido infinitamente e haveria perdido para sempre aquela pequena personalidade que antes possua, tornando-se infinito.

젨젨젨젨젨젨 A conquista de tal expanso infinita , na verdade, a meta de todas as religies e de todos os ensinamentos filosficos e morais. O personalista se assusta quando ouve expor filosoficamente esta idia. Contudo, se prega moralidade, preconiza, depois de tudo, a mesma idia, j que no pe limites ao altrusmo do homem. Suponha que um homem chegasse a ser perfeitamente altrusta, de acordo com o sistema personalista; como faramos para distingui-lo dos indivduos perfeitos de outros sistemas? Conseguindo unificar-se com o universo e alcanar isto, o objetivo de todos; s que o pobre personalista no tem suficiente coragem para desenvolver suas prprias teorias, at sua lgica concluso.

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Karma-yoga a aquisi豫o, mediante a obra altrusta, dessa liberdade, que a meta de toda a natureza humana. Portanto, cada a豫o egosta retarda nossa chegada a esta meta e cada a豫o altrusta nos aproxima dela; por isso, a nica defini豫o que se pode dar da moralidade, esta: O que egosta, imoral, e o altrusta moral.

젨젨젨젨젨젨 Mas se entrais em detalhes, o assunto j no vos parecer to simples. Por exemplo, o ambiente altera com freq獪ncia os detalhes, como j foi dito. Uma mesma a豫o pode ser, segundo as circunstncias, completamente egosta ou altrusta. Por isso, s podemos dar uma defini豫o geral e deixar que os detalhes sejam elaborados, tomando em considera豫o as diferenas de tempo, lugar e circunstncias.

젨젨젨젨젨젨 Em um pas, se considera moral a determinada espcie de conduta que, em outro, se julga imoral, porque diferem as circunstncias. O objetivo de toda natureza a liberdade e esta de obtm mediante o perfeito altrusmo; cada pensamento, cada palavra ou a豫o altrusta, nos leva para a meta e, como tal, se chama moral. Tal defini豫o, segundo vs, resulta aceitvel em qualquer religio e qualquer sistema tico.

젨젨젨젨젨젨 Segundo certas filosofias, a moralidade provm de um Ser Superior: Deus. Se perguntardes por que um homem deve fazer isto ou aquilo, a resposta : 밣orque tal o mandato de Deus. Mas seja qual for sua origem, o cdigo moral desses pensadores gira ao redor da mesma concep豫o central: no pensar nele, mas abandona-lo. E, sem dvida, algumas pessoas, apesar de to elevado conceito de moral, se atemorizam ao pensar em renunciar sua msera personalidade.

젨젨젨젨젨젨 Ao homem aferrado idia da pequena personalidade, poderamos perguntar, no caso de algum que chegue a ser perfeitamente altrusta e no pense jamais em si mesmo, nem fale de si, onde est seu 뱒i mesmo. Tem conscincia desse 뱒i mesmo unicamente enquanto pensa, trabalha ou fala para si mesmo. Se s consciente dos demais do universo e do todo, onde est seu 뱒i mesmo?. Desapareceu para sempre.

젨젨젨젨젨젨 Karma-yoga, portanto, um sistema de tica e religio destinado a obter a liberdade mediante o altrusmo e as boas obras. O karma-yogui no necessita acreditar em doutrina alguma. Pode no acreditar em Deus, pode no perguntar o que a sua alma, nem conceber nenhuma especula豫o metafsica. Tem seu prprio objetivo, seu modo especial de alcanar o altrusmo e deve alcana-lo por si mesmo. Cada instante de sua vida deve ser realiza豫o, porque deve resolver, mediante o mero trabalho, sem ajuda de doutrina e nem teoria, o mesmo problema do qual o jnani aplica sua razo e inspira豫o e o bhakta seu amor.

젨젨젨젨젨젨 Agora, consideremos o problema seguinte: que esta obra? Em que consiste este fazer bem ao mundo? Podemos fazer bem ao mundo? Em sentido absoluto, no; em sentido relativo, sim. No se pode fazer nenhum bem permanente, ou perptuo; se pudesse fazer, o mundo no seria assim. Podemos satisfazer a fome de um homem durante cinco minutos, mas voltar a sentir outra vez. Notamos que cada prazer que ocasionamos a um homem, momentneo. Nada pode curar definitivamente esta febre de prazer o dor, sempre renovadas. Pode algum proporcionar ao mundo a felicidade permanente? No podemos elevar uma onda em um oceano sem causar uma depresso em alguma outra parte.

젨젨젨젨젨젨 A soma total das coisas boas do mundo tem sido sempre a mesma rela豫o s necessidades e cobia do homem. No pode ser aumentada, nem diminuda. Tomemos a histria da raa humana, tal como a conhecemos hoje. No falamos das mesmas desventuras e das mesmas felicidades, os mesmos prazeres e dores, as mesmas diferenas de posi豫o? No so alguns ricos, outros pobres, uns altos, outros baixos, uns saudveis e outros doentes? Aos egpcios, gregos e romanos dos tempos antigos, acontecia o mesmo que acontece aos americanos de hoje. At onde alcana a histria, sempre foi assim; contudo, vemos tambm que, paralelamente a todas essas insolveis diferenas de prazer e dor, sempre existiu a luta por alivia-las.

젨젨젨젨젨젨 Cada perodo da histria empenhou milhares de homens e mulheres que se esforaram por tornar mais suave o correr da vida para os demais. E at onde alcanaram? S podemos deslocar a bola de um lugar a outro. Eliminemos a dor do plano fsico e esta vai ao mental. como uma escada do inferno de Dante, em que se entrega aos miserveis uma bola de ouro, para que a faam rolar para cima de uma montanha. A fazem subir um pouco de cada vez e, novamente, volta a cair. Todas as nossas tagarelices sobre a idade do ouro ficam muito entretidas em historinhas para crianas, nada mais.

Cada na豫o que sonha com a idade do ouro, pensa tambm que ela ser, entre todas as demais, a que alcanar o melhor. Tal a assombrosa idia altrusta da idade do ouro!

젨젨젨젨젨젨 No podemos acrescentar felicidade a este mundo, nem tampouco lhe agregar dor; a soma total das energias do prazer e dor, empregadas na terra, ser sempre a mesma. As empurramos de um lado a outro e vice-versa, mas nunca variaro, porque permanecer assim est em sua natureza. Este crescente e minguante, este subir e descer, constituem a natureza intrnseca do mundo; sustentar o contrrio seria to lgico como afirmar que pode haver vida sem morte. Isto um verdadeiro desatino, porque a idia de vida implica na morte e da mesma forma, a idia de prazer implica em dor. A lmpada arde e se consome constantemente e esta a sua vida. Se quiserdes ter vida, deveis estar morrendo constantemente por ela. A vida e a morte somente so expresses diferentes da mesma coisa contempladas de distintos pontos de vista; so a ascenso e a depresso de uma mesma onda e ambos formam um todo. Quem olha a 밺epresso, torna-se pessimista e quem contempla a 밶scenso, torna-se otimista. Quando uma criana vai a escola e seus pais cuidam dela, tudo parece feliz; suas necessidades so simples, ela uma grande otimista. Mas o ancio, com sua vasta experincia, encontra-se mais descansado e seguro, exalta-se muito pouco. Da mesma maneira, as velhas na寤es cheias de runas tm menos esperanas que as novas. Temos, na ndia, um provrbio: 밠il anos cidades e mil anos bosque. Esta transforma豫o de cidade em bosque e vice-versa ocorre em todas as partes e torna pessimistas ou otimistas os povos, pelo ponto de vista que assumem.

젨젨젨젨젨젨 A prxima idia que devemos considerar, a de igualdade. Este conceito de um sculo de ouro tem servido como um poderoso impulso para atuar. Muitas religies pregam-no como parte de seus ensinamentos; que Deus vir reger este universo e que ento, no haver diferena alguma de condi寤es. Quem prega essa doutrina so simples fanticos e os fanticos so, na realidade, os homens mais sinceros. O cristianismo pregou baseando-se, precisamente, na fascina豫o desse fanatismo e isso o que o fez to atraente para os escravos gregos e romanos. Acreditaram que, com a religio do sculo do ouro, no existiria mais escravido, que teriam o suficiente para beber e comer e por isso, agrupavam-se em torno da causa crist. Aqueles que pregaram, no princpio, a idia, foram, naturalmente, fanticos ignorantes, mas muito sinceros.

젨젨젨젨젨젨 Nos tempos modernos, esta aspira豫o ao sculo de ouro adquire a forma da igualdade liberdade, igualdade, fraternidade. Tambm isto fanatismo. A verdadeira igualdade jamais existiu, nem existir na terra. Como podemos aqui, sermos todos iguais? Esta espcie de igualdade impossvel implica na morte total. Que faz com que o mundo assim seja? O desequilbrio. No estado primordial, denominado caos, existe um perfeito equilbrio. Como surgiram todas as foras criadoras do universo? Devido luta, a competi豫o, ao conflito. Suponha que todos os tomos estivessem em equilbrio, existiria algum processo de cria豫o? A cincia nos responde que no, que seria impossvel. Agita a gua e vereis que todas as suas molculas procuram voltar ao repouso, precipitando-se umas contra as outras. Desse mesmo modo, todos os fenmenos que chamamos universo todas as coisas que h nele lutam para retornar ao estado de perfeito equilbrio. Enquanto se produz uma perturba豫o, teremos novamente a combina豫o e a cria豫o. A desigualdade a base da cria豫o. Ao mesmo tempo, as foras que lutam por ter a igualdade so necessrias cria豫o, como aquelas que as destroem.

젨젨젨젨젨젨 A igualdade absoluta, que significa o perfeito equilbrio das foras, impugna em todos os planos, nunca pode existir neste mundo. Antes que alcanceis este estado, o mundo se voltar completamente inadequado para toda a espcie de vida e no existiram seres viventes. Observamos, em conseq獪ncia, que todas essas idias de sculo de ouro e da igualdade absoluta so impossveis, ademais, se tencionamos coloca-las em prtica, nos conduziriam, seguramente, ao dia da destrui豫o. Em que se diferencia um homem de outro? Em sua capacidade mental, principalmente. Em nossos dias, s um desequilibrado afirmaria que todos nascemos com a mesma potencialidade cerebral. Chegamos ao mundo com faculdades desiguais; nascemos com maiores ou menores capacidades e nada escapa desta condi豫o determinada antes do nascimento.

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Os ndios americanos habitavam esta terra desde milhares de anos, quando chegaram alguns de vossos antepassados. Como mudou o aspecto desde pas, desde ento! Por que no efetuaram melhorias entre os ndios, nem construram cidades, se todos somos iguais? Com vossos antepassados, chegou aqui outra espcie de poder cerebral, veio outro estoque de impresses passadas que tomou passo e se manifestou. A no-diferencia豫o absoluta a morte. A diferencia豫o existir e dever existir, enquanto durar o mundo e s chegar idade do ouro da perfeita igualdade, quando chegar a seu trmino o ciclo da cria豫o. Essa igualdade no poder existir antes.

젨젨젨젨젨젨 No obstante, a idia de realizar o sculo de ouro constitui uma causa muito poderosa. Assim como necessria a desigualdade para que haja cria豫o, o esforo por limitar sorte desigual resulta tambm indispensvel. Se no existisse a luta por ser livres e voltar a Deus, tampouco haveria cria豫o. A diferena entre essas foras determina a ndole das causas humanas. Sempre existiro motivos para atuar, uns com tendncia a escravizar e outros impulsionando para a liberta豫o.

젨젨젨젨젨젨 Este mundo, semelhante s rodas que giram uma dentro da outra e em sentido oposto, constitui um mecanismo terrvel; se aproximarmos a mo, nos engancha e arrasta irreversivelmente. Todos cremos que descansaremos depois de cumprir com o nosso dever; mas antes de ter terminado sequer uma parte, j nos espera outro dever. Todos somos arrastados por esta poderosa e complexa mquina do mundo. S h duas maneiras de sair dela; uma, renunciar a todo interesse pela mquina, deixa-la funcionar sozinha e permanecer afastado; abandonar nossos desejos. Isto muito fcil de dizer, mas quase impossvel de realizar. No sei se em vinte milhes de homens, haver um capaz de faze-lo.

젨젨젨젨젨젨 A outra maneira consiste em mergulhar no mundo e aprender o segredo do trabalho; este o mtodo de karma-yoga. No desprezar a engrenagem do mundo, permanecer dentro e aprender o segredo do trabalho. Mediante o trabalho correto efetuado no interior, tambm possvel sair dali. Mediante este mesmo maquinrio, se chega sada.

젨젨젨젨젨젨 Temos visto o que o trabalho; constitui em uma parte dos cimentos da natureza e prossegue sem cessar. Aqueles que crem em Deus, compreendem melhor isto, porque sabem que Ele no um ser to incapaz que necessite de nossa ajuda. Embora o universo siga sempre em sua marcha, nossa meta a liberdade, o altrusmo; e segundo o karma-yoga, alcanaremos o objetivo mediante o trabalho.

젨젨젨젨젨젨 Todas as idias de fazer perfeitamente feliz o mundo podem resultar potentes causas para os fanticos; mas o fanatismo, tempo de que o saibamos, ocasiona tanto mal quanto bem. O karma-yogui pergunta por que necessitais, para obrar, de outra causa que no amor inato liberdade. Coloca-os mais alm das causas mundanas comuns: 밫ereis direito ao trabalho, no a seus frutos.

젨젨젨젨젨젨 Afirma o karma-yogui que mediante o exerccio, pode-se chegar a compreender e praticar essa renncia aos frutos da obra. Quando o desejo de fazer o bem se torna parte integrante de nosso ser, j no buscamos motivos externos. Fazemos o bem porque bom faze-lo; aquele que realiza boas a寤es, mesmo quando seja para alcanar o cu, se acorrenta ele mesmo, diz o karma-yogui. Qualquer a豫o executada com o menor egosmo, em vez de nos libertar, forja uma cadeia a mais para nossos ps.

젨젨젨젨젨젨 De maneira que a nica solu豫o consiste em renunciar a todos os frutos da a豫o e nos manter desligados deles. Saber que o mundo no nosso, nem ns somos do mundo; que na realidade nem somos o corpo, nem atuamos. Somos o Ser, eternamente em repouso e em paz. Por que temos liga寤es? Est bem dizer que deveramos permanecer perfeitamente desligados, mas, como alcana-lo? Cada boa obra que realizamos sem nenhuma causa ulterior, em vez de forjar uma nova cadeia, romper um dos elos da cadeia existente. Cada bom pensamento que lanamos ao mundo sem desejar recompensa, ser acumulado e romper um elo da cadeia, fazendo-nos cada vez mais puros, at que cheguemos ser mortais mais puros. Contudo, tudo isto pode parecer algo quixotesco e demasiado filosfico, mais terico do que prtico. Tenho lido numerosos argumentos contra o Bhagavad-Gita e so muitos que afirmam que os homens so incapazes de atuar sem motivo egosta; jamais presenciaram atos altrustas, a no ser executados sob a influncia do fanatismo e, por isso, se expressam assim.

젨젨젨젨젨젨 Permitam-me que lhes diga, para finalizar, algumas palavras sobre o homem que verdadeiramente praticou os ensinamentos do karma-yoga. Esse homem foi Buda, o nico homem que levou essa prtica a sua mxima perfei豫o. Todos os profetas do mundo, com exce豫o de Buda, tiveram motivos externos que os impulsionaram a豫o altrusta. Afora este caso, os profetas podem classificar-se em dois tipos; os que sustentam que so encarna寤es de Deus chegadas na terra e outros que afirmam que so mensageiros de Deus; ambos recebem do exterior seus impulsos para a obra, esperando uma recompensa externa, por mais espiritualmente elevada que seja a linguagem que utilizam. Mas Buda o nico profeta que disse: 밡o me interessam vossas mltiplas teorias referentes a Deus. De que serve discutir sobre as sutis doutrinas que refutam ou explicam a alma? Pratiquem o bem e sejam bons. Isto os levar para a liberdade e a qualquer verdade que exista.

젨젨젨젨젨젨 Sua vida e sua conduta se achavam completamente desprovidas de causas pessoais; no entanto, quem trabalhou mais que ele? Mostrem-me um personagem da histria que tenha subido mais alto. A raa humana, em sua totalidade, no produziu seno um s ser como ele, de to alta filosofia e to vasta compaixo. Este grande filsofo, que pregou a mais elevada filosofia sentia, contudo, profundssima compaixo pelos animais e nunca atribuiu a si mesmo mritos; constitui o karma-yogui ideal e que atua absolutamente sem motivos pessoais. Por isso a histria a apresenta como o maior homem que jamais existiu, como a combina豫o mais perfeita de crebro e cora豫o e como a alma mais ampla e poderosa que se viu no mundo. Foi o primeiro grande reformador que foi visto no mundo. Foi o primeiro que se atreveu a dizer: 밅redes, mas no porque vos mostrem uns quantos manuscritos antigos, nem porque seja essa a crena de vosso pas ou porque assim vos tenhais feito crer desde vossa infncia; discorreis e penseis muito antes e, depois que os tivreis analisado, se observais que far bem a todos, sem exce豫o, credes, praticando e fazendo com que os demais o pratiquem.

젨젨젨젨젨젨 Trabalha melhor quem no o faz por algum motivo egosta, nem por dinheiro, ou fama, nem por coisas similares. Quem alcana faze-lo, ser um Buda e ter um poder tal para trabalhar, que transformar o mundo. Um homem assim representa o mais elevado ideal de karma-yoga.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

밢 SEGREDO DO TRABALHO

 

Swami Vivekananda

 

젨젨젨젨젨젨 Faz em verdade obra meritria, quem ajuda fisicamente a seu prximo, aliviando suas necessidades fsicas, mas o auxlio tanto maior quanto maior a necessidade e mais ampla a ajuda. Se puder aliviar por uma hora as necessidades de um homem, este fazer constituir uma verdadeira ajuda; se puder remediar durante um ano, a ajuda ser melhor; mas se o eliminar para sempre, seria esta, indubitavelmente, a melhor ajuda que poderia proporcionar-se. Unicamente, o conhecimento espiritual pode destruir para sempre nossas misrias; os demais conhecimentos s satisfazem as necessidades durante um certo tempo. Unicamente o conhecimento do esprito destri de uma vez por todas, a faculdade de desejar e por isso, a ajuda espiritual resulta na mais elevada que se pode dar. Quem proporciona o conhecimento espiritual, resulta em benfeitor mximo da humanidade e por isso, sempre observamos que tem sido os homens mais poderosos, os que ajudaram aos demais em suas necessidades espirituais; porque a espiritualidade a verdadeira base de todas as nossas atividades na vida. Um indivduo espiritualmente sadio e forte ter fora em tudo o mais, se assim o desejar, mas quem carece de fortaleza espiritual, nem sequer poder satisfazer as necessidades fsicas.

젨젨젨젨젨젨 Depois da ajuda espiritual, vem a intelectual; a ddiva de conhecimento resulta muito mais elevada que a de alimento e vestimentas; e at maior que a de dar a vida a um ser humano; j que sua verdadeira vida consiste no conhecimento. A ignorncia morte; o conhecimento, vida. E pouco valor possui esta, se transcorre na obscuridade, debatendo-se s apalpadelas contra a ignorncia e a misria.

젨젨젨젨젨젨 Segue em importncia, naturalmente, a ajuda fsica. Por conseguinte, quando nos ocorre ajudar ao prximo, procuramos no cair no erro de crer que s existe o auxlio fsico, pois este de menos importncia e de menos valor, j que no pode proporcionar uma satisfa豫o permanente. A necessidade que experimento ao ter fome, a satisfao comendo, mas a fome se repete; meu padecimento terminar somente quando a necessidade estiver satisfeita por completo. Ento j no me far sofrer a fome, nem produzir angstia ou pena alguma. Portanto, a ajuda que tende a nos fazer espiritualmente fortes, resulta na mais elevada; logo segue a intelectual e depois a fsica.

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As misrias do mundo no podem remediar-se com somente a ajuda fsica; enquanto no mudar a natureza do homem, sempre surgiro essas necessidades fsicas e se sentiro continuamente as desventuras, sem que nenhuma ajuda fsica possa remedia-las por completo. A nica solu豫o deste problema consiste em purificar a humanidade. A ignorncia a me de todos os males e misrias. Quando o homem estiver iluminado, quando for puro e espiritualmente forte e educado, ento cessar no mundo toda a misria, mas no antes. Embora convertamos cada casa do pas em um asilo de caridade e enchamos a terra de hospitais, continuar existindo a misria humana, enquanto no modificar a ndole do homem.

젨젨젨젨젨젨 No Bhagavad-Gita, lemos repetidas vezes que todos devemos trabalhar incessantemente. Toda obra, por natureza, est composta de bem e mal. No podemos realizar obra alguma que no produza algum bem em alguma parte, nem possa no causar dano em algum lugar. Cada a豫o , por fora, uma combina豫o do bem e do mal e, contudo, nos mandam obrar sem cessar. Ambos, o bem e o mal, produziro seus resultados, seu carma. A boa a豫o trar um bom efeito, e a m, mau efeito. Porm, tanto o bem quanto o mal constituem liga寤es para a alma. Referindo-se o Gita a esta propriedade escravizante do trabalho, indica como nico remdio, o no se ligar obra que fazemos, pois assim no forjar novas cadeias para nossa alma. Tratemos de compreender o que significa 뱊o se ligar obra.

젨젨젨젨젨젨 Aqui tens o tema proeminente, central do Gita: obrar incessantemente, porm, sem se ligar. Samskara pode ser traduzido aproximadamente por 뱓endncia inerente. Usando o similar de um lago para a mente, cada anel ou onda que nela se produz, no morre inteiramente quando desaparece, mas deixa um vestgio e uma futura possibilidade de que surja novamente. A este vestgio, com a possibilidade de que possa reaparecer a onda, denomina-se samskara. Cada obra que realizamos, cada movimento do corpo, cada idia que temos, deixa uma dessas impresses na substncia mental, que embora invisvel na superfcie, tem suficiente poder para atuar na profundidade, subconscientemente. O total dessas impresses determina o que somos; neste preciso instante, eu sou o resultado do total das impresses recebidas durante minha vida anterior. A esta realidade, chamamos de carter; o carter de cada ser humano se acha determinada pela soma total dessas impresses. Prevalecendo as boas, aquele ser bom, se as ms, mau. Se um homem ouve continuamente ms palavras, concebe maus pensamentos e executa a寤es malvadas, sua mente ficar cheia de ms impresses; estas influiro seu pensamento e seus atos, sem que ele esteja consciente disso. Por outro lado, essas ms impresses sempre estaro trabalhando e o resultado deve ser mau; esse homem tem que ser mau, sem poder evita-lo; o conjunto dessas impresses atuar como um poderoso impulso para o mal e o manipularo com se fosse uma mquina, obrigando-o a fazer o mal. Da mesma maneira, se um homem concebe bons pensamentos e realiza boas a寤es, o conjunto dessas impresses ser bom e o obrigar a fazer o bem at a despeito de si mesmo. Quem realiza muitas boas obras e concebe inumerveis bons pensamentos, tende irresistivelmente para o bem e at quando quiser fazer o mal, sua mente, que a soma total de suas tendncias, no permitir, pois sua influncia decisiva. Diz-se, neste caso, que o bom carter est firmado.

젨젨젨젨젨젨 Da mesma maneira que a tartaruga recolhe os ps e a cabea dentro da carapaa e no os tira dali enquanto no a mateis e a despedaceis, assim se acha imutavelmente firmado o carter de quem domina seus impulsos e seus rgos; controla suas foras internas e nada pode faze-las sair contra sua vontade. Mediante este contnuo reflexo de bons pensamentos e de boas impresses que ocorrem na superfcie da mente, se fortalece a tendncia de fazer o bem e como resultado, nos sentimos capazes de controlar os indriyas (rgos dos sentidos, os centros nervosos). S assim se firma o carter; s ento, o homem alcana a verdade e fica seguro para sempre; no pode fazer mal algum; seja qual for a companhia com que ande, no correr perigo algum. Existe at um estado mais elevado que o de possuir esta boa tendncia, o desejo da liberta豫o.

젨젨젨젨젨젨 Deveis recordar que a liberdade da alma a meta de todos os yogas e cada um deles conduz igualmente ao mesmo resultado. Somente trabalhando podemos conseguir o que obtiveram Buda, principalmente por meio da medita豫o e Cristo, pela devo豫o. Buda foi o jnani ativo e Cristo um bhakta, mas ambos alcanaram o mesmo objetivo. A dificuldade reside em que a liberta豫o significa completa liberdade liberdade das travas do bem, assim como as do mal. Uma cadeia de ouro to cadeia como a de ferro. Tenho um espinho cravado em um dedo e uso outro para extra-lo; depois lano fora os dois; no necessito conservar o segundo, j que, depois de tudo, os dois so espinhos.

젨젨젨젨젨젨 Da mesma maneira, as ms tendncias ho de ser contestadas pelas boas e as ms impresses da mente, pelas ondas refrescantes das boas, at que todo o mal desaparea quase por completo, ou fique submetido ou controlado em um canto da mente; mas depois disto, as boas tendncias tambm devem ser conquistadas. Desta maneira, o homem 뱇igado, se 밺esliga. Trabalhais, mas no permitais que a a豫o ou o pensamento produza uma profunda impresso mental; deixais que as ondas venham e vo; que as grandes a寤es procedam dos msculos e do crebro, mas no deixeis causar profunda impresso na alma.

젨젨젨젨젨젨 Como pode alcanar-se isto? Vemos que as impresses de qualquer a豫o, a qual nos ligamos, perduram.

젨젨젨젨젨젨 Posso encontrar centenas de pessoas durante o dia e, entre elas, uma a quem amo; a noite, quando me retiro e trato de recordar todos os rostos que vi, s um se apresenta na minha memria, ele que vi somente durante um instante e o qual eu amo; os demais se desvanecem. Minha atra豫o para aquela pessoa causou em minha mente uma impresso mais profunda que todas as demais. As impresses foram todas fisiologicamente iguais; cada um dos rostos que vi, se refletiu na retina, o crebro captou a imagem e, no entanto, no produziram um efeito similar na mente. Muitos semblantes eram, talvez, completamente desconhecidos e antes no havia pensado neles, mas aquele do qual s tive um vislumbre, fez associa寤es internas. Talvez no tinha estado gravando em minha mente durante anos, talvez conhecesse muitas coisas referentes a ele e essa nova viso despertou em minha mente centenas de adormecidas recorda寤es; se essas impresses chegam a repetir-se muito mais vezes que todos os demais rostos, produziro um grande efeito sobre a mente.

젨젨젨젨젨젨 Por conseguinte, permaneceis 밺esligados; deixeis que as coisas atuem; que atuem os centros cerebrais; obrais incessantemente, mas que nem uma s onda conquiste a mente. Trabalheis como se fossem estrangeiros nesta terra; como passageiros; obrais incessantemente, mas no vos ligueis; terrvel estar ligado.

젨젨젨젨젨젨 Este mundo no nossa morada, somente um dos muitos estados pelos quais estamos passando. Recordais o grande aforismo da filosofia sankhya: 밃 natureza toda para a alma, no a alma para a natureza. A natureza s existe para a educa豫o da alma; no tem outro objetivo; eis porque a alma deve ter conhecimento para libertar-se. Se nos recordamos sempre disto, jamais nos aferraremos natureza; saberemos que este um livro o qual temos que ler e que j no possuir valor algum para ns, quando tivermos adquirido o conhecimento que o encerra. No obstante, em vez disto, nos identificamos como a natureza; pensamos que a alma para ela, que o esprito para a carne e como afirma o dito comum, pensamos que o homem 뱕ive para comer e no que 밹ome para viver. Continuamente cometemos o mesmo erro; consideramos a natureza como ns mesmos e assim, nos ligamos a ela; to logo se apresenta esta liga豫o, se produz uma profunda impresso na alma, impresso que nos domina e nos induz a trabalhar como livres, no como escravos.

젨젨젨젨젨젨 O ponto capital deste ensinamento, que deveis atuar como 밶mos e no como 밻scravos; trabalha incessantemente, mas no em tarefas de escravos. No vejais como trabalha todo mundo? Nada podeis permanecer completamente em repouso, noventa e nove por cento dos homens trabalham como escravos e o resultado sofrimento; tudo trabalho egosta. Trabalheis pela liberdade, trabalheis por amor!

젨젨젨젨젨젨 A palavra amor dificlima de compreender; o amor no existe enquanto no existir liberdade. No h possibilidade de verdadeiro amor no escravo. Se adquiris, vos encarcerais e os obrigais a trabalhar para vs, trabalhar como um ganha-po, mas no o fareis por amor a ele. Da mesma maneira, quando ns trabalhamos como escravos pelas coisas do mundo, no podemos sentir amor e nosso trabalho no verdadeiramente trabalho. Acontece com o que fazemos por nossos parentes e amigos, como o que fazemos conosco mesmo; toda a a豫o egosta obra de escravos e h aqui uma prova: cada ato de amor aporta felicidade; no existe ato de amor que no produza, como rea豫o, a paz e a felicidade.

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A existncia, o conhecimento e o amor reais esto eternamente relacionados uns com os outros, os trs em um; onde est um deles, tambm tem que estar os outros; so os trs aspectos do Uno sem segundo a 밇xistncia-Conhecimento-Felicidade. Quando esta Existncia se faz relativa, a vemos como o mundo; este Conhecimento se modifica, por sua vez, no conhecimento das coisas mundanas e esta Felicidade constitui a base de o todo verdadeiro amor que seja capaz de sentir o cora豫o humano. Portanto, o verdadeiro amor nunca pode reagir de modo que cause dor ao amante, nem ao amado. Suponha que um homem ame a uma mulher; a quer toda para ele somente e sente violentos cimes dela a cada momento; necessita que esteja sentada perto dele, que permanea junto a ele e que coma e se mova a seu comando. Converte-se em um escravo dela e quer t-la como sua escrava. Isto no amor, seno uma espcie de afeto mrbido do escravo que se insinua como amor. No pode ser amor, porque doloroso; se ela no faz o que ele deseja, lhe ocasiona sofrimento. O amor no produz rea寤es dolorosas; s produz felicidade, do contrrio, no amor; confundir outra coisa com amor.

젨젨젨젨젨젨 Quando tiver alcanado amar a vossa esposa, ao vosso marido e filhos, a todo mundo, o universo, de tal maneira que no exista rea豫o de dor ou de cimes, nenhum sentimento egosta, ento os fareis em estado apropriado para estar desligados.

젨젨젨젨젨젨 Krishna disse: 밅ontempla-me, Arjuna! Se deixo de atuar um s instante, todo o universo perecer. Nada ganharei com minha obra; sou o Senhor nico, porque obro, pois: Porque amo ao mundo.

젨젨젨젨젨젨 Deus est desligado porque ama; um amor como esse, verdadeiro, nos liberta das travas.

젨젨젨젨젨젨 Onde quer que exista apego e atra豫o por coisas mundanas, saiba que s se trata de algo fsico, de uma atra豫o entre molculas; algo que atrai dois corpos cada vez mais prximos e que produz dor, se no podem unir-se; mas quando h o verdadeiro amor, este no se baseia, em absoluto, em atra寤es fsicas. Tais amantes podem se achar a mil milhas um do outro e seu amor ser sempre o mesmo; no morre, nem produzir nunca uma rea豫o dolorosa.

젨젨젨젨젨젨 Custa quase o trabalho de uma vida obter esse desapego, mas assim que chegamos meta do amor e alcanamos a liberdade, caem os grilhes com que nos sujeitam a natureza e a vemos tal qual ; no forjar mais cadeias para ns; seremos completamente livres e no levaremos em conta o resultado das obras; quem se preocupa, ento, de qual ser o resultado?

젨젨젨젨젨젨 Pedis a vossos filhos algo em compensa豫o dos que lhes distancia? Vosso dever trabalhar para eles e nada mais. Enquanto fazeis por uma pessoa, por uma cidade ou Estado, assumis a mesma atitude que tomais para com vossos filhos, no espereis recompensa alguma. Se podeis tomar invariavelmente a atitude de doador, oferecendo gratuitamente ao mundo quanto dais, sem idia de recompensa, vossa obra no vos acarretar liga寤es. Estas somente acontecem, quando esperamos recompensa.

젨젨젨젨젨젨 Trabalhando como escravos, se produz egosmo e apego, trabalhando como amos de nossas mentes, gozaremos da felicidade do desapego. Freqentemente falamos de retido e justia, mas observamos que no mundo, o bom e o justo so mera conversa de criana.

젨젨젨젨젨젨 Duas coisas influem sobre a conduta humana: o poder e a compaixo. Exercer o poder e exercer o egosmo. Todos os seres humanos procuram aproveitar o mximo possvel do poder ou vantagem que possuem. A compaixo est no mesmo cu; para sermos bons, devemos ser clementes. At a justia e o direito devem apoiar-se na clemncia.

젨젨젨젨젨젨 Todo pensamento de obter recompensa pela obra que realizamos, incomoda nosso progresso espiritual; mais ainda, no fim, produz sofrimento.

젨젨젨젨젨젨 Existe outro modo de praticar este conceito de misericrdia e de caridade altrusta: o de considerar toda obra como 뱔m culto, se acreditar em um Deus pessoal. Se oferecermos ao Senhor todos os frutos de nossas obras e rendermos-lhe este culto, j no teremos direito de esperar recompensa dos homens. O Senhor mesmo trabalha incessantemente e sempre est livre de liga寤es. Assim como a gua no pode umedecer a folha de loto, tampouco o trabalho pode escravizar o individuo inegosta que no sente apego pelos seus resultados. Quem carece de egosmo e de liga寤es, pode viver em pleno centro de uma cidade populosa e pecadora, sem que o contamine o pecado.

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Este conceito de completa abnega豫o acha-se ilustrado na seguinte narra豫o: - Depois da batalha de Kurukshetra, os cinco irmos Pandavas celebraram um imponente sacrifcio e deram custosas esmolas aos pobres. Todos os presentes expressavam seu assombro ante a magnitude e magnificncia do sacrifcio, dizendo que jamais haviam visto outro igual no mundo.

젨젨젨젨젨젨 Mas, depois da cerimnia, chegou ali uma pequena raposa; tinha a metade do corpo dourado, a outra metade de cor parda e comeou a dar voltas no piso do recinto do sacrifcio. Depois, dirigindo-se aos presentes, exclamou: 밪ois todos uns embusteiros, isto no um sacrifcio. 밅omo!, responderam, 밺izes que isto no um sacrifcio, no sabes que foram repartidos tanto dinheiro e jias entre os pobres que agora cada um deles se tornou rico e feliz? Este o sacrifcio mais assombroso que foi feito por algum homem.

젨젨젨젨젨젨 Mas a raposa replicou: 밅erta vez, numa pequena aldeia, residiam um pobre brahmin com sua mulher, seu filho e a esposa deste. Eram muito pobres e viviam das pequenas doa寤es que recebiam, por pregar e ensinar. Aquela comarca sofreu de uma fome que durou trs anos, e o pobre brahmin padeceu muito antes. Finalmente, quando j fazia dias que a famlia no provava nenhum alimento, o pai trouxe, numa manh, um pouco de farinha de cevada, que havia tido a sorte de conseguir e a dividiu em quatro partes, uma para cada um deles. A prepararam para come-la e, no preciso momento em que se dispunham a faze-lo, chamaram porta. O pai abriu e se apresentou um hspede. Convm saber que na ndia, um hspede uma pessoa sagrada, considerada como um deus enquanto permanece na casa e, como tal, deve ser tratado. Portanto, o pobre brahmin disse-lhe: 밇ntre, senhor: bem-vindo sejas. Ps diante do homem sua por豫o de alimento, que o convidado devorou rapidamente, dizendo: 밢h, senhor!, Queres-me matar! Faz dez dias que desfaleo de fome e este pouco alimento s serviu para aumenta-la.. Disse, ento, a mulher ao marido: 밆-lhe minha parte, mas este negou-se a faze-lo, at que ela insistiu: 밃qui est este pobre homem e nosso dever, como donos de casa, dar-lhe de comer. Cumpro o meu dever como esposa, oferecendo-lhe minha parte, ao ver que tu no tens mais para dar-lhe. Assim fez o visitante, depois de comer, exclamando que ainda estava morto de fome. A vista disso, o filho disse: 밫oma tambm minha parte; o dever de um filho ajudar os pais a cumprir sua obriga寤es. O hspede a comeu e ainda no ficou satisfeito, de modo que a esposa do filho tambm deu-lhe sua ra豫o. Com essa, foi suficiente e o hspede partiu, bendizendo-os.

젨젨젨젨젨젨 Nessa mesma noite os quatro morreram de fome. Alguns gros daquela farinha caram ao cho e ao pisar sobre eles, a metade de meu corpo adquiriu uma cor dourada, como vistes. Desde ento, tenho percorrido todo o mundo, esperando achar outro sacrifcio como aquele sem encontrar em parte alguma e, por isso, no foi possvel dourar a outra metade de meu corpo. Por isso digo que isto no sacrifcio.

젨젨젨젨젨젨 A idia de caridade vai desaparecendo da ndia; os grandes homens so cada vez menos. Quando comecei a aprender ingls li em um livro de contos um relato sobre um menino submisso, que entregava a sua me anci tudo o que ganhava; o elogio de tal a豫o chegava a 3 ou 4 pginas. Que significa isto? Nenhum menino hindu poder compreender jamais o moral deste conto. Eu compreendo agora, que ouo falar do conceito ocidental: cada um por si. Alguns homens o tomam para si, abandonando os pais, mes, esposas e filhos. Nunca, em parte alguma, deveria ser este o ideal do chefe de famlia.

젨젨젨젨젨젨 Agora sabeis o que significa karma-yoga; ajudar a qualquer, mesmo s custas da vida e sem fazer averigua寤es. Embora os enganem um milho de vezes, no averigeis, nem penseis no que estais fazendo. Nunca vos gabeis das esmolas aos pobres, nem espereis sua gratido, fiqueis mais bem agradecidos porque lhes proporcionastes a ocasio de praticar a caridade.

젨젨젨젨젨젨 De tudo isto se aprende que ser um chefe de famlia ideal constitui uma tarefa muito mais difcil que a de ser um sannyasin ideal; a verdadeira vida de trabalho resulta em realidade to rdua, se no mais, que a verdadeira renncia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

밢S PRIMEIROS PASSOS PARA BHAKTI

 

Swami Vivekananda

 

젨젨젨젨젨젨 Os filsofos que escreveram sobre o bhakti o definiram como o mais elevado amor por Deus. Por que deve o homem amar a Deus? Tal a pergunta que devemos contestar e at no a termos feito, no poderemos compreender o tema. Existem dois ideais de vida completamente diferentes. O homem de qualquer pas, adepto de qualquer religio, sabe que um corpo e tambm um esprito. Mas h uma grande diferena quanto s metas da vida humana.

젨젨젨젨젨젨 Nos pases ocidentais, em geral, as pessoas do mais valor ao aspecto corpreo do homem; aqueles filsofos que escreveram sobre o bhakti, na ndia, concederam maior importncia face espiritual do ser humano. Esta diferena entre o oriente e o ocidente, parece tpica e se manifesta at na linguagem comum. Na Inglaterra, ao referir-se a morte, se diz: 뱏ue o homem entregou seu esprito a Deus; na ndia, 밃bandonou seu corpo. A concep豫o, no primeiro caso, de que o homem um corpo e possui uma alma; no outro, que o homem uma alma e possui um corpo. Destas diferenas, surgem problemas mais intrincados.

젨젨젨젨젨젨 Como lgico, quem sustenta que o homem um corpo e possui um esprito, d maior importncia ao corpo e, se lhes perguntar para que vive o homem, respondero que para gozar de seus sentidos, de suas posi寤es e riquezas. No podem sonhar com algo mais alm, embora lhes falem disso; e s concebem a vida futura como prolongamento de tais gozos. Lamentam que seus prazeres no possam perdurar na terra, porm tm que partir e pensam que de uma ou outra maneira, iro a um lugar onde se renovaro seus prazeres. Desfrutaro dos mesmos gozos, tero os mesmos sentidos, porm mais avivados e intensificados. Desejam adorar a Deus porque Ele o meio para alcanar este fim. A meta de sua vida gozar dos objetos dos sentidos; chegar a saber que existe um Ser que pode proporcionar-lhes um longo perodo de tais gozos e por isso adoram a Deus.

젨젨젨젨젨젨 Diferindo do que o antecede, afirma o conceito hindu: Deus a meta da vida e nada existe alm Dele. Os prazeres sensuais so, simplesmente, um estado intermedirio pelo qual passamos, confiando em alcanar algo melhor. No s isso, seno que seria desastroso e terrvel que o homem no tivesse mais do que os prazeres dos sentidos. A cada dia observamos que quanto menos se goza dos prazeres sensuais, tanto mais elevada a vida do homem. Olhe um cachorro comendo. Nenhum homem comeu, jamais, com a mesma satisfa豫o. Observa o porco que grunhe de prazer, enquanto engole seu alimento; sente-se no paraso e se o maior arcanjo viesse contempla-lo, o porco nem sequer repararia em sua presena; toda sua existncia concentra-se na comida. No nasceu um ser humano capaz de alimentar-se com tal empenho. Pense na refinada audi豫o dos animais inferiores, no potencial de sua viso; todos os sentidos esto muito desenvolvidos. Seu gozo sensual extraordinrio; enlouquecem de deleite e prazer. E quanto mais inferior o homem, mais deleite experimenta com os sentidos. A medida em que se eleva, a razo e o amor se convertem em sua meta. Proporcionalmente ao desenvolvimento de tais faculdades, perde o poder de gozar dos sentidos.

젨젨젨젨젨젨 Para dar um exemplo: se supusermos que o homem recebe certa quantidade de energia que pode empregar no corpo, na mente e no esprito, quanto mais energia utiliza em um desses, tanto menos ficar para os demais. As raas ignorantes ou selvagens possuem faculdades sensrias muito mais potentes que as raas civilizadas e esta , na realidade, uma das li寤es que aprendemos da histria; a medida em que uma na豫o vai civilizando-se, o sistema nervoso de seus habitantes refina-se e eles debilitam-se fisicamente.

젨젨젨젨젨젨 Ao civilizar-se uma raa selvagem, observa-se o mesmo; chega outra raa brbara e conquista a primeira. Quase sempre a raa brbara a vencedora. Notamos, ento, que se s desejarmos gozar constantemente dos sentidos, nos degradamos at chegar ao estado primitivo. No sabe o que pede, quem diz que deseja ir a um lugar onde se intensifiquem seus prazeres sensuais; isso s se pode alcanar descendo ao estado selvagem.

젨젨젨젨젨젨 Do mesmo modo, quem deseja um paraso de gozos sensuais, so como porcos que chafurdam no lodaal dos sentidos, incapazes de perceber nada mais alm. Esse prazer dos sentidos o nico que desejam e sua perda representa, para eles, a perda do paraso. Nunca podem ser bhaktas, no mais puro sentido da palavra; jamais chegaro a ser verdadeiros amantes de Deus. Contudo, embora conservem to baixo ideal durante certo tempo, iro modificando gradualmente, na medida em que descobrem a existncia de algo que antes no conheciam e dessa maneira, desaparecer paulatinamente esse apego vida e aos objetos dos sentidos.

젨젨젨젨젨젨 Quando eu era um pequeno estudante, briguei com um condiscpulo por umas guloseimas e como ele era mais forte, tirou-as de mim. Lembro a sensa豫o que experimentei; pensei que este menino era o mais perverso que havia nascido e que se eu fosse mais forte, o castigaria; para mim no existia, naquele momento, castigo suficiente para sua maldade. Ns dois somos, agora, homens e amigos ntimos. O mundo est cheio de meninos para os quais a comida, a bebida e os bolinhos constituem tudo para eles. Sonham com isso e sua concep豫o de vida futura, um lugar onde abundam tais guloseimas.

젨젨젨젨젨젨 Pense no ndio americano que cr que sua vida futura se desenvolver em um excelente campo de caa. Cada um de ns imagina o cu tal como desejaria que fosse, mas com o correr do tempo e a medida em que crescemos e vamos conhecendo as coisas mais elevadas, captamos vises superiores do mais alm.

젨젨젨젨젨젨 Mas no recunciemos a nossa concep豫o de vida futura, tal como se costuma fazer na atualidade: no crendo em coisa alguma. Isso a destrui豫o. O agnstico, que tudo destri desse modo, est equivocado, o bhakta v mais alm. Aquele no deseja ir ao cu porque carece dele; no entanto o bhakti no deseja, porque considera que jogo de crianas. Deseja a Deus. Que fim pode ser mais elevado que Deus? Deus a meta mais elevada do homem; v-lo, gozar Dele. Nada superior podemos conceber, porque Deus a perfei豫o. No podemos imaginar um prazer mais elevado que o do amor, mas o vocbulo 밶mor possui distintas acep寤es. No significa o comum amor egosta mundano; uma blasfmia denominar isso o amor.

젨젨젨젨젨젨 meramente animal o amor para nossos filhos e para nossa esposa; s merece chamar de amor desinteressado o totalmente inegosta, ou seja, o que experimentamos para com Deus. muito difcil alcana-lo. Passamos por diferentes tipos de amores: o amor aos filhos, ao pai, a me, etc. Pouco pouco vamos exercendo a faculdade de amar; mas na maioria dos casos, nada nos ensina; ficamos escravizados, detidos em nosso avano, ligados a uma pessoa; poucas vezes consegue algum livrar-se dessas cadeias.

젨젨젨젨젨젨 Os homens andam em posse das mulheres, das riquezas e da fama e quando recebem golpes muito duros, descobrem o que o mundo , na realidade. Ningum no mundo pode amar verdadeiramente, se no for a Deus. O homem percebe que todo amor humano oco; no pode amar, embora fale disso. A mulher diz que ama seu marido e o beija; mas assim que ele morre, a primeira coisa que pensa na conta do banco e no que far no dia seguinte. O marido ama sua mulher, mas quando est enferma e perde sua beleza, quando fica macilenta ou comete um erro, j no se preocupa com ela. Todo o amor mundano hipocrisia e vacuidade.

젨젨젨젨젨젨 Um sujeito finito no pode amar e um objeto finito no pode ser amado. Quando o objeto do nosso amor morre continuamente e nossa mente, enquanto vamos crescendo, tambm evolui constantemente, que amor eterno pretendemos achar neste mundo? No pode existir nenhum amor real, seno em Deus; ento para que todos os demais amores? Somente so meras etapas. Nesses afetos humanos esconde-se uma fora que nos impulsiona para diante e embora ignoremos onde achar o que verdadeiramente amamos, prosseguimos buscando. Constantemente descobrimos nosso erro. Fazemos algo e notamos que nos escapa por entre os dedos, ento tomamos alguma outra coisa. Assim, prosseguimos nosso caminho at que, por fim, chega a luz; nos aproximamos de Deus, o nico que ama. Seu amor imutvel e sempre est disposto a nos acolher. At onde suportaria qualquer de vs que eu insultasse? Aquele, em cuja mente no existe o rancor, o dio, nem a inveja, que nunca se altera, nem morre, nem nasce, quem, seno Deus?

젨젨젨젨젨젨 Mas o caminho longo e difcil e muito poucos chegam at Deus. Somos criaturas que lutam. Milhes de pessoas comerciam com a religio. Cada sculo nos apresenta uns poucos seres que alcanam esse amor para Deus; quando aparece um deles, todo o pas se santifica. certo que so pouqussimos, mas todos devem esforar-se por alcanar este amor divino. Quem sabe se vs ou eu seremos os prximos a alcana-lo? Lutemos por esse objetivo.

젨젨젨젨젨젨 Dizemos que uma mulher ama a seu marido. Ela pensa que toda sua alma se concentra nele; chega um filho e a metade desse amor, ou mais, passa criana; sente, ento, que j no ama a seu marido do mesmo modo. Semelhante coisa acontece com o pai. Sempre observamos que quando chegamos a nossos objetivos de amor mais intenso, o amor anterior desaparece lentamente.

젨젨젨젨젨젨 Crem os estudantes que adoram a seus condiscpulos ou a seus pais; mas quando crescem e se casam, desvanece-se aquele carinho e s existe o novo amor. Primeiro surge uma estrela, logo outra maior e depois uma maior at; por fim, sai o sol e desvanecem as demais luzes. Esse sol Deus. As estrelas so os amores menores. Quando esse sol o ilumina, o homem enlouquece e segundo as palavras de Emerson 밻st bbado (brio?) de Deus; transforma-se em Deus e esse oceano de amor inunda tudo. O amor comum s atra豫o animal. Do contrrio, por que existe distin豫o entre os sexos? Se no se ajoelha ante uma imagem, trata-se de uma temvel idolatria, mas em troca, tolervel que se ponha de joelhos ante seu marido ou sua mulher!

젨젨젨젨젨젨 O mundo nos apresenta mltiplas etapas de amor. Primeiro, temos que esclarecer o motivo; toda a teoria do amor se basear em nossa concep豫o da vida. Brutal, prprio de seres degenerados, considerar este mundo como objeto e fim da vida. O homem que comea a viver com tal idia, degenera. Nunca se elevar, nem ter uma viso de fundo, sempre ser um escravo dos sentidos. Lutar pelo dlar que lhe proporcionar uns bolinhos para comer. melhor morrer, que viver esta vida. Escravos deste mundo, escravos dos sentidos, despertemo-nos; existe algo superior a esta vida sensria. Acreditas que o homem, o Esprito Infinito, nasceu para ser escravo de seus olhos, seu nariz, suas orelhas? Existe um Esprito Infinito e Onisciente, latente, que pode fazer tudo, romper todos os laos e esse Esprito ns; conseguimos essa energia mediante o amor. Esse o ideal que devemos recordar. Supostamente, no podemos alcanar em um dia. Podemos nos iludir que o possumos, mas s uma fantasia; o caminho muito, mas muito longo.

젨젨젨젨젨젨 Devemos aceitar o homem onde estiver e tal como seja e ajuda-lo a ascender. Atualmente permanece ancorado no materialismo; vs e eu somos materialistas. Falamos, isso certo, sobre Deus e o Esprito, coisa boa, sem dvida alguma; mas o fazemos porque est em moda em nossa sociedade; s repetimos o que temos aprendido, como papagaios. Devemos, por conseguinte, nos confessar materialistas, aceitar a ajuda da matria e continuar lentamente, at nos convertermos em verdadeiros espiritualistas, at sentirmos o esprito, at compreender o esprito e descobrir que o mundo, o qual chamamos infinito, s a forma externa e grosseira do mundo que se acha por detrs.

젨젨젨젨젨젨 Mas se necessita de algo mais. Afirma o Sermo da Montanha: 밣edi e se os dar; buscai e encontrareis; bate a porta e se abrir. A dificuldade est em saber quem busca e quem necessita. Todos dizemos que conhecemos a Deus. Um escreve um livro para impugnar a Deus; outro, para demonstrar sua existncia. Um, pensa que seu dever demonstrar, durante toda a vida, a existncia de Deus; outro, a nega-lo e ensina aos homens que no existe Deus. Que objetivo tem escrever um livro para demonstrar ou negar a existncia de Deus? Que interessa maioria das pessoas que exista ou no um Deus? Quase todos os homens trabalham mecanicamente, sem pensar em Deus e sem sentir necessidade Dele. Porm, certo dia chega a morte e lhe diz: 밮em. O homem responde: 밇spera um momento, necessito de um pouco mais de tempo. Quero ver como cresce meu filho. Mas a morte insiste: 밮em logo. E acontece. Assim morre o pobre Joo. Que diremos ao pobre Joo? Nunca encontrou nada em Deus que fosse mais elevado. Talvez tivesse sido um porco, no passado e seja muito melhor como homem.

젨젨젨젨젨젨 Mas h alguns que despertam um pouco. Acontece uma desgraa, morre algum a quem queremos muito, ou fracassamos em alguma coisa a qual nos dedicvamos com toda nossa alma e por cuja execu豫o tenhamos enganado a todo mundo, inclusive a nosso prprio irmo; o golpe nos aflige e, possivelmente ento, ouvimos dentro de nossa alma, uma voz perguntando: 밇 depois disso?. 햟 vezes a morte chega de um golpe, mas so poucos os casos em que isso acontece. A maioria de ns, quando algo nos escapa por entre os dedos, dizemos: 밇 depois?. Como nos apegamos aos sentidos! Diz-se que quem est a ponto de afogar-se, aferra-se a uma fibra de palha; o mesmo faz a maioria das pessoas, e quando a fibra de palha afunda, diz que se deve ajudar. Mas tudo intil; 밾 que gozar e divertir-se antes de pensar em coisas mais elevadas.

젨젨젨젨젨젨 Bhakti uma religio. A religio no foi feita para a maioria, nem seria possvel ser assim. A essa maioria pode ser conveniente uma espcie de ginstica para os joelhos, consiste em genuflexes, mas a religio para uns poucos. Em todo o pas existem s umas poucas centenas de indivduos que podem ser e sero religiosos. Os demais no podem ser, porque no despertam, nem querem ser despertados. O principal necessitar de Deus. Ns necessitamos de tudo, exceto de Deus, porque o mundo externo satisfaz nossas demandas ordinrias; s quando nossas necessidades transcendem o mundo externo, recorremos ao mundo interno, a Deus.

젨젨젨젨젨젨 Enquanto nossas necessidades estiveram limitadas por este universo fsico, no podemos necessitar de Deus; s quando tivermos saciado com tudo que terreno, buscamos algo mais. S quando a necessidade se apresentar, chegar a demanda. Pareis o quanto antes com este infantil jogo do mundo; sentireis, ento, que necessitais de algo superior. Esse ser o primeiro passo para a religio.

젨젨젨젨젨젨 Tambm em questes religiosas, existem modas. Minha amiga tem uma sala repleta de mveis, mas como a moda exige que possua tambm um jarro japons, o adquire, embora no precise dele e embora custe mil dlares. Da mesma maneira ter uma pequena religio e assistir a uma missa na igreja. Bhakti no para essa espcie de pessoas. Isso no 뱊ecessidade. Necessidade significa o que nos imprescindvel. Necessitamos respirar, nos alimentar, nos vestir; sem isso, no podemos viver. Quando o homem ama a uma mulher, h momentos em que sente que sem ela no pode viver, embora isso seja um erro. Quando morre o marido, a mulher pensa que no pode viver sem ele; mas continua vivendo.

젨젨젨젨젨젨 Necessitamos, realmente, daquele sem o qual no podemos existir; devemos alcana-lo ou morremos. Quando chega o instante em que assim necessitamos de Deus, ou dito de outro modo, quando desejamos algo mais alm deste mundo, algo que est acima das foras materiais, ento podemos nos converter em bhaktas. Que so nossas pequenas vidas quando, por um momento, se afasta a nuvem e captamos a viso do mais alm e durante este momento, todos os desejos inferiores parecem uma gota em um oceano? Ento a alma se engrandece, sente a necessidade de Deus e se obstina em querer alcana-lo.

젨젨젨젨젨젨 O primeiro passo , de qu necessitamos? Nos formulemos diariamente essa pergunta: Necessitamos de Deus? De nada serve ler livros e mais livros; esse amor no se alcana mediante a leitura, nem exercitando o intelecto, nem pelo estudo de diversas cincias.

젨젨젨젨젨젨 Quem deseja a Deus, obter o amor, porque Deus se entregar. O amor sempre mtuo e se reflete. Vs podeis odiar-me e se quer ama-los, me rechaareis. Porm, se insisto, depois de um ms ou um ano, os vereis obrigados a querer-me. um fenmeno psicolgico bem conhecido. Com o mesmo amor que a mulher enamorada pensa em seu defunto marido, devemos desejar a Deus e ento o encontraremos; nada pode nos ensinar os livros, nem as cincias. Lendo livros, nos convertemos em papagaios; no se chega a nada lendo livros. Se um homem l uma s palavra de amor, indubitvel que chegue a erudito. Por isso necessitamos, antes de tudo, sentir tal desejo.

젨젨젨젨젨젨 Perguntemo-nos diariamente: necessitamos de Deus? Quando comearmos a falar de religio e especialmente quando nos colocarmos em uma posi豫o mais elevada e comearmos a ensinar os demais, devemos fazer a mesma pergunta. Muitas vezes descubro que no necessito de Deus, que me faz mais falta o po. Posso enlouquecer, se no consigo um pedao de po; muitas damas enlouqueceriam se no conseguissem um prendedor de diamantes, mas no sentem o mesmo desejo por Deus; no conhecem a nica Realidade que existe no universo.

젨젨젨젨젨젨 Temos um provrbio em nosso idioma: 밪e quero ser caador, caarei um rinoceronte; se quero ser ladro, roubarei o tesouro do rei. De que serve roubar os mendigos e caar formigas? De maneira que se quereis amar, ama a Deus. Que importa o mundano? Este mundo completamente falso; todos os grandes mestres o descobriram; no existe maneira de livrar-se, seno mediante Deus. Ele a meta de nossa vida; todas as concep寤es de que o mundo o fim da vida, so perniciosas.

젨젨젨젨젨젨 Este mundo e este corpo possuem seu prprio valor, um valor secundrio, como meio para alcanar um fim, mas o mundo no deve ter um fim. Desgraadamente, com demasiada freq獪ncia fazemos do mundo o fim e de Deus, o meio para alcana-lo. Encontramos as pessoas que assistem a missa na igreja e dizem: 밆eus, concede-me tal e tal coisa; Deus, cura minha doena. Desejam corpos formosos e sadios e como observam que algum o consegue, rezam a Deus.

젨젨젨젨젨젨 Mais vale ser ateu, que possuir tal conceito de religio. Como tenho lhes dito, o bhakti o ideal mais elevado; no sei se chegaremos a alcana-lo dentro de milhes de anos, mas devemos considera-lo como nosso ideal supremo, fazer com que nossos sentidos aspirem o mais elevado. Se no alcanamos a meta, pelo menos nos aproximamos dela. Devemos ir deixando para trs, pouco a pouco, o mundo e os sentidos, para alcanar a Deus.

 

 

 

 

밢 MESTRE DA ESPIRITUALIDADE

 

Swami Vivekananda

 

 

젨젨젨젨젨젨 Toda alma est destinada a ser perfeita e todo ser chegar, inevitavelmente, a alcanar a perfei豫o. O que somos conseq獪ncia do que temos sido ou pensado, no passado e o que chegarmos a ser, no futuro, depender do que fazemos agora, ou pensamos. Mas isto no impede que recebamos ajuda do exterior; esta ltima acelera at tal ponto as possibilidades da alma, que se torna quase imprescindvel, na imensa maioria dos casos. A influncia aceleradora proveniente do exterior atua sobre nossas potencialidades, comeando, ento, o desenvolvimento; aparece a vida espiritual e o homem, finalmente, chega a ser santo e perfeito.

젨젨젨젨젨젨 O impulso estimulante externo no pode vir dos livros; a alma somente pode receber esse impulso de outra alma e nenhuma outra coisa pode dar-lhe. Embora armazenemos erudi豫o durante toda uma vida, extraindo-a de livros e cheguemos a ser altamente intelectuais, devemos confessar, ao final, a nulidade de nosso desenvolvimento espiritual. No devemos deduzir que o maior grau de desenvolvimento intelectual corresponde a um maior nvel espiritual; muito pelo contrrio. Comprovamos quase que diariamente, que em muitos casos o intelecto se desenvolve a revelia da parte espiritual.

젨젨젨젨젨젨 Muitos ajudam os livros a despertar e fortalecer a inteligncia, mas pouco serve para o desenvolvimento. Quando os lemos e estudamos, cremos, s vezes, receber uma colabora豫o espiritual, mas se analisarmos, achamos que somente foi recebida ajuda ao nosso intelecto e no ao nosso esprito.

젨젨젨젨젨젨 Por isso, quase todos ns somos capazes de falar magistralmente sobre os temas espirituais, mas quando nos chega o momento de atuar, fracassamos lamentavelmente. Isso se deve a que os livros no podem estimular o esprito; o impulso h de vir pela fora de outra alma.

젨젨젨젨젨젨 A alma de onde parte o impulso denomina-se guru, instrutor e aquela que o recebe, se chama discpulo, estudante. Para que se verifique a opera豫o, a alma de onde se origina o impulso deve possuir o poder de transmiti-lo a outras, por assim dizer, e a alma receptora deve estar capacitada para a dita recep豫o. A semente deve estar bem viva e o campo perfeitamente arado; quando se enchem dessas duas condi寤es, se obtm um maravilhoso desenvolvimento de religio. 밢 pregador da religio e seu ouvinte, devem ser maravilhosos e quando ambos o so e em grau superlativo, se produz um esplndido desenvolvimento espiritual.

젨젨젨젨젨젨 Tais so os verdadeiros instrutores e os verdadeiros alunos. Os demais no fazem seno entreter-se com a espiritualidade, travar pequenas discusses intelectuais, satisfazer mesquinhas curiosidades, mas se acham somente na zona externa do panorama religioso. Contudo, algum valor tem isto, pois pode despertar a verdadeira sede de religio; tudo chega com o transcorrer do tempo.

젨젨젨젨젨젨 Por uma misteriosa lei da natureza, enquanto est pronto o terreno, a semente deve, por fora, chegar; apenas a alma quer religio, deve acudir quem a transmita. 밢 pecador que busca, encontra o Redentor. Quando a fora de atra豫o da alma receptora chega a sua culmina豫o, deve chegar ao poder que responde a tal atra豫o.

젨젨젨젨젨젨 Porm, existem grandes perigos no caminho, entre eles o de que confunda a alma receptora, sua emo豫o momentnea, com o verdadeiro desejo religioso. No factvel observar isso em ns mesmos; morre algum a quem amamos; recebemos um golpe; por um momento pensamos que este mundo desliza entre os dedos, que desejamos algo superior e que seremos religiosos. Em poucos dias se desvanece a onda e permanecemos encalhados onde estvamos. Com freq獪ncia, confundimos esses impulsos com verdadeira sede de religio e enquanto perdurar essa confuso, no surgir esse verdadeiro e ininterrupto desejo da alma, nem encontraremos o transmissor.

젨젨젨젨젨젨 Da mesma maneira, quando nos lamentamos por no ter achado a verdade, apesar de tanto deseja-la, deveramos, em vez de nos lamentar, perscrutar nossa prpria alma para observar se realmente a necessitamos; na imensa maioria dos casos, acharemos que no estamos preparados, no queremos, no ansiamos o espiritual.

젨젨젨젨젨젨 Existem at mais dificuldades para o transmissor. Muitos indivduos, mergulhados na ignorncia, mas plenos de orgulho, crem saber de tudo. E no se detm ali, seno que se oferecem a carregar os outros sobre seus ombros e dessa maneira, 뱔m cego guiando outro cego, cairo os dois na vala. O mundo est cheio disso; todos querem ser instrutores, cada mendigo deseja fazer uma doa豫o de um milho de dlares e tanto um como o outro, acabam igualmente ridculos.

젨젨젨젨젨젨 Ento, como conheceremos o mestre? Em primeiro lugar, o sol no requer tochas para se fazer visvel. No acendemos uma vela para ver o sol. Quando o astro rei aparece no horizonte, instintivamente nos damos conta de sua apari豫o e quando um instrutor de homens vem para nos ajudar, a alma saber instintivamente que encontrou a verdade. A verdade se apia em sua prpria evidncia; no requer nenhum testemunho que a confirme e brilha por si mesma, sem necessidade de ajuda. Penetra no mais recndito de nossa natureza e todo o universo se levanta e proclama: 밇sta a Verdade. Estes so os maiores mestres, mas tambm podemos obter ajuda dos menores. Como no somos intuitivos o bastante para estarmos seguros de nosso critrio ao julga-los, devemos examinar as provas. Se requererem certas condi寤es, tanto para ensinar quanto para aprender.

젨젨젨젨젨젨 Os requisitos para quem aprende so a pureza, uma verdadeira sede de conhecimento e perseverana. Nenhuma alma impura pode ser religiosa; absolutamente necessria a pureza em todo sentido. A segunda condi豫o uma verdadeira sede de conhecimento. Quem quer? Esse o problema. Conseguimos quanto queremos; essa uma lei muito antiga. Quem quer algo, consegue. Por querer religio, no to fcil como supomos geralmente. Esquecemos que a religio no consiste em escutar prticas, em ler livros; uma luta contnua, uma guerra com nossa prpria natureza, um constante batalhar at que se alcance a vitria. No se trata e um ou dois dias, nem de anos ou de vidas; a vitria pode apresentar-se de imediato ou atravs de centenas de vidas dedicadas a esta rdua luta; devemos estar dispostos a tudo. O discpulo que possui tal esprito alcana o xito.

젨젨젨젨젨젨 Em primeiro lugar, devemos averiguar se o mestre conhece o segredo das Escrituras. Todo o mundo l as Escrituras, Bblias, Vedas, Alcoro e outros; mas s so palavras, smbolos externos, sintaxes, a etimologia, a filologia, o esqueleto da religio. O mestre poder determinar a idade de um livro qualquer, mas as palavras somente constituem um veculo e quem lhes d demasiada importncia, ou deixa arrastar-se por elas, perde o esprito.

젨젨젨젨젨젨 O mestre deve conhecer o esprito das Escrituras. A teia de palavras como um gigantesco bosque donde se extravia a mente humana, sem encontrar sada. Os diversos modos de enlaar frases, as diferentes formas de expresso, os distintos mtodos de explicar os ditos das Escrituras, s servem para o deleite dos eruditos, mas no conduzem a perfei豫o; e quem a isso recorre, s deseja exibir sua erudi豫o para colher louvores e para demonstrar que so pessoas cultas.

젨젨젨젨젨젨 Observai: nem um s dos grandes mestres detiveram-se a dar to variadas explica寤es dos textos, nem intentaram, jamais, tortura-los para tergiversa-los, nem disseram 밻sta terminologia significa tal coisa e esta a rela豫o filolgica entre este vocbulo e aquele outro. Se estudardes a todos os grandes mestres que houve no mundo, vereis que nenhum deles procedeu desta maneira. E, contudo, eles ensinaram, enquanto que outros, que nada tm que ensinar, tomam uma palavra e escrevem uma obra em trs volumes sobre sua origem e uso. Como costumava dizer meu mestre, que pensarias de quem penetrasse em sua planta豫o de mangas e se ocupasse em contar as folhas, observar sua cor, comparar o tamanho dos ramos, olhar em torno dos brotos, etc., enquanto que s um tivesse a sensatez de comear a comer os frutos? Deixai, pois, aos outros a contagem das folhas e dos ramos. Essa tarefa possui seu valor local, mas no aqui, no reino espiritual; no pode conferir espiritualidade, nem encontrareis gigantes espirituais entre os que 밹ontam folhas.

젨젨젨젨젨젨 A religio, o desejo mais elevado do homem, a maior gloria, no requer 밶 contagem das folhas. Para ser cristo, no h necessidade de saber se Cristo nasceu em Jerusalm ou em Belm, nem a data exata em que pronunciou o Sermo da Montanha; ao ler obras inteiras que expliquem quando foi essa prega豫o de pouco serve, exceto como passatempo dos sabiches; deixemos isto para eles; digamos 밶mm e 밹omamos as mangas.

젨젨젨젨젨젨 A segunda condi豫o de que necessita o instrutor, de estar isento de pecados. Certa vez um amigo me perguntou, na Inglaterra: 밣or que temos que levar em conta a personalidade de um mestre?... S devemos julgar o que diz e aproveitar. No assim. Se algum deseja ensinar-me dinmica, qumica ou qualquer outra cincia fsica, pode faze-lo embora seja um patife, porque as cincias fsicas s requerem conhecimentos intelectuais, que dependem da potencialidade do intelecto; pode-se possuir gigantesca intelectualidade sem o menor desenvolvimento da alma. Porm coisa muito distinta ocorre com o espiritual; no pode, em absoluto, brilhar a luz da espiritualidade em uma alma impura. Que poderia nos ensinar um ser impuro, se nada sabe?

젨젨젨젨젨젨 A verdade espiritual pura. 밄em-aventurados os puros de cora豫o, porque eles vero a Deus. Esta nica frase condensa o essencial de todas as religies. Aprendeis-la e sabereis tudo o quanto foi dito no passado e quanto possvel dizer no futuro; nada necessitareis buscar, pois tudo est includo nessa sentena e ela somente bastaria para salvar o mundo, se desaparecessem todas as demais Escrituras.

젨젨젨젨젨젨 A viso de Deus, o vislumbre do mais alm, nunca chega at que a alma seja pura. Por isso a pureza requisito indispensvel a um mestre espiritual; primeiro devemos ver quem e depois o que diz. No sucede o mesmo com os mestres intelectuais; levamos mais em conta o que dizem, do que quem so. Mas tratando-se de um instrutor religioso, devemos antes de tudo estuda-lo e, em segunda instncia, suas palavras. Porque sendo ele transmissor, que poderia transmitir se carece de poder espiritual? Darei um exemplo: se este aquecedor est em alta temperatura, pode produzir vibra寤es calorficas, mas caso contrrio, impossvel que o faa.

젨젨젨젨젨젨 O mesmo acontece com as vibra寤es mentais que o mestre religioso emite mente do discpulo. um assunto de transferncia e no s um estmulo de nossas faculdades intelectuais. Certo poder real e tangvel surge do mestre e comea a desenvolver-se na mente do discpulo. Por isso imprescindvel que o mestre seja sincero.

젨젨젨젨젨젨 A terceira condi豫o o motivo. Deveis cuidar em no ensinar com um motivo ulterior, por adquirir fama ou por qualquer outra razo, seno simplesmente por amor, puro amor para com os outros. As foras espirituais s podem ser transmitidas do mestre ao discpulo por meio do amor; no existe outro veiculo. Qualquer outro motivo, tal como a ambi豫o de dinheiro ou fama destruir imediatamente o meio transmissor; por isso tudo deve ser feito por meio do amor. S quem conheceu a Deus pode ser mestre. Quando observeis que o mestre rene as condi寤es necessrias, fiqueis tranqilos; se no, ser imprudente aceita-lo. Existe, s vezes, um grave risco, o de que o mestre, no podendo transmitir a bondade, transmita perversidade. Convm precaver-se. E de tudo isto se deduz que no podemos aceitar os ensinamentos de qualquer um, nem de todos.

젨젨젨젨젨젨 Que os regatos e pedras preguem sermes pode admitir-se, como licena potica, mas ningum pode pregar nem um tomo de verdade enquanto no o possa. A quem dirigem seus sermes, os regatos? Somente s almas humanas, cujo loto j se tenha aberto. Quando o cora豫o est aberto, pode receber ensinamentos dos regatos ou das pedras, porm o cora豫o que no est aberto, s ver regatos e seixos.

젨젨젨젨젨젨 Um cego pode entrar em um museu, mas no far nada seno entrar e sair; para que veja, preciso que abra antes os olhos. Quem nos abre os olhos em questes religiosas, o instrutor. Portanto nossa rela豫o com o mestre a de antepassado e descendente; o mestre o antepassado espiritual e o discpulo, o descendente espiritual. Bom falar de liberdade e independncia, mas sem humildade, submisso, venera豫o e f, no existir religio alguma.

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um fato significativo que s onde ainda persiste a rela豫o entre o mestre e o discpulo, se desenvolvem gigantescas almas espirituais; enquanto que os que esto despojados dessa rela豫o, tomam a religio como um passatempo. As na寤es e igrejas que no mantm essa rela豫o entre o mestre e discpulo, desconhecem quase por completo a espiritualidade. Esta no se apresenta sem essa sensa豫o; no h a quem transmitir, nem o que transmitir, porque todos so independentes. De quem eles podem aprender? E se vm aprender, vm para comprar o ensinamento. D-me um dlar de religio; no posso pagar um dlar por isso? A religio no pode ser alcanada desse modo!

젨젨젨젨젨젨 Nada h de mais elevado, nem mais santo que o conhecimento que chega alma, transmitido por um mestre espiritual. Ele, que se converteu em um perfeito yogui, no o alcanou isto por meio de livros. Embora quebreis a cabea contra os quatro cantos do mundo buscando nos Himalaias, nos Alpes, no Cucaso, no deserto de Gobi ou do Saara, e at no fundo do mar, no alcanareis o conhecimento at no achar um mestre. Buscastes ao mestre, atende-o como filhos, abristes vosso cora豫o e vedes nele a manifesta豫o de Deus. Fixemos nossa aten豫o no mestre considerando-o como suprema manifesta豫o de Deus e na medida em que aumentar nossa concentra豫o, se desvanecer a imagem do homem, a envoltura externa, at que s fique o verdadeiro Deus.

젨젨젨젨젨젨 A quem se aproxima da verdade com tal esprito de venera豫o e amor, o Senhor da verdade lhes dirige palavras maravilhosas. 밫ire os sapatos, porque o lugar que ests pisando sagrado. Sagrado todo lugar onde se pronuncia Seu nome e quanto mais continuamente O repetes, com maior venera豫o deve se aproximar de quem difunde as verdades espirituais. Assim devemos pensar, para que nos ensinem. Tais mestres so poucos, sem dvida, mas o mundo nunca carece deles. Quando assim no for, deixar de ser o que e se converter em um horrvel inferno, destruindo-se.

젨젨젨젨젨젨 Os mestres enlevam a vida humana e mantm o mundo caminhando; a energia que flui desses cora寤es a que conserva intactos os laos da sociedade. Acima disto, existe outra espcie de mestres, os Cristos. Estes Mestres de mestres representam a Deus na forma de homem. So muito mais elevados; podem transmitir a espiritualidade com um toque, com um desejo, santificando em um segundo at aos seres mais ruins e degradados. No lestes como costumavam faze-lo? No so os mestres de quem estive falando; so os mestres de todos os mestres, as maiores manifesta寤es de Deus para o homem. No podemos ver a Deus, seno atravs deles, nem podemos deixar de adora-los; e so os nicos seres a quem verdadeiramente devemos adorar.

젨젨젨젨젨젨 Ningum viu a Deus, exceto tal como se manifesta no Filho. Ns no podemos ver a Deus. Se tratarmos de concebe-lo, s conseguimos caricatura-lo. Uma lenda hindu diz que se pediu a um ignorante que fizesse um esboo do deus Shiva e aps longos dias de esforos, desenhou a imagem de um macaco. De igual modo, cada vez que quisermos representar a Deus, em lugar de Sua imagem, obteremos Sua caricatura. Sua caricatura porque somos incapazes de concebe-lo como algo superior ao homem, enquanto formos homens.

젨젨젨젨젨젨 Chegar o momento em que transcenderemos nossa natureza humana e O conheceremos tal como , mas enquanto formos homens, deveremos adora-lo como homem. Por mais que falemos, por muitas tentativas que realizemos, s podemos ver a Deus como um homem. Podemos fazer muitos discursos intelectuais, nos converter em grandes racionalistas e demonstrar que estes contos referentes a Deus so tolices, porm vamos ao sentido comum prtico. Que h por detrs de to notvel intelecto? Zero, nada, pura ostenta豫o. A prxima vez que ouvis um homem pronunciando grandes conferncias intelectuais contra esta adora豫o de Deus, perguntes qual seu conceito de Deus e que entende por 뱋nipresena, 뱋niscincia e 밶mor onipresente, etc. S conhece, destes termos, sua pronncia; nada significa para ele; incapaz de formular uma idia e no vale mais que o homem da rua que nem sequer leu um s livro. Contudo, o homem da rua permanece tranqilo e no incomoda o mundo, enquanto que os argumentos daquele causam perturba豫o. No possui uma verdadeira percep豫o dos que se acham no mesmo plano.

젨젨젨젨젨젨 A religio a realiza豫o. Aprendeis a distinguir as falcias da realiza豫o. O que se percebe na alma realiza豫o. No podendo conceber o Esprito temos, por fora, que recorrer, para imagina-lo, ao que temos ante os olhos: o imenso cu azul, as vastas campinas, o oceano ou algo gigantesco. De que outra maneira podemos pensar em Deus? Sabeis o que, em realidade, fazeis? Falar de onipresena e pensar no mar, acaso Deus o mar? Necessita-se de algo mais de sentido comum. Nada to pouco comum como o sentido comum; o mundo est repleto de vs palavras. Demos trgua a toda esta frvola argumenta豫o mundana.

젨젨젨젨젨젨 Nossa constitui豫o fsica atual nos limita e obriga a ver a Deus como homem. Se os bfalos desejam adorar a Deus, o vero como um gigantesco bfalo; se um peixe quer adorar a Deus, pensar Nele como um enorme peixe. Vs e eu, o bfalo, o peixe, cada um representa diferentes vasilhas. Todos correm ao mar para serem cheios com gua, esta adota a forma de cada recipiente, mas em cada uma s h gua. O mesmo acontece com Deus. Quando os homens o vm, o vm como homem e os animais como animal, cada um segundo seu ideal. Este o nico modo de poder v-lo: adorando-o como homem; no existe outra solu豫o.

젨젨젨젨젨젨 O que no adora a Deus como homem, ou um ser primitivo carente de religio, ou um paramahamsa (o yogui supremo) que, despojando-se de sua mente e seu corpo, transcendeu a humanidade e a natureza; esta, inteira, se converteu em seu Eu. No possui mente nem corpo e pode adorar a Deus como Deus, como pde faze-lo Jesus e Buda, que no adoraram a Deus como homem. O ser primitivo constitui o plo oposto. J sabeis que os extremos se assemelham e isto ocorre justamente com o ignorante e o supremo conhecedor; nenhum dos dois adora a nada. Os muito ignorantes no adoram a Deus porque no esto suficientemente desenvolvidos para sentir a necessidade de faze-lo. Os que alcanaram o conhecimento mais elevado tampouco adoram a Deus por t-lo realizado e estar unificados com Ele. Deus nunca adora a Deus. Se algum situado entre esses plos opostos pretende no adorar a Deus como homem, cuidem com ele. um charlato, um irresponsvel e est equivocado; sua religio no passa de uma insensatez e s pode atrair a quem pensa em coisas ridculas.

젨젨젨젨젨젨 Torna-se, pois, imprescindvel adorar a Deus como homem. Bem-aventuradas as raas que possuem um Deus-homem para adorar! Vs, os cristos, tm esse Deus-homem: Cristo; agarrem-se a Ele e, por conseguinte, Ele jamais os abandonar. Esta a maneira natural de ver a Deus; v-lo em um homem. Todas as nossas idias de Deus se concentram ali. A grande limita豫o dos cristos que no consideram outras manifesta寤es de Deus separadas de Cristo. Ele foi uma manifesta豫o de Deus; mas tambm o foi Buda e vrios outros e da mesma maneira haver outras centenas mais.

젨젨젨젨젨젨 No limiteis a Deus. Rendei a Cristo o culto que lhes parea prprio de Deus; a nica adora豫o que podemos nos permitir. Deus no pode ser adorado; o Ser imanente do universo. S podemos adorar a Sua manifesta豫o como homem. Quando os cristos rezam, seria conveniente que dissessem 밇m nome de Cristo. Seria prudente parar de rogar a Deus e rezar somente a Cristo. Deus compreende os defeitos humanos e converte-se em homem para ajudar a humanidade. 밦uando decai a virtude e prevalece a imoralidade, corro a ajudar a humanidade, disse Krishna. Tambm acrescenta: 밢s incapazes, ignorando que Eu, o Onipotente e Onipresente Deus do universo, tomei esta forma humana, se riem de mim e pesam que isto no pode ser. Tm a mente velada por demonaca ignorncia; os impede ver Nele o Senhor do universo. Estas grandes Encarna寤es de Deus merecem ser adoradas; melhor dizendo, so o nico que podemos adorar e no aniversrio de seu nascimento e de sua morte, devemos render-lhes um culto especial. Ao venerar a Cristo, prefervel adora-lo como Ele deseja; no dia de seu nascimento o adoraria melhor orando e jejuando, que comendo pomposamente. Se pensarmos nesses grandes seres, eles se manifestam em nossa alma e nos transformam, fazendo com que nos pareamos com eles. Toda nossa natureza muda e acabamos por ser como eles.

젨젨젨젨젨젨 Mas no devemos misturar Cristo ou Buda com espectros que cruzam o espao e com outras tolices semelhantes. Sacrilgio! Cristo danando em uma sesso de espiritismo! Vi tal simula豫o neste pas. No chegam assim, esses seres que so manifesta寤es de Deus; o menor roar de seus dedos transforma por completo um homem; quando Cristo toca uma alma, toda ela muda e se transfigura como Ele; a vida inteira se espiritualiza; de todos os poros de seu corpo, emana o poder espiritual. Que significa e que valor tem esses grandes poderes de Cristo mediante os quais realiza milagres e curas maravilhosas, se comparado com Sua to sublime personalidade? No podia deixar de fazer esses milagres to baixos e vulgares, porque se acha entre os vulgares. Onde os efetuava? Entre os judeus e eles no o aceitaram. Onde no se realizavam? Na Europa. Os milagres foram para onde os judeus, que rechaaram Cristo, e o Sermo da Montanha foi para a Europa, que O aceitou. O esprito humano aceitou o que era verdade e recusou o impuro. O grande poder de Cristo no reside em Seus milagres, nem em Suas curas. Qualquer idiota poderia ter feito essas coisas; os idiotas e os diabos podem curar aos demais. Vi horrveis seres demonacos que faziam milagres assombrosos; pareciam extrair frutos da terra. Conheci homens ignorantes e diablicos que adivinhavam o passado, o presente e o futuro. Vi insensatos que curavam por meio de sua fora de vontade e com uma s olhada, as mais horrveis doenas. Esses so, indubitavelmente, poderes, mas com freq獪ncia, poderes demonacos.

젨젨젨젨젨젨 Muito outro o poder espiritual de Cristo, que sempre viveu e seguir vivendo da mesma forma que seu gigantesco amor e as palavras de verdade que pregou. Esquecemos logo a quem cura com uma olhada, mas aquele provrbio 밄em-aventurados os limpos de cora豫o persiste at hoje e constitui uma inesgotvel fonte de fora que perdurar enquanto existir a mente humana. Enquanto no se esquece o nome de Deus, estas palavras continuaro vvidas e nunca cessaro de existir. Estes so os poderes que ensinou Jesus e os que Ele possua.

젨젨젨젨젨젨 O poder da pureza um poder concreto; de modo que adorar a Cristo e ao rezar para Ele, devemos ter presente que coisas desejamos e no desejar essas ignorantes exibi寤es de poderes milagrosos, seno os maravilhosos poderes do Esprito, que fazem o homem livre, lhe confere o domnio da natureza e lhe revela Deus.

 

 

 

밃 NECESSIDADE DOS SMBOLOS

 

Swami Vivekananda

 

 

젨젨젨젨젨젨 Bhakti divide-se em duas partes. A uma se chama vaidhi, ou seja, formal ou cerimonial; outra se chama mukhya, que quer dizer suprema. A palavra bhakti abarca toda a compreenso entre a forma mais baixa de culto e a forma de vida mais elevada. Todo culto ou adora豫o que presenciastes em qualquer pas do mundo ou em qualquer religio, est regulado pelo amor. Muitos so simples cerimnias; muitos existem, tambm, que sem ser cerimnias, no tampouco amor, seno um estado inferior. No obstante, tais cerimnias so necessrias. A parte externa de bhakti torna-se absolutamente necessria como ajuda para o progresso da alma.

젨젨젨젨젨젨 O homem comete um grande erro ao pensar que pode ascender subitamente a um estado mais elevado. Se a criana cr que pode chegar a ser homem maduro em um dia, estaria equivocado. Espero que tenhais sempre presente esta nica idia, a saber: a religio no est em livros, nem depende do consentimento intelectual, nem de raciocnio. A razo, as teorias, os escritos, as doutrinas, os livros, as cerimnias religiosas, constituem outras tantas ajudas da religio. Esta, em si mesma, realiza豫o. Todos dizemos: 밇xiste um Deus. Mas por acaso vimos Deus? Esta a questo. Se ouvir algum afirmar 밇xiste Deus no cu, pergunte-lhe se o viu. Se afirmar, rireis dele e direis que um manaco. Para muitas pessoas, a religio uma espcie de assentimento intelectual e no tem mais alcance que um documento. Eu no chamo a isto de religio. melhor ser ateu que religioso desta espcie. A religio no depende de nosso assentimento ou de desconformidade intelectual. Dizeis que h uma alma; vistes a alma? Como que todos temos alma, se no a vemos? Tereis que contestar a pergunta e buscar a maneira de ver a alma; de outra modo no tereis objetivo em falar de religio.

젨젨젨젨젨젨 Se uma religio verdadeira, h de ser capaz de nos mostrar a alma, a Deus e a verdade de ns mesmos. Embora vs e eu discutamos por toda a eternidade sobre uma destas doutrinas ou escritos, nunca chegaremos a concluso alguma. As pessoas discutem durante sculos e qual o resultado? O intelecto no pode resolver a questo, em absoluto. Temos que transcender o intelecto; a prova da religio est na percep豫o direta. A prova da existncia de uma parede, que a vemos; se sentares e discutires durante sculos sobre a sua existncia ou inexistncia, nunca chegareis a concluso alguma; mas ao v-la diretamente, suficiente. Embora todo os homens do mundo digam que no existe, no acreditareis, porque sabeis que a evidencia de vossos prprios olhos superior a todas as doutrinas e escritos do mundo.

젨젨젨젨젨젨 Para ser religioso, deveis comear por descartar todos os livros. Quantos menos livros lerdes, melhor para vs. Fazeis uma coisa de cada vez. Nestes tempos modernos, existe no Ocidente a tendncia de fazer uma miscelnea no crebro. Misturam-se todas as espcies de idias mal assimiladas e se acredita num caos, sem chegar nunca a conseguir que se assente e cristalize uma forma precisa. Chega isto, em muitos casos, a converter-se em uma espcie de doena; por isso no religio. Logo alguns buscam sensa寤es. Falar de fantasmas e pessoas que vm do Plo Norte ou de qualquer outro lugar longnquo, voando ou de qualquer forma; dizer-lhes que esto presentes, embora invisveis e os vigiando, de maneira que se sintam um pouco assustados. Com isto, ficam satisfeitos e vo para casa; mas esto prontos para outra sensa豫o, as vinte e quatro horas do dia. A isto, alguns chamam de religio; mas o caminho para o manicmio, no religio. Ao Senhor no chegam os fracos; todas essas coisas misteriosas tendem a produzir debilidade. Portanto, no vos aproximeis delas, porque s servem para tirar a fora das pessoas, para colocar o crebro em desordem, para enfraquecer a mente e para desmoralizar a alma. O resultado no outro que confuso sem remdio.

젨젨젨젨젨젨 Haveis de ter em conta que a religio no consiste em palavras, doutrinas, nem livros, seno a realiza豫o; no aprender, seno ser. Todo mundo conhece o mandamento: 밡o roubar; mas que h com ele? S quem jamais roubou pode dizer que o sabe. Todo mundo conhece o mandamento: 밡o prejudiqueis aos outros; mas que valor tem? Quem no provocou nenhum dano, o compreende, o sabe e construiu seu carter sobre essa base. Religio e realiza豫o; os chamarei adoradores de Deus, enquanto chegueis a compreender tal idia. O que sabeis antes ser, simplesmente, soletrar as palavras e nada mais. o poder de realizar o que constitui a religio. A quantidade de doutrinas, filosofias ou livros sobre tica com que haveis regado vosso crebro, pouco importa; o que importa o que sois e o que realizastes. De modo que devemos realizar a religio e tal realiza豫o um longo processo. Quando os homens ouvem algo muito elevado e maravilhoso, todos crem que o conseguiram; mas no se detm, nem por um momento, a considerar que para alcana-lo, tero que percorrer um longo caminho; todos querem chegar depressa. Contanto que seja o mais elevado, o queremos; mas como quase nunca nos detemos a considerar se contamos com as foras necessrias, o resultado que chegamos a nada. No podeis empurrar um homem com uma forquilha, para que ascenda; todos ns temos que ascender gradualmente. Do contrrio, a primeira parte da religio vaidhi-bhakti, a fase inferior do culto.

젨젨젨젨젨젨 Estas fases inferiores do culto so vrias. Para alcanar o estado em que sejamos capazes de realizar, temos que passar pelo concreto; da mesma maneira que as crianas aprendem primeiro o aspecto concreto das coisas para chegar, gradualmente, ao abstrato. Se disserdes a uma criana que cinco vezes dois so dez, no vos entender; mas se colocar diante dela dez objetos e lhe mostrar como cinco vezes dois, compreender. A religio um processo longo e lento. Neste sentido, todos ns somos crianas; podemos ser velhos, ter estudado todos os livros do universo; mas, espiritualmente, somos todos crianas. Temos aprendido as doutrinas e os dogmas, mas nada realizamos. Temos que comear agora, por coisas concretas; imagineis as palavras, ora寤es, cerimnias que existem aos milhares, pois de uma mesma forma, no h de servir para todos. A uns, ajudam as imagens, a outros no; uns necessitam de uma imagem exterior, outras de uma dentro do crebro. Aquele que situou sua imagem dentro, disse: 밪ou homem superior; quando est dentro, est bem; o que est fora idolatria; vou combate-lo. Quem constri uma igreja ou templo, o considera santo; mas se v uma imagem com forma humana, pe defeitos.

젨젨젨젨젨젨 De maneira que h vrias formas para que a mente pratique este exerccio concreto; logo, passo a passo, chega compreenso ou realiza豫o abstrata. Ademais, a mesma forma no se adapta a todos; uma ser boa para vs, outra ser para outros, etc. Enquanto todas as formas conduzem mesma meta, no servem para todos ns. H aqui outro erro muito comum. Se meu ideal no adequado para vs, por que o quer impor? Se minha maneira de construir igrejas ou de ler hinos no adequada a vs, por que a impes a mim? Ide pelo mundo e qualquer idiota os dir que sua forma a nica correta; que todas as demais so diablicas; que ele o nico eleito no universo. Contudo, todas estas formas so boas e ajudam.

젨젨젨젨젨젨 Assim como existem mltiplas variedades na natureza humana, necessrio que haja numerosas formas de religio; quantas mais houver, melhor. Se temos no mundo vinte formas de religio, bom; se temos quatrocentas, muito melhor, porque haver mais para escolher. De maneira que devemos nos alegrar de que aumente e multiplique-se o nmero de religies e de idias religiosas porque, desta maneira, incluiro todos os homens e ajudaro melhor a humanidade. Queira Deus que as religies se multipliquem at que cada homem tenha a sua prpria, separada das demais! Este o ideal do bhakti-yogui.

젨젨젨젨젨젨 Chegamos, pois, a seguinte concluso: minha religio no pode ser vossa, nem a vossa a minha. Embora tenhamos a mesma meta e idntico propsito, cada um h de tomar um caminho diferente, de acordo com as tendncias de sua mente; apesar de serem distintos estes caminhos, todos so verdadeiros, porque todos conduzem mesma meta. No pode um ser verdadeiro e os demais no. A elei豫o do prprio caminho se chama, em linguagem bhakti, Ishtam, o caminho escolhido.

젨젨젨젨젨젨 Logo temos as palavras. Todos vs haveis ouvido falar do poder das palavras; de quo maravilhosas so. Todo livro, a Bblia, o Coro e os Vedas, esto cheios do poder das palavras. Algumas delas exercem uma influncia maravilhosa sobre a humanidade. Por outro lado, existem outras formas conhecidas como smbolos, de grande influncia sobre a mente humana, mas os grandes smbolos da religio foram criados em forma indefinida, seno que so expresso natural do pensamento. Pensamos simbolicamente. Todas nossas palavras so somente smbolos do pensamento; pessoas diferentes tm empregado smbolos diferentes, sem saber a razo para isso. Estes smbolos esto associados com os pensamentos; o pensamento manifesta o smbolo; este, por sua vez, faz nascer o pensamento na mente.

젨젨젨젨젨젨 De maneira que uma parte do bhakti nos fala destes diferentes temas, relacionados com os smbolos, as palavras e as ora寤es. Toda religio tem prega寤es, mas saber orar pedindo sade ou riqueza no bhakti, mas karma ou a豫o meritria. O rezar pedindo qualquer beneficio fsico, simplesmente karma; tal a ora豫o para ir ao cu, etc. Quem quer amar Deus, ser bhakta, deve abandonar todas essas ora寤es. Quem quer penetrar nas religies da luz, dever abandonar esta compra e venda, esta religio 밹omercial, antes de transpor os umbrais. Na que no se consiga o que se pede na ora豫o; tudo se consegue, mas tal maneira de orar a religio do mendigo. 밒diota aquele que, vivendo as margens do Ganges, pe-se a cavar a terra a procura de gua. Tolo , certamente, o homem que, ao chegar a uma mina de diamantes, busca contas de vidro. Este nosso corpo h de morrer, um dia; de que serve, pois, orar por sua sade uma ou outra vez? De que valem a sade e a riqueza? O homem mais rico s poder empregar e desfrutar de uma pequena por豫o de sua riqueza. Nunca podemos conseguir todas as coisas deste mundo; sendo assim, que importa? J que esse corpo h de desaparecer, por que tomar a peito tais coisas? Se nos chegam as coisas boas, bem-vindas sejam; se afastam-se, deixem-nas ir; benditas quando vm e benditas quando se vo. Estamos lutando por chegar a presena do Rei dos reis, mas no podemos nos apresentar ante Ele em traje de mendigo. Se quisssemos chegar na presena de um imperador, seriamos admitidos? Certamente que no; nos lanariam fora. Este o Imperador dos imperadores e com estes farrapos de mendigos no podemos entrar. Os mercadores nunca sero admitidos ali; a compra e venda no cabem. Segundo lemos na Bblia, Jesus arrancou os mercadores do templo. No oreis por coisas pequenas. Se buscardes unicamente comodidades para o corpo, que diferena far entre os homens e os animais? Tendes uma concep豫o mais elevada de vs mesmos.

젨젨젨젨젨젨 Por conseguinte, o primeiro passo para chegar a ser um bhakti consiste em abandonar todo o desejo de cu e outras coisas. A questo est em como se desprender de tais desejos. Que fazem os homens miserveis? O fato de que so escravos; esto sujeitos s leis; so bonecos nas mos da natureza, manipulados como joguetes. Cuidamos constantemente do corpo, que pode tombar por qualquer coisa; assim vivemos num estado de permanente temor. Li que o cervo corre de sessenta a setenta milhas por dia, quando o espantam. Deveramos saber que estamos em pior situa豫o que o cervo. Este tem algum descanso, mas ns nenhum. Se achar pasto suficiente, o cervo fica satisfeito; mas ns multiplicamos continuamente nossas necessidades, movidos por um desejo mrbido. Chegamos a ser to desarticulados e artificiais, que nada de natural nos satisfaz. Sempre vamos atrs de coisas mrbidas; necessitamos de excitantes artificiais, alimentos, bebidas, ambiente e vida antinaturais. E quanto ao temor, que so nossas vidas seno feixes de temores? O cervo s tem um temor, o que lhe infunde os tigres, lobos, etc. O homem teme o universo inteiro.

젨젨젨젨젨젨 A questo est em como nos livrar disso tudo. O materialista diz: 밡o faleis de Deus, nem do mais alm; nada sabemos dessas coisas; procuremos viver felizes neste mundo. Eu seria o primeiro a fazer assim, se pudesse; mas o mundo no nos deixa. Como podemos faze-lo, enquanto somos escravos da natureza? Quanto mais se luta, mais envolvidos ficamos; faz plano para ser feliz, quem sabe por quantos anos; mas a cada ano, as coisas ficam piores. H duzentos anos, as pessoas do velho mundo tinham poucas necessidades. No entanto, seus conhecimentos aumentaram em progresso geomtrica. Acreditamos que pelo menos nossos desejos ficariam satisfeitos, se nos salvssemos; por isso, aspiramos ir ao cu. Que sede eterna, insacivel! Sempre desejamos algo. Quando o homem um mendigo, quer dinheiro, mas uma vez que o possui, deseja outras coisas, quer sociabilidade, depois algo mais, nunca descansa, como podemos saciar isto?

젨젨젨젨젨젨 Se chegarmos ao cu, nossos desejos aumentaro. Se um pobre se faz rico, no sacia seus desejos; o mesmo que jogar manteiga ao fogo, o que faz o fogo aumentar. Ir ao cu como se fazer imensamente rico; mas, ento, o desejo se torna mais e mais forte. Lemos em diferentes bblias do mundo que no cu h muitas coisas humanas. Estas, nem sempre, so muito boas; depois de todo esse desejo de ir ao cu, no mais que desejo de desfrutar e tereis que abandona-lo. demasiado pobre, mesquinho. Querer ir ao cu algo demasiado vulgar; o mesmo que pensar 뱒erei milionrio e dominarei as pessoas. Existem muitos desses cus; porm, nenhum deles confere o direito de transpor os portais da religio e do amor.

 

 

 

 

 

 

 

밪OBRE ESPIRITUALIDADE PR햀ICA

 

Swami Vivekananda

 

(Conferncia dada no 밚ar da Verdade, Los Angeles, Califrnia).

 

 

젨젨젨젨젨젨 Proponho-me, nesta manh, a lhes dar algumas idias sobre a respira豫o e outros exerccios. Temos nos ocupado tanto de teorias, que no ser demais que agora tratemos um pouco do aspecto prtico. Na ndia se escrevem muitos livros sobre este tema. Assim como em vosso pas as pessoas so prticas em muitas coisas, tambm o no nosso, neste assunto. Por exemplo, se cinco pessoas deste pas se unem e dizem: 밮amos formar uma sociedade por a寤es, cinco horas depois tero realizado seu propsito. Na ndia no seriam capazes de faze-lo nem em cinqenta anos; so carentes de sentido prtico para tais questes. No entanto, se um homem inicia ali um sistema filosfico, no importa quanto disparate haja nessa teoria, ter adeptos. Por exemplo: ao se fundar uma seita para ensinar que, mantendo-se sobre uma s perna durante doze anos, dia e noite, se alcanar a salva豫o, centenas estaro dispostos a manter-se em tal posi豫o e agentaro estoicamente todo o sofrimento que isso implica. H quem se mantm com os braos no alto durante anos, para alcanar mritos de carter religioso. Eu vi centenas deles. Tenhamos em conta que nem todos so ignorantes, nem tolos; entre eles, h homens que os surpreenderiam, pela amplitude e profundidade de seu intelecto. Sabereis, portanto, que a palavra 뱎rtica tambm relativa.

젨젨젨젨젨젨 Constantemente cometemos erros ao julgar os outros. Nos inclinamos a crer que nosso limitado universo mental tudo quanto existe; que nossa tica, nosso moral, nosso sentido de dever e de utilidade, so as nicas coisas dignas de possuir. No faz muito tempo, em uma viagem Europa, passei por Marselha, onde se celebrava uma corrida de touros. Todos os ingleses que viajavam no mesmo vapor estavam loucamente excitados, criticando e demonstrando a crueldade de tal ato. Ao chegar a Inglaterra, me inteirei de que um grupo de boxeadores profissionais tinha ido a Paris e foram expulsos, sem cerimnia, pelos franceses, que consideravam o boxe como algo brutal. Ao ouvir tais coisas em diversos pases, comecei a compreender as maravilhosas palavras de Cristo: 밡o julgais, para que no sejais julgados.

젨젨젨젨젨젨 Quanto mais aprendemos, mais descobrimos os ignorantes que somos; quo inumerveis so as formas e as facetas da mente humana. Quando era menino, eu criticava as prticas ascticas de meus compatriotas; grandes pregadores de nosso prprio pas as criticaram tambm; Buda, o maior dos homens nascidos, igualmente as criticou. Contudo, a medida em que avanaram os anos, me convenci de que no tenho o direito de julgar. 픰 vezes quis, apesar de todas as incongruncias, possuir um fragmento do poder de atuar e sofrer desses ascetas. Penso, com freq獪ncia, que meus juzos e crticas no provm de que a tortura me desgoste, mas de pura covardia, por ser incapaz de fazer o mesmo, porque no me atrevo a faze-lo.

젨젨젨젨젨젨 Podeis ver, pois, que a fortaleza, o poder e o valor so coisas muito peculiares. Falamos em termos gerais do homem valente, bravo e atrevido; mas temos que ter em conta que o valor ou a bravura, ou qualquer outro predicado, nem sempre caracteriza o homem. O mesmo homem capaz de se atirar na boca de um cnion, se encolhe a vista de um bisturi de cirurgio; outro, que jamais se atreveria a ficar frente a um cnion, agentaria estoicamente uma grave cirurgia. De maneira que, ao julgar aos outros, poderemos definir o significado que damos aos termos: valor e grandeza. O homem a quem censuro como mau, pode muito bem ser excelente em aspectos em que estou longe de ser.

젨젨젨젨젨젨 Vejamos outro exemplo: com freq獪ncia observamos o mesmo erro quando se trata do que o homem e a mulher podem fazer. Quer-se demonstrar que o homem melhor para a luta e para submeter-se a tremendos esforos fsicos, comparando com a debilidade fsica e a falta de combatividade da mulher. Isto injusto. Ambos so igualmente bons, ao seu modo. Que homem capaz de criar uma criana com a pacincia, a fortaleza e o amor de uma mulher? A um desenvolvido o poder de fazer; a outra, o poder de sofrer. Se a mulher no pode agir, tampouco o homem pode sofrer. O universo inteiro est perfeitamente equilibrado. No sei, mas algum dia despertaremos para descobrir que at o simples verme possui algo que contrabalana nossa humanidade. A pessoa mais perversa pode possuir algumas boas qualidades das quais eu careo. Descubro isso todos os dias. Ao contemplar o selvagem, quisera possuir seu esplndido fsico; come e bebe quando o apraz, sem saber, talvez, o que enfermidade; por outro lado, eu sofro a cada minuto. Quantas vezes troquei meu crebro pelo corpo! O universo inteiro s uma onda e uma depresso; no pode haver onda sem depresso. Equilbrio em todas as partes! Tendes uma coisa boa; vosso vizinho tem outra coisa igualmente grande.

젨젨젨젨젨젨 Ao julgar o homem e a mulher, haveis de julga-los de acordo com a norma de sua respectiva grandeza. O primeiro no pode usar os sapatos da segunda. Um no tem o direito de dizer que o outro mau. Segundo a antiga supersti豫o: 밪e fizeres isto, o mundo ir runa. Contudo, o mundo est em runas. Neste pas (Amrica do Norte) se dizia, em um tempo, que se fosse dada a liberdade aos negros, o pas se arruinaria. Arruinou-se? Tambm se dizia que fosse dada educa豫o s massas, o mundo iria a runa; no entanto, isso no fez seno melhorar.

젨젨젨젨젨젨 H alguns anos publicou-se um livro que expunha o pior que poderia ocorrer na Inglaterra. O autor mostrava que os jornais dos trabalhadores aumentavam e que o comercio ingls declinava. Elevou-se um clamor sobre as demandas dos trabalhadores ingleses, dizendo que eram exorbitantes, enquanto os alemes trabalhavam com jornais mais baixos. Enviou-se a Alemanha uma comisso investigativa; o informe desta manifestou que os jornais eram superiores na Alemanha. Por que era assim? Graas educa豫o das massas. Na ndia, especialmente, encontramos por todas as partes idosos que so mantidos secretamente das massas. Estas pessoas chegaram a concluso (satisfatria para eles) de que so crema de la crema deste universo. Crem que nenhum dano podem ser causar-lhes to perigosos experimentos; que s podem causar danos as massas.

젨젨젨젨젨젨 Agora, voltando ao prtico. Ao tema da aplica豫o prtica da psicologia tem sido tratada na ndia, desde tempos muito remotos. Uns mil e quatrocentos anos antes de Cristo, floresceu na ndia um grande filosofo de nome Patanjali, que recolheu todos os fatos, provas e investiga寤es sobre a psicologia e utilizou todas as experincias acumuladas do passado. Recordem que este mundo muito velho; que no foi criado h s dois ou trs mil anos. No Ocidente se ensina que a sociedade iniciou-se faz mil e oitocentos anos, com o Novo Testamento e que, antes disto, no existia a sociedade. Pode ser que isto esteja certo quanto ao Ocidente, mas no com respeito ao mundo inteiro. Com freq獪ncia, ao dar conferncias em Londres, discutamos com um amigo muito intelectual e inteligente. Um dia, depois de descarregar todas as suas armas contra mim exclamou, repentinamente: 밇nto, por que vossos rishis no vieram a Inglaterra para nos ensinar?; ao que respondi: 뱎orque no havia Inglaterra, iriam pregar para as selvas?.

젨젨젨젨젨젨 Faz cinqenta anos disse-me uma vez Ingersol o haveriam enforcado neste pas, se tivessem vindo pregar; os queimaria vivo ou as pessoas do povo o expulsaria com pedradas.

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De maneira que no est fora da razo a idia de que a civiliza豫o existia mil e quatrocentos anos antes de Cristo. No entanto, no est decidido que a civiliza豫o vem sempre do inferior para o superior. Os mesmos argumentos e provas que se aduzem para demonstrar tal proposi豫o, se pode utilizar igualmente para demonstrar que o selvagem um homem civilizado degradado. Os chineses, por exemplo, no podem nunca acreditar que civiliza豫o surgiu de um estado selvagem, enquanto sua experincia lhes diz o contrrio. Mas quando falais da civiliza豫o da Amrica, o que quereis dar a entender a perpetuidade e crescimento de vossa prpria raa.

젨젨젨젨젨젨 muito fcil crer que os hindus, que tm decado durante setecentos anos, foram altamente civilizados no passado; pois no podemos provar que assim seja.

젨젨젨젨젨젨 No se conhece um s caso de civiliza豫o espontnea. No sabe o mundo de uma s raa que se achou civilizada, sem que outra, mais avanada, se misturasse com ela. A origem da civiliza豫o corresponde, por assim dizer, a uma ou duas raas que se espalharam, difundiram suas idias e se misturaram com outras raas e, desta maneira, a civiliza豫o expandiu-se.

젨젨젨젨젨젨 Para fins prticos, falemos na linguagem da cincia moderna. Mas hei de pedir-lhes que levais em conta que, assim como h supersti豫o em questes religiosas, h tambm em coisas que pertencem cincia. H sacerdotes que empreendem o labor religioso como especialidade; assim mesmo temos sacerdotes da lei fsica, os cientistas. Enquanto ouvimos um grande nome cientifico, como Darwin ou Huxley, aceitamos tudo s cegas. a moda do dia. Noventa e cindo por cento do que chamamos conhecimento cientifico, pura teoria. Muitas dessas teorias no so melhores que as velhas supersti寤es que nos falam de fantasmas de mltiplas cabeas e braos; mas com a diferena de que nestas ltimas, se faz uma pequena distin豫o entre homens, troncos e pedras. A verdadeira cincia recomenda cautela; a mesma que devemos ter com os sacerdotes, devemos ter tambm com os cientistas. Comea-se por ser incrdulo; logo se analisa, prova-se todas as coisas e logo se aceita ou se descarta. Todavia, algumas das assevera寤es mais correntes da cincia no tm sido provadas. Incluso as matemticas, as muitas de suas teorias so somente hipteses prticas; com o advento do conhecimento mais amplo, sero descartadas.

젨젨젨젨젨젨 Em 1400 anos antes de Cristo, um grande sbio intentou ordenar, analisar e generalizar certos feitos psicolgicos. Depois dele, muitos outros tomaram por寤es do que aquele havia descoberto e fizeram estudos especiais. Dentre todas as raas antigas, s os hindus empreenderam, com verdadeiro interesse, o estudo desse ramo do saber. Eu os estou ensinando agora; mas quantos de vs a poreis em prtica? Quantos dias, quantos meses levareis para abandona-la? Falta-lhes experincia no assunto. Na ndia perseveram durante sculos. Os surpreender saber que ali no tem igrejas, nem devotos, nem coisa parecida; contudo, praticam a respira豫o e a concentra豫o da mente, o que constitui a parte principal de suas devo寤es. Isso o essencial e todo hindu o pratica; posto que constitui a religio do pas. S que cada um livre para adotar um mtodo particular; um sistema especial de respira豫o; uma forma especial de concentra豫o. Ningum conhece o mtodo particular de cada um; nem a esposa do marido, nem o pai do filho, mas todos praticam e nada h de oculto nestas coisas.

젨젨젨젨젨젨 A palavra oculto no tem significado para eles. Diariamente pode-se ver milhares e milhares de pessoas sentadas, com os olhos fechados, s margens do Ganges, praticando a respira豫o e a concentra豫o. Pode haver duas razes para que certas prticas no sejam recomendadas para o gnero humano em geral. Uma que os instrutores sustentam que a pessoa comum no est preparada para elas. Pode ser que haja algo de verdade nisso; mas mais uma questo de orgulho. A segunda razo o temor de ser perseguido. Por exemplo, ningum neste pas, est disposto a praticar exerccios respiratrios em pblico, porque o consideraria extravagante; no moda aqui. Por outro lado, se algum na ndia orar dizendo: 밢 po nosso de cada dia nos dai hoje, as pessoas se ririam dele. Nada pareceria to tolo para a mente do hindu como dizer: 밣ai nosso que ests nos cus. O hindu quando ora, pensa que Deus est dentro de si mesmo.

젨젨젨젨젨젨 Segundo os yoguis, existem trs correntes nervosas principais; chamam a uma de 밿da, a outra 뱎ingala e a intermediria 뱒ushumna; as trs esto dentro da coluna vertebral. Ida e pingala so feixes de nervos situados a esquerda e direita, respectivamente; sushumna, no meio, no um feixe de nervos, mas um canal oco. O sushumna est fechado e no tem utilidade para o homem comum, porque este atua unicamente por meio de ida e pingala. As correntes circulam continuamente para baixo e para cima desses nervos, transmitindo ordens por todo o corpo, por meio de outros nervos que chegam dos diferentes rgos.

젨젨젨젨젨젨 A grande finalidade da respira豫o regular e impor ritmo ida e pingala. Ele, no entanto, nada significa em si mesmo, s a admisso de maior ou menor quantidade de ar nos pulmes, afora purificar o sangue, no tem outro objetivo. Nada de oculto h no ar que aspiramos e assimilamos para purificar o sangue; a a豫o mero movimento, ao qual podemos reduzir ao movimento unitrio que chamamos 뱎rana, uma vez que em todas as partes, todos os movimentos so as diversas manifesta寤es desse prana; o qual eletricidade, magnetismo e o crebro o irradia como pensamento. Tudo prana; este move o sol, a lua e as estrelas.

젨젨젨젨젨젨 Dizemos que tudo o que existe no universo foi projetado pela vibra豫o de prana. O resultado mais elevado da vibra豫o o pensamento. Se existe algo mais elevado, no podemos conceber. Os nervos ida e pingala funcionam por meio do prana; este o que move cada por豫o do corpo, transformando-se em foras diferentes. Abandone a idia de que Deus algum que produz o efeito, sentado em um trono administrando justia. Ao trabalhar, nos esgotamos porque consumimos demasiada quantidade de prana.

젨젨젨젨젨젨 Mediante os exerccios respiratrios chamados 뱎rana-yama, se consegue regular a respira豫o e a a豫o rtmica do prana. Uma vez que se alcana este ritmo, tudo funciona adequadamente. Enquanto os yoguis dominam seus prprios corpos, se h manifesta豫o de alguma doena em qualquer um de seus rgos, sabem que o prana no o ritmo nessa parte e o dirigem parte afetada at que conseguem restabelecer o ritmo.

젨젨젨젨젨젨 Da mesma maneira que se regula o prana em seu prprio corpo, pode, se possuir poder suficiente, regular daqui, o prana de outra pessoa na ndia, porque prana um, no h solu豫o de continuidade, a unidade a lei; fsica, psquica, mental, moral e metafisicamente tudo uno. Vida s vibra豫o; o que faz vibrar este oceano de ter, faz vibrar a cada um de vs. Assim como em um lago se formam vrias camadas de gelo a diversos graus de densidade, ou como num oceano de vapores se encontram diferentes graus de satura豫o, o mesmo ocorre neste universo, o qual um oceano de matria; um oceano de ter no qual se encontra o sol, a lua e ns mesmos, em diferentes graus de solidez; mas a continuidade no se rompe e a mesmo em todas as partes.

젨젨젨젨젨젨 Agora, no estudo da metafsica, aprendemos que o mundo uno, que no existe separa豫o entre o espiritual, o fsico, o mental e o mundo de energias. Tudo uno, mas visto de pontos de vista diferentes. Quando pensais em vs como corpos, esqueceis que sois mente; quando pensais em vossa mente, esquecereis o corpo. Sois uma s coisa; o que podeis perceber como matria ou corpo, ou como mente ou esprito. Nascimento, vida ou morte so somente velhas supersti寤es. Nada nasceu nunca, nada morrer jamais, uma mudana de posi豫o; isso tudo. Lamento observar no Ocidente a importncia que do a morte; tratam sempre de captar um pouco de vida. 밆-nos vida depois da morte! D-nos vida!. Sentem-se muito felizes quando algum lhes diz que vo viver depois. Como posso duvidar de tal coisa! Como posso imaginar que estou morto! Trates de imaginar que estais morto e que estais presentes para ver vosso prprio corpo morto. A vida uma realidade to maravilhosa que no se pode esquece-la nem por um momento. como duvidar que existimos. O primeiro fato que nos apresenta a conscincia : eu sou. Quem capaz de imaginar um estado de coisas que nunca existiu? A existncia a verdade mais evidente por si mesma. De maneira que a idia da imortalidade inerente ao homem. Como se pode discutir sobre uma coisa que inimaginvel? Que objetivo tem discutir os prs e contras de um tema que evidente por si mesmo?

젨젨젨젨젨젨 Por conseguinte, o universo uma unidade de qualquer ponto de vista que se o considere. Neste momento, para ns, a unidade de prana e akasha, fora e matria. Tenha-se em conta, contudo, que este, como todos os demais princpios bsicos, tambm contraditrio. Por que, que fora? O que move a matria. Que matria? O que a fora move. uma espcie de balancim. Alguns dos fundamentos de nossa razo so muito curiosos, apesar de nossa pretendida cincia e conhecimento. Parafraseando o provrbio snscrito, 뱔ma dor de cabea sem cabea. A este estado de coisas se chama 뱈aia. No existe, nem deixa de existir. No se pode chamar de existente, porque s existe o que est mais alm do tempo e do espao, o qual auto-existente. No obstante, este mundo satisfaz, at certo ponto, nossa idia de existncia; por tanto, tem existncia aparente.

젨젨젨젨젨젨 No entanto, h uma existncia real em tudo e atravs de tudo; a realidade est, por assim dizer, envolta nas redes do tempo, espao e causa. Est o homem real, o infinito, o sem princpio, o sem fim, o sempre bendito, o sempre livre; o qual fica sujeito s redes do tempo, espao e causa. O mesmo se pode dizer de tudo deste mundo, a realidade de tudo o mesmo infinito. Isto no o idealismo, no que o mundo no exista; este mundo tem existncia relativa e preenche todos os requisitos, mas no tem existncia independente. Existe em virtude da Realidade Absoluta, mas alm do tempo, espao e causa.

젨젨젨젨젨젨 Fiz uma longa prele豫o. Voltemos, agora, a nosso tema principal.

젨젨젨젨젨젨 Todos os movimentos automticos e todos os movimentos conscientes respondem a豫o de prana, pelo conduto dos nervos. Os dareis conta, agora, do quo bom ter domnio sobre todas as a寤es inconscientes.

젨젨젨젨젨젨 Em uma ocasio, dei-lhes a defini豫o de Deus e do homem. O homem um crculo infinito, cuja circunferncia no est em parte alguma, mas cujo centro est situado em um ponto; Deus um crculo infinito, cuja circunferncia no est em parte alguma, mas cujo centro est em todas as partes. Deus trabalha com todas as mos, v por todos os olhos, caminha com todos os ps, fala por todas as bocas e pensa por meio de todos os crebros. O homem pode ser como Deus e adquirir domnio sobre o universo, se multiplicar ao infinito seu centro de autoconscincia. Portanto, a conscincia a coisa principal que se h de entender. Suponhamos que h aqui uma linha infinita em meio obscuridade; no vemos a linha, mas nela h um ponto luminoso em movimento. A medida em que o ponto se move sobre a linha, vai iluminando sucessivamente as diferentes partes e tudo o que fica atrs volta novamente obscuridade. Nossa conscincia pode, muito bem, se assemelhar o dito ponto luminoso; as experincias passadas tm sido representadas pelas presentes e se submergem no subconsciente. No nos damos conta de sua presena em ns, mas esto ali, influindo inconscientemente sobre nosso corpo e mente. Todo movimento que se faz agora, sem ajuda da conscincia, foi antes consciente. Recebeu mpeto suficiente para que trabalhe por si mesma.

젨젨젨젨젨젨 O grande erro de todo sistema de tica, sem exce豫o, est em no haver ensinado os meios pelos quais o homem pode abster-se de fazer o mal. Todos os sistemas de tica ensinam: 밡o roubar. Muito bem; mas por que roubar o homem? Porque furtar, roubar e outras ms a寤es, por regra geral, so automticas. O ladro, o gatuno, o mentiroso, o injusto sistemtico, seja homem ou mulher, o so, apesar deles mesmos. realmente um tremendo problema psicolgico, o qual deveramos considerar sob a luz mais benvola. No fcil ser bom. Que sois seno meras mquinas at que sejais livres? Deveis vos orgulhar porque sois bons? Certamente que no, sois bons porque no podeis ser outra coisa. Outro mau porque no pode ser de outra maneira. Se vos encontrasses em sua situa豫o, quem sabe terias sido?

젨젨젨젨젨젨 A mulher pblica, o ladro no crcere, so Cristo que est sendo sacrificado para que os demais sejam bons. Tal a lei do equilbrio. Todos os ladres, todos os assassinos, todos os injustos, os fracos, os malvados, os endemoniados, todos eles so meu Cristo. Devo adora豫o a Deus Cristo e ao demnio Cristo. Tal minha doutrina e no posso evita-lo. Inclino-me ante o bem, o santo e ante o malvado e o endemoniado. Todos eles so meus instrutores, todos so meus pais espirituais, todos so meus salvadores. Poderei maldizer a um e, contudo, beneficiar-me com suas debilidades; posso bendizer a outro e beneficiar-me de suas boas a寤es. Isto to verdade como estou diante de vs. Hei de olhar com desprezo a rameira porque a sociedade o quer; a ela, minha salvadora, a ela, cujo andar pelas ruas a razo da castidade de outras mulheres! Pensais nisto. Gravais, homens e mulheres, estas idias em vossas mentes, porque so a nua e pura verdade. Esta convic豫o se afirma mais e mais em mim, a medida em que conheo melhor o mundo, a medida em que conheo mais homens e mais mulheres. A quem hei de culpar? A quem hei de louvar? Se h de considerar ambos os lados da moeda.

젨젨젨젨젨젨 A tarefa ante ns imensa; em primeiro lugar, temos principalmente que procurar controlar a grande massa de pensamentos submersos, que so automticos em ns. indubitvel que a m a豫o se encontra no plano consciente, mas a causa que a produziu est muito mais dentro, no subconsciente, no invisvel; por conseguinte, mais potente.

젨젨젨젨젨젨 A psicologia prtica exige suas energias, ante tudo, em controlar o subconsciente e sabemos que podemos faze-lo. Por que? Porque sabemos que a causa do inconsciente o consciente; os pensamentos inconscientes so os milhes de velhos pensamentos conscientes submersos; velhas a寤es conscientes que esto petrificados; no nos enxergamos, no nos reconhecemos, os temos esquecido. Tenha-se presente, no entanto, que se o poder do mal est no subconsciente, tambm o est o poder para o bem. Em ns h muitas coisas armazenadas como em um bolso; as temos esquecido, nem sequer pensamos nelas e muitas delas esto apodrecendo e tornando-se positivamente perigosas. A grande tarefa consiste, por assim dizer, em revitalizar o homem em todos seus aspectos, a fim de fazer-se dono completo de si mesmo. At o que chamamos fun豫o automtica dos rgos do corpo, tais como o fgado, etc., podemos fazer com que nos obedea.

젨젨젨젨젨젨 O domnio do subconsciente a primeira parte do estudo; a este segue transcender o consciente. Assim como o subconsciente atua por debaixo da conscincia, tambm h algo que atua acima desta. Quando se alcana esse estado supraconsciente, o homem livre e divino, a morte se transforma em imortalidade, a debilidade torna-se poder infinito, a sujei豫o frrea se converte em liberdade. Tal a meta; a regio infinita do superconsciente.

젨젨젨젨젨젨 Vemos, pois, que a obra tem dois aspectos. Os livros dizem que somente yogui aquele que, depois de praticar por longo tempo a concentra豫o, realiza esta verdade. Ento se abre o sushumna e penetra nele uma corrente que nunca havia penetrado na nova passagem; esta corrente ascende gradualmente ao que (em linguagem figurada) chamamos das diferentes flores de loto, at que, por fim, chega ao crebro. Ento o yogui torna-se o que ele verdadeiramente , Deus.

젨젨젨젨젨젨 Cada um de ns, sem exce豫o, pode alcanar esta culmina豫o da yoga. Porm, uma tarefa tremenda. A pessoa que aspire realizar esta verdade h de fazer algo mais que escutar conferncias e praticar uns poucos exerccios respiratrios. Tudo depende da prepara豫o. Quanto tempo demanda acender a luz? S um segundo; mas quanto tempo se necessita para fazer a vela! Quanto tempo empregamos para comer? Talvez meia hora. Mas quantas horas para preparar a comida! Queremos acender a luz em um segundo, mas esquecemos que o principal preparar a vela.

젨젨젨젨젨젨 No entanto, embora seja to difcil alcanar a meta, os intentos, at os menores, no so em vo. Sabemos que nada se perde. No Gita, Aujurna pergunta a Krishna: 밦uem no alcana a perfei豫o na yoga nesta vida destrudo como as nuvens de vero?. Ao que Krishna responde: 밡ada, amigo meu, se perde nesse mundo. Quando algum fica como de sua propriedade e se o fruto do yoga no vem nesta vida, se obter em um novo nascimento. De outra maneira, como explicais a maravilhosa infncia de Jesus, de Buda, de Sankara?

젨젨젨젨젨젨 A respira豫o, as posturas, etc., ajudam, sem dvida, na prtica do yoga; mas so meramente fsicas. As grandes prepara寤es tm de ser mentais. Necessitamos, antes de tudo, de uma vida tranqila e pacifica.

젨젨젨젨젨젨 Se quiserdes ser yoguis, tereis de ser livres e situardes em circunstncias em que possais estar ss e livres de toda ansiedade. Quem deseja uma vida cmoda e agradvel e, ao mesmo tempo, quer realizar o Eu, se parece a um tolo que, querendo cruzar o rio, se agarra a um crocodilo, acreditando que um tronco. 밄uscais primeiro o reino de Deus e tudo o demais se os dar por acrscimo. Este o nico grande dever, isto renncia. Viver por um ideal e no deixar na mente lugar para outra coisa. Dediquemos todas as nossas energias a adquirir o que nunca falha, nossa perfei豫o espiritual. Se desejarmos verdadeiramente a realiza豫o, haveremos de nos esforar e, mediante o esforo, o crescimento se aprofundar. Cometeremos erros, mas estes sero como anjos disfarados.

젨젨젨젨젨젨 A ajuda mais efetiva para a vida espiritual a medita豫o (dhyana). Na medita豫o nos despojamos de todas as condi寤es materiais e sentimos nossa natureza divina; no dependemos de nada externo, na medita豫o. O contato com a alma pode fazer resplandecer as mais vivas cores nos lugares mais lgubres, pode espargir fragrncias sobre as coisas mais depreciveis, pode fazer divino o malvado e desvanecer toda inimizade, todo o egosmo. Quanto menos se pensa no corpo, tanto melhor; porque o corpo o que nos atira para baixo, o apego e a identifica豫o com o mesmo so a causa de nosso sofrimento. Este o segredo: pensar que sou o esprito e no o corpo e que neste universo inteiro, com todas as sua rela寤es, com todo o bem e o mal, s uma srie de quadros, de pinturas sobre uma tela, da qual sou eu o expectador.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

밃 FILOSOFIA VEDANTA

 

Swami Vivekananda

 

 

 

(Conferncia ante a Sociedade Filosfica de Graduados da Universidade de Harvard, em 25 de maro de 1896)

 

젨젨젨젨젨젨 A filosofia vedanta, como atualmente se costuma cham-la, compreende, na realidade, todas as diversas seitas existentes hoje em dia na ndia. Assim, pois, tem havido varias interpreta寤es, s quais, no meu modo de ver, tm sido progressivas, comeando pela dvaita ou dualista e terminando pela advaita ou monista. A palavra 뱕edanta significa, literalmente, a finalidade dos Vedas, que so as escrituras dos hindus 1. No Ocidente, s vezes, por Vedas se quer dar a entender unicamente os hinos e os rituais, mas na atualidade estas partes j no se usam e correntemente na ndia, ao dizer Vedas, se subtende a vedanta. Todos nossos comentadores quando querem citar alguma passagem das escrituras, em geral, citam a vedanta, a qual tem para eles outro nome tcnico: 뱒rutis 2. Agora, todos os livros conhecidos sob o nome de vedanta, no foram escritos inteiramente depois das partes ritualistas dos Vedas. Por exemplo, um deles, o Isha Upanishad, constitui o capitulo quadragsimo do Vada Yajur, uma das partes mais antigas dos Vedas. Outros Upanishads 3, formam as partes dos brahmanas ou escritos rituaistas e os demais so independentes, pois no esto compreendidos em nenhum dos brahmanas nem em outras partes dos Vedas; mas no h razo para supor que foram completamente independentes de outras partes, porque como bem sabemos, muitas destas se perderam totalmente e muitos dos brahmanas desapareceram. Portanto, bem possvel que os Upanishads independentes pertenceram a algum dos brahmanas que, no transcorrer do tempo, ficaram fora de uso, enquanto que se conservaram os Upanishads. Estes se chamam, tambm, livros da selva ou aranyakas.

 

1. Os Vedas se dividem em duas partes, a saber: karma-kanda e jnana-kanda; ou seja, a parte prtica e a de conhecimento. Pertenceu a karma-kanda os famosos hinos e os rituais ou brahmanas. Os livros que tratam de questes espirituais, excluindo as cerimnias, se chamam Upanisjads e pertencem a jnana-kanda, aparte do conhecimento. No que todos os Upanishads foram compostos como parte separada dos Vedas, seno que alguns esto misturados com os rituais e ao menos um est no 뱒amhita ou parte dos hinos. 픰 vezes se aplica o termo Upanishads a livros no includos entre os Vedas; por exemplo, o Gita; mas em regra geral, se aplica aos tratados filosficos disseminados entre os Vedas. Estes tratados tm sido colecionados e chamado vedanta.

2. O termo sruti significa 뱋 que se v e embora inclua a totalidade da literatura vdica, aplicado pelos comentadores principalmente aos Upanishads.

3. Se diz que os Upanishads so cento e oito. No se conhecem, com certeza, suas datas; a nica certeza que so mais antigos que o movimento budista. Embora alguns Upanishads menores contenham aluses que indicam sua data posterior, ele no prova que o tratado seja de data mais recente, pois em muitssimos casos ocorre, na literatura snscrita, que a substncia de um livro, embora de data muito antiga, receba um revestimento, por assim dizer, de sucessos posteriores, em mos de sectrios, para exaltar a sua seita particular.

젨젨젨젨젨젨 Por conseguinte, a vedanta constitui praticamente as escrituras dos hindus e todos os sistemas ortodoxos de filosofia ho de aceita-la como fundamento. At os budistas e os jainos, quando convm a seu propsito, citam como autoridades passagens da vedanta. Na ndia, todas as escolas de filosofia, embora pretendam estar fundadas nos Vedas, tm dado diferentes nomes a seus sistemas. A ltima, o sistema de Vyasa, se baseou nas doutrinas dos Vedas mais que nos sistemas anteriores e intentou harmonizar as filosofias precedentes, tais como a sankhya e a nyaya,com as doutrinas da vedanta. De maneira que chamam-na especialmente filosofia vedanta; e os sutras ou aforismos de Vyasa, representam, na ndia moderna, a base da filosofia vedanta.

젨젨젨젨젨젨 Por outro lado, os aforismos de Vyasa tm sido diversamente explicados por diferentes comentadores. Em geral, h na ndia trs tipos de comentadores 4, e de suas interpreta寤es tm surgido trs sistemas de filosofia e trs seitas, uma dualista ou dvaita; a segunda a parcialmente monista ou vishishtadvaita, e a terceira, a monista, ou advaita. Destas, a dualista e a parcialmente monista, so as preferidas. Em troca, a monista absoluta tem relativamente poucos adeptos.

 

 

 

 

4. Os comentrios pertencem a vrias classes, tais como o Bhashya, o Tika, o Tippani, o Churni, etc.; dos quais todos, exceto o Bhashya, so explica寤es do texto ou de palavras difceis nele mesmo. O Bhashya no constitui propriamente um comentrio, seno a elucida豫o de um sistema de filosofia extrado dos textos, cujo objetivo no consiste em explicar as palavras, seno de extrair uma filosofia. Assim, o escritor de um Bhashya expande seu prprio sistema, tomando os textos como autoridade para ele mesmo.

 

젨젨젨젨젨젨 Muitos comentrios foram feitos sobre a vedanta e suas doutrinas acham sua expresso final nos aforismos filosficos de Vyasa. Este tratado, chamado 밬ttara Mimansa, constitui a autoridade normal do vedantismo, mais at, a exposi豫o mais autorizada das escrituras hindus. As seitas mais antagnicas se viram obrigadas, por assim dizer, a tomar os textos de Vyasa e harmoniza-los com sua prpria filosofia. At em tempos muito antigos, os comentadores da filosofia vedanta, constituram trs celebradas seitas hindus de 밺ualistas, 뱎arcialmente monistas e 뱈onistas. Talvez os antigos comentrios se perderam, mas em tempos modernos, tm sido restabelecidas por comentadores ps-budistas como Shankara, Ramanuja e Madhava. Shankara restabeleceu a forma monista; Ramanuja, a forma parcialmente monista do antigo comentador Bodhayana, e Madhava a forma dualista. Na ndia, as seitas diferem principalmente em sua filosofia; a diferena entre os rituais ligeira, j que tm todas a mesma base filosfica e uma mesma religio.

젨젨젨젨젨젨 Tratarei de explicar-lhes as idias sustentadas por estas trs seitas, porm, antes de prosseguir, quero fazer presente que estes diferentes sistemas da vedanta tm uma psicologia comum, a psicologia do sistema sankhya, muito parecida dos sistemas nyasa e vaisheshika, salvo pequenos detalhes.

젨젨젨젨젨젨 Todo os vedantistas coincidem em trs pontos: crem em Deus, nos Vedas como revelados e nos ciclos. J consideramos os Vedas. O conceito dos ciclos o seguinte: A matria do universo inteiro resultado de uma matria principal chamada akasha e toda fora, seja de gravita豫o, de atra豫o ou de repulso ou de vida, o resultado de uma fora principal chamada prana. Prana atuando sobre akasha, cria ou projeta o universo 5. No princpio de um ciclo, akasha est imvel, imanisfestado. Logo prana comea a atuar, criando de akasha formas mais e mais densas, tais como as plantas, animais, homens, estrelas, etc. Depois de um incalculvel perodo de tempo, cessa esta evolu豫o e se inicia a involu豫o, tornando tudo, atravs de formas cada vez mais finas e sutis, ao akasha e prana originais, ao que segue um novo ciclo. No entanto existe algo mais que akasha e prana; pois ambos podem resolver-se em um terceiro chamado 뱈ahat, ou mente csmica. Esta no cria a akasha nem a prana, seno que se transforma neles.

 

5. A palavra 밹ria豫o, em espanhol, significa exatamente, em snscrito, 뱎roje豫o, pois no h seita alguma na ndia que d cria豫o, o mesmo sentido que no Ocidente, ou seja, algo que procede do nada. O que entendemos por cria豫o, a proje豫o de algo que j existia.

 

젨젨젨젨젨젨 Trataremos agora dos conceitos de mente, alma e Deus. Segundo a psicologia sankhya, universalmente aceita, em percep豫o (por exemplo, no caso da viso), existem ante todos os instrumentos da viso, ou seja, os olhos. Por detrs dos instrumentos, os olhos, est o rgo da viso ou 밿ndriya (o nervo tico e seus centros), que no um instrumento externo, mas sem o qual os olhos no vem. Para a percep豫o se necessita de algo mais. A mente ou 뱈anas, precisa agregar-se ao rgo; alm disto, a sensa豫o leva ao intelecto ou 밷uddhi, o estado determinativo e reativo da mente. Ao proceder a rea豫o de buddhi, brilha com ela o mundo externo e o egosmo. Aqui est, ento, vontade; mas ainda falta algo. Da mesma maneira que em um quadro, por estar composto de sucessivos motivos de luz, estes ho de estar unidos em algo fixo para formar um todo, assim tambm todas as idias da mente se ho de reunir e projetar-se sobre algo fixo, relativamente ao corpo e a mente, ou seja, no que se chama alma, purusha ou Atman.

젨젨젨젨젨젨 Segundo a filosofia sankhya, o estado reativo da mente, chamado buddhi ou intelecto, o resultado, a mudana ou certa manifesta豫o de mahat ou mente csmica. Mahat modifica em pensamento vibrante; este, por sua vez, se transforma parcialmente em rgos e parcialmente em partculas finas de matria. Da combina豫o de tudo isto, se produz o universo inteiro. A sankhya concebe at depois de mahat, um estado chamado 밶vyaktam ou imanifestado, no qual a manifesta豫o da mente no est presente, seno que s existem as causas. chamado tambm de 뱎rakriti; alm deste prakriti e eternamente separado do mesmo, est purusha, a alma de sankhya, a qual carece de atributos e onipresente. Purusha no quem atua, o expectador. Para explicar a pusha, se emprega o exemplo do cristal; diz-se que como o cristal incolor, por detrs do qual se colocam objetos de diferentes cores; ento aparece como colorido, embora, na realidade, no esteja.

젨젨젨젨젨젨 Os vedantistas rechaam as idias da sankhya sobre a alma e a natureza. Declaram que existe entre estas um abismo, sobre o qual h uma ponte. Por um lado, o sistema sankhya chega natureza e logo, prontamente, saltar para o outro lado e chegar alma, que est inteiramente separada da natureza. Como pode estas diferentes cores, como a sankhya as chama, atuar sobre a alma, a qual, por natureza, incolor? Por isso os vedantistas afirmam, desde o princpio, que esta alma e esta natureza so uma 6. At os vedantistas dualistas admitem que Atman ou Deus no somente a causa eficiente deste universo, mas tambm a causa material do mesmo. Porm s o dizem em palavras, pois na realidade no o entendem assim e tratam de escapar de suas prprias concluses dizendo: neste universo h trs existncias; Deus, alma e natureza. A natureza e a alma so, por assim dizer, o corpo de Deus e neste sentido se pode afirmar que Deus e o universo inteiro so um. Mas esta natureza e todas estas vrias almas se mantm diferentes umas das outras por toda a eternidade. Se manifestam unicamente no princpio do ciclo; ao terminar este, voltam ao estado puro e se mantm no mesmo. Os advaitistas, monistas, rechaam esta teoria da alma e como tm como apoio quase toda srie dos Upanishads, constroem sobre eles sua filosofia inteira. Todos os livros contidos nos Upanishads tm um s objetivo, uma s tarefa, demonstrar o seguinte tema: 밃ssim como pelo conhecimento de um torro de argila conhecemos toda a argila, conhecemos toda a argila do universo, que quer dizer, conhecendo-o, nos permite conhecer todo o universo?. A idia do advaitista generalizar o universo inteiro em uma nica coisa; essa coisa que , na realidade, a totalidade do universo. Afirmam que todo este universo um s ser que se manifesta por meio de todas estas mltiplas formas. Admitem que existe o que a sankhya chama natureza; mas dizem que a natureza Deus. Este Ser, 밪at, o que se converteu em tudo isto, o universo, o homem, a alma e tudo o que existe. A mente e mahat no so seno manifesta豫o de Sat. Mas aqui surge uma dificuldade: tal conceito equivale ao pantesmo. Como pode ocorrer que Sat, que imutvel, como eles mesmos admitem (pois todo o absoluto imutvel), se transforme em algo mutvel ou perecvel?

 

6. A vedanta e a filosofia sankhya se ope uma a outra. O Deus da vedanta se desenvolveu do purusha e da sankhya. Todos os sistemas tomam a psicologia desta ltima. Tanto a vedanta como a sankhya crem na alma infinita, s que a ltima cr na existncia de muitas almas. Segundo a sankhya, este universo no requer explica豫o alguma do exterior. A vedanta cr que existe a alma nica, que aparece como muitas; e ns construmos sobre a anlise da sankhya.

 

젨젨젨젨젨젨 Os advaitistas tm uma teoria que chamam 뱕ivarta vada ou manifesta豫o aparente. Segundo os dualistas e os sankhyas, a totalidade deste universo a evolu豫o da natureza primria. Segundo os advaitistas e alguns dualistas, a totalidade deste universo evolui de Deus; e de acordo com os verdadeiros advaitistas, os seguidores de Shankaracharya, o universo inteiro a evolu豫o aparente de Deus. Deus a causa material deste universo, no em realidade, mas s de aparncia. A clebre ilustra豫o empregada a corda e a serpente; a corda parece uma serpente, mas, na realidade, no . A corda no se transformou em serpente. De igual modo, este universo, tal qual existe, esse Ser. No muda; todas as mudanas que vemos so s aparentes e causados por 밺esha, 뱆ala e 뱊imita (espao, tempo e causa) ou, de acordo com uma generaliza豫o mais elevada, por 뱊ama e 뱑upa (nome e forma). O nome e a forma de uma coisa so o que a diferencia de outra. Nome e forma so a nica causa da diferena; na realidade, so uma e a mesma coisa.

젨젨젨젨젨젨 Por outro lado os vedantistas dizem: no que haja algo como fenmeno e algo como nmero. A corda se transforma em serpente s aparentemente; uma vez que cessa essa iluso, a serpente desaparece. Quando algum ignorante, v o fenmeno e no v a Deus. Enquanto v a Deus, o universo se desvanece inteiramente. A ignorncia ou maia, segundo se a chama, a causa desse fenmeno em que o Absoluto, o Imutvel, confundem-se com o universo manifestado. Maia no zero absoluto, nem tampouco inexistncia. No inexistncia porque isto s pode se dizer do Absoluto, do Imutvel e neste sentido, maia inexistncia. Assim mesmo, tampouco se pode dizer que seja inexistncia, porque, se o fosse, no poderia produzir o fenmeno. De maneira que no uma coisa nem outra; na filosofia vedanta se chama 밶nirvachaniya, o inexpressvel.

젨젨젨젨젨젨 Maia, portanto, a causa real deste universo. Maia d nome e forma a matria que ministra Brahman ou Deus e aparece logo que este ltimo se transforma em tudo isto. Os advaitistas, portanto, no aceitam a alma individual; dizem que as almas individuais so criadas por maia e que na realidade, no podem existir. Se a existncia uma s, como pode ser que eu seja um, cada um de vs um e assim por diante? Todos somos um e a causa do mal a percep豫o da dualidade. To logo como comeo a me sentir separado deste universo chega, em seguida, o temor e a dor. 밆e onde um olha o outro, um v o outro; isso pequenez. Onde um no v o outro, no olha o outro, isto maior, isso Deus; ali est a felicidade perfeita. Nas coisas pequenas no h felicidade.

젨젨젨젨젨젨 De maneira que, de acordo com a filosofia advaita, esta diferencia豫o da matria, estes fenmenos, ocultam por um tempo, digamos assim, a verdadeira natureza do homem; mas este, na realidade, no muda o mnimo. O verme mais vil, ou mesmo o ser humano mais elevado esto presentes na mesma natureza divina. A forma do verme a mais inferior e nela maia encobre mais a divindade; a forma mais elevada aquela em que a divindade est menos oculta. Por detrs de todas as coisas existe a mesma divindade e isto nos d a base da moralidade. No prejudiqueis a outro; ama a todos como a ti mesmo. Disto nasce tambm o princpio da moralidade advaita, que tem sido compendiado na expresso: prpria abnega豫o. O advaita diz: este pequeno eu personalizado a causa de toda minha desgraa; este pequeno eu individualizado que me faz diferente dos demais seres, traz dio, cimes e desgraas, lutas e todos os demais males; quando abandonarmos tal idia, toda luta cessar e se desvanecer todo mal-estar. Portanto, devemos abandona-la; temos de estar dispostos a dar nossas vidas pelos seres mais inferiores.

젨젨젨젨젨 Quando o homem est disposto a dar sua vida at por um msero inseto, alcanou a perfei豫o a qual aspira o advaita; nesse instante o vu da ignorncia cai e sente sua prpria natureza. At nesta vida sentir que uno com o universo. Por um tempo, por assim dizer, a totalidade deste mundo fenomenal desaparecer para ele e realizar o que ele . No obstante, enquanto se mantiver o carma desse corpo, ter que viver. Nesse estado em que o vu se desvaneceu e, contudo, se conserva o corpo por algum tempo, o que os vedantistas chamam 뱂ivanmukti, a liberdade em vida. Quem se deixa enganar durante algum tempo por uma miragem, se um dia esta se desvanecer, quando se produzir novamente no dia seguinte ou no futuro, j no se iludir mais.

젨젨젨젨젨젨 Antes que a miragem se produza pela primeira vez, o homem no poder distinguir entre a realidade e a decep豫o; mas uma vez desvanecida, enquanto possuir rgos e olhos ver a imagem, mas j no ser iludido. Ter captado a sutil distin豫o entre o mundo atual e a miragem. Assim, enquanto o vedantista compreende sua prpria natureza, o mundo inteiro se desvanece para ele; voltar de novo, mas h no ser o mesmo mundo de sofrimento. A priso dolorosa ter se transformado em Sat, Chit, Ananda; ou seja, Existncia absoluta, Conhecimento absoluto, Bem-aventurana Absoluta. Consegui-lo o que procura a filosofia advaita.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

밠AIA E ILUS홒

 

Swami Vivekananda

(Conferncia dada em Londres)

 

젨젨젨젨젨젨 Quase todos vs tereis ouvido a palavra maia. Em geral, embora incorretamente, empregada para significar iluso ou engano ou algo dessa espcie. Mas a teoria de maia constitui um dos pilares em que se apia a vedanta; portanto, necessrio compreende-la devidamente. Peo-lhes que tenhais pacincia enquanto explico esta teoria que, com tanta freq獪ncia, se interpreta erroneamente.

젨젨젨젨젨젨 Achamos na literatura vdica o mais antigo conceito de maia, equivalente a uma iluso enganosa; mas ento no se havia chegado teoria verdadeira. Encontramos passagens tais como: 밒ndra, por meio de sua maia, assumiu vrias formas. certo que em tal expresso, maia significa algo parecido com magia; e existem outras vrias passagens em que tem o mesmo significado. Ento a palavra maia se perdeu completamente de vista; entretanto a idia foi se desenvolvendo. Mais tarde surgiu a pergunta: 밣or que no podemos conhecer este segredo do universo?. A contesta豫o dada foi muito significativa. 밣orque falamos em vo; porque ficamos satisfeitos com as coisas dos sentidos; porque corremos atrs dos desejos: porque, por assim dizer, envolvemos a Realidade em uma neblina. Sem recorrer a palavra maia, se sugere a idia de que nossa ignorncia tem sua origem em uma espcie de neblina que se interps entre ns e a verdade.

젨젨젨젨젨젨 Muito mais tarde, em um dos ltimos Upanishads, a palavra maia reaparece, mas transformada e com novos agregados. Assim tem sido apresentada, defendendo e eliminando teorias at que se chegou a fixar definitivamente o conceito de maia. Lemos no Upanishad Shvetashvatara: 밪abe que natureza maia e o regente desta maia o Senhor mesmo. Acompanhando nossos filsofos, vimos que a palavra maia havia sido manipulada de vrias maneiras, at que chegamos ao grande Shankaracharya. A teoria sobre maia foi tambm manipulada um pouco pelos budistas, mas em mos destes veio a ser melhor do que chamamos idealismo, significado este que o que agora se d geralmente a palavra maia. Quando o hindu diz que a vida maia, as pessoas, em seguida, entendem que o mundo uma iluso. Tal interpreta豫o tem algum fundamento, j que certos filsofos budistas no acreditam, em absoluto, no mundo externo. Mas a maia da vedanta, em sua forma ultimamente desenvolvida, no nem idealismo, nem realismo, nem sequer uma teoria, mas simplesmente uma exposi豫o de fatos do que somos e do que vimos a nosso redor.

젨젨젨젨젨젨 Como lhes disse antes, o povo do qual surgiram os Vedas tinham uma idia fixa: obedecer e descobrir princpios. No tinham tempo para desenvolver detalhes, nem para espera-los; queriam penetrar no cora豫o das coisas. Atraa-lhes algo mais alm, por assim dizer e no podiam esperar. Disseminados nos Upanishads, encontramos detalhes de temas que hoje chamamos cincias modernas, com freq獪ncia muito erradamente; contudo seus princpios so corretos. Por exemplo, a idia de ter, que uma das ultimas teorias da cincia moderna, se acha em nossa literatura antiga muito mais desenvolvida do que est a moderna teoria cientifica do ter, mas s em principio. Ao tratar de demonstrar como operava este principio, cometeram muitos erros.

젨젨젨젨젨젨 A teoria do princpio vital que tudo penetra, do qual toda a vida neste universo s uma manifesta豫o diversa, era conhecida em tempos vdicos e se encontra nos brahmanas. Os samhitas contm um longo hino em louvor de prana, do qual toda a vida seno uma manifesta豫o. E a propsito, pode ser que vos interesse saber que a filosofia vdica, sobre a origem da vida nesta terra, apia teorias muito similares s apresentadas por alguns dos cientistas europeus modernos. Todos vs sabeis, supostamente, a teoria segundo a qual a vida veio de outros planetas. a doutrina assentada, para alguns filsofos vdicos, em que a vida vem, desta maneira, da lua.

젨젨젨젨젨젨 Voltando aos princpios, vemos que estes pensadores vdicos foram muito valentes e admiravelmente atrevidos ao propagar grandes e generalizantes teorias. A solu豫o que deram ao mistrio do universo, desde o ponto de vista do mundo externo, foi to satisfatria como pode ser. A detalhada atua豫o da cincia moderna no nos aproximou nenhum passo a mais da solu豫o, devido a que os princpios tm falhado. Se a teoria sobre o ter no conseguiu dar, na antiguidade, a solu豫o do mistrio do universo, o desenvolvimento dos detalhes de tal teoria no nos aproximar muito da verdade. Se o conceito do principio vital que tudo penetra fracassara como teoria deste universo, de nada serviria desenvolve-lo, porque os detalhes no alteram o princpio. O que quero dizer que, ao investigar os princpios, os pensadores hindus foram to atrevidos e em alguns casos mais que os modernos. Apresentaram algumas das generaliza寤es mais notveis conseguidas at agora, vrias das quais so mesmo teorias, pois a cincia moderna, todavia, no chegou a tanto.

젨젨젨젨젨젨 Por exemplo, os pensadores hindus no s formularam a teoria do ter, seno que foram mais alm e classificaram a mente como um ter mais raro; e at mais alm encontraram outro ter mais raro ainda; contudo, isso no era uma solu豫o, nem resolvia o problema. Por muito que se conhea o mundo externo, no se consegue resolver o problema. 밣orm, disse o cientista, 밻stamos recm comeando a conhecer algo; espera alguns milhares de anos e encontraremos a solu豫o. 밡o, contesta o vedantista, por haver demonstrado fora de qualquer dvida, que a mente limitada, que no pode ir mais alm de certos limites, nem mais alm do tempo, espao e causa.젨젨

젨젨젨젨젨젨 Assim como nenhum homem pode sair de si mesmo, tampouco homem algum pode transcender as limita寤es que lhe impe as leis do tempo e espao. Toda inten豫o de resolver as leis de causa, tempo e espao, resultariam vs, porque a inten豫o se far aceitando a existncia destes trs fatores. Que significa, ento, a afirma豫o da existncia do mundo? 밇ste mundo no tem existncia. O que se quer dar a entender com isso? Quer dizer que no tem existncia absoluta. Existe unicamente em rela豫o a minha mente, a vossa mente, a mente de todos os demais. Vemos este mundo com os cinco sentidos, mas se pusssemos seis sentidos, perceberamos algo mais nele e se tivssemos sete, nos pareceria de forma diferente. Portanto, no tem existncia real, no tem uma existncia imutvel, imvel, infinita. Tampouco se pode chamar de inexistente, porque existe e temos de trabalhar nele e por meio dele. uma mescla de existncia e no-existncia.

젨젨젨젨젨젨 Passando das abstra寤es e dos detalhes comuns e cotidianos de nossas vidas, descobrimos que nossa vida inteira uma mescla contraditria de existncia e inexistncia. Esta contradi豫o se encontra tambm no conhecimento. Ao que parece, o homem pode saber tudo, contanto que queira sabe-lo; mas no pouco que anda, encontra um mundo impenetrvel que lhe impede o passo. Todo seu trabalho se efetua em um crculo e no pode sair desse crculo. Os problemas mais ntimos e mais queridos o torturam dia e noite em demanda da solu豫o; mas no pode resolve-los porque incapaz de transcender seu intelecto, apesar de seu imenso desejo. Sabemos, no entanto, que unicamente dominado e detendo tais desejos, conseguiremos algo. Cada alento, cada impulso de nosso cora豫o, nos pede para ser egostas. Ao mesmo tempo, algum poder mais alm de ns nos diz que s o altrusmo bom.

젨젨젨젨젨젨 Toda criana otimista por natureza; tem sonhos dourados e na juventude, torna-se mais otimista ainda. Custa ao jovem crer que exista coisa tal como a morte; coisa tal como a derrota ou a degrada豫o. Vem a velhice e a vida se converte em um monto de runas; os sonhos se desvanecem no ar e o homem se torna pessimista. Passamos, assim, de um extremo a outro, arrastados pela natureza, sem saber aonde vamos. Isto me lembra um celebrado canto de Lalita Vistara, a biografia de Buda. Buda nasceu, diz o livro, como salvador do gnero humano, mas esqueceu de si mesmo no luxo do palcio. Vieram alguns anjos e cantaram um cntico para despert-lo. O tema do dito cntico que mergulhamos, arrastados pela corrente do rio da vida, que muda constantemente e no tem parada, nem descanso. Assim so nossas vidas; marchar adiante e adiante, sem encontrar repouso. Que temos que fazer? O homem que tem o suficiente para comer e beber um otimista e evita mencionar a misria, porque esta o assusta. No lhe faleis das dores e sofrimentos do mundo; aproxima-se dele e decide que o mundo bom. 밪im, vivo seguro, responder. 밮eja, tenho uma boa casa onde viver, no temo nem o frio, nem a fome; assim que, no me apresenteis esses horrveis quadros. Mas, por outro lado, h os que morrem de frio e de fome; se lhes disser que tudo est bem, no o escutaro. Como podem desejar que outros sejam felizes quando eles esto na misria? Assim oscilamos entre o otimismo e o pessimismo.

젨젨젨젨젨젨 Logo, temos o tremendo fato da morte. O mundo inteiro marcha para a morte; tudo morre. Todo nosso progresso, nossas vaidades, nossas reformas, nossos luxos, nossa riqueza, nosso conhecimento, tem esse nico fim; a morte. Esta a nica certeza. As cidades surgem e desaparecem, os imprios se levantam e caem, os planetas se fazem em pedaos e se convertem em p, para ser expulsos pelas atmosferas de outros planetas. Assim ocorre desde o tempo sem comeo. A morte o fim de todas as coisas: da vida, da beleza, da riqueza, do poder e da virtude tambm. Os santos morrem, o mesmo com os pecadores; os reis tanto quanto os mendigos. Todos marcham para a morte e, contudo, temos tremendo apego vida. De alguma maneira, sem saber porque, nos aferramos vida, no podemos renunciar a ela. Isto maia.

젨젨젨젨젨젨 A me cria o filho com grande cuidado; tem toda sua alma, sua vida inteira posta na criana. Esta cresce, se faz homem, talvez se torne um canastro e um bruto que a maltrata e a castiga todos os dias; contudo, a me continua apegada ao filho e quando sua razo desperta, a encobre com a idia de amor. No lhe ocorre que isso no amor, seno algo que domina seus nervos e que no pode dominar; por mais que se prove, no pode livrar-se de tal sujei豫o. Isto maia.

젨젨젨젨젨젨 Todos ns procuramos conseguir o xale de ouro; cada um cr que ser seu e embora todo ser racional compreenda que s tem uma probabilidade, talvez, entre vinte milhes, todos, no entanto, lutam para consegui-lo. Isto maia.

젨젨젨젨젨젨 A morte nos est espreitando dia e noite nesta terra e apesar disso, cremos que temos de viver eternamente. Certa vez perguntaram ao rei Yudhishthira: Qual a coisa mais surpreendente na terra? Ao que o rei respondeu: 밫odos os dias morre gente ao nosso redor e, contudo, os homens crem que nunca morrero. Isto maia.

젨젨젨젨젨젨 Tais e to tremendas contradi寤es de nosso intelecto, de nosso conhecimento e at dos conhecimentos de nossas vidas, se apresentam por todos os lados. Surge um reformador e quer remediar todos os males de uma na豫o, mas antes que o faa, aparecem em outro lugar mil outros males. como uma casa velha que est se destruindo; se a repara por um lado e cai em runas de outro. Na ndia, nossos reformadores clamam e pregam contra os males da viuvez forada. No Ocidente, se considera o celibato como um grande mal. Se ajuda aos celibatrios em um lado, eles sofrem; se ajuda os vivos por outro, tambm eles sofrem. como um reumatismo crnico; o eliminam da cabea e vai ao tronco, o tiram dali e passa para os ps.

젨젨젨젨젨젨 Aparecem os reformadores e pregam que o saber, a riqueza e a cultura no deveriam estar nas mos de uns poucos eleitos e fazem o que podem para pr esses benefcios ao alcance de todos. Pode ser que tais benefcios proporcionem felicidade a alguns; mas tambm pode ocorrer que, a medida em que se adquire cultura, diminua a felicidade fsica. O conhecimento da felicidade traz o conhecimento da infelicidade. Que caminho devemos tomar, ento? Por pouca que seja a prosperidade material de que desfrutamos, ocasiona em outra parte essa mesma quantidade de misria. Esta a lei. Os jovens talvez no vejam claramente, mas quem viveu o bastante e os que tem lutado, o compreender. E isto maia. Estas coisas ocorrem dia e noite e no tem solu豫o. Porque? impossvel responder, porque a pergunta no pode ser formulada logicamente. Com efeito, no h 밹omo, nem 뱎or que; s sabemos que 볣 assim e no podemos remedia-lo. At compreende-lo e traar uma imagem exata disso em nossa mente, est alm de nossos poderes. Como podemos resolve-lo, ento?

젨젨젨젨젨젨 Maia uma declara豫o de que o universo existe e de como se desenvolve. As pessoas se assustam, geralmente, quando lhe dizem estas coisas, mas devemos nos atrever; ocultar os fatos no a maneira de remedia-los. Como todos sabeis, quando a lebre se v perseguida pelos ces, oculta sua cabea e sente-se segura; similarmente, quando nos sentimos otimistas, fazemos como a lebre; mas este no o remdio. Alguns apresentam obje寤es, mas so pessoas que possuem muitas coisas boas da vida. Neste pas (Inglaterra) muito difcil ser pessimista. Todos me dizem como bem marcha o mundo e quanto progride. Mas o que cada um em si mesmo, constitui seu prprio mundo.

젨젨젨젨젨젨 Surgem velhas questes. O cristianismo deve ser a nica religio verdadeira, porque as na寤es crists gozam de prosperidade. Mas tal afirma豫o se contradiz a si mesma, porque a prosperidade da na豫o crist depende da m fortuna das na寤es no-crists. Deve haver algum a quem oprimir. Suponhamos que todo o mundo se convertesse ao cristianismo; ento as na寤es crists empobreceriam porque no haveria na寤es no crists sobre as quais fazer presso. De maneira que o argumento se destri a si mesmo. Os animais vivem das plantas, os homens dos animais e pior ainda, uns dos outros, os fortes dos fracos. Isto ocorre em todas as partes e maia. Que solu豫o encontrareis para isto? A cada dia ouvimos muitas explica寤es e nos dizem que no final, tudo estar bem. Supondo que isso seja possvel, por que temos de empregar esta satnica maneira de fazer o bem? Por que no se pode fazer o bem com o bem, em vez de empregar mtodos to diablicos? Os descendentes dos seres humanos atuais sero felizes, mas por que h de haver todo este sofrimento agora? No h solu豫o. Isto maia.

젨젨젨젨젨젨 Assim mesmo, com freq獪ncia ouvimos que uma das caractersticas da evolu豫o consiste em eliminar o mal; ao ser este eliminado constantemente do mundo, chegar um momento em que s haver o bem. agradvel ouvir isso; ia a vaidade de quem possui muitos bens e no tem que fazer frente a dura luta cotidiana, nem estar esmagado sob as rodas da chamada evolu豫o. muito cmodo e consolador a estes afortunados. Embora a massa sofra, a eles no importa: 밺eixem que morram, dizem; 뱊o tem muita importncia. Muito bem; mas o argumento enganoso do principio ao fim. Em primeiro lugar, se aceita que o bem e o mal manifestos neste mundo so duas realidades absolutas. Em segundo lugar, se faz uma suposi豫o pior, ou seja, que a quantidade de bem aumenta e que a do mal diminui. De forma que est se eliminando o mal desta maneira, com o que chamam de evolu豫o, vir um tempo que este mal ficar eliminado e o que ficar ser todo bem.

젨젨젨젨젨젨 muito fcil dizer isto; mas se pode provar que o mal vai diminuir? Tomemos, por exemplo, o homem que vive numa selva; que ignora como cultivar a mente, que no sabe ler, nem ouviu jamais que existem escritos. Se ferir-se gravemente, logo sara; em troca, ns morremos por causa de um raspo. As mquinas elaboram artigos baratos, contribuem para o progresso e a evolu豫o, mas milhes de so esmagados para que um se faa rico; enquanto um enriquece, milhares se tornam cada vez mais pobres e massas inteiras se seres humanos ficam escravizados. assim que acontece. O homem animal vive dos sentidos; se no consegue o suficiente para comer, se sente miservel; se acontecer alguma coisa a seu corpo, se sente desgraado. Tanto sua misria como sua felicidade comeam e terminam nos sentidos. Assim como esse homem progride, assim como seu horizonte de felicidade se alarga, seu horizonte de infelicidade proporcionalmente engrandece.

젨젨젨젨젨젨 O homem da selva no sabe o que sentir cimes. Nem se enfrentar com os tribunais de justia, nem pagar impostos, nem ser acusado pela sociedade, nem estar dia e noite sob a mais terrvel tirania inventada pela diablica humanidade, que se intromete nos segredos de todo cora豫o humano; no se explica como o homem se torna mil vezes mais diablico que qualquer outro animal, com todo seu vo conhecimento, com todo seu orgulho. Assim, a medida em que nos elevamos sobre os sentidos, desenvolvemos um poder superior de ter prazer, mas ao mesmo tempo, temos que desenvolver maior poder de sofrer. Os nervos se tornam mais sensveis e mais suscetveis ao sofrimento. Em toda a sociedade observamos, com freq獪ncia, que o homem comum, o ignorante, ao ser injuriado, no manifesta sentir grande coisa, mas sente uma boa surra. Por outro lado, o cavalheiro, o homem educado, no pode agentar a mnima palavra injuriosa, seus nervos so muito sensveis, sua infelicidade aumenta com sua suscetibilidade felicidade. Tais fatos pouco evidenciam a favor do evolucionismo. A medida em que aumenta nosso poder de nos sentirmos felizes, aumenta nossa capacidade de sofrer. 픰 vezes me inclino a pensar que, se aumentarmos nosso poder de nos sentirmos felizes, em progresso geomtrica, aumentaremos nossa faculdade de nos sentirmos infelizes. Ns que progredimos, sabemos que quanto mais avanamos, mais avenidas se abrem dor, o mesmo com o prazer. E isto maia.

젨젨젨젨젨젨 Vemos, pois, que maia no uma teoria para explicar o mundo, mas simplesmente uma exposi豫o de fatos tais como so. A mesma base de nossa existncia contraditria; onde estiver este bem, h de estar tambm o mal, e onde quer que haja mal, h de haver algo bom; onde quer que haja vida, a morte h de seguir como sua sombra e quem sorrir, h de tambm chorar. E vive-versa. Este estado no tem remdio. Podemos muito bem imaginar um lugar onde s haja bem e no exista o mal, onde s sorrimos e nunca choramos, mas tal fantasia absurda, por causa da natureza das coisas. As condi寤es sempre so as mesmas; onde existe o poder de produzir um sorriso, se oculta o poder de produzir lgrimas; onde quer que haja poder de produzir felicidade, se esconde, em alguma parte, o poder de nos fazer infelizes.

젨젨젨젨젨젨 De maneira que a filosofia vedanta no nem otimista, nem pessimista. Expressa ambos pontos de vista e toma as coisas tal como so. Reconhece que este mundo uma mescla de bem e de mal, de felicidade e infelicidade e que, aumentando um, aumenta, necessariamente o outro. No haver nunca um mundo perfeitamente bom ou perfeitamente mal; tal conceito contraditrio. Nos revela essa anlise um grande segredo: que o bem e o mal no constituem duas existncias precisas e separadas. Nada h neste mundo, que possamos classificar como bom e s bom, nem tampouco h coisa alguma neste universo que se possa classificar de mal e s mal. O mesmo fenmeno que hoje parece bom, pode ser que parea mal amanh. O que a alguns causa infelicidade, a outros pode produzir felicidade. O fogo que queima a mo da criana, aquece uma boa comida para quem morre de fome. Os mesmos nervos que transmitem a sensa豫o de mal-estar, transmitem a de bem-estar.

젨젨젨젨젨젨 Por conseguinte, a nica maneira de acabar com o mal, acabar tambm com o bem. Vida sem morte e felicidade sem infelicidade so contradi寤es, pois nenhuma delas pode encontrar-se sozinha, porque cada uma delas so somente manifesta寤es de uma mesma coisa. O que acreditei ontem ser bom, no me parece assim hoje. Ao contemplar minha vida em retrospectiva e o que foram meus ideais em pocas diferentes, me dou conta de que foi dito a verdade. Em um tempo, meu ideal foi manejar uma boa junta de cavalos; logo acreditei que se conseguisse confeccionar certa espcie de guloseima, me sentiria perfeitamente feliz; mais tarde, imaginei que estaria inteiramente satisfeito se tivesse esposa e muito dinheiro. Hoje me rio de todos esse ideais, considerando-os infantis e sem sentido.

젨젨젨젨젨젨 A vedanta diz que h de chegar um tempo em que, ao olhar para trs, nos riremos dos ideais que nos fazem tremer ao ter que abandonar nossa individualidade. Todos ns queremos conservar este corpo por tempo indefinido, crendo que nos sentiremos muito felizes, mas chegar um momento em que nos riremos de tal idia. Agora, se esta a verdade, nos encontraremos em um estado de irremedivel contradi豫o: nem existncia, nem inexistncia; nem felicidade, nem infelicidade, seno uma mescla delas. Qual , ento, a utilidade da vedanta e de outras filosofias e religies? E, sobretudo, de que serve fazer o bem? Estas so perguntas que acorrem mente. Se for verdade que no se pode fazer o bem sem fazer o mal e que por mais que tratemos de criar felicidade, haver sempre infelicidade, cabe a pergunta: que utilidade tem fazer o bem? Respondo, em primeiro lugar, que temos que trabalhar para diminuir a infelicidade, por ser a nica maneira de nos sentirmos felizes. Cada um de ns descobre, cedo ou tarde, em sua prpria vida. Os inteligentes descobrem um pouco antes e os torpes um pouco depois. Estes ltimos pagam muito caro o descobrimento; os primeiros, um pouco menos. Em segundo lugar, temos que cumprir com nossa tarefa, porque no existe outra maneira de escapar desta vida de contradi豫o. Tanto as foras do bem como as do mal, mantero vivo este universo at que despertemos de nossos sonhos e deixemos de fazer tortas de barro 1. Tal a li豫o que temos de aprender e para tal necessitamos de muito, mas de muitssimo tempo.

 

1.      Fazer tortas de barro, aluso a um entretenimento infantil equivalente a 밼azer castelos de areia.

 

젨젨젨젨젨젨 Na Alemanha procuraram criar um sistema de filosofia embasado em que o Infinito se converteu em finito. Tais intentos aconteceram tambm na Inglaterra. Analisando a exposi豫o de tais filsofos, deduzimos que o Infinito est tratando de expressar-se neste universo e que chegar um tempo em que o alcanar. Est bem isso de empregar as palavras 밒nfinito, 뱈anifesta豫o e 밻xpresso, etc., mas os filsofos pedem, naturalmente, uma base fundamental lgica para a afirma豫o de que o finito pode expressar o Absoluto ou o Infinito converterem-se neste universo. Tudo o que chega pelos sentidos, pela mente ou pelo intelecto, h de estar limitado; que o limitado seja o ilimitado, resulta simplesmente absurdo e jamais pode ocorrer.

젨젨젨젨젨젨 A vedanta, por seu lado, diz que verdade que o Absoluto ou o Infinito trata de expressar-se no finito, mas chegar um momento em que se dar conta de que isso impossvel e ter que bater-se em retirada; esta retirada significa renncia, que o verdadeiro comeo da religio. Nestes tempos dificlimo at falar de renncia. De mim foi dito, na Amrica, que vim de uma terra que estava morta e enterrada h cinco mil anos, a falar de renncia. O mesmo disse, talvez, o filosofo ingls. No obstante, a verdade que tal a nica senda que conduz religio. Renuncia e abandona. Que disse Cristo? 밦uem perder sua vida por mim, a encontrar. Uma ou outra vez pregou a renncia como o nico caminho para a perfei豫o. Chega um instante em que a mente desperta de seu longo e pesado sono, a criana abandona seus jogos e quer voltar sua me, descobre a verdade da afirma豫o: 밢 desejo nunca fica satisfeito com o gozo; ao contrrio, aumenta mais, como o fogo quando se derrama manteiga nele.

젨젨젨젨젨젨 Isto certo, com respeito a todos os gozos dos sentidos, a todos os gozos intelectuais e a todos os gozos de que a mente humana capaz. No so nada, esto em maia, dentro da rede da qual no podemos escapar. Podemos correr dentro dela por tempo infinito, sem encontrar o fim e quando lutamos por conseguir um pequeno gozo, cai sobre ns uma montanha de desventuras. Que terrvel isto! Ao pensar nisso, s posso considerar esta teoria de maia, esta afirma豫o de que tudo maia, como a melhor e nica explica豫o.

젨젨젨젨젨젨 Quanta infelicidade h no mundo! Ao viajar por vrias na寤es, vemos que cada uma trata de curar seus males a sua maneira. Um mesmo mal tem sido encarado por diversas raas, que tem tentado dominar de vrias maneiras, sem que ningum tenha conseguido. Em uma, conseguiram diminui-lo, mas em outra, acumulou-se. Assim acontece sempre. Os hindus, com a idia de manter uma elevada norma de castidade na raa tm sancionado o matrimnio das crianas a qual, h tempos, tem se degradado. Ao mesmo tempo no posso negar que o matrimnio entre crianas faz a raa mais casta. Que se deve preferir? Se queres que a na豫o seja mais casta, debilitars fisicamente homens e mulheres, mediante o matrimnio entre crianas. Por outro lado, estais melhores aqui, na Inglaterra? No; porque a castidade a vida de uma na豫o. Acaso no nos demonstra a histria que a falta de castidade o primeiro sinal de morte de um povo? Enquanto ocorre, o fim da raa est a vista.

젨젨젨젨젨젨 Onde, ento, encontraremos a solu豫o a estas misrias? Se os pais elegem os esposos e esposas de seus filhos, o mal diminui. Na ndia, as filhas so mais prticas que sentimentais, mas em sua vida h muito pouca poesia. Por outro lado, as pessoas que buscam por si mesmas seus esposos e esposas, no parecem encontrar neles muita felicidade. A mulher indiana , no geral, muito feliz; vem-se poucas disputas entre os esposos. No entanto, nos Estados Unidos, onde reina a maior liberdade, o nmero de lares e matrimnios infelizes grande. A infelicidade est aqui, ali e em todas as partes. Que isso demonstra? Que depois de tudo, tais ideais no nos tm proporcionado muita felicidade. Todos lutamos de um lado, vem a infelicidade de outro.

젨젨젨젨젨젨 que no devemos trabalhar para fazer o bem? Certamente que sim, com mais zelo do que nunca, mas este conhecimento far com que se derrube nosso fanatismo. O ingls j no fantico nem maldir o hindu; saber respeitar os costumes de outras na寤es. Haver menos fanatismo e mais trabalho verdadeiro. Os fanticos no podem trabalhar, porque gastam mal trs quartas partes de sua energia. O que trabalha o homem discreto, sereno e prtico. De maneira que esta idia aumentar o poder de trabalhar, pois sabendo que tal a situa豫o, ter mais pacincia. A viso da misria ou do mal no nos far perder o equilbrio, nem impulsionar a perseguir sombras. Iremos adquirindo pacincia, sabendo que o mundo ter que seguir seu prprio caminho.

젨젨젨젨젨젨 Se, por exemplo, todos os homens se tornarem bons, os animais evoluiro, entretanto, se convertero em homens e tero que passar pelo mesmo estado; o mesmo ocorrer com as plantas. Mas s uma coisa certa: o potente rio se precipita para o oceano e todas as gotas que constituem a corrente sero, com o tempo, absorvidas pelo o oceano sem limites. Assim acontece nesta vida com todas suas dores e misrias, seus gozos, sorrisos e lgrimas; uma coisa certa: tudo avana para sua meta e s questo de tempo que vs e eu, as plantas, os animais e toda partcula de vida existente, terminemos no oceano infinito de perfei豫o; tudo h de alcanar a liberdade e h de chegar a Deus.

젨젨젨젨젨젨 Permita-me repetir, uma vez mais, que a atitude da vedanta nem pessimista, nem otimista; no disse que este mundo todo mau, nem todo bom. Afirma que nosso mal no tem maior valor que nosso bem e nosso bem no tem maior valor que nosso mal; seno que esto ligados entre si. Tal o mundo; sabendo isto, se trabalha com pacincia. Para que? Por que temos que trabalhar? Se tal o estado das coisas, que temos que fazer? Por que no nos convertemos em agnsticos? Os agnsticos modernos sabem tambm que este problema no tem solu豫o; que no possvel escapar deste mal de maia, como dizemos em nossa linguagem; por conseguinte, nos dizem que estejamos satisfeitos e que gozemos a vida. Aqui temos, novamente, um erro, um tremendo erro, o mais ilgico dos erros. Consiste no seguinte: que entendemos por vida? Entendemos s a vida dos sentidos? Nisto cada um de ns se diferencia muito pouco do bruto.

젨젨젨젨젨젨 Estou seguro de que, para nenhum dos aqui presentes, a vida no s sensria; a vida significa algo mais que isso. Nossos sentimentos, pensamentos e aspira寤es, formam parte integrante de nossas vidas. No , por acaso, o esforo para o grande ideal, para a perfei豫o, um dos mais importantes componentes do que chamamos vida? Segundo os agnsticos, temos de desfrutar da vida tal como . Mas esta vida significa, sobretudo, a persecu豫o do ideal; sua essncia buscar a perfei豫o. E temos de alcana-la; portanto, no podemos ser agnsticos, nem aceitar o mundo tal como parece. O agnstico considera que esta vida, menos o fator ideal, tudo quanto existe; como este ideal, segundo ele, permanece inalcan詣vel, temos de abandonar a busca, isto : o que se chama maia, esta natureza, este universo.

젨젨젨젨젨젨 Todas as religies so, em maior ou em menor grau, intentadas de transcender a natureza; tanto as mais toscas como as mais avanadas, expressadas em mitologia ou em simbolismo, em histria de deuses, anjos ou demnios, em relatos de santos ou videntes, de grandes homens ou profetas ou por meio de abstra寤es filosficas, todas perseguem um mesmo objetivo, todas tratam de transcender estas limita寤es. Em uma palavra, todas lutam pela liberdade. O homem, consciente ou inconscientemente, sente-se sujeito, no o que quer ser, isto lhe foi ensinado no mesmo momento em que comeou a olhar ao seu redor. Nesse preciso instante aprendeu que era sujeito, mas tambm descobriu que algo nele queria voar mais alm, onde o corpo no poderia ir, mas que estava preso por esta limita豫o.

젨젨젨젨젨젨 Mesmo nas religies mais inferiores, que adoram aos antepassados mortos e outros espritos, a maioria violentos e cruis, espreitando nas casas de seus amigos, sedentos de sangue e de bebidas fortes, encontramos esse fator comum, o desejo de liberdade. O homem que quer adorar aos deuses v neles, sobre todas as coisas, maior liberdade que a que ele tem. Ao se fechar uma porta, cr que os deuses podem transp-las e que as paredes no so limita寤es para eles. Esta idia de liberdade aumenta at converter-se no ideal de um Deus pessoal, cujo conceito principal que est mais alm da limita豫o da natureza, de maia. Vejo, por assim dizer, que em lugares distantes da selva, esto discutindo esta questo os antigos sbios da ndia e ali, onde mesmo os mais ancios e santos no podem encontrar a solu豫o, um jovem se levanta e declara: 밢uvis, vs, filhos da imortalidade; ouvis, vs, os que morais nos mais exaltados lugares, eu encontrei o caminho. Conhecendo 픮uele que est mais alm da obscuridade, podemos ir mais alm da morte.

젨젨젨젨젨젨 Maia est em todas as partes; terrvel; contudo, temos que trabalhar atravs da mesma. Quem assegura que trabalhar quando o mundo todo for bom e ento gozar de bem-aventurana, tem to pouca probabilidade de o conseguir como quem, sentado s margens do Ganges disse: 밡o devemos lutar a favor de maia, seno contra ela. Tem aqui outro fato que temos que aprender. No nascemos como auxiliares da natureza, seno como seus competidores. Somos seus escravos, mas porque ns mesmos nos escravizamos. Por que est aqui esta casa? A natureza a construiu. A natureza disse: 밮eja-te a viver na selva. O homem disse: 밅onstruirei uma casa e lutarei contra a natureza, assim o fez.

젨젨젨젨젨젨 A histria inteira da humanidade uma luta contnua contra as chamadas leis da natureza e, ao fim, o homem ganha. Tambm o mundo inteiro desenvolve a mesma luta; a luta entre o homem animal e o espiritual, entre a luz e as trevas; nesta o homem sai tambm vitorioso. Poderamos dizer que se abre caminho, atravs da natureza, para a liberdade.

젨젨젨젨젨젨 Vimos, portanto, que mais alm de maia, os filsofos vedantistas encontram algo no ligado por maia e, se poderemos alcana-lo, no estaremos sujeitos por ela. Esta idia, de uma ou outra maneira, pertence a todas as religies; mas a vedanta s o princpio da religio, no o fim. A idia de Deus pessoal, o Regente e Criador deste universo, segundo chamado, o Regente de maia, a natureza, no o fim dessas idias vedantistas; s o princpio. O conceito se expande e expande at que o vedantista descobre que Aquele que ele acreditava que estar fora o mesmo e est, na realidade, dentro. Ele quem est livre, mas por causa da limita豫o, acreditou estar escravizado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

밢 HOMEM REAL E O HOMEM APARENTE

 

Swami Vivekananda

(Conferncia dada em Nova York)

 

 

젨젨젨젨젨젨 Nos encontramos aqui, mas nossos olhos miram para diante, procurando ver h vrias milhas de distncia. O homem tem feito o mesmo desde que comeou a pensar: Olha sempre adiante, sempre mais alm. Quer saber aonde vai, mesmo depois da dissolu豫o de seu corpo. Tm-se proposto vrias teorias; tece sistemas atrs de sistemas, sugerindo explica寤es. Algumas tm sido rechaadas, outras aceitas; assim seguiro as coisas enquanto o homem estiver aqui. Enquanto continuar pensando. Cada um desses sistemas contm algo da verdade. Proponho-me explanar e resumir as investiga寤es sobre este ponto que foi fato na ndia. Tratarei de harmonizar os diversos conceitos que, de tempos em tempos, apareceram entre os filsofos hindus. Procurarei, tambm, harmonizar aos psiclogos e metafsicos e, se for possvel, irmana-los com os pensadores cientficos modernos.

젨젨젨젨젨젨 O nico propsito da filosofia vedanta indagar sobre a unidade. mente hindu no lhe interessa particularmente; vai sempre atrs do geral; melhor dizendo, do universal. 밦ual aquele conceito com o qual se conhecem todos os demais?. Este o tema nico. 밃ssim como pelo conhecimento de um torro de argila conhecemos tudo o que argila, assim tambm, que aquele, cujo conhecimento nos dar o todo do universo?. Tal a investiga豫o nica. Segundo os filsofos hindus, o universo inteiro pode reduzir-se a um s material, que eles chamam 밶kasha. Tudo quanto vemos ao nosso redor, tudo o que sentimos, tocamos, provamos, simplesmente a manifesta豫o diferenciada de akasha, que penetra tudo, sutil. Tudo o que chamamos de slidos, lquidos gases, figuras, formas ou corpos; a terra, o sol, a lua e as estrelas, tudo se compe deste akasha.

젨젨젨젨젨젨 Que fora, ao atuar sobre este akasha, fabrica com o nosso universo? Todo poder, manifestando-se como fora ou atra豫o, mais at, como pensamento, no seno uma manifesta豫o diferente do poder nico, ao que os hindus chamam 뱎rana, o qual, atuando sobre akasha, est criando o universo inteiro. Ao iniciar-se um ciclo ou perodo, prana dorme no oceano infinito de akasha; mantm-se imvel, em princpio. A a豫o de prana engendra movimento no oceano de akasha; ao mover-se e vibrar prana, vo surgindo deste oceano os diversos sistemas celestes, sis, luas, estrelas, terra, seres humanos, animais, plantas, assim como a manifesta豫o das distintas foras e diversos fenmenos.

젨젨젨젨젨젨 Segundo esses filsofos, toda manifesta豫o de poder , portanto, este prana; toda manifesta豫o material akasha. Uma vez que este ciclo ou perodo chegue a seu trmino, tudo quanto chamamos slido se fundir e tomar a forma seguinte mais fina, ou seja, a lquida; esta, por sua vez, se fundir na gasosa e esta em vibra寤es de calor mais sutis e mais uniformes; por ltimo, tudo voltar ao estado original de akasha. O que agora chamamos atra豫o, repulso e movimento, se reduzir lentamente ao prana original. Diz-se que este prana dorme, durante um perodo, para emergir novamente e dar nova vida a todas essas formas e, ao trmino do novo ciclo, submergir-se outra vez. Assim, este processo de cria豫o surge e se funde, oscila para trs e para frente. Segundo a linguagem da cincia moderna, mantm-se esttico durante um perodo e dinmico em outro. Durante um tempo, assume o estado potencial e no seguinte perodo, faz-se inativo. Estas alternativas vem produzindo-se desde a eternidade.

젨젨젨젨젨젨 No entanto, esta anlise s parcial. At a cincia fsica moderna sabe de tudo isso; suas investiga寤es no podem ir mais alm; mas o interrogante fica em p. No descobrimos, todavia, aquilo que, uma vez conhecido, nos far conhecer os demais. Temos reduzido o universo inteiro a dois elementos componentes, chamados matria e energia, ou seja, o que os antigos filsofos da ndia chamavam akasha e prana; demos um passo a mais e procuremos reduzir este akasha e este prana sua origem. Ambos podem ser reduzidos a uma entidade, superior at, chamada mente; tm sido produzidos na mente, de 뱈ahat, os poderes mentais existentes em todo o universo. O pensamento uma manifesta豫o do ser, ainda mais sutil que akasha ou prana; ele quem se divide para formar aqueles dois. O pensamento universal existiu desde o princpio e se manifestou, mudou e evoluiu at converter-se nestes dois: akasha e prana, cuja combina豫o produziu o universo.

젨젨젨젨젨젨 Tratemos agora da psicologia. Os estou olhando; as sensa寤es externas me chegam pelos olhos; so levadas pelos nervos sensrios ao crebro. Os olhos no so os rgos da viso; s so os instrumentos externos; porque se destrurem em mim o rgo real, o que transmite a sensa豫o ao crebro, embora tivesse vinte e oito olhos, na poderia v-los. A reprodu豫o na retina seria completamente possvel, mas no os viria. Por conseguinte, os rgos e o instrumento, so coisas distintas. Detrs do instrumento, ou seja, os olhos, h de haver um rgo; o mesmo ocorre nas demais sensa寤es. O nariz no o sentido do olfato, seno o instrumento; por detrs deste, acha-se um rgo.

젨젨젨젨젨젨 Para cada sentido que possumos, temos, primeiro o instrumento externo no corpo fsico e atrs deste, no mesmo corpo fsico, o rgo; no obstante, estes dois no so suficientes. Suponhamos que enquanto estou falando com vs, me escutais com profunda aten豫o. Acontece algo, digamos, soa um timbre; talvez no ouvistes tal som. Sua vibra豫o chega a vosso ouvido, golpeia o tmpano, conduzido pelo nervo ao crebro; j que o processo foi completo e conseguiu levar o impulso ao crebro, por que no ouvistes? Porque faltou algo; a mente no se conectou com o rgo. Quando a mente se separa do rgo, embora este transmita alguma impresso, ela no a recebe; s quando est conectada com o rgo, podeis receber as impresses que aquele lhe transmite. Mesmo assim no se completa todo o processo. O instrumento pode receber a sensa豫o do exterior, os rgos lev-la para dentro, a mente conectar-se com o rgo e, contudo, no se completar a percep豫o. Faz falta outro fator; a produ豫o de uma rea豫o interna; com esta rea豫o, vem o conhecimento. O que est fora envia, por assim dizer, a corrente da notcia ao meu crebro; minha mente a toma e a apresenta ao intelecto, o qual a classifica em rela豫o a impresses prvias e envia uma corrente de rea豫o e com esta, chega a percep豫o. Aqui, pois, atua a vontade. O estado da mente que reage se chama 밷uddhi, o intelecto.

젨젨젨젨젨젨 No obstante, nem sequer isto tudo completa o total. Necessitamos dar outro passo. Suponhamos que temos aqui um projetor e tambm uma tela na qual estou tratando de projetar uma imagem. Que devo fazer? Dirigir os diversos raios de luz atravs do projetor de maneira que caiam sobre minha tela e se agrupem ali; necessrio projetar a imagem sobre algo que no se mova; no podendo faze-lo sobre algo que est em movimento, esse algo deve ser fixo, porque os raios de luz que projetam sobre ele se movem, e estes raios de luz em movimento se reuniro, unificaro, coordenaro e completaro sobre algo que est fixo.

젨젨젨젨젨젨 Similar o caso com as sensa寤es que nossos rgos transmitem ao interior e apresentam nossa mente, e que esta, por sua vez, apresenta ao intelecto. Este processo no ser completo se no h algo permanente no fundo, sobre o qual a imagem, por assim dizer, possa reconstruir-se e nele possam unificar-se todas as impresses. Que a unidade do conjunto modificante de nosso ser? Que que mantm a identidade da coisa em movimento, momento a momento? Sobre o que se juntam todas as nossas diferentes impresses; sobre o que se unem, residem e formam um todo unindo nossas percep寤es? Descobrimos que para servir atingir esta finalidade, h de haver algo imvel em rela豫o ao corpo e a mente. A tela sobre a qual o projetor projeta a imagem est imvel, em rela豫o com os raios de luz; de outra maneira no haveria imagem. dizer que o expectador deve ser um individuo. Este algo sobre o qual a mente pinta todos seus quadros, este algo sobre o qual nossas sensa寤es transmitidas pela mente e o intelecto se situam, agrupam e formam uma unidade, o que chamamos de alma do homem.

젨젨젨젨젨젨 Temos visto que a mente csmica universal a que se divide em akasha e prana. Em ns, mais alm da mente, encontramos a alma; no universo, atrs da mente universal, existe uma Alma e se chama Deus. No individuo, a alma do homem. No universo, no cosmos, da mesma maneira que a mente universal chega a ser, por evolu豫o, akasha e prana, vemos tambm que a Alma universal mesma chega a ser, por evolu豫o, mente. Acontece realmente assim no homem individual? sua mente a criadora de seu corpo e sua alma a criadora de sua mente? Dito de outro modo, seu corpo, sua mente e sua alma so trs existncias diferentes e so trs em uma, ou so estados diferentes de existncia do mesmo ser unitrio? Trataremos, gradualmente, de encontrar resposta a esta pergunta.

젨젨젨젨젨젨 J demos o primeiro passo; temos este corpo externo, atrs dos mesmos os rgos, a mente, o intelecto e atrs deste a alma. Neste primeiro passo encontramos, digamos assim, que a alma est separada do corpo, separada mesmo da mente. Aqui divergem as opinies do mundo religioso e pela seguinte razo: todos os pontos de vista religiosos que se incluem na denomina豫o geral de dualistas, sustentam que a alma possui vrias qualidades, que os sentimentos de prazer, de gozo e de dor pertencem, realmente, alma. Os no dualistas ou monistas negam que a alma possua tais qualidades; afirmam que carece de qualifica豫o.

젨젨젨젨젨젨 Permitam-me que me ocupe primeiro dos dualistas e trate de apresentar sua atitude com respeito alma e seu destino; logo me ocuparei do sistema que os contradiz e, finalmente, trataremos de descobrir a harmonia que o monismo nos trar. A alma do homem, por estar separada da mente e do corpo, uma vez que no est composta de akasha e prana, imortal; por que? Que entendemos por mortalidade? Decomposi豫o. Esta s no pode produzir-se em coisas que so o resultado de uma composi豫o, qualquer composto de dois ou mais ingredientes, se decomporo. Unicamente o que no for resultado de composi豫o, nunca pode ser decomposto; por conseguinte, nunca pode morrer, imortal, existiu por toda a eternidade, no foi criado. Todo objeto criado simplesmente um composto, uma combina豫o em novas formas de coisas pr-existentes. Nunca se viu algo criado a partir de nada. Sendo assim, a alma do homem, por ser simples, existiu sempre e seguir existindo sempre. Quando este corpo cai, a alma continuar vivendo.

젨젨젨젨젨젨 Segundo os vedantistas, ao dissolver-se o corpo, as foras vitais do homem voltam sua mente e quando esta se dissolve, por assim dizer, em prana e prana entra na alma do homem, esta alma sai revestida com o que chamam de corpo sutil, o corpo mental ou espiritual, como gosteis de cham-lo. Neste corpo esto os samskaras do homem. Que so os samskaras? A mente se parece com um lago e cada pensamento a uma onda deste lago. Da mesma maneira que as ondas se levantam, logo baixam e desaparecem, assim tambm essas ondas mentais se levantam na substncia mental e logo desaparecem, mas no para sempre. Fazem-se mais e mais finas, mas esto todas ali, prontas para levantar-se novamente, quando forem evocadas. A memria , simplesmente, o retorno forma de ondas de pensamentos que passaram a um estado mais sutil de existncia. De maneira que tudo o que pensamos, cada a豫o realizada, esto alojados na mente, esto ali em forma sutil. Quando o homem morre, a soma total das impresses est na mente, a qual atua de novo em um pouco de material sutil, como meio. A alma revestida, digamos assim, com estas impresses e com o corpo sutil, parte e seu destino guiado pela resultante de todas as diferentes foras, representadas pelas diversas impresses. Para ns, existem trs metas diferentes para a alma.

젨젨젨젨젨젨 Quem est prximo da perfei豫o, os que muito pouca impureza tm, vo s mais elevadas das esferas, ao brahmaloka ou esfera de Brahma, pelos raios do sol; as pessoas de classes intermedirias que fizeram algo bom com a idia de ganhar o paraso, vo aos cus da esfera lunar e ali ocupam corpos de deuses, mas voltaro a ser humanos, para ter outra oportunidade de alcanar a perfei豫o. Os muito maus convertem-se em fantasmas e demnios e logo em animais; depois voltam a ser homens e lhes dada outra oportunidade para aperfeioarem-se.

젨젨젨젨젨젨 Esta terra chama-se 뱆arma-bhumi, a esfera do carma. Unicamente aqui onde o homem cria seu carma bom ou mal. Quando o homem quer ir ao cu e com tal fim faz boas obras, converte-se em um deus e como tal no acumula mal carma. Simplesmente desfruta dos efeitos das boas obras que fez na terra. E quando se esgota seu bom carma, a fora resultante de todo o mal carma acumulado anteriormente em vida, atua sobre ele e o traz novamente a terra. Da mesma maneira os que se convertem em fantasmas, mantm-se em tal estado, sem criar novo carma, mas sofrem os maus resultados de suas ms a寤es passadas e, mais tarde, entram em um corpo animal, por um tempo, sem criar novo carma. Terminado este perodo, voltam a ser homens novamente. Os estados de recompensa ou de castigo devidos ao carma bom ou mal, esto isentos de fora para gera-lo de novo, s pode desfruta-los ou sofre-los, segundo o caso.

젨젨젨젨젨젨 O carma extraordinariamente bom e o extraordinariamente mal do frutos muito rapidamente. Por exemplo, se um homem fez muitas coisas ms por toda sua vida, mas fez uma boa a豫o, o resultado desta aparecer imediatamente; mas enquanto desfruta do bom efeito da mesma, todas as ms a寤es havero de produzir tambm seus efeitos. Os homens que realizam certos atos bons e grandes, mas levaram uma vida no muito correta, sobreviro deuses e depois de viver por algum tempo em corpos de deuses e de desfrutar os poderes dos mesmos, voltaro a ser homens; apenas se esgota a fora das boas a寤es, surge o antigo mal para ser pago e esgotado. Quem cometeu atos extremamente maus, tomam corpos de fantasmas e demnios; uma vez esgotado o efeito das ms a寤es, a pequena boa a豫o que realizou, faz com que volte a ser homem. O caminho a brahmaloka, de onde no h sada ou retorno, chama-se 밺evayana, ou seja, o caminho a Deus; o caminho ao cu conhecido como 뱎itriyana, ou seja, o caminho aos pais.

젨젨젨젨젨젨 Por conseguinte, segundo a filosofia vedanta, o homem o maior ser existente no universo e este mundo de trabalho o melhor lugar no mesmo universo, porque aqui est a melhor e maior oportunidade para alcanar a perfei豫o. Os anjos e deuses, como quereis cham-los, se faro homens, se quiserem chegar a ser perfeitos. Esta vida humana o grande centro, o maravilhoso equilbrio, a grande oportunidade.

젨젨젨젨젨젨 Chegamos agora, a outro aspecto da filosofia. H budistas que negam toda a teoria da alma que acabo de expor. 밆e que serve diz o budista supor algo como substrato, como fundo deste corpo e mente? Por que no deixamos que os pensamentos continuem? Por que admitir uma terceira substncia, alm deste composto de mente e corpo, uma terceira substncia chamada alma? Qual objetivo: acaso no o organismo suficiente para explicar a si mesmo? Por que recorrer novamente a uma terceira hiptese?. Estes argumentos so contundentes, encerram um raciocnio muito forte. At onde a investiga豫o exterior alcana, este organismo leva em si sua prpria explica豫o; ao menos muitos de ns o vimos deste ponto de vista. Por que, ento, se necessita que haja uma alma como substrato, como algo que no nem mente nem corpo, seno o fundo para ambos? Deixe que haja unicamente corpo e mente.

젨젨젨젨젨젨 Corpo o nome de uma corrente de matria que muda constantemente; mente o nome de uma corrente de conscincia ou de pensamento que muda continuamente tambm. Que que produz a aparente unidade entre esses dois? Esta unidade, digamos, no existe na realidade. Tome-se, por exemplo, uma tocha acesa e faa-a girar rapidamente. Vamos um crculo de fogo. O crculo no existe realmente, mas a tocha, movendo-se continuamente, produz a aparncia de crculo. De maneira que no h unidade nesta vida; uma massa de matria precipitando-se continuamente para baixo, s ao conjunto desta matria se pode chamar unidade. O mesmo ocorre com a mente; cada pensamento est separado de todos os demais. S a corrente impetuosa deixa atrs de si a iluso de unidade; no se necessita de uma terceira substncia. Este fenmeno universal de corpo e mente o nico que realmente existe; no h que supor nada atrs do mesmo.

젨젨젨젨젨젨 Se ver que esta idia budista tem sido adotada nos tempos modernos por vrias seitas e escolas, todas as quais a apresentam como novo e como de sua prpria inven豫o. Tem sido conceito central da maioria das filosofias budistas, a saber: que este mundo basta a si mesmo; que no necessitamos buscar fundo algum; que o nico universo que existe o dos sentidos e que no tem objetivo a hiptese de que algo sustenta o universo. Tudo um conglomerado de qualidades, por que h de haver uma substancia hipottica qual tais qualidades sejam inerentes? A idia de substncia provm do rpido intercmbio de qualidades, no de algo imutvel existente atrs delas.

젨젨젨젨젨젨 Vemos quo admirveis so alguns destes argumentos e como se acomodam facilmente experincia corrente dos humanos. Com efeito, nem um entre um milho capaz de pensar em algo que no seja um fenmeno. Para a imensa maioria dos homens, a natureza aparece como uma massa de mudanas que se modificam, giram, se combinam e se mesclam. Poucos de ns chegam a vislumbrar o tranqilo mar situado por detrs dessas mudanas. Para ns forma sempre encrespadas ondas; este universo s nos parece uma gigantesca sucesso de ondas. Encontramos, assim, estas duas opinies; uma, que detrs da mente e do corpo, h algo que substncia imutvel e imvel e a outra, que no existe no universo tal coisa, como imutabilidade e imobilidade, que tudo mudana e nada mais que mudana. Para solucionar esta diferena, h que se dar um passo a mais e chegar ao conceito no-dualista ou monista.젨젨젨젨 Cambio (Mudana troca). Verificar essas palavras nesta parte da conferncia.

젨젨젨젨젨젨 O sistema monista diz que o dualista est correto ao encontrar por detrs de tudo, o fundo que no muda; no podemos conceber mudana alguma sem que haja algo que no mude. Podemos conceber algo que mude somente conhecendo algo que mude menos; este mesmo aparecer mais mutvel, em compara豫o com algo que seja menos e assim indefinidamente, at que nos inclinamos a admitir que h de haver algo que no muda. Esta manifesta豫o ser encontrada em um estado de no-manifestada, em calma silenciosa, em um estado de equilbrio de foras opostas em que, por assim dizer, nenhuma fora atuava, pois estas s atuam quando se perturba o equilbrio. Se temos alguma coisa como certa, isso. Quando o dualista afirma que h algo que no muda, est certo, mas est equivocado em sua anlise de que algo subjacente que no nem o corpo, nem a mente, mas algo separado de ambos.

젨젨젨젨젨젨 Os budistas, ao dizer que o universo inteiro uma srie de mudanas, esto perfeitamente certos, posto que enquanto me mantenha separado do universo, enquanto me detenha a observar algo diante de mim, enquanto haja duas coisas, o observador e o observado, o universo parecer mutvel, mudando constantemente. Mas a realidade que neste universo temos s vezes mutabilidade e imutabilidade. No que a alma, a mente e o corpo sejam trs existncias separadas; os trs constituem um s mecanismo. Uma mesma coisa aparece como corpo, como mente e como o que est alm do corpo e mente; mas no esses trs ao mesmo tempo. Quem v o corpo, no v sequer a mente; quem v a mente no v o que chamado de alma; e para quem v a alma, o corpo e a mente se desvanecem. Quem v movimento, unicamente, nunca v calma absoluta e para quem v calma absoluta, o movimento se desvanece. Ao confundir uma corda com uma serpente, para quem acredita na serpente, a corda desaparecer; uma vez que cessa o erro, v a corda, e a serpente se desvanece.

젨젨젨젨젨젨 S h uma existncia que tudo abarca e aparece como mltiplo. Este eu, ou alma, ou substncia, tudo quanto existe no universo. Tal eu ou substncia, ou alma , na linguagem monista, Brahman, o qual parece mltiplo devido a interposi豫o de nome e forma. Observem as ondas do mar. Nenhuma delas realmente diferente do mar, mas o que que faz a onda parecer diferente? Nome e forma; a forma da onda e o nome que lhe damos, ou seja, 뱋nda. Isso o que a diferencia do mar. E quando desaparecem o nome e a forma, fica o mesmo mar. Quem pode estabelecer diferena real entre a onda e o mar? Dessa forma, o universo inteiro essa Existncia nica; o nome e a forma criaram todas estas diversas diferenas.

젨젨젨젨젨젨 Quando o sol brilha sobre milhes de gotculas de gua, vemos em cada partcula uma perfeita representa豫o do sol; da mesma forma, a alma uma, o eu nico, a existncia una do universo, ao refletir-se em todas as numerosas gotas de variados nomes e formas, parecem ser mltiplas. Mas, na realidade, s uma. No h nem eu, nem tu, tudo uno, no tudo eu, nem tudo tu, a idia de dualidade, de dois, inteiramente falsa e o universo inteiro, segundo o conhecemos ordinariamente, resultado desse falso conhecimento. Quando chega o discernimento e o homem descobre que no h dois, mas um, se d conta que ele mesmo este universo. 밪ou eu mesmo este universo, tal como existe agora, uma srie contnua de mudanas; mais alm de todas as qualidades, o eternamente perfeito, o eternamente bendito.

젨젨젨젨젨젨 Por conseguinte, no h mais que um Atman, um Eu eternamente puro, eternamente perfeito, imutvel, inaltervel. Nunca muda e todas as mudanas do universo no so seno aparncias desse Eu nico.

젨젨젨젨젨젨 Sobre seu nome e forma foram construdos todos estes sonhos; a forma o que faz a onda diferente do mar. Suponhamos que a onda se acalme, se manter a forma? No, se desvanecer. A existncia da onda depende inteiramente da existncia do mar; mas esta, de maneira alguma, depende da existncia da onda. A forma se mantm enquanto a onda persiste, mas quando esta cessa, a forma se desvanece, no pode se manter. Este nome e essa forma so o resultado do que se chama maia. Maia o que faz os indivduos, faz que uns paream diferentes dos outros, contudo, maia no tem existncia, no se pode dizer que existe. Tampouco no se pode dizer que a forma exista, porque depende da existncia de outra coisa, nem se pode dizer que no exista, ao ver que causa todas essas diferenas. Portanto, segundo a filosofia advaita, esta maia ou ignorncia (o nome e a forma ou, como se chamou na Europa, tempo, espao e causa) procede desta Existncia infinita una, mostrando-nos a multiplicidade deste universo; mas, em substncia, este universo uno. Enquanto um cr que existem duas realidades fundamentais, est equivocado. Quando chega a se dar conta de que s existe uma, est correto.

젨젨젨젨젨젨 Estamos comprovando isto a cada dia no plano fsico, no plano mental e tambm no espiritual. Hoje foi demonstrado que vs e eu, o sol, a lua e as estrelas no so seno nomes diferentes de diversos pontos no mesmo oceano de matria e que a configura豫o desta matria, est mudando constantemente. A partcula de energia que estava no sol h vrios meses, pode chamar-se agora de ser humano; amanh, talvez, esteja em um animal e depois de amanh em uma planta; est sempre indo e vindo. Tudo uma massa de matria infinita, sem solu豫o de continuidade, diferenciada unicamente por nomes e formas. A um ponto o chamamos sol, a outro, lua e a outro, estrelas; a um homem, a outro animal, a outro planta e assim sucessivamente. E todos estes nomes so fic寤es, no tm realidade, porque tudo uma massa de matria que muda continuamente. De outro ponto de vista, este mesmo universo um oceano de pensamento onde cada um de ns um ponto, conhecido como mente particular. Cada um de vs uma mente e eu sou uma mente; o mesmo universo. Visto deste ponto de vista do conhecimento, quando os olhos se livram do engano e a mente se purifica, aparece como o Ser absoluto, inteiro e sempre puro, o imutvel, o imortal.

젨젨젨젨젨젨 Que ocorre, ento, a toda esta tripla escatologia dos dualistas, de que quando o homem morre vai ai cu ou a esta ou a outra esfera e os malvados se tornam fantasmas e se convertem em animais, etc? Ningum vem e ningum vai diz o monista como podeis ir e vir? Em certa escola estava-se questionando algumas crianas e o questionador havia feito algumas perguntas difceis, tais como: 밣or que a Terra no cai?. Sua inten豫o era obter das crianas a idia de gravita豫o ou de alguma outra intrincada verdade cientifica. A maioria das crianas no podia nem sequer entender a pergunta; assim deram toda espcie de respostas errneas, mas uma menininha, mais esperta que os demais, respondeu com outra pergunta: 밢nde iria cair?. Ante tal pergunta do questionador, a mesma parecia sem sentido.

젨젨젨젨젨젨 No universo no h em cima, nem embaixo, a idia s relativa. A mesma pergunta sobre o nascimento e a morte, em rela豫o mesma, carece de sentido. Quem vai e quem vem? Onde estamos? Onde est o cu no qual j no estais? O eu do homem onipresente, onde h de ir? Onde no h de ir? Est em todas as partes. De maneira que todos os sonhos infantis e iluses pueris de nascimento e morte, de cus superiores e mundos inferiores, se desvanecem imediatamente para os perfeitos; para os quase perfeitos se desvanecem, ao mostrar-lhes as diferentes cenas at o brahmaloka. No entanto, continuam para o ignorante.

젨젨젨젨젨젨 Como que todo o mundo cr em ir ao cu, em morrer e nascer? Estou estudando um livro, pgina por pgina; leio uma e viro outra e vem outra pgina e viro tambm, o que muda? Quem vai e quem vem? No eu, mas o livro. A natureza inteira um livro ante uma alma, lemos pginas aps pgina e de vez em quando comea um novo capitulo termina e comea outro prosseguimos lendo; mas a alma sempre a mesma e eterna. a natureza que muda, no a alma do homem, esta nunca muda. O nascimento e a morte esto na natureza, no em vs. Contudo, o ignorante se engana da mesma forma que nos enganamos ao crer que o sol que se move, e no a terra; da mesma exata maneira cremos que somos ns os que morrermos e no a natureza. Trata-se, por conseguinte, de alucina寤es; assim como uma alucina豫o crer que so os campos que se movem e no o trem, assim tambm uma alucina豫o o nascimento e a morte.

젨젨젨젨젨젨 Quando os homens se encontram em certo estado mental, vem esta existncia como a terra, como o sol, a lua e as estrelas; todos os que se encontram no mesmo estado mental, vem as mesmas coisas. Entre vs e eu, pode haver milhes de seres em planos diferentes de existncia. Eles nunca os vero, nem ns a eles, pois vemos unicamente a quem se encontra no mesmo estado mental e no mesmo plano que ns. S vibram, poderamos dizer, aqueles instrumentos musicais que esto em unssono; se o estado de vibra豫o que chamam 뱕ibra豫o-homem mudar, no se ver mais homens aqui; todo o 밾omem-universo se desvaneceria e em seu lugar apareceria ante nossos olhos outro cenrio; talvez deuses e o universo-deus ou, talvez, para o malvado, demnios e um mundo diablico; mas s seriam vistas diferentes de um universo nico.

젨젨젨젨젨젨 este universo o que, deste plano humano, se v como a terra, o sol, a lua e as estrelas e tudo o mais; este mesmo universo, visto do plano da maldade, como um lugar de castigo. Este mesmo universo visto como cu por quem quer v-lo como tal. Quem tem sonhado em contemplar a um Deus sentado em um trono a cantar seus louvores, quando morrer ver simplesmente o que tinham em mente; este universo se converter em um vasto cu com seres alados de toda espcie, voando e um Deus sentado em um trono. Tais cus so todos cria豫o do homem.

젨젨젨젨젨젨 O que o dualista diz verdade, pois, segundo a advaita, trata-se unicamente de sua prpria cria豫o. As vrias esferas, os demnios e deuses, as reencarna寤es e transmigra寤es, no so seno mitologia, o mesmo que esta vida humana. O grande erro que os homens cometem continuamente, consiste em pensar que s esta vida verdade. Compreendem perfeitamente quando se chama a outras coisas de mitologia, mas nunca esto dispostos a admitir o mesmo, tratando-se de sua prpria convic豫o. Tal como aparece, o conjunto total resulta, pois, em mera mitologia; a mentira maior de todas que somos corpos, pois nunca o fomos e nem podemos s-lo. a maior mentira que somos meros homens; ns somos Deus do universo. Ao adorar a Deus, estamos sempre adorando a nosso prprio eu oculto.

젨젨젨젨젨젨 A pior mentira que se diz a si mesmo, que nasceu pecador ou malvado. S pecador quem considera a outro pecador. Suponhamos que haja um menino aqui e que colocais uma bolsa de ouro sobre a mesa; vem um ladro e leva o ouro. O menino permanece indiferente, como no tem ladro dentro de si, tampouco o conhece fora de si. Para os pecadores e homens vis, a maldade est fora, mas no para os seres bons. Ao malvado este universo lhe parece um inferno; o parcialmente bom o v o v como o cu e os seres perfeitos o realizam como Deus mesmo. S neste ultimo caso cai dos olhos o vu, o homem purificado e limpo observa, ento, que sua viso muda por completo. Os pesadelos que os torturaram durante milhes de anos se desvanecem todos e quem se considera homem, Deus ou demnio; quem acreditava viver em lugares baixos, em lugares elevados, na terra, no cu e assim por diante, descobre que realmente onipresente; que o tempo est nele e que ele est no tempo; que todos os cus esto nele e que ele no est em nenhum; que todos os deuses que o homem adora est sempre nele e que ele no est em nenhum desses deuses.

젨젨젨젨젨젨 Ele mesmo era o fabricante de deuses e demnios, de homens e plantas, de animais e pedras; para ele agora a natureza real do homem aparece desenvolvida e mais elevada que o cu, mais perfeita que este nosso universo, mais infinita que o tempo infinito, mais onipresente que o ter onipresente. S assim o homem perde o temor e se torna livre. Ento todos os enganos cessam; todas as misrias se desvanecem; todos os temores terminam para sempre. O nascimento desaparece e com ele a morte. As dores se vo e com elas os prazeres; as terras se desvanecem e com elas os cus; os corpos se dissipam e com eles a mente. Para tal homem, o universo inteiro, digamos assim, desaparece. Este contnuo entrechocar-se de foras que superam e lutam constantemente, cessam para sempre; o que se manifestava como fora e matria, como lutas da natureza, como a natureza mesma, como cus e terras, como plantas e animais, como homens e anjos, tudo isso se transfigura em uma existncia infinita, contnua, imutvel; o homem conhecedor descobre que ele uno com essa existncia. 밃ssim como as nuvens da variados matizes aparecem no cu, permanecem por um segundo e se desvanecem, da mesma maneira vm a esta alma as vises de terras e cus, de luas e deuses, de prazeres e dores; mas todas passam, deixando um firmamento infinito, azul e imutvel. Isto nunca muda; as que mudam so as nuvens. um erro pensar que somos impuros, que somos limitados, que estamos separados. O homem real a Existncia nica e una.

젨젨젨젨젨젨 Duas perguntas surgem agora; a primeira 볣 possvel realizar isto? At aqui s temos doutrina, filosofia, mas possvel realiza-lo?. Vedes. Vivem, no entanto, homens para os quais o engano se desvaneceu para sempre. Morrem eles imediatamente depois de alcanar tal realiza豫o? No to logo como acreditamos. Duas rodas unidas por um eixo giram juntas. Se tomo uma das rodas e com um machado corto o eixo, a roda que quebrei pra, mas a outra que tomou impulso, segue girando durante um tempo e logo cai. Este ser perfeito e puro, ou seja, a alma, uma das rodas; e esta alucina豫o externa de corpo e mente a outra roda, ambas unidas pelo eixo do trabalho, do carma. O conhecimento o machado que corta o enlace entre os dois; a roda da alma se detm, cessa de crer que vai e vem, que vive ou morre; deixa de pensar que vive e morre; deixa se pensar que a natureza, que tem necessidades e desejos; e descobre que perfeita e carece de desejos.

젨젨젨젨젨젨 Mas sobre a outra roda, a do corpo e mente, pesa o impulso de atos passados; de maneira que viver por algum tempo at que esgote o impulso das a寤es anteriores e perca a fora; ento o corpo e a mente caem e a alma fica livre. J no haver mais ir ao cu ou vir dele; tampouco ir ao brahmaloka ou a alguma das esferas superiores, porque aonde ir e de onde vir? O homem que alcanou nesta vida tal estado, para quem, nem sequer por um minuto, mudou a viso corrente do mundo e a realidade tem sido aparente, chamado de 뱕ivente livre. Tal a meta do vedantista, ou seja, alcanar liberdade enquanto vive.

젨젨젨젨젨젨 Certa vez, na ndia Ocidental, eu viajava pela regio deserta sobre a costa do Oceano ndico. Andava dias e dias a p pelo deserto e, com surpresa via, todos os dias, belos lagos rodeados de rvores e o reflexo destes, invertidos, oscilantes sobre as guas. Dizia a mim mesmo: 밦uo maravilhoso parece tudo isto, e o chamam deserto!. Durante quase um ms viajei vendo to maravilhosos lagos, rvores e plantas. Um dia, senti muita sede e quis beber gua; dirigi-me a um dos lagos, transparentes e belos, mas ao aproximar-me, desvaneceu-se. Como um relmpago, surgiu em mim a idia: 밇ste o reflexo sobre o qual tenho lido toda minha vida, ao mesmo tempo compreendei, tambm, que durante todo o ms, a cada dia, estive vendo o reflexo, sem dar-me conta disso. Na manh seguinte recomecei minha marcha, apresentou-se o lago, mas com ele veio tambm a idia de que era um reflexo e no um lago verdadeiro.

젨젨젨젨젨젨 O mesmo ocorre com este universo. Viajamos no reflexo do mundo, dia aps dia, ms aps ms, anos aps anos, sem saber que um reflexo. Um dia desaparecer, mas voltar outra vez; o corpo h de permanecer sob o poder do carma passado; de maneira que o reflexo se reproduzir. Este mundo voltar a ns enquanto estivermos ligados pelo carma. Homens, mulheres, animais, plantas, nossos apegos e deveres, todos voltaro a ns, mas no com o mesmo poder; sob a influncia de novos conhecimentos, a fora do carma se debilita e seu veneno desaparece. Transformar-se , porque saberemos, ento, que o conhecemos; que sabemos a diferena exata entre a realidade e o reflexo.

젨젨젨젨젨젨 Depois disso, este mundo j no ser o mesmo de antes. No entanto existe um perigo. Vemos em todos os pases pessoas que adotam a filosofia e dizem: 밇u transcendi as virtudes e os vcios, portanto no estou ligado por nenhuma lei moral, posso fazer o que quiser. Encontraro neste pas e nestes tempos, muitos tolos que afirmam: 밡o estou sujeito, sou Deus, deixa-me fazer o que gosto. Isto no correto, embora seja verdade que a alma est mais alm de todas as leis fsicas, mentais ou morais. Dentro da lei h exce寤es, alm da lei, h liberdade. Tambm verdade que a liberdade natural para a alma; seu direito de nascimento; a verdadeira liberdade da alma resplandece atravs dos vus da matria; a percebemos como liberdade aparente do homem. Em todos os instantes de vossa vida sentis que sois livres. No podemos viver, falar ou respirar nem um momento, sem sentir que somos livres; mas ao mesmo tempo, se refletirmos um pouco, veremos que somos como mquinas, no livres.

젨젨젨젨젨젨 Qual a verdade, ento? A idia de liberdade um engano? Uns sustentam que sim, outros dizem que o engano est na idia de sujei豫o. Como acontece isto? O homem realmente livre; o verdadeiro homem no pode ser seno livre; mas ao vir ao mundo de maia, de nome e forma, fica ligado. Livre arbtrio um termo inapropriado. A vontade nunca pode ser livre. Como pode s-lo? A vontade s nasce quando o homem real fica ligado e no antes. A vontade do homem est sujeita, mas aquele em que a vontade se aprofunda, permanece eternamente livre. De maneira que o estado de sujei豫o que chamamos vida humana ou vida divina, na terra e no cu, persiste em ns a recorda豫o da liberdade, que nossa por direito divino e consciente ou inconscientemente, lutamos por reconquista-la. Quando um homem alcana sua prpria liberdade, como pode estar sujeito a alguma lei? Nenhuma lei neste universo pode sujeita-lo, porque este universo seu.

젨젨젨젨젨젨 Ele o universo inteiro, podeis afirma-lo assim, ou expressar que para ele no h universo. Como pode, ento, ter todas essas mseras idias sobre o sexo e sobre o pas? Como pode dizer: eu sou homem, sou mulher, sou criana? No so mentiras? Sabe que so. Como pode dizer que estes so direitos do homem e estes outros direitos da mulher? Ningum tm direitos; nada existe separadamente. No h nem homem nem mulher; a alma no tem sexo; eternamente pura. mentira dizer: 밇u sou um homem ou uma mulher, ou 뱎erteno a este pas ou a outro. Todo o mundo meu pas; o universo inteiro meu porque me revesti dele, tomando-o como corpo. Na obstante, vemos pessoas aceitando esta doutrina e que, contudo, fazem coisas que bem podemos chamar de sujas; se lhes perguntarmos por que as fazem, nos respondem que estamos enganados e que eles no podem fazer nada de ruim. Qual a prova pela qual temos de julga-los?

젨젨젨젨젨젨 Veja aqui: Embora ambos, o bem e o mal sejam manifesta寤es condicionadas da alma, a alma o revestimento externo e o bem o interno, o mal cerca o homem real, ou seja, o Eu. Salvo que o homem trespasse a capa do mal, no pode chegar ao bem e enquanto no transpasse as duas capas, a do bem e a do mal, no pode chegar ao Eu. A quem alcanou o Eu, que lhe fica aderido? Um pouco de carma, uma pequena por豫o de impulso da vida passada, mas tudo isso bom impulso. At que o mau impulso esteja inteiramente gasto e as impurezas passadas estejam queimadas totalmente, nenhum homem pode ver e realizar a verdade. De maneira que o que fica aderido ao homem que chegou ao Eu e viu a verdade, o resto de boas impresses da vida passada; vale dizer, o bom impulso. Embora viva no corpo e trabalhe incessantemente, sua atividade s para o bem, seus lbios pronunciam bn豫os para todos, suas mos executam boas obras unicamente, sua mente s tem bons pensamentos, onde quer que v, sua presena uma bn豫o vivente. Tal pessoa, com somente sua presena, embora no fale, ser uma bn豫o para a humanidade. Pode tal ser fazer algum mal, pode cometer atos de maldade?

젨젨젨젨젨젨 Existe uma enorme diferena, como deveis recordar, entre realiza豫o e mero palavreado. Qualquer tolo pode falar; at os papagaios falam; falar uma coisa e realizar outra. As filosofias e doutrinas, os argumentos, os livros, as teorias, as seitas, todas estas coisas so boas a seu modo; mas quando se alcana a realiza豫o, todas elas desaparecem. Por exemplo, os mapas so bons, mas quando se percorre ao pas e olha depois os mapas, encontra uma grande diferena. Assim tambm quem realizou a verdade no necessita, para compreende-la, do racionalismo da lgica, nem de toda a ginstica do intelecto. Aquele , para eles, a vida de suas vidas, concretizada, mais tangvel. Como dizem os sbios da vedanta; 볣 como fruto em vossa mo; podeis levanta-los e dizer: 멇qui est. Assim tambm quem realizou a verdade, se levantar para dizer: 멇qui est o Eu뮅. Embora discutais com ele um ano inteiro, sorriro; consideraro tudo como uma fala豫o infantil e deixaro que a criana continue falando; realizaram a verdade e esto satisfeitos.

젨젨젨젨젨젨 Suponhamos que vistes um pas e que vem algum e trata de argumentar que tal pas nunca existiu; poder argir indefinidamente sem alterar vossa atitude mental, que ser a de que tal indivduo est pronto para o manicmio. Da mesma maneira o homem que realizou disse: 밫oda esta falcia mundana sobre as pequenas religies vo palavreado; a realiza豫o a alma, a essncia da religio. A religio se pode realizar, estais preparados para isto, o quereis? Alcanareis a realiza豫o se os proporeis e ento sereis verdadeiramente religiosos. Enquanto no alcanareis tal realiza豫o, no h diferena alguma entre vs e os ateus. O ateu sincero, mas no o quem diz que cr na religio e nunca intenta realiza-la.

젨젨젨젨젨젨 A pergunta seguinte : que vem depois da realiza豫o? Suponhamos que realizamos esta unidade do universo, que somos esse Ser Uno Infinito; suponhamos, ademais, que realizamos que este Eu a existncia nica, que o mesmo Ser que se manifesta em todas estas formas fenomenais, que nos acontece, ento? Temos que ficar inativos, sentados em um canto e morrermos? Que beneficio traria isto ao mundo? Veja esta questo! Em primeiro lugar, por que deveria fazer bem ao mundo? H alguma razo para isto? Que direito tem algum de perguntar sobre que beneficio trar isto ao mundo? O que se quer dar a entender com isso? Uma criana gosta de doces. Suponha que estais realizando investiga寤es em rela豫o a algum tema de eletricidade e uma criana pergunta: 밪e compra doces com isto?. 밡o, respondeis. 밇nto, para que serve?, responde o menino. Assim os homens se levantam e pergunta: 밦ue beneficio trar isto ao mundo? Nos dar dinheiro?. 밡o. 밇nto, que beneficio ter?. Isto o que os homens entendem por fazer bem ao mundo.

젨젨젨젨젨젨 Contudo, a realiza豫o religiosa a que mais bem faz ao mundo. As pessoas temem que quando a alcanarem, quando se derem conta de que h s Uno, se secaro os mananciais do amor, que tudo na vida desaparecer, que tudo o quanto amem se desvanecer, por assim dizer, tanto nesta vida como na outra. Nunca se detm a refletir que quem pensa menos em sua prpria individualidade, tm sido os maiores obreiros para o mundo. O homem s ama quando descobre que o objeto de seu amor no uma coisa vil, pequena, nem mortal; s amam quando compreende que o objeto de seu amor no um torro de terra, seno o mesmo e verdadeiro Deus.

젨젨젨젨젨젨 A esposa amar mais o esposo quando pensar que este Deus; o esposo amar mais a esposa quando souber a mesma verdade. A me amar mais aos filhos quando pensar e ver Deus neles; o homem amar seu maior inimigo quando souber que tal inimigo Deus; o homem amar o santo porque saber que o Santo Deus e amar tambm o homem menos santo, porque saber que no fundo do mais mpio dos homens, est o Senhor. Tal homem se converter em propulsor deste mundo; para ele morrer o pequeno eu e Deus tomar seu lugar. O universo inteiro ficar transfigurado para ele; o doloroso e msero se desvanecer completamente, as lutas cessaro. Em vez de um crcere, onde lutamos, pelejamos e competimos por um bocado de po, este universo se converter, para ns, em um campo de jogo. Belo ser, ento, este universo! S um homem assim pode levantar-se e exclamar: Quo belo este mundo! S tem o direito de dizer que tudo bom.

젨젨젨젨젨젨 O grande bem resultante para o mundo de tal realiza豫o ser que, em vez de continuar a fric豫o e os choques, quando a humanidade compreender que embora s seja parcial esta verdade, o aspecto do mundo inteiro mudar e em vez de lutas e discusses, teremos o reino da paz; se desvanecer do mundo a indecorosa e brutal pressa que nos impulsiona a adiantarmo-nos aos demais; desaparecer para sempre toda luta, todo dio, toda inveja e todo o mal. 젨젨젨젨젨

젨젨젨젨젨젨 Ento os deuses na terra e ela mesma se convertero em um cu e que mal poder existir onde deuses julgam, trabalham e se amam com deuses? Tal a grande utilidade da realiza豫o divina. Tudo quanto vedeis na sociedade ficar mudado e transfigurado; j no pensareis que o homem mau, o qual uma grande vantagem; j no lanareis uma olhada depreciativa ao pobre homem ou mulher que haja cometido algum erro. Vs, senhoras, j no olhareis com deprecia豫o a pobre meretriz que de noite percorre as ruas, porque vereis at nela Deus; j no pensareis em cime e castigos. Tudo isso de desvanecer e o amor, o grande ideal do amor, ser to potente que j no sero necessrios nem o chicote, nem a corda, para conduzir a humanidade pelo caminho reto.

젨젨젨젨젨젨 Se uma milionsima parte dos homens e mulheres que vivem neste mundo se sentarem, silenciosamente, durante uns minutos por dias e disserem: 밪ois todos Deus, vs homens e vs animais e seres viventes. Todos sois manifesta寤es da Deidade nica vivente, o mundo inteiro mudaria em meia hora. Em vez de lanar enormes granadas de dio por todos os cantos, em vez de chamar correntes de cimes e de maus pensamentos, as pessoas em cada pas pesariam que tudo Ele. Ele tudo o que vedes e sentis. Como podeis ver o mal, a menos que o mal esteja em vs? Como podeis ver o ladro, se no o levais no cora豫o de vosso cora豫o? Como podeis ver o assassino sem ser vs mesmos o assassino? Sois bons e o mal se desvanecer para vs. Ento mudar o universo inteiro; esta a ganncia maior para a sociedade e para o organismo humano.

젨젨젨젨젨젨 Estas idias foram pensadas e desenvolvidas na ndia em tempos antigos. Diversas razes, tais como os exclusivismos dos instrutores e as conquistas estrangeiras, impediram que se difundissem. No obstante, so grandes verdades e onde quer que tenham sido aplicadas, o homem chegou a ser divino. Minha vida inteira eu mudei ao contato de um desses homens divinos, acerca do qual vou lhes falar no prximo domingo. Aproxima-se o tempo em que estas idias se difundiro por todo o mundo; em vez de estar encerradas em monastrios e em livros de filosofia para serem estudadas pelos eruditos; em vez de ser possesso exclusiva de seitas e uns poucos estudiosos, estas idias sero semeadas aos quatro ventos, de maneira que venham a ser propriedade comum do sbio e do ignorante. Ento impregnaro a atmosfera do mundo e o mesmo ar que respiramos dir em cada uma de suas pulsa寤es: 밫u s Isso. E o universo inteiro, com suas mirades de sis e luas, por meio de tudo o quanto fala, exclamar a uma s voz: 밫u s Isso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

밢 IDEAL DE UMA RELIGI홒 UNIVERSAL

(Como deve abarcar diferentes tipos de mentes e mtodos)

 

Swami Vivekananda

 

 

젨젨젨젨젨젨 At onde alcanam nossos sentidos e nossa faculdade imaginativa, achamos a a豫o e rea豫o de duas foras que, ao resistir-se mutuamente, engendram a perpetua variedade de fenmenos que nos rodeiam ou que ocupem nossa mente. No mundo externo, a a豫o destas foras opostas se expressa como atra豫o e repulso e como fora centrifuga e centrpeta, e no interno, como amor e dio, bem e mal. Afastamos umas coisas e atramos outras. Somos atrados por algumas coisas e afastados por outras. Sem razo alguma, nos sentimos muitas vezes atrados, por assim dizer, para certas pessoas e outras vezes experimentamos repulso. Isto evidente para todos e quanto mais elevado o campo de a豫o, tanto mais potente, tanto mais notvel a influncia dessas leis opostas.

젨젨젨젨젨젨 Sendo a religio o plano mais elevado do pensamento e a vida humana nele, observamos, em sua potncia mxima, a a豫o dessas duas foras. Da religio surgiu o amor mais intenso e o dio mais diablico que conheceu a humanidade. As mais nobres palavras de paz que o mundo jamais ouviu, foram pronunciadas por homens do plano religioso e as mais amargas acusa寤es que conheceu o universo, foram proferidas por homens religiosos. Quanto mais elevado o objeto de uma religio e quanto mais sutil sua organiza豫o, tanto mais notveis so suas atividades. Nenhum motivo humano fez derramar tanto sangue como a religio; nenhum outro fator, tampouco, fundou tantos hospitais e asilos para pobres; nem cuidou e protegeu na mesma forma no somente o ser humano, mas tambm aos animais. Nada nos torna to cruis como a religio, nem nada to ternos quanto ela. Assim aconteceu no passado e com toda a probabilidade, acontecer tambm no futuro. Contudo surgem, de vez em quando, potentes vozes que, oprimindo o clamor de lutas e contendas de dio e inveja entre religies e seitas, conseguem fazer-se ouvir de um a outro plo e proclamam a paz e a harmonia. Reinaro estas, algum dia?

젨젨젨젨젨젨 Pode chegar a reinar uma completa harmonia neste plano de poderosa luta religiosa? Ao final deste sculo, o mundo se sente preocupado pelo problema da harmonia; a sociedade prope novos projetos e intenta realiza-los, mas bem sabemos o quanto difcil converte-los em realidade. As pessoas descobrem que quase impossvel mitigar a fria da luta pela vida, suavizar a tremenda tenso nervosa latente no homem. Agora, se to difcil alcanar a paz e a harmonia no plano fsico da vida seu aspecto externo, tangvel e corporal mil vezes mais difcil ser conseguir que a paz e a harmonia reinem na natureza interna do homem. Quisera pedir-vos que, durante uns instantes, procureis evadir-se da rede das palavras. Desde nossa infncia temos ouvido falar de amor, paz, caridade, igualdade e fraternidade universais; mas estas palavras carecem de sentido para ns; as repetimos como papagaios e at nos parece lgico que assim seja. No podemos evitar.

젨젨젨젨젨젨 As pessoas quem primeiro sentiram brotar em seus cora寤es to magnos conceitos, originaram estas palavras. Naquele tempo, muitos compreendiam seu significado; mas mais adiante, os ignorantes as adotaram para entreter-se com elas, fazendo da religio um mero jogo de vocbulos. Assim, esta deixou de ser algo que deve se praticar, para converter-se na 뱑eligio de meu pai, 밶 religio de nossa ptria, 밶 religio de nosso pas e assim sucessivamente. Ao professar uma religio qualquer, tornou-se uma simples fase do patriotismo e o patriotismo sempre parcial. No se pode conseguir facilmente a harmonia das religies; no entanto, estudemos este problema.

젨젨젨젨젨젨 Vimos que cada religio consta de trs partes (me refiro a todas as grandes religies conhecidas). A primeira, a filosofia, representa o alcance total dessa religio, estabelecendo seus princpios bsicos, a meta e os meios de alcana-la. A segunda, a mitologia, a filosofia concretizada; consiste de leituras relativas as vidas de homens e de seres sobrenaturais. A terceira, de ritos e cerimnias; diversas atitudes e posturas, flores e incenso e muitas outras coisas que atraem aos sentidos. Nisto consiste o ritual.

젨젨젨젨젨젨 Observamos que todas as religies reconhecidas possuem esses trs elementos e que algumas do mais importncia a um deles e outras, de outro.

젨젨젨젨젨젨 Consideremos, agora, a primeira parte, a filosofia. Existe uma filosofia universal? Todavia no. Cada religio apresenta suas prprias doutrinas e insiste em que so as nicas verdadeiras e no contente com isso, afirma que quem no cr nisso, ir para certos lugares horrveis. H quem chega a desembainhar a espada para obrigar a todos a crerem como ele. Isto no se deve a maldade, mas a uma enfermidade particular do crebro humano, denominada fanatismo. Os fanticos so muito sinceros, os seres humanos mais sinceros, mas so to irresponsveis como qualquer luntico. Esta enfermidade do fanatismo uma das mais perigosas, pois desperta toda a maldade da natureza humana, excita a ira, exacerba os nervos e convertem em tigres os seres humanos.

젨젨젨젨젨젨 Existe alguma semelhana ou harmonia entre as mitologias e as diversas religies? H alguma mitologia universal que seja aceita por todos? No, certamente. Cada uma possui sua prpria mitologia e diz: 밠eus relatos no so simples mitos. Tratemos de compreender o problema, ilustrando-o no pretendo censurar religio alguma. S desejo ilustrar.

젨젨젨젨젨 Os cristos crem que Deus assumiu a forma de uma pomba e desceu terra; para eles isto historia, no mitologia. O hindu cr que Deus se manifesta na vaca. Os cristos chamam a esta crena de simples mitologia; dizem que supersti豫o e no um feito histrico. Opinam os judeus que se fabricarem uma caixa ou arca com um anjo de cada lado, podem coloca-la em um santurio e ser sagrada para Jeov; mas se vem uma formosa imagem sagrada com forma humana, exclamam: 밇ste um smbolo horrvel, desprezvel!. Tal nossa unidade na mitologia! Se um homem se levanta e afirma: 밠eu profeta fez tal e qual coisa maravilhosa, outros diro: 밒sso s supersti豫o, mas ao mesmo tempo, dizem que seu profeta fez coisas at mais maravilhosas, que sustentam serem histricas. Nada conhecido, at agora, capaz de descobrir a sutil distin豫o que esses crebros estabelecem entre a historia e a mitologia. Todas essas histrias, seja qual for a religio a que pertencem, as verdadeiramente mitolgicas, talvez estejam mescladas ocasionalmente com um pouco de histria.

젨젨젨젨젨젨 Logo vieram os rituais. Uma seita possui uma forma particular de ritual, o considera sagrado e julga que os rituais de outras seitas constituem grotescas supersti寤es. Se uma seita adora uma espcie peculiar de smbolo, outra diz: 밢h, horrvel!. Tomemos como exemplo uma forma geral de smbolo. O falo certamente um smbolo sexual, mas este aspecto gradualmente tem sido esquecido e agora simboliza o Criador. As na寤es que o tm como smbolo, nunca pensam nele como falo, seno simplesmente como smbolo. Mas um indivduo de outra raa ou credo, s v o falo e o condena; contudo, ao mesmo tempo pode estar fazendo algo que, aos chamados adoradores flicos, parece horripilante.

젨젨젨젨젨젨 Tomarei dois pontos para ilustra豫o: o smbolo do falo e o sacramento dos cristos. Para os cristos o falo horrvel; para os hindus o o sacramento cristo, pois dizem que matar um homem, comer sua carne e beber seu sangue, canibalismo. Isto o que fazem algumas tribos selvagens; quando julgam um guerreiro valente, o matam e devoram seu cora豫o, porque pensam que isso lhes trar as qualidades de coragem e bravura daquele que as possua. Admito at que um devoto como Sir John Lubbock sustente que esse smbolo cristo provm daquele costume selvagem. No admitem tal teoria os cristos, por certo, nem pensam jamais no que pode implicar esse smbolo. Representa, para eles, uma idia sagrada e no querem saber mais. De modo que nem nos rituais existe um smbolo universal que merea aceita豫o geral.

젨젨젨젨젨젨 Onde achar, ento, a universalidade? Como conseguir uma forma universal de religio? No entanto, j existe. Vejamos em que consiste.

젨젨젨젨젨젨 Todos temos ouvido falar da fraternidade universal e de como surgem as sociedades para prega-la. Recordo uma velha histria. Na ndia se considera muito mal beber vinho. Havia os irmos que uma noite quiseram beber vinho em segredo enquanto seu tio, um homem muito ortodoxo, estava dormindo em um quarto contguo. Antes de comear a beber, disseram: 밎uardemos silncio para que nosso tio no desperte. Enquanto bebiam, continuavam repetindo uns aos outros: 밪ilncio, nosso tio vai despertar! e cada qual tratava de calar a voz do outro, gritando com mais fora. O ltimo acordou o tio que levantou e os surpreendeu. Agora, todos gritamos como esses brios: 밊raternidade universal! Todos somos iguais; portanto, formemos uma seita. To logo como se forma uma seita, se protesta contra a igualdade e a igualdade deixa de existir. Os maometanos falam de fraternidade universal, mas que h disso, na realidade? Que todos os que no sejam maometanos no tero admisso na irmandade e o mais provvel, se a mo vem, a que degola. Os cristos tambm falam de fraternidade universal, mas os que no so cristos iro parar num lugar onde assar eternamente.

젨젨젨젨젨젨 E assim ocorre neste mundo quando buscamos a fraternidade e igualdade universais. Quando ouvistes essas palavras, rogo-lhes que sejais mais cautelosos e tenhais cuidado, porque todo esse palavreado oculta o mais intenso egosmo. 밡o inverno aparece, s vezes, uma nuvem carregada de tormenta; troveja continuamente, porm, no chove; mas na esta豫o chuvosa as nuvens no se deixam ouvir, mas inundam toda a terra. Da mesma maneira, aqueles que so realmente trabalhadores e sentem realmente, de cora豫o, a fraternidade universal do homem, no falam muito, no formam pequenas seitas em prol da fraternidade universal; mas seus atos, movimentos, sua vida toda, demonstram claramente que possuem, na verdade, o sentimento de fraternidade para a humanidade e que sentem amor e simpatia para com todos. No falam; fazem e vivem. No mundo abunda demasiada fanfarronice. Necessitamos de mais trabalho eficiente e menos falatrio.

젨젨젨젨젨젨 Estamos vendo o quanto difcil achar caractersticas universais e, contudo, sabemos que existem. Todos ns somos seres humanos, mas somos todos iguais? No, com certeza. Quem disse que somos iguais? Somente os loucos. So acaso idnticos nossos crebros, nossas foras, nossos corpos? Um homem mais forte que o outro; um possui mais potencialidade mental que outro. Se todos fssemos iguais, por que existe esta desigualdade? Quem a fez? Ns. Porque possumos mais ou menos poderes, mais ou menos crebro, mais ou menos fora fsica, estabelecemos diferenas entre ns.

젨젨젨젨젨젨 Sabemos, no entanto, quo querida nos a doutrina da igualdade. Todos somos seres humanos, mas uns so homens e outros so mulheres. Aqui h um negro, ali um branco, mas todos pertencem a uma mesma humanidade. Nossos rostos so distintos, no vejo dois iguais; no entanto somos todos seres humanos. Onde est esta nica humanidade? Vejo homens e mulheres, ruivos e morenos e contemplando todos esses rostos, sei que existe uma humanidade abstrata comum a todos eles. Posso no encontra-la quando trato de peg-la, de senti-la e de materializa-la. Contudo, decerto sei que est ali. Se estou completamente seguro de algo, de que esta humanidade comum a todos. Mediante esta abstra豫o, os vejo como homem ou mulher. Assim sucede com esta religio universal que corre atravs de todas as religies do mundo na forma de Deus; que deve existir e existe por toda a eternidade. 밇u sou o fio que passa atravs de todas estas prolas. Cada prola uma religio ou algumas seitas, e o Senhor o fio que as atravessa todas; s que a maior parte da humanidade inconsciente disso.

젨젨젨젨젨젨 Unidade na variedade o plano do universo. Todos somos homens e, no entanto, somos distintos uns dos outros. Como parte da humanidade, sou um de vs, e como o senhor Fulano de Tal, sou diferente. Como homens, sois diferentes da mulher, mas como seres humanos, sois idnticos a ela. Como homens, estais separados do animal, mas como seres vivos, homem, mulher, animal e planta, todos sois uno, e como existncia sois uno com todo o universo. Essa existncia universal Deus, a unidade final no universo. Nele, todos somos um. Ao mesmo tempo, sempre devero existir estas diferenas na manifesta豫o. Em nosso trabalho, em nossas energias, estas diferenas, tal como se manifestam no exterior, devem perdurar eternamente. Por conseguinte, se a religio universal significa que a humanidade inteira deve acreditar em um s grupo de doutrinas, isso completamente impossvel.

젨젨젨젨젨젨 Na pode ocorrer tal coisa, nem chegar jamais o dia em que todos os rostos sejam iguais. Assim, pois, tambm impossvel que exista uma mitologia universal, nem um ritual universal. Tal estado de coisas nunca pode chegar a existir; se alguma vez acontecer, o mundo seria destrudo, porque a variedade o primeiro princpio da vida. Que faz de ns seres com formas? As diferenas. O equilbrio perfeito significaria nossa destrui豫o. Suponha que a quantidade de calor que h nesta sala, cuja tendncia para a difuso igual e perfeita, alcanasse tal difuso, esse calor praticamente deixaria de existir. A que se deve o movimento do universo? Ao desequilbrio. A uniformidade de uma igualdade absoluta s pode produzir-se mediante a destrui豫o do universo; de outro modo impossvel. No s isso, seno que seria perigoso t-la. No devemos desejar que todos pensemos do mesmo modo. Ento no haveria em qu pensar. Todos seriamos idnticos, como as mmias egpcias em um museu, olhando-nos uns aos outros e sem ter em que pensar, justamente esta diferena, esta diferencia豫o, esta perda de equilbrio entre ns, constitui a alma de nosso progresso e de todos nossos pensamentos. Isto deve ser sempre assim.

젨젨젨젨젨젨 Que quero dizer, ento, ao me referir ao ideal de uma religio universal? No pretendo significar alguma filosofia ou ritual universal, igualmente sustentados por todos, porque sei que este mundo, esta intrincada mquina, supercomplexa e assombrosa, deve seguir funcionando com todas suas engrenagens. Ento, que ns podemos fazer? Podemos marchar suavemente, diminuir a fric豫o, lubrificar as engrenagens, por assim dizer. Como? Reconhecendo a necessidade natural da varia豫o. Devemos aprender que a verdade pode ser expressa de cem mil maneiras e que cada uma delas certa, at certo ponto. Devemos aprender que a mesma coisa pode ser vista de cem pontos de vista diferente e continuar sendo, contudo, a mesma coisa.

젨젨젨젨젨젨 Tomemos o sol como exemplo. Suponhais que um homem olha o sol da terra, quando se levanta pela manh; v uma grande esfera. Imaginais que comea uma viagem para o sol e leva consigo uma mquina fotogrfica, tirando fotografias em cada etapa de sua viagem at que chega ao sol. As fotografias sero distintas umas das outras; quando regressar, parecer que traz fotografias de outros tantos sis e, contudo, sabemos que foi o mesmo sol o fotografado nas diferentes etapas da viagem.

젨젨젨젨젨젨 Assim acontece com o Senhor. Seja por meio da alta ou baixa filosofia, por meio da mais exaltada ou da mais tosca mitologia, mediante o mais refinado ritualismo ou o mais notrio fetichismo, toda seita, toda alma, toda na豫o, consciente ou inconscientemente, luta por elevar-se para Deus; quanta viso da verdade alcana o homem, uma viso Dele e de ningum mais.

젨젨젨젨젨젨 Suponhais que vamos todos para um lago levando vasilhas para buscar gua. Um leva uma taa, outro jarra, outro um cubo e assim sucessivamente e enchemos nossos recipientes. A gua, em cada caso, toma naturalmente a forma do recipiente. O que traz a taa, leva a gua em forma de taa, a gua da jarra adquire a forma de jarra e assim sucessivamente; mas em cada caso somente gua o que h na vasilha. Assim acontece no caso da religio; nossas mentes se parecem com estas vasilhas e cada um de ns procura realizar Deus. Deus como a gua que enche nossas distintas vasilhas e em cada uma delas, a viso de Deus adquire a forma da vasilha. No entanto, Ele Uno, Deus em cada caso. Tal nossa nica possibilidade de reconhecer a universalidade.

젨젨젨젨젨젨 At aqui tudo marcha bem teoricamente, mas existe algum modo de resolver praticamente esta harmonia das religies? Aceitar como verdadeiros os diversos conceitos das religies, coisa antiq茴ssima. Na ndia, am Alexandria, na Europa, na China, no Japo, no Tibet e ultimamente na Amrica, tem-se efetuado centenas de tentativas para formular um credo religioso harmonioso, para conseguir com que todas as religies se unam no amor. Todas fracassaram porque no adotaram nenhum plano prtico. Mesmo quem admitiu que todas as religies do mundo esto certas, no ensinaram um modo prtico de uni-las, de modo a que cada uma possa manter sua prpria individualidade.

젨젨젨젨젨젨 S resulta prtico o plano que no destri a individualidade de nenhum homem na religio e, ao mesmo tempo, lhe mostra um ponto de unio com as demais. Mas at agora todos os planos de harmonia religiosa que se ensaiou, enquanto propunham admitir todas as diferentes fases da religio, trataram na prtica de reduzi-las a umas poucas doutrinas produzindo, assim, mais seitas novas que se combatem, lutam e arremetem-se umas contra as outras.

젨젨젨젨젨젨 Eu tambm tenho meu pequeno plano. No sei se resultar eficaz. Quero exp-lo para discuti-lo. Em que consiste?

젨젨젨젨젨젨 Em primeiro lugar eu pediria a humanidade que reconhecesse a seguinte mxima: 밡o destruirs. Os reformadores iconoclastas no fazem bem algum ao mundo. No destruirs, no derrubars nada, construs. Ajudai se podeis; se no podeis, cruzeis os braos e contempleis as coisas que acontecem. Quando menos no causeis dano, se no podeis prestar ajuda. No contradigais opinies, se so sinceras.

젨젨젨젨젨젨 Logo, tomais o homem onde est e desde ali, o impulsionais para cima. Se for verdade que Deus o centro de todas as religies e que cada um de ns avana para Ele ao longo de um destes raios, por fora devemos todos alcanar este centro. Quando chegarmos ali, a esse ponto onde convergem todos os raios, cessaram nossas diferenas, mas at ento, devem subsistir. Todos os raios convergem ao mesmo centro. Segundo sua natureza, um viaja por uma dessas linhas e outros por outra e se todos avanamos seguindo nossa prpria linha, chegaremos seguramente ao centro porque: 밫odos os caminhos levam a Roma.

젨젨젨젨젨젨 Cada um de ns cresce e se desenvolve de acordo com sua prpria natureza; cada qual chegar a seu tempo a conhecer a verdade mais elevada, porque depois de tudo, os homens devem ser seus prprios mestres. Que podemos fazer, vs e eu? Vs credes serem capazes de ensinar sequer a uma criana? No podeis. A criana ensina a si mesmo. Vosso dever consiste em proporcionar oportunidades e eliminar obstculos. Uma planta cresce. Sois acaso vs quem as fazes crescer? Vosso dever consiste em protege-la com algum cercado para que nenhum animal a coma. A termina vosso dever. A planta cresce por si mesma. O mesmo acontece quando se refere ao desenvolvimento espiritual de cada ser humano. Ningum pode ensina-los, ningum pode fazer de vs homens espirituais, tereis que ensinar a vs mesmos, vosso crescimento deve vir e dentro.

젨젨젨젨젨젨 Que pode fazer um mestre externo? Tirar alguns obstculos; a termina seu dever. Portanto, ajudais se podeis, mas no destruais. Abandona toda idia de que vs podeis tornar os homens espirituais. Isso impossvel. Tereis um s mestre; vossa prpria alma. A reconheceis. Que ocorrer, ento? Na sociedade vemos muitas naturezas diferentes, milhares e milhares de variedades de mentes e inclina寤es. impossvel uma generaliza豫o cabal de todas elas, mas para nossos fins prticos, no basta subdividi-las em quatro classes.

젨젨젨젨젨젨 Primeiro est o homem ativo, o trabalhador; deseja trabalhar e possui tremenda energia em seus nervos e msculos. Seu objetivo trabalhar; construir hospitais, fazer obras caritativas, abrir ruas, planejar e organizar.

젨젨젨젨젨젨 Depois existe o homem emotivo, que a ma excessivamente o sublime e o formoso; o deleita pensar na beleza, gozar da esttica da natureza e adorar o Amor e o Deus do Amor. Ama de todo cora豫o as grandes almas e as encarna寤es terrenas e Deus; no lhe importa que a razo possa no comprovar a existncia de Cristo ou de Buda; tampouco se preocupa as a data exata em que se pregou o Sermo da Montanha ou o momento exato do nascimento de Krishna; lhe interessa as personalidades, suas figuras, dignas de serem amadas. Tal sua idia. Esta a natureza do amante, o homem emotivo.

젨젨젨젨젨젨 Depois est o mstico, cuja mente quer analisar seu prprio eu, compreender o funcionamento da mente humana, quais so as foras que trabalham dentro e como conhece-las, manipula-las e controla-las, esta a mente mstica.

젨젨젨젨젨젨

 

Em seguida est o filsofo, que quer pesar tudo e usar o intelecto at mais alm do alcance da filosofia humana.

젨젨젨젨젨젨 Agora, uma religio, para satisfazer a maioria da humanidade, deve ser capaz de ministrar alimento a todos estes diferentes tipos de mentes e quando falta essa capacidade, as seitas existentes se tornam unilaterais. Supondes que recorreis a uma seita que predica o amor e a emo豫o. Seus fiis cantam, choram e pregam o amor; mas apenas lhes diz: 밃migos meus, est muito bem, mas eu quero algo mais forte que isso, um pouco de razo e de filosofia; desejo compreender as coisas passo a passo e mais racionalmente. 밨etira-os, os respondem, e s isso, pois se pudessem, os enviariam a outro lugar. O resultado que aquela seita s pode ajudar as pessoas de um tipo de mente emocional; no s no ajudam aos demais, mas que procuram destru-los e, pior ainda, no crem em sua sinceridade.

젨젨젨젨젨젨 Assim mesmo h filsofos que falam da sabedoria da ndia e do oriente e empregam grandes termos psicolgicos de cinqenta silabas de extenso, mas se um homem comum como eu acorre a um deles e lhe pergunta: 밣ode dizer-me algo para fazer-me espiritual?, a primeira coisa que far ser sorrir e responder: 밪eu intelecto muito inferior ao nosso; que tu podes compreender de espiritualidade?. Estes so filsofos envaidecidos. Limitam-se a mostrar-nos a porta.

젨젨젨젨젨젨 Em seguida esto as seitas msticas que dizem toda espcie de coisas sobre os diferentes planos de existncia, dos diversos estados mentais, do que pode fazer o poder da mente, etc., e se sois um homem comum e disser: 밠ostre-me algo bom que possa eu fazer, no sou muito aficionado pela especula豫o, podeis oferecer-me algo que seja apropriado?. Esses sectrios sorriro e diro: 밇scuta a este tolo; no sabe nada, sua existncia intil. E assim acontece por onde quer que se busque. Gostaria de conseguir partidrios estritos de todas estas seitas, encerra-los em um quarto e fotografar seus belos sorrisos de escrnio!

젨젨젨젨젨젨 Em tais condi寤es se acham atualmente a religio e as coisas. O que desejo difundir uma religio igualmente aceitvel a todas as mentes; eqitativamente emocional, mstica, filosfica e igualmente condizente aceita豫o. Se professores chegam dos colgios, homens de cincia e fsicos, buscariam a razo; que tenham quantas queiram. Haver um ponto mais alm do qual pensaro que no podem ir sem romper com a razo. Diro: 밇stas idias de Deus e da salva豫o so supersti寤es; abandone-as. Eu lhes respondo: 밪enhor filsofo, vosso corpo uma supersti豫o maior, abandone-o, no vades a vossa casa para comer ou a vossa ctedra de filosofia. Abandoneis o corpo e se no podeis, desistais. A religio deve poder mostrar como realizar a filosofia que nos ensina que este mundo uno e que s h Uma Existncia no universo.

젨젨젨젨젨젨 Da mesma maneira, se vem o mstico, devemos acolhe-lo, estar prontos a apresenta-lhe a cincia da anlise mental e demonstra-la praticamente ante ele.

젨젨젨젨젨젨 Se acorrerem pessoas emotivas, devemos nos sentar, chorar e rir com elas o nome do Senhor; 밷eber da taa do amor e enlouquecer.

젨젨젨젨젨젨 Se chegar o trabalhador enrgico, devemos trabalhar com ele com toda a energia que possumos. E esta combina豫o ser o ideal do que mais se aproxima a uma religio universal.

젨젨젨젨젨젨 Rogaria a Deus que todos os homens estivessem constitudos de tal modo, que suas mentes tivessem por igual todos esses elementos: filosofia, misticismo, emo豫o e trabalho.

젨젨젨젨젨젨 Esse o ideal, o meu ideal de homem perfeito. Considero como 뱔nilaterais todos aqueles que possuem s um ou dois destes elementos de carter e este mundo est quase cheio de 밾omens unilaterais, que no conhecem seno esse nico caminho que percorrem e que julgam perigosa e horrvel qualquer outra coisa.

젨젨젨젨젨젨 Meu ideal de religio consiste em alcanar o harmonioso equilbrio entre as quatro tendncias, o qual se obtm mediante o que denominamos na ndia de yoga: unio. Para o trabalhador, a unio entre os homens e a humanidade inteira; para o mstico, entre seu eu inferior e seu Eu Superior; para o amante, a unio entre ele e o Deus do Amor e para o filsofo, a unio de toda existncia. Isto o que significa o termo yoga e essas quatro tendncias do yoga tem diferentes denomina寤es em snscrito. A quem busca tal espcie de unio, se chama yogui; o trabalhador o karma-yogui; o que busca a unio pelo amor o bhakti-yogui; o que a busca por meio da filosofia o jnana-yogui. De maneira que o vocbulo yogui os abarca a todos.

젨젨젨젨젨젨 Ante tudo, consideremos o raja-yoga. Em que consiste o raja-yoga, o controle da mente? Neste pas associam toda classe de coisas fantsticas palavra yoga. Devo, pois, comear por dizer que nenhuma rela豫o tem com tais coisas. Nenhum s desses yogas renuncia razo; ningum pede que vos deixeis enganar ou que entregueis vossa razo em mos de sacerdotes de qualquer classe, nem exige que rendais homenagens a algum mensageiro sobre-humano. Cada yoga repete a vs que vos aferreis a vossa razo com todas as vossas foras.

젨젨젨젨젨젨 Achamos, em todos os seres, trs classes de instrumentos de conhecimento. O primeiro, o instinto, se acha muito desenvolvido nos animais e constitui o instrumento inferior. Qual o segundo? A razo, que acha seu mximo desenvolvimento no homem. Agora, em primeiro lugar, o instinto resulta um instrumento inadequado; os animais tm uma esfera de a豫o limitadssima, dentro da qual atua o instinto. Quando chega ao homem, vereis que o instinto evoluiu amplamente, transformando-se em razo. Tambm a esfera de a豫o se ampliou aqui. No entanto, at a razo torna-se insuficiente; avana um curto trecho e logo se detm, no pode ir adiante e se tratas de faze-la adiantar-se aos empurres, obters uma irremedivel confuso; a razo mesma se torna irracional. A lgica chega a ser um argumento em um crculo vicioso. Tomemos, como exemplo, a base de nossa percep豫o, a matria e a fora. Que a matria? Aquilo sobre o qual atua a fora. E a fora: aquela que atua sobre a matria. J vistes a complica豫o. Os lgicos chamam a isso 밷alancim, uma idia que depende de outra e esta, por sua vez, depende daquela. Coloca-se, ante a razo, uma altssima barreira que no pode ser transposta, apesar de suas ansiedades por penetrar o Infinito Mais Alm.

젨젨젨젨젨젨 Este mundo, este universo que nossos sentidos percebem ou que concebe nossa mente , por assim dizer, s um tomo do infinito projetado no plano da conscincia e dentro desse estreito limite, circunscrito pela rede da conscincia, atua nossa razo, que nos chega mais alm. Portanto, deve existir outro instrumento para nos levar mais alm e esse instrumento chamado inspira豫o. Assim, pois, instinto, razo e inspira豫o so os trs elementos do conhecimento.

젨젨젨젨젨젨 O instinto pertence aos animais, a razo aos homens e a inspira豫o aos homens-deuses. Mas em todos os seres humanos se encontram, mais ou menos desenvolvidos, os germes destes trs instrumentos do conhecimento. Para que evoluam os trs instrumentos mentais, devem estar ali os germes. Tambm se deve recordar que cada um desses instrumentos o desenvolvimento do outro, logo no o contradiz.

젨젨젨젨젨젨 A razo evolui transformando-se em inspira豫o e, conseqentemente, esta no contradiz a razo, mas constitui sua culmina豫o.

젨젨젨젨젨젨 A inspira豫o traz luz coisas que a razo no pode alcanar e que no a contradiz. A velhice no uma contradi豫o da infncia, mas sua culmina豫o. Lembreis, pois, sempre, o perigo que resulta confundir a forma inferior de instrumento com a superior. Muitas vezes o instinto apresentado ante o mundo como inspira豫o e ento, sobrevm as pretenses impuras pelo dom de profecia. Um louco ou semilouco acredita que a confuso produzida em seu crebro inspira豫o e deseja que os homens o sigam. Os desatinos mais irracionais e contraditrios que foram pregados no mundo so, simplesmente, o jargo instintivo de confusos crebros dementes, que trata de passar por linguagem de inspira豫o.

젨젨젨젨젨젨 A primeira prova do verdadeiro ensinamento deve ser que no contradiga a razo. E podereis ver que essa a base de todos estes yogas.

젨젨젨젨젨젨 Tomemos a raja-yoga, o yoga psicolgico, o caminho psicolgico para a unio. um tema vasto e s posso assinalar agora a idia central deste yoga. S temos um mtodo de adquirir o conhecimento. Desde o homem mais inferior ao yogui mais elevado, todos devem usar o mesmo mtodo, que a concentra豫o. O qumico que trabalha em seu laboratrio, concentra todos os poderes de sua mente, os rene em um s ponto e os projeta sobre os elementos; analisa os elementos e assim adquire seu conhecimento. O astrnomo tambm concentra sua potencialidade mental, a rene em um ponto e a projeta sobre os objetos por meio de seu telescpio; as estrelas e os sistemas passam ante sua vista e lhe revelam sus segredos. O mesmo acontece em cada caso; com o professor em sua ctedra, o estudante com seus livros e todo homem que tem o af de saber. Vs me estais olhando e se minhas palavras os interessa, vossa mente se concentrar nelas; suponhamos, ento, que um relgio d a hora, no o ouvireis por causa dessa concentra豫o e quanto mais concentrreis vossas mentes, melhor me compreendereis. Quanto mais eu concentrar meu amor e meus poderes, mais expresso poderei dar ao que quero comunicar. Quanto maior o poder de concentra豫o, mais conhecimento se adquire, porque este o nico mtodo de adquirir conhecimento. At o mais humilde engraxate, ao se concentrar mais, lustrar melhor os sapatos; o cozinheiro que se concentra, cozinhar muito melhor. Quanto mais intenso o poder de concentra豫o, melhor resultado se obter; seja em ganhar dinheiro, em adorar a Deus ou e fazer qualquer coisa. Este o nico chamado, o nico golpe que abre as portas da natureza e faz sair torrentes de luz. Este, o poder de concentra豫o, a nica chave do tesouro do conhecimento. No estado atual nosso corpo se acha muito perturbado e a mente desperdia suas energias em cem coisas distintas. To logo trato de acalmar meus pensamentos e concentrar minha mente em qualquer objeto de conhecimento, milhares de impulsos indesejados se precipitam no crebro, milhares de pensamentos acontecem na mente e a perturba. O raja-yoga estuda o mtodo de refrear e controlar a mente.

젨젨젨젨젨젨 Passemos ao karma-yoga, que consiste em alcanar a Deus por meio do trabalho. H, evidentemente, na sociedade, muitas pessoas que parecem nascidas para uma outra espcie de atividade, cuja mente no pode concentrar-se no plano do pensamento, unicamente e que s tem uma idia, a qual se concentra em trabalho visvel e tangvel. Deve existir, tambm, uma cincia para esta espcie de vida. Cada um de ns est ocupado em algum trabalho, mas a maioria desperdia grande parte de suas energias porque no conhecem o segredo do trabalho. O karma-yoga explica este segredo e ensina como e quando trabalhar, aproveitando do melhor modo nossas energias. Mas ao analisar este segredo, tambm devemos considerar a grande obje豫o que se faz ao trabalho; que causa dor. O sofrimento e a pena provm do apego. Quero trabalhar, desejo fazer o bem a um ser humano e h noventa probabilidades contra uma de que o ser humano a quem ajude seja ingrato, atue contra meus interesses e me cause dor. Tais fatos desanimam o desejo de trabalhar da humanidade e o temor da dor e do padecimento afasta uma boa parte do trabalho e da energia.

젨젨젨젨젨젨 Karma-yoga no ensina como trabalhar por amor ao trabalho, desapegados, sem nos preocuparmos por saber a quem, nem porque ajudamos. O karma-yoga trabalha porque tal sua natureza, porque sente que ao faze-lo, bom para ele e sem nenhum outro propsito. Atua no mundo como doador e jamais deseja receber; sabe que est dando e como nada pede em troca, evita as garras da infelicidade. Cada vez que sentimos o pancada da dor, sua causa irradia uma rea豫o de 밶pego.

젨젨젨젨젨젨 Para o tipo emotivo, o amante, tem o bhakti-yoga. Quem amar a Deus, emprega e confia em toda a espcie de rituais, flores, incenso, formosos edifcios, formas e coisas semelhantes. Pretendeis que estejas equivocado? Pois vos darei um dado que convm a vs lembrar especialmente aqui, neste pas; os gigantes espirituais do mundo surgiram somente dessas seitas religiosas e que possuam uma mitologia e rituais muito ricos. As seitas que intentaram adorar a Deus sem imagens nem cerimnias esmagaram sem piedade tudo o quanto de formoso e sublime h na religio. No melhor dos casos, sua religio apenas resulta em fanatismo, algo rido, como testemunha permanentemente historia do mundo. Portanto, no denigrais estes rituais e mitologias. Que as pessoas os tenham; que os tenham quem assim o desejar. No exibais o indigno sorriso de mofa, nem digais: 밪o tolos que fazem o que lhes parea. Porque no certo; os homens maiores que vi em minha vida, os de espiritualidade mais maravilhosamente desenvolvida, passaram todos pelas disciplinas dos rituais; no me considero digno de deitar-me a seus ps e como hei de critica-los! Como sei de que modo atua estas idias sobre a mente humana, qual delas hei de aceitar e qual afastar? Estamos propensos a criticar tudo sem autoridade suficiente. Deixais que as pessoas tenham toda a mitologia que queiram, com suas formosas inspira寤es; lembrais que a natureza emocional no se preocupa com as defini寤es abstratas da verdade. Deus para elas algo tangvel, a nica coisa real. O sentem, O ouvem, O vem e O amam. Que tenham seu Deus. Vosso racionalista lhes parece o louco que quando viu uma formosa esttua, quis quebr-la para descobrir de que material era feita.

젨젨젨젨젨젨 O bhakti-yoga vos ensina como amar sem motivo ulterior, amando a Deus e amando o bom, porque bom fazer assim, no por ir ao cu nem para ter filhos, riqueza ou qualquer outra coisa. Ensina-lhe que o amor em si a mais elevada recompensa do amor que Deus mesmo amor. Ensina-lhes a render toda espcie de tributos a Deus como Criador, Onipresente, Onisapiente, Todo-poderoso, Pai e Me. No teremos frase mais elevada para expressa-lo, nem podemos formar Dele conceito mais alto do que lhe dizendo: 밆eus do Amor. Onde quer que haja amor, esse amor Ele. 밢nde quer que haja algo de amor, est Ele, se acha presente o Senhor. Quando o marido beija a mulher, Ele est no beijo; quando a me beija o filho, Ele est no beijo; quando os amigos se apertam as mos, Ele, o Senhor se acha presente como Deus do Amor. Quando um grande homem ama e deseja ajudar a humanidade, Ele est ali pregando Sua merc por amor a humanidade. Onde quer que o cora豫o se expanda, ali se manifesta Ele. Isto o que ensina bhakti-yoga.

젨젨젨젨젨젨 Chegamos finalmente ao jnana-yogui, o filsofo, o pensador, o que quer ir mais alem do visvel, pois no est satisfeito com as pequenezas deste mundo. Deseja transcender a diria rotina do comer e de beber; no podem satisfazer-lhe nem os ensinamentos de mil livros, nem as cincias todas, pois em suma lhes descrevem e representam este mundo insignificante. Que outra coisa poderia dar-lhe satisfa豫o? Os milhes de sistemas solares s significam para ele uma gota no oceano da existncia. Sua alma ambiciona transcender tudo isso e adentrar-se no cora豫o do ser, vendo a Realidade tal e qual , interpretando-a, vivendo-a, unificando-se com o Ser Universal. Tal o filsofo e considera expresso inadequada dizer que Deus o Pai ou a Me, o Criador deste universo, seu Protetor e Guia. Para ele, Deus a vida de sua vida, a Alma de sua alma. Deus o seu prprio Ser. No fica mais que Deus. Todas as suas partes mortais so pulverizadas pelos pesados golpes da filosofia. O que verdadeiramente fica no fim, mesmo Deus.

젨젨젨젨젨젨 Na mesma rvore esto dois pssaros, um no alto e outro mais abaixo. O que se acha no alto permanece tranqilo, silencioso e majestoso, assumido em sua prpria glria; o que est nos ramos mais baixos, comendo alternativamente frutos doces e amargos, saltando de galho em galho, uma vez se sente feliz e outras, infeliz. Ao cabo de um tempo, o pssaro de baixo come um fruto excepcionalmente amargo e sente repugnncia, olha para cima e v o outro pssaro, esse maravilhoso pssaro de urea plumagem, que no come frutos doces nem amargos, que no feliz nem infeliz, que permanece tranqilo, concentrado em Si Mesmo, sem ver mais que seu Eu. O pssaro de baixo deseja essa condi豫o, mas logo esquece e de novo comea a comer os frutos. Pouco depois come outro excepcionalmente amargo, que o faz sentir-se infeliz, novamente olha para cima e trata de aproximar-se do pssaro do alto. Esquece uma vez mais e ao final de um tempo, olha para cima e assim prossegue uma e outra vez at chegar muito perto do formoso pssaro e v o reflexo da luz em sua plumagem que rodeia seu prprio corpo, sente uma mudana e parece desvanecer-se; chega, no entanto, mais perto, tudo ao seu redor se desvanece e por fim compreende esta mudana maravilhosa. O pssaro de baixo era, poderamos dizer, to somente a sombra substancial, o reflexo do mais acima; mas em sua essncia seguia sendo o pssaro situado no alto. Esse comer de frutos doces e amargos, esse pequeno pssaro de baixo chorando e feliz, alternativamente, era uma v quimera, um sonho; o pssaro real estava ali em cima. Sempre tranqilo e silencioso, glorioso e majestoso, mais alm do pesar, mais alm da dor.

젨젨젨젨젨젨 O pssaro superior Deus, o Senhor deste universo o pssaro inferior, a alma humana que come os frutos doces e amargos deste mundo. De vez em quando a alma recebe um forte golpe. Por um tempo cessa de comer, vai para o Deus desconhecido e lhe chega uma torrente de luz. Pensa que este mundo v aparncia. Contudo, de novo os sentidos o arrastam para baixo e comea, como antes, a comer os frutos doces e amargos do mundo. Novamente recebe um golpe excepcionalmente duro. Seu cora豫o volta a abrir-se luz divina; assim, gradualmente, aproxima-se de Deus e a medida em que se acha mais e mais perto, descobre que seu antigo eu se desvanece. Quando chega suficientemente perto, v que ele no seno Deus e exclama: 밃quele que eu descrevo como a vida deste universo, presente no tomo, nos sis e luas, Ele a base de nossa prpria vida, a Alma de nossa alma. Se tu s Aquele.

젨젨젨젨젨젨 Isto o que ensina jnana-yoga. Diz ao homem que essencialmente divino e que cada um de ns o Senhor Deus Mesmo, manifestado sobre a terra. Todos ns, desde o msero verme, que se arrasta sob nossos ps, at os seres mais elevados, a quem olhamos com reverncia e temor, todos somos manifesta寤es do mesmo Senhor.

젨젨젨젨젨젨 Finalmente, imperativo que estes diversos yogas sejam levados prtica; as meras teorias de nada servem. Primeiramente temos que nos inteirar disso e logo meditar nisso. Devemos racionalizar, grava-los em nossas mente, realiza-los, at que, por ltimo, se converta em nossa vida inteira. Deixar, ento, a religio, de ser um acmulo de idias e teorias ou uma simples afirma豫o intelectual e penetrar em nosso mesmssimo ser. Intelectualmente podemos aceitar hoje muitas tolices e mudar completamente de idia amanh. A verdadeira religio nunca muda. A religio realiza豫o, no falatrio, nem doutrina, nem teorias, por mais formosas que possam ser. Consiste em chegar a ser, no em ouvir e admitir; a alma inteira que se transforma em aquele que cr. Isso religio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

밅RISTO, O MENSAGEIRO

 

Swami Vivekananda

 

(Conferncia dada em Los Angeles, Califrnia, em 1900).

 

 

젨젨젨젨젨젨 Ao elevar-se a onda no oceano, se produz uma ondula豫o. Eleva-se outra onda, talvez maior que a anterior, para descer novamente e assim sucessivamente, as ondas se elevam e avanam. Na marcha dos sucessos observamos a ascenso e queda, mas geralmente nos fixamos na primeira e esquecemos a segunda. No entanto, ambos so necessrios e ambos so grandes. Tal a ndole do universo. Seja no mundo de nossos pensamentos, no de nossas rela寤es sociais ou em questes espirituais, se desenvolve a mesma alternativa de ascenso e queda. Portanto, os que predominam na marcha dos sucessos, os ideais liberais avanam primeiro para logo retroceder, para digeri-los, diramos, para ruminar sobre o passado, a fim de ajustar, conservar e acumular fora uma vez mais para outra ascenso maior.

젨젨젨젨젨젨 Na histria das na寤es tem ocorrido sempre o mesmo. A grande Alma, o Mensageiro, a quem estudaremos esta tarde, surgiu em um perodo da histria de sua raa que muito bem podemos designar como de uma grande queda. Possumos unicamente pequenos vislumbres, aqui e ali, de arquivos perdidos em que foram conservados suas sentenas e atos, porque acertadamente se dz que os fatos e ditos desta grande Alma cumularia o mundo se todos tivessem sido escritos. Os trs anos de seu ministrio equivaleram a uma poca inteira, condensada e concentrada, que foram necessrios dezenove sculos e quem sabe quanto tempo mais necessitar para expressar-se. Os pequenos homens como vs e eu, somos simplesmente depositrios de um pouco de energia. Uns poucos minutos, poucas horas, alguns anos, no melhor dos casos, so suficientes para esgota-la, para estica-la, poderamos dizer, at o mximo e ento desapareceramos para sempre. Mas nos fixemos neste gigante que veio: sculos transcorreram e, contudo, a energia que deixou no mundo no se estendeu nem esgotou de todo. Continua agregando novas foras, a medida em que o tempo passa.

젨젨젨젨젨젨 Agora, o que vedes na vida de Cristo a vida de todo o passado. A vida de cada homem , de certa maneira, a vida do passado. Vem por herana, pelo meio ambiente, pela educa豫o, por sua prpria reencarna豫o o passado, a raa. De certo modo, o passado da terra, o passado do mundo inteiro, est ali, em cada alma. Que somos no presente seno ondinhas flutuantes na corrente eterna dos sucessos, irresistivelmente empurradas para diante e incapazes de nos determos? Somos isso, vs e eu, s pequenas coisas, borbulhas. Mas h sempre algumas ondas gigantes no oceano dos acontecimentos; em vs e em mim, a vida da raa passada se encarnou s um pouco; mas h gigantes que encarnam, por assim dizer, quase todo o passado e estendem suas mos para o futuro. So as bandeiras que, aqui e ali, sinalizam a marcha da humanidade, so verdadeiramente gigantescos e suas sombras cobrem a terra, so imortais, eternos!

젨젨젨젨젨젨 Como disse o mesmo Mensageiro: 밡enhum homem viu Deus, jamais, seno por meio do Filho. Esta a verdade. E onde veremos Deus, seno no Filho? Certo que vs e eu e o mais pobre de ns, at o mais vil, temos dentro esse Deus, at o refletimos. A vibra豫o da luz est em todas as partes, onipresente; mas temos que acender a lmpada antes que possamos ver a luz. O Deus onipresente deste universo no pode ser visto enquanto no refletido pelas lmpadas gigantescas da terra: os profetas, os homens-deuses, as encarna寤es de Deus.

젨젨젨젨젨젨 Todos sabemos que Deus existe, no entanto no o vemos, nem o compreendemos. Consideremos a um destes grandes mensageiros de luz; comparemos seu carter com o ideal de Deus mais elevado que jamais os haveis formado e sabereis que vosso Deus fica muito abaixo do ideal e que a personalidade do Profeta est acima de vossas concep寤es. Nem sequer podeis conceber um ideal de Deus mais elevado do que de fato encarnam quem realizou na prtica e nos foram colocados como exemplo. , por conseguinte, errneo adora-los como Deus? acaso pecado prosternar-se aos ps destes homens-deuses e adora-los como os nicos seres divinos no mundo? Se eles esto realmente acima de todas as nossas concep寤es de Deus, que mal existe em adora-los? No s no h mal algum, seno que a nica maneira possvel e positiva de adora豫o. Por muito que o intenteis, seja por abstra豫o ou por qualquer mtodo que prefirais, enquanto permaneceres como homens no mundo dos homens, vosso mundo humano, vossa religio humana e vosso Deus humano. E assim tem que ser. Quem no suficientemente prtico para aceitar uma coisa existente e abandonar uma idia que s uma abstra豫o que no pode compreender e a qual difcil aproximar-se a no ser por um meio concreto? Por conseguinte, estas encarna寤es de Deus tm sido adoradas em todas as pocas e em todos os pases.

젨젨젨젨젨젨 Analisemos agora algo da vida de Cristo, a Encarna豫o dos judeus. Quando Cristo nasceu, os judeus se encontravam nesse estado que eu chamo de depresso entre duas ondas; um estado de conserva豫o, um estado em que a mente humana est, digamos assim, cansada, no momento, de ver-se empurrada para diante e s se preocupa com o quanto avanou; um estado em que a aten豫o se inclina ao particular, aos detalhes, mais que aos grandes, gerais e mais importantes problemas da vida; um estado de estancamento, mais que de avano; um estado de sofrimento, mais que de a豫o. Observais que no censuro tal estado de coisas. No temos o direito de critica-lo porque se no tivesse sido esta depresso, a seguinte ascenso, encarnada em Jesus de Nazar, teria sido impossvel. Os fariseus e os saduceus estavam carentes de sinceridade, pode ser que tivessem feito coisas que no deveriam fazer, at podem ter sido hipcritas; mas fosse o que fosse, esses fatores foram a causa real da qual o Mensageiro foi o efeito. Os fariseus e os saduceus, em um extremo, foram o verdadeiro impulso do qual resultou, no outro extremo, o gigantesco crebro de Jesus de Nazar.

젨젨젨젨젨젨 Podemos, s vezes, nos rirmos da aten豫o s formas, s formulas, aos detalhes cotidianos da religio e dos rituais; mas no obstante, neles est a fora. Com freq獪ncia, a pressa nos faz perder muita fora. Em realidade o fantico mais forte que o homem liberal. Portanto, at o fantico possui uma grande virtude, conserva a energia, uma tremenda quantidade dela. Igual como no individuo, a energia se acumula na raa para ser conservada. Rodeada totalmente por inimigos externos, obrigada a enfocar-se em um centro pelos romanos, pelas tendncias helnicas num mundo do intelecto, por vagalhes desde a Prsia, ndia e Alexandria; cercada fsica, mental e moralmente, a raa judia manteve sua tremenda fora, inerente e conservadora, que seus descendentes no perderam at os dias de hoje. A raa se viu obrigada a concentrar e enfocar todas as suas energias em Jerusalm e no judasmo. Mas todo o poder, uma vez reunido, no pode permanecer assim, se h de gastar e expandir-se. No h fora na terra que possa se manter por longo tempo confinada dentro de estreitos limites; no se pode manter comprimida por demasiado tempo, como para permitir uma expanso em um perodo subseqente.

젨젨젨젨젨젨 Esta energia concentrada na raa judia encontrou sua expresso em um perodo seguinte, com o surgimento do cristianismo. As correntes reunidas concentraram-se em um corpo. Gradualmente, todas as correntes pequenas se uniram e formaram uma onda que surgia, no alto da qual encontramos a personalidade de Jesus de Nazar. Assim, cada profeta uma cria豫o de sua poca, a cria豫o do passado de sua raa, ele mesmo o criador do futuro. A causa de hoje o efeito do passado e a causa do futuro. Nesta posi豫o se encontra o Mensageiro. Nele encarna todo o melhor e maior de sua prpria raa, o significado, a vida, pela qual essa raa tem lutado durante sculos; e ele mesmo o impulso para o futuro, no s para sua prpria raa, seno tambm para inumerveis raas deste mundo.

젨젨젨젨젨젨 Temos de levar em conta outro fato e quando eu vejo o grande Profeta de Nazar do ponto de vista do Oriente. Esqueceis muitas vezes, que o Nazareno era um oriental entre os orientais. Apesar de todas vossas inten寤es de pinta-lo com olhos azuis e cabelo ruivo, o Nazareno sempre foi um oriental. Todos os similares, as imagens que enchem a Bblia; as cenas, as localidades, as atitudes, os grupos, a poesia e o smbolo, falam do Oriente: do cu brilhante, do calor, do sol do deserto, de homens e animais sedentos, de homens e mulheres caminhando com cntaros sobre suas cabeas para enche-los nos poos; dos rebanhos, dos lavradores, dos cultivos por todas as partes; do moinho e da moenda, do tanque e das pedras de moinho, tudo o que se pode ver ainda hoje na 햟ia.

젨젨젨젨젨젨

 

A voz da 햟ia tem sido a voz da religio. A voz da Europa a voz da poltica; cada uma delas grande em sua prpria esfera. A voz da Europa a voz da antiga Grcia. Para a mente grega, sua sociedade imediata tudo. Fora desta, tudo brbaro; ningum, seno os gregos, tm direito de viver, tudo o que fazem os gregos justo e correto, tudo o mais que existe no mundo no justo nem correto, nem deve se permitido viver. O grego intensamente humano em suas simpatias, intensamente natural e intensamente artstico, portanto. O grego vive inteiramente em seu mundo, no lhe interessa sonhar, at sua poesia prtica. Seus deuses e deusas no so somente seres humanos, mas intensamente humanos, com todas as paixes e sentimentos humanos quase iguais a qualquer um de ns. Ama o belo, mas levando em conta sempre a natureza externa; a beleza dos outeiros, das neves, das flores; a beleza das formas e das figuras, do rosto humano e, mais freqentemente, da forma humana. Isto o que agradava aos gregos. E sendo estes os instrutores de toda a europeiza豫o subseqente, a voz da Europa grega.

젨젨젨젨젨젨 Na 햟ia existe outro tipo. Imagineis um imenso continente, cujos cumes das montanhas se elevam por sobre as nuvens, quase tocando o pavilho azul do firmamento. Milhas e milhas de deserto ondulado onde no se encontra uma gota de gua, nem cresce uma folha de erva; selvas interminveis e rios gigantescos precipitando-se para o mar. Em meio a tudo isto, o amor oriental pelo belo e o sublime se desenvolveram em outra dire豫o. 햟ia olhava para dentro, no para fora. Sentia tambm a sede pela natureza e assim mesmo nsia do poder e tambm a mesma sede de proeminncia, a mesma idia do grego e do brbaro; mas que abarcava um crculo mais extenso. Na 햟ia, at hoje em dia, o nascimento, a cor, o idioma, nunca constituiu uma raa; o que caracteriza uma raa sua religio. Somos todos cristos, ou maometanos, ou hindus, ou budistas. No importa se um budista chins ou persa, todos pensam que so irmos porque professam a mesma religio; a religio o vnculo, a unidade da humanidade. Por outro lado, o oriental, pela mesma razo, um visionrio, um sonhador nato. O murmrio das cascatas, o canto dos pssaros, as belezas do sol, da lua, das estrelas e de toda terra so bastante agradveis; mas no so suficientes para a mente oriental; Ela quer sonhar algo mais alm de tudo isto, quer ir mais alm do presente, porque para ela, no importa o presente, por assim dizer.

젨젨젨젨젨젨 O Oriente tem sido, durante sculos, o cunho da raa humana e todas as vicissitudes da fortuna esto ali. Reinos sucedendo reinos, imprios sucedendo imprios, o poder humano, a glria e a riqueza, se precipita ali um glgota de poder e de erudi豫o. Esse o Oriente: um glgota de poder, de reinos, de sabedoria. Nada estranho h em que a mente oriental veja com desprezo as coisas deste mundo e queira, naturalmente, ver algo que no mude, algo que no morra, algo que em meio deste mundo de misria e morte seja eterno, bem-aventurado e imortal. Um profeta oriental nunca se cansa de insistir sobre estes ideais. E com respeito aos profetas, tambm deveis recordar que, sem exce豫o, todos os Mensageiros foram orientais.

젨젨젨젨젨젨 Vimos, por conseguinte, na vida deste Mensageiro de vida, a primeira ordem: 밡o esta vida, seno algo superior, e assim como o verdadeiro filho do Oriente prtico nesse sentido, vs, os ocidentais, sois prticos em vosso ramo: em assuntos militares, na dire豫o de crculos polticos e outras coisas. Talvez o oriental no seja prtico em vosso ramo, mas prtico em seu prprio campo, prtico em religio; se algum prega uma filosofia, no dia seguinte centenas de pessoas faro tudo quanto possam para faze-la prtica em suas vidas; se outro prega que sustentar-se em um s p o levar salva豫o, imediatamente haver quinhentos que pararo em um p. Podeis apontar isto como ridculo, mas leveis em conta que por detrs disso est sua filosofia, essa aplica豫o prtica intensa. No Ocidente os planos de salva豫o significam ginstica intelectual, planos que nunca se realizam, que nunca chegam vida prtica. No Ocidente, o pregador que fala melhor, o maior.

젨젨젨젨젨젨 Portanto, em Jesus de Nazar encontramos, em primeiro lugar, o verdadeiro filho do Oriente, intensamente prtico. No tem f neste mundo efmero, nem em nada que lhe pertena. No necessita tergiversar os textos, como costume no ocidente nos tempos modernos, quando se esticam at que no dem mais. Os textos no so de goma e at esta tem seus limites. No fazer com que a religio satisfaa o sentido da vaidade da presente poca; sejamos todos honestos. Se no podemos seguir um ideal, confessemos nossa debilidade, mas no o degrademos; que nada possa derruba-lo. O cora豫o escolhe algum, ante a vida de Cristo. Eu no sei o que foi, nem o que deixou de ser. Segundo alguns, foi um grande poltico; outros, talvez, o dizem um grande general, outros um grande patriota judeu e assim por diante. H nos livros algo justifique todas estas suposi寤es? O melhor comentrio sobre a vida de um grande Instrutor sua prpria vida. 밃s raposas tm tocas, os pssaros seus ninhos, mas o filho do homem no tem onde por sua cabea. Isto, segundo disse Cristo, o nico caminho da salva豫o; ele no assinala outro caminho. Confessemos, humildemente, que no podemos fazer isso.

젨젨젨젨젨젨 Todavia temos apego ao 뱈im e ao 뱈eu: queremos propriedades, dinheiro, riqueza. Pobres de ns, o confessemos e no envergonhemos o grande Instrutor da humanidade! Ele no tinha laos de famlia. Credes acaso que esse homem tinha alguma idia fsica? Credes que esta grandeza de luz, esse Deus e no homem, desceu terra para ser semelhante aos animais? E, contudo, as pessoas o fazem pregar coisas de toda a espcie. Ele no tinha idia de sexo! Era uma alma! Nada mais que uma alma alojada, simplesmente, em um corpo, para o bem da humanidade; essa era toda sua rela豫o com o corpo. Na alma no existe sexo. A alma desencarnada no tem rela豫o com o animal, no tem rela豫o com o corpo. O ideal pode ser que esteja muito afastado de ns, mas no importa, aferremo-nos ao ideal. Confessemos que esse nosso ideal, mas que no podemos nos aproximar dele.

젨젨젨젨젨젨 Cristo no tinha outra ocupa豫o na vida, nenhum outro pensamento seno que era um Esprito. Era um esprito desencarnado desligado do corpo e liberado. No s isto seno que sua viso maravilhosa descobriu que todo homem e mulher, judeu ou gentil, rico ou pobre, santo ou pecador era, como ele, a encarna豫o do mesmo Esprito imortal. Por conseguinte, a nica obra que manifestou por toda sua vida foi chamar os homens que se deram conta de sua prpria natureza espiritual. 밃bandoneis, disse, estes sonhos supersticiosos de que sois inferiores e de que sois pobres. No penseis que sois pisoteados e tiranizados como se fosseis escravos; porque dentro de vs h algo que nunca tiranizado, nunca pisoteado, nunca atribulado, nunca morto. Sois todos filhos de Deus, Esprito imortal. 밪abeis, declarou, que o reino dos cus est dentro de vs. 밇u e meu Pai somos um. Atrevam-se a se pr de p e dizer somente: 밇u sou o Filho de Deus, seno que tambm achareis no mais profundo de seus cora寤es que 밇u e meu Pai somos um. Isso foi o que disse Jesus de Nazar. Nunca fala deste mundo nem desta vida, nada tem que fazer com estes com exce豫o de tomar este mundo como , empurra-lo e faze-lo avanar at que tenha alcanado a resplandecente luz de Deus, at que todos tenham realizado sua natureza espiritual, at que a morte seja vencida e a misria desvanecida.

젨젨젨젨젨젨 Temos lido as diferentes histrias que se escreveram sobre Cristo; conhecemos os eruditos e seus escritos e a crtica levantada e sabemos que tudo foi feito pelo estudo. No estamos aqui para discutir sobre se aquela vida histrica. No importa, em absoluto, se o Novo Testamento foi escrito dentro dos quinhentos anos de seu nascimento; tampouco importa quanto daquela vida verdade. Mas h algo por detrs dela, algo que necessitamos imitar. Para mentir tereis que imitar a verdade e essa verdade um fato. Na podeis imitar o que nunca existiu, no podeis imitar o que jamais percebestes. Mas deve ter havido um ncleo, um tremendo poder que desceu, uma maravilhosa manifesta豫o de poder espiritual; disto, precisamente, falamos. Est ali; portanto no tememos as crticas dos eruditos. Se eu, como oriental, tenho que adorar a Jesus de Nazar, s me resta um caminho; tenho que adora-lo como Deus e nada mais. Quereis me dizer que no tenho direito de adora-lo dessa maneira? Se no o fazemos descer a nosso prprio nvel e s lhe oferecemos um pouco de respeito como a um grande homem, por que temos que adora-lo? Nossas Escrituras dizem: 밇stes grandes filhos da Luz, que manifestaram eles mesmos a Luz, que so eles mesmos Luz, ao serem adorados se convertem, por assim dizer, em um conosco e ns chegamos a ser uno com eles.

젨젨젨젨젨젨 Porque, como vedes, o homem percebe Deus de trs maneiras. No princpio, com o intelecto no desenvolvido do homem inculto, v a Deus muito longe, em algum cu, sentado em um trono como um grande juiz. O considera como um fogo, como um terror. Agora, isto conveniente, porque nada de mal h nisso. Deveis recordar que a humanidade no vai do erro verdade, seno da verdade verdade. Suponhais que partindo daqui, viajeis em linha reta para o sol. Daqui o sol parece de um pequeno tamanho; suponhais que se aproximais dele um milho de milhas, o sol parecer maior; a cada etapa o sol ficar maior. Suponhais que se tenha tirado vinte mil fotografias do mesmo sol de diferentes pontos; com toda a certeza, estas vinte mil fotografias sero diferentes uma das outras. Mas podeis negar que cada uma delas uma fotografia do mesmo sol? Assim tambm, todas as formas de religio, elevadas ou inferiores, so simplesmente etapas para o estado eterno de luz, que o mesmo Deus. Algumas representam um ponto de vista mais inferior, outras um mais elevado; e essa toda a diferena.

젨젨젨젨젨젨 Por conseguinte, as religies das massas que no pensam, ho de ser em todo o mundo e tm sido sempre de um Deus que est fora do universo, que mora em um cu e dali governa, castiga aos maus e premia aos bons, etc. A medida em que o homem avana espiritualmente, comea a compreender que Deus onipresente, que est em todas as partes, que no um Deus distante, seno claramente a alma de todas as almas. Da mesma maneira que minha alma move meu corpo, assim tambm Deus quem move minha alma. Alma dentro de outra alma. Uns poucos indivduos que se desenvolveram o suficiente e so puros o bastante, vo mais alm e, por fim, encontram a Deus. Como disse o Novo Testamento: 밄em-aventurados sejam os de cora豫o puro, porque eles vero a Deus. E descobrem, por fim, que eles e o Pai so um.

젨젨젨젨젨젨 Observais que estas trs etapas so ensinadas pelo grande Instrutor no Novo Testamento. Fixa-os na ora豫o comum; nele se ensina: 밣ai nosso que est nos cus, santificado seja seu nome, etc.. Prega豫o singela, prega豫o de criana. Fixa-os bem, chama-se ora豫o comum porque est dedicada s almas da massa inculta. Para um crculo elevado, para quem avanou um pouco mais, deu um ensinamento mais elevado: 밇u estou em meu Pai e vs em mim, e eu estou em vs. Recordais isso? Logo, quando os judeus perguntaram-lhe quem ele era, declarou que ele e seu Pai eram um e os judeus consideraram isto uma blasfmia. Que quis dizer com isso? Isto tambm disseram vossos antigos profetas: 밮s sois deuses e todos vs sois filhos do Altssimo. Observais que so as mesmas trs etapas. Percebereis que mais fcil comear com a primeira e terminar na ltima.

젨젨젨젨젨젨 O Mensageiro veio para mostrar o caminho; que o esprito no est nas formas; que no se pode conhecer o esprito por meio dos muitos, incmodos e complicados problemas de filosofia. Seria melhor que tivsseis alguma cultura e que no lsseis jamais um livro em vossas vidas. Estes no so, em absoluto, necessrios para a salva豫o como tampouco so a riqueza, a posi豫o, o poder, nem sequer a cultura o necessrio uma s coisa, pureza; Bem-aventurados sejam os de cora豫o puros, porque o esprito, por sua ndole, puro. Como poderia ser de outro modo? de Deus e procede de Deus. Segundo a linguagem da Bblia, 벸 o alento de Deus. Na linguagem do Alcoro, 벸 a alma de Deus. Ousareis dizer que o esprito de Deus pode ser impuro? Mas, ai! Podemos dizer que tem sido coberto pelo p e a vileza de sculos, por nossas prprias a寤es boas e ms. Vrias obras que no eram corretas, que no eram verdade, tm coberto este mesmo esprito com o p e a vileza da ignorncia de sculos. S necessrio eliminar o p e a sujeira para que o esprito reluza imediatamente. 밄em-aventurados sejam os de cora豫o puro, porque eles vero a Deus. 밢 reino dos cus est dentro de vs. Aonde vais tu buscar o reino de Deus?, pergunta Jesus de Nazar, quando est a dentro de ti. Purifica o esprito e a est. J quase teu. Como podes conseguir o que no teu? teu por direito. Sois os herdeiros da imortalidade, filhos do Pai Eterno.

젨젨젨젨젨젨 Esta a grande li豫o do Mensageiro, e outra, que a base de todas as religies, a renncia. Como podereis purificar o esprito? Renunciando. Um jovem rico perguntou ao Senhor: 밄om Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna?, e Jesus lhe disse: 밬ma coisa te falta, anda e vende tudo o quanto possuis, ds aos pobres e ters tesouros no cu; e vem, toma tua cruz e segue-me. E o jovem entristeceu-se ao ouvir isto e se afastou dolorosamente, porque tinha grandes posses. Ns somos todos mais ou menos assim. A voz ressoa em nossos ouvidos dia e noite. Em meio de nossos prazeres e gozos, em meio a coisas mundanas, cremos que temos ouvido tudo; logo sobrevm uma pausa momentnea e a voz ressoa em nossos ouvidos: 밃bandona tudo quanto possuis e siga-me. 밦uem quer que salve sua vida, a perder e o que perde sua vida por mim, a encontrar. Porque quem quer que abandone sua vida por Ele, encontra a vida imortal. Em meio a todas as nossas debilidades, h um momento de pausa e a voz ressoa: 밃bandona tudo o quanto possuis, d-lhes aos pobres e segue-me. Este o nico ideal que ele prega e o ideal pregado por todos os grandes profetas do mundo; quer dizer renncia. Que se quer dizer com renncia? Que na moralidade h um s ideal, que abnega豫o. Sejam abnegados. O ideal o perfeito inegosmo. Quando te esbofeteiam na face direita, apresenta tambm a esquerda. Quando te tiram o casaco, d-lhes tambm tua capa.

젨젨젨젨젨젨 Devemos obrar da melhor maneira possvel, sem derrubar o ideal. Quando um ser humano j no tem o sentimento do eu, nada possui, nada que possa denominar 뱈im ou 뱈eu e se entrega por inteiro, como se houvesse destrudo a si mesmo, por assim dizer; nesse homem est Deus, porque nele a obstina豫o se desvaneceu, foi esmagada, aniquilada. Tal o homem ideal. No podemos alcanar, talvez, esse estado; adoremos o ideal e lutemos, pouco a pouco, para alcana-lo, mesmo que seja com passos vacilantes. Pode ser que amanh ou daqui a mil anos, mas devemos alcanar esse ideal; porque, no s o fim, mas tambm o meio. Ser inegosta, perfeitamente desinteressado a salva豫o; porque o homem interior morre e fica s Deus.

젨젨젨젨젨젨 H mais um ponto. Todos os mestres da humanidade so inegostas. Suponhamos que Jesus de Nazar estivesse ensinando e algum viesse e dissesse-lhe: 밢 que ensinas formoso, eu creio que o caminho da perfei豫o e estou disposto a segui-lo, mas no desejo adora-lo como filho unignito de Deus. Qual teria sido a resposta de Jesus de Nazar? 밠uito bem, irmo, segue o ideal e avana a teu modo. No me interessa o valor que ds a meu ensinamento; no sou um mercador nem comercio com a religio, s ensino a verdade e a verdade no propriedade de ningum; ningum pode patentear a verdade, a verdade Deus, segue avanando por teu caminho. Mas o que os discpulos dizem atualmente : 밡o importa que pratiques os ensinamentos ou no, crs no Homem? Se acreditas no Mestre, te salvars; se no, no h salva豫o para ti.

젨젨젨젨젨젨 Desta maneira se degenera todo o ensinamento do Mestre e todo o esforo e toda a luta gira ao redor da personalidade do Homem. No compreendem que ao impor tal diferena, de certo modo envergonham o mesmo Homem a quem pretendem honrar; o mesmo Homem que ficaria estremecido de vergonha ante tal idia. Que importava a ele que houvesse um homem no mundo que lembrasse dele ou no? Tinha que dar sua mensagem e a deu; se houvesse tido vinte mil vidas, as haveria dado todas por ele ser o mais msero do mundo. Se houvesse sido torturado milhes de vezes para salvar a um milho de desprezados samaritanos e se por cada um deles o sacrifcio de sua prpria vida fosse a nica condi豫o para salva-lo, ele haveria dado sua vida. E tudo isso sem querer que seu nome fosse revelado a ningum. Atuou tranqilo, desconhecido, em silncio, exatamente como atua o Senhor. Agora, que dir o discpulo? Dir que podeis ser homem perfeito, completamente altrusta, mas a menos que confieis em nosso Instrutor, em nosso Santo, de nada serve a eles. Por que? Qual a origem desta supersti豫o, dessa ignorncia? O discpulo cr que o Senhor s pode manifestar-se uma vez. A est todo o erro. Deus se manifesta no homem. Em toda a natureza, o que ocorre uma vez deve ter ocorrido antes e h de ocorrer no futuro. No h nada na natureza que no esteja regido pela lei; isto quer dizer que o que ocorre uma vez, h de continuar ocorrendo e ocorreu antes.

젨젨젨젨젨젨 Na ndia se tem uma mesma idia sobre as encarna寤es de Deus. Uma de suas grandes encarna寤es, Krishna, cujo grande sermo, o Bhagavad Gita, que alguns de vs deveis ter lido, disse: 밇mbora seja inato, de natureza imutvel e Senhor de seres, subjugando meu prakriti, adquiro o ser por minha prpria maia. Quando a virtude decai e a imoralidade prevalece, eu tomo um corpo. Para a prote豫o do bom, para a destrui豫o do mal e para estabelecer o darma, naso a cada idade. Cada vez que o mundo decai, o Senhor acode para ajuda-lo a avanar e assim o faz de tempo em tempo e de lugar em lugar. Em outra passagem, diz: 밢nde quer que encontres uma grande alma de imenso poder e pureza, lutando por elevar a humanidade, sabe que nasceu de meu esplendor, que ali estou Eu trabalhando por meio dela.

젨젨젨젨젨젨 Por isso, no s busquemos Deus em Jesus de Nazar, mas tambm em todos os grandes Seres que o antecederam e em todos os que vieram depois dele e em todos os que ho de vir. Nossa adora豫o ilimitada e livre, pois todos eles so manifesta寤es do mesmo Deus infinito. So todos puros e inegostas; lutaram e deram sua vida por ns, pobres seres humanos. Todos e cada um deles sacrificaram-se por cada um de ns e tambm por todos os que viro.

젨젨젨젨젨젨 Em certo sentido, todos vs sois profetas, cada um de vs um profeta que leva a carga do mundo sobre seus prprios ombros. Vistes alguma vez um homem ou uma mulher que no leve com calma e pacincia sua pequena carga de vida? Os grandes profetas eram gigantes; carregavam sobre seus ombros um mundo gigantesco. Comparados com eles, somos evidentemente pigmeus; no entanto realizamos a mesma tarefa. Em nossos pequenos crculos, em nossos pequenos lares, levamos nossas pequenas cruzes. Nenhum to maior, nem nenhum to indigno que no tenha que carregar sua prpria cruz. Apesar de todos nossos erros, com todos nossos maus pensamentos e com todas nossas ms a寤es, existe em alguma parte um ponto brilhante; subsiste em alguma parte o halo de ouro mediante o qual sempre estamos em contato com o divino. Porque tem por certo que ao perder o contato com o divino, de imediato se pronunciaria a aniquila豫o e como nada pode ser aniquilado, h sempre, em alguma parte, no mais profundo de nosso cora豫o, por mais escorregadios e degradados que sejamos, um pequeno crculo de luz que est em contato constante com o divino.

젨젨젨젨젨젨 Honremos a todos os profetas do passado, cujos ensinamentos e vidas herdamos, seja qual for sua raa, seu clima ou seu credo. Honremos a todos esses homens e mulheres divinos que trabalham para ajudar a humanidade, qualquer que seja sua estirpe, sua cor ou sua raa. Honremos a todos que os que viro no futuro deuses viventes a trabalhar desinteressadamente para nossos descendentes.

 

 

 

M E UM E S T R E

 

Swami Vivekananda

(Conferncia dada em Nova York)

 

 

젨젨젨젨젨젨 밦uando a virtude e o vcio prevalecem, Eu deso para ajudar o gnero humano, declara Krishna no Bhagavad Gita. Quando este nosso mundo, a causa de seu crescimento, em virtude de novas circunstncias, requer um novo ajuste, se produz uma onda de poder; como o homem atua em dois planos, o espiritual e o material, surgem foras para tal ajuste de ambos os planos. Por um lado, a Europa tem sido a base principal do ajuste do plano material, nos tempos modernos; para o ajuste do plano espiritual, a 햟ia tem sido a base, no transcurso da histria do mundo. Na atualidade o homem necessita de um novo ajuste no plano espiritual; hoje, quando as idias materialistas tm alcanado o cume de sua glria e poder; hoje quando o homem tende a se esquecer de sua natureza divina, porque a cada dia depende mais do material e parece provvel que se converta em uma mera mquina de fazer dinheiro, necessrio um reajuste; a voz tem falado e o poder se aproxima, para dispersar as nuvens do materialismo que vo se acumulando.

젨젨젨젨젨젨 Tem entrado em a豫o uma fora que em data no longnqua, far lembrar novamente humanidade sua verdadeira natureza e novamente a 햟ia ser o lugar de onde este poder ser arrancado. Este nosso mundo projetado sobre a diviso do trabalho. em vo dizer que um homem possuir tudo. No entanto, quo crianas somos! O pequenino, em sua inocncia, cr que sua boneca a nica posse digna de ser desejada no universo inteiro.

젨젨젨젨젨젨 Assim mesmo, uma na豫o que possui grandes bens materiais, cr que eles so os nicos que se h de ambicionar, o nico que significa progresso e civiliza豫o e que se algumas na寤es no se cuidarem de possuir, nem possuem esses bens, so indignas de sobreviver e sua existncia inteira intil. Do Oriente veio a voz que, em tempos longnquos, disse que se algum possui tudo o quanto est sob o sol, mas carece de espiritualidade, de que lhe serve? Este ltimo o tipo oriental; o outro, ocidental.

젨젨젨젨젨젨 Cada um destes dois tipos possui sua grandeza e sua glria. O reajuste presente consistir em harmonizar e mesclar estes dois ideais. Para o oriental, o mundo do esprito to real como o mundo dos sentidos o para o ocidental. No espiritual, o oriental encontra tudo quanto necessita ou deseja; tudo o que faz da vida uma realidade para ele. Para o ocidental, aquele um sonhador; para o oriental, o sonhador o ocidental, que brinca com bonecos de escassa dura豫o; e se ri dos homens e mulheres maduros que do tanta importncia a um punhado de matria que tero que abandonar cedo ou tarde. Chamam-se sonhadores, uns aos outros. Mas o ideal oriental to necessrio como o ocidental, para o progresso da raa humana e eu o creio mais necessrio ainda.

젨젨젨젨젨젨 As mquinas nunca fizeram e nunca faro a humanidade feliz. Quem quiser nos fazer acreditar, dir que a felicidade est na mquina; mas a felicidade est sempre na mente. S quem dono de sua mente pode chegar a ser feliz. Depois de tudo, que esse poder da mquina? Por que temos que classificar como muito grande e muito inteligente o homem capaz de enviar uma corrente eltrica por um fio? No faz muitssimo mais a natureza, a todo instante? Por que, ento, no se inclinar e adorar a natureza? Que importa que tenhais poder sobre o mundo inteiro e que domineis cada tomo do universo? Isso no nos far mais felizes, salvo que o poder da felicidade est em vs mesmos por hav-los conquistado por vs mesmos.

젨젨젨젨젨젨 verdade que o homem nasceu para conquistar a natureza, mas por 뱊atureza o ocidental entende unicamente a natureza fsica ou externa. Certamente a natureza externa majestosa, com suas montanhas, seus oceanos, seus rios e com suas potncias e variedades infinitas. Contudo existe no homem uma natureza interna mais majestosa, mais elevada que o sol, a lua e as estrelas; mais elevada que essa nossa terra, mais que o universo fsico, a qual transcende estas nossas pequenas vidas e nos oferece outro campo de estudo. Neste campo, o oriental sobressai, da mesma maneira que o ocidental se sobressai em outro. Por conseguinte, justo que onde quer que haja um reajuste espiritual, este venha do Oriente. tambm natural que quando o oriental quer aprender a construir mquinas, se sinta aos ps do ocidental e aprenda com ele. Quando o ocidental quer aprender coisas do esprito, algo sobre Deus, a alma, o que significa o mistrio do universo, h de dentar-se aos ps do oriental.

젨젨젨젨젨젨 Vou expor ante vs a vida do nico homem que promoveu tal onda na ndia, mas antes de ocupar-me dessa vida, tratarei de lhes apresentar o segredo da ndia, o que ela significa. Se quem est cegado pelo brilho das coisas materiais, cuja vida inteira dedicada a comer, beber e gozar; que s ambiciona terras e ouro e considera como prazer supremo o gozo dos sentidos; aqueles cujo deus o dinheiro e cuja meta uma vida fcil e de comodidades e a morte depois; cujas mentes jamais olham para diante e que raramente pensam em algo mais elevado que os objetos sensrios em meio dos quais vivem; se tais pessoas fossem ndia, que veriam? Pobreza, dor, supersti豫o, obscuridade, fealdade em todas as partes. Por que? Porque para elas a 밿lumina豫o significa vestido, educa豫o, cortesia social.

젨젨젨젨젨젨 Enquanto as na寤es ocidentais se esforam, em todos os sentidos, parar melhorar sua posi豫o material, a ndia trabalha de maneira diferente; ali vive a nica raa do mundo que no transcurso de toda a historia da humanidade, jamais ambicionou o que pertence aos outros e cuja nica falta tem sido que suas terras foram to frteis, sua engenhosidade to aguda, que acumularam riquezas com o rude trabalho de suas mos e tentaram outras na寤es para que viessem despoja-los de suas riquezas. Se conformaram em ser despojados e que os chamem de brbaros; em troca disso, querem enviar a este mundo vises do Supremo; descobrir, para o mundo, os segredos da natureza humana, rasgar o vu que encobre o homem real; porque eles conhecem o sonho; porque sabem que por detrs do materialismo, vive a verdadeira natureza divina do homem a que nenhum pecado pode manchar, nenhum crime pode embaar, nenhuma cobia contaminar, nem a gua molhar; que o calor no pode secar nem a morte matar. Para eles, esta verdadeira natureza do homem to real como qualquer objeto material possa ser para os sentidos de um ocidental.

젨젨젨젨젨젨 Igual coragem que ele, vs demonstrais ao se precipitarem contra os canhes, dando gritos de bravura quando, em nome do patriotismo, sacrificais a vida por vosso pas, mostram eles em nome e Deus. Por isso, quando algum declara que este um mundo de idias e que tudo um sonho, arranca suas vestimentas e abandona suas propriedades para demonstrar que o que pensa e cr verdade. Ali um homem senta-se margem do rio, enquanto sabe que a vida eterna; e quer abandonar seu corpo como se nada valesse, do mesmo modo que vs abandoneis um pedao de palha. Nisso consiste o seu herosmo; esto prontos para considerar a morte como uma irm, porque esto convencidos de que a morte no existe para eles. Da a fora que os tm feito invencveis, atravs de sculos de opresso, de invases e de tirania estrangeira. A na豫o vive hoje e nessa na豫o, at nos dias de desastres mais terrveis, nunca deixaram de surgir os grandes gigantes espirituais, da mesma maneira que o Ocidente produz gigantes em polticas e cincia.

젨젨젨젨젨젨 No principio do presente sculo, quando a influncia ocidental comeou a penetrar na ndia, quando os conquistadores ocidentais, espada na mo, vieram demonstrar aos filhos dos Sbios que eram somente brbaros, que constituam uma raa de sonhadores, que sua religio no era seno mitologia; que Deus e a alma e tudo aquilo pelo qual haviam lutado eram meras palavras sem sentido; que os milhares de anos de luta, os milhares de anos de renncia sem fim haviam sido em vo; a questo comeou a agitar-se entre os jovens das universidades, sobre se a inteira existncia nacional, at ento, havia sido um fracasso e se deviam comear de novo ajustando-se a ao plano ocidental, destruindo seus velhos livros, queimando suas filosofias, dispersando seus pregadores e derrubando seus templos.

젨젨젨젨젨젨 Por acaso no afirmava o conquistador ocidental, o homem que demonstrava sua religio com a espada e o fuzil, que todo o antigo somente era supersti豫o e idolatria? As crianas criadas e educadas nas novas escolas se iniciaram sob o plano ocidental e absorveram as novas idias desde sua infncia, pelo que no h que se maravilhar que surgiram dvidas. Mas no lugar de desejar as supersti寤es e buscar realmente a verdade, para saber se era certo, perguntavam: 밦ue disse o Ocidente?. Os sacerdotes ho de desaparecer; os Vedas se ho de queimar, porque o Ocidente assim disse. Do sentimento de inquietude, assim produzido, se alou a onda da chamada reforma da ndia.

젨젨젨젨젨젨 Quem deseja ser um verdadeiro reformador necessita de trs coisas. A primeira sentir; sentis realmente pelo que acontece com vossos irmos? Sentis, em verdade, a muita misria, a muita ignorncia e supersti豫o que h no mundo? Sentis, verdadeiramente, que os homens so vossos irmos? Chega esta idia em todo vosso ser? Corre ela em vosso sangue? Formiga em vossas veias? Circula por cada nervo e filamento de vosso corpo? Transbordais de simpatia? Se assim, haveis dado o primeiro passo. Na continua豫o, deveis buscar algum remdio. As antigas idias pode der que sejam todas supersti寤es, mas dentro e ao redor destes montes de supersti寤es, h pepitas de ouro da verdade. Haveis descoberto meios para guardar o ouro separado, sem escria alguma? Se haveis conseguido isto, tereis dado o segundo passo. Mas mesmo assim necessitais de algo mais. Qual vossa causa? Estais seguros de que no vos move a ambi豫o do ouro, a sede de fama ou de poder? Estais realmente seguros de que mantereis vossos ideais e seguireis trabalhando, embora o mundo inteiro trate de esmaga-los? Estais seguros de que sabeis o que quereis e de que cumprireis com vosso dever e unicamente vosso dever, embora vossa vida perigue? Estais seguros de que persevereis enquanto tenhas um hlito de vida e siga batendo o cora豫o? Ento sois um verdadeiro reformador, sois um instrutor, um mestre, uma bn豫o para a humanidade.

젨젨젨젨젨젨 Mas o homem to impaciente, to curto de viso! No tm pacincia para esperar; nem o poder de ver. Quer dominar e deseja resultados imediatos. Por que? Quer colher os frutos ele mesmo e pouco lhe importa os demais. O dever, pelo dever mesmo, no o que ele quer. 밫em direito ao trabalho, mas no aos seus frutos, disse Krishna. Por que viver dependendo dos resultados? Os deveres so nossos; deixem que os frutos cuidem de si mesmos. Mas o homem no tem pacincia, empreende qualquer projeto e assim a maior parte dos pretendidos reformadores do mundo todo.

젨젨젨젨젨젨 Como j disse, a idia da reforma chegou ndia quando parecia que a onda de materialismo, que j invadia suas costas, iria arrasar os ensinamentos dos Sbios. Mas a na豫o resistiu aos embates de milhares de ondas semelhantes. Esta, em compara豫o, foi moderada. Ondas aps ondas inundaram o pas, rompendo-o e esmagando tudo durante centenas de anos; a espada relampejou, o grito de 밮itria a Al rasgou os cus da ndia, mas as inunda寤es se acalmaram, deixando os ideais nacionais imutveis.

젨젨젨젨젨젨 A na豫o hindu no pode ser morta. Mantm-se imortal e se manter assim enquanto o esprito se mantiver em seu seio, enquanto seu povo no abandonar sua espiritualidade. Pode ser que sigam sendo mendigos, pobres e miserveis; estaro, talvez, rodeados de sujeira e de misria, mas no abandonam seu Deus, no esquecem que so filhos dos Sbios. Assim como no Ocidente at o homem da rua deseja poder demonstrar que descende de algum nobre ladro da idade mdia, assim tambm na ndia, at um imperador sentado em seu trono quer ser descendente de algum sbio mendigo da selva, de um homem que se vestiu com a casca das rvores, que viveu dos frutos do bosque e entrou em comunho com Deus. Esta a espcie de linhagem que queremos e enquanto a santidade seja assim venerada como suprema, a ndia no pode morrer.

젨젨젨젨젨젨 Justamente quando se iniciavam as reformas de vrias classes na ndia, nasceu um menino de pais brahmanes pobres, em 18 de fevereiro de 1835, em uma das longnquas aldeias de Bengala. O pai e a me eram muito ortodoxos. A vida de um brahman realmente ortodoxo de renncia contnua. Muitas poucas coisas podem fazer e fora estas, o brahman ortodoxo no se ocupa de nada secular; tampouco recebe ddivas de todos. Podeis imaginar quo rigorosa sua vida. Haveis ouvido falar dos brahmanes e de seus sacerdotes muitas vezes, mas poucos de vs vos haveis detido a perguntar como que esta maravilhosa famlia de homens seja os governantes de seus semelhantes. Eles so os mais pobres de todas as classes do pas; o segredo de seu poder est na renncia. Jamais ambicionam riqueza. o sacerdcio mais pobre do mundo; por conseguinte, o mais poderoso. At dentro desta pobreza, a esposa de um brahman nunca deixa passar um pobre pela aldeia sem dar-lhe algo para comer. Isto se considera o maior dever de uma me, na ndia; por ser me, seu dever ser servida por ltimo e h de cuidar com que todos fiquem servidos antes que chegue sua vez. Por isso a me considerada como deus, na ndia. A me do ser que o objeto de nossa disserta豫o, era o prottipo da me hindu. Quanto mais elevada for a casta, maiores so as restri寤es. As pessoas de casta inferior podem comer e beber tudo o quanto goste; mas a medida em que os homens se elevam na escala social, lhe so impostas mais e mais restri寤es e quando alcanam a casta mais elevada do brahman, o sacerdcio hereditrio da ndia, suas vidas, como disse, ficam muito restritas. Comparadas com os costumes ocidentais, suas vidas so de contnuo ascetismo. Mas tm grande estabilidade; quando se aferram a uma idia, perseveram nela at sua concluso final e a mantm gera寤es aps gera寤es, at obter algo prtico dela. Uma vez que tenham uma idia, no fcil tira-la; mas difcil fazer com que tenham tomem uma nova.

젨젨젨젨젨젨 Por conseguinte, os hindus ortodoxos so muito exclusivos; vivem dentro de seu prprio horizonte de pensamento e sentimento. Suas vidas so planejadas, at o menor detalhe, em nossos antigos livros e se aferram ao mnimo pormenor com firmeza diamantina. Preferem morrer de fome antes de comer algo cozido pelas mos de um homem que no pertena a sua pequena se豫o de casta. Alm do que possuem intensidade e tremenda sinceridade. intensa a f e a vida religiosa, com freq獪ncia, entre os hindus ortodoxos, porque sua mesma ortodoxia provm da profunda convic豫o do que correto. Pode ser que nem todos acreditemos que o que ele mantm com tanta perseverana seja o correto; para ele .

젨젨젨젨젨젨 Agora, em nossos livros est escrito que o homem h de ser sempre caritativo ao extremo. Se um homem morre de fome por ajudar outro e salvar-lhe a vida, o correto; at se afirma que um homem deve fazer isso. E se espera que um brahman leve esta idia ao extremo. Quem est familiarizado com a literatura da ndia, recordar uma velha histria sobre esta caridade extrema; de como uma famlia inteira, segundo relata o Mahabharata, morreu de fome e deu sua ltima comida a um mendigo. Isto no um exagero, pois tais coisas ocorrem. Tanto o carter do pai como o da me do Mestre, eram dessa condi豫o.젨젨젨 젨젨

젨젨젨젨젨젨 Eram muito pobres no obstante, muitas vezes a me passava fome o dia inteiro, por ajudar um pobre. Deles nasceu este menino, o qual foi peculiar desde sua infncia. Recordava seu passado desde seu nascimento; era consciente do propsito para o qual havia vindo ao mundo e dedicou todo seu poder para realizar tal propsito. Seu pai morreu sendo ele muito jovem e ento foi enviado escola. O filho de um brahmin vai escola; a casta o limita a profisso do saber, unicamente. O antigo sistema de educa豫o na ndia, que prevalece em muitas partes do pas, especialmente com conexo com os sannyasines, era muito diferente do sistema moderno. Os estudantes no tinham que pagar nada. Considerava-se o conhecimento to sagrado, que nenhum homem deveria vende-lo. O conhecimento se dava livremente e sem preo algum. Os instrutores costumavam receber os estudantes sem remunera豫o alguma; no s isso, mas davam maioria deles alimentos e roupa.

젨젨젨젨젨젨 Para sustentar esses instrutores, as famlias ricas, em determinadas ocasies, tais como bodas ou enterros, lhes fazia doa寤es. Os considerava como o primeiro e maior direito a certas doa寤es; eles, por sua vez, mantinham seus estudantes. Esse rapaz do qual estou falando, tinha um irmo maior, erudito professor, com o qual fez seus estudos. Em pouco tempo o rapaz se convenceu de que o objetivo de toda a instru豫o secular era s o do progresso material e decidiu abandonar o estudo e dedicar-se a obten豫o do conhecimento espiritual. Como o pai estava morto e a famlia era muito pobre, o rapaz teve que ganhar a vida. Foi a um lugar perto de Calcut e se fez sacerdote de um templo. Ser sacerdote em um templo era considerado muito degradante para um brahman. Nossos templos no so igrejas e o sentido que vs dais a esta palavra, no so lugares para o culto pblico. Os templos so erigidos, em sua maior parte, pelos ricos como ato religioso meritrio.

젨젨젨젨젨젨 Se um homem possui muitas propriedades, quer construir um templo. Coloca nele um smbolo ou a imagem de alguma encarna豫o de Deus e o dedica ao culto em nome de Deus. O culto anlogo ao que celebram as igrejas catlicas romanas, se parece muito com a missa, se lem certas passagens dos livros sagrados, oscilando uma luz ante a imagem e a tratam, em todos os sentidos, como tratamos a um grande homem. Isto tudo o que se faz no templo. Quem vai ao mesmo, no considerado por ele como melhor que quem nunca vai. Mais propriamente, o ltimo considerado mais religioso; porque a religio na ndia questo privada de cada um e todo o culto se realiza na priva豫o no prprio lar. Em nosso pas, desde os tempos mais antigos, se considera como ocupa豫o degradante ser sacerdote em um templo. Por detrs disso h outra e que, como a instru豫o, mas em sentido muito mais estrito em religio, est o fato de que os sacerdotes do templo recebem remunera豫o por seu trabalho, comercializando, assim, com coisas sagradas. Podeis, pois, imaginar a amargura do rapaz ao se ver obrigado, pela pobreza, a tomar a nica ocupa豫o permitida para ele, a de sacerdote de um templo.

젨젨젨젨젨젨 sabido que em Bengala h vrios poetas, cujos cantos so populares e so cantados pelas ruas de Calcut e em todas as aldeias. Na sua maioria so cantos religiosos, cuja nica idia central, que talvez seja peculiar s religies da ndia, a idia de realiza豫o. No existe na ndia um livro sobre religio que no acalente esta idia. O homem h de realizar Deus, h de sentir Deus, h de ver Deus, h de falar com Deus. Isso religio. O ambiente hindu est cheio de histrias de pessoas santas que tm viso de Deus. Tais doutrinas forma a base de sua religio; todos esses velhos livros e escrituras tm sido a obra de pessoas que alcanaram contato direto com fatos espirituais. Estes livros no foram escritos para o intelecto, nem razo alguma pode entende-los, porque foram escritos por homens que viram as coisas que escrevem e s os podem entender quem se elevar mesma altura. Eles afirmam que existe a chamada realiza豫o at nesta vida e que exeq茴vel para todos; a religio comea com a abertura desta faculdade, se posso chamar assim.

젨젨젨젨젨젨 Tal a idia central de todas as religies; por isso se d o caso de encontrar um homem com faculdades do mais eloqente orador, ou a da lgica mais convincente, pregando as doutrinas mais elevadas e que, no obstante, no consegue fazer com as pessoas o escutem; em troca encontramos outro, um pobre homem capaz apenas de falar o idioma de seu prprio pas e, no entanto, meia na豫o o adora como Deus, at durante sua vida. De uma maneira ou de outra, difundida a idia de que este se elevou a esse estado de realiza豫o em que para ele a religio j no questo de conjeturas e j no anda s apalpadelas em questes transcendentais como religio, a imortalidade da alma e Deus; as pessoas vm de todas as partes para v-lo e gradualmente comeam a adora-lo como a uma encarna豫o de Deus.

젨젨젨젨젨젨 No templo havia uma imagem da 밄em-Aventurada Me. Este rapaz tinha que dirigir o culto matinal e o vespertino; pouco a pouco invadiu sua mente esta nica idia: 밇xiste algo por detrs desta imagem? verdade que h no universo uma Me de Bem-Aventurana? verdade que ela vive e guia este universo, ou tudo um sonho? H alguma realidade na religio?. Quase todos os meninos hindus sentem este ceticismo, que o ceticismo dominante em nosso pas: real isto que estamos fazendo? As teorias no nos satisfazem. Embora tenhamos a nossa disposi豫o todas as teorias que se formularam a respeito alma e a Deus.

젨젨젨젨젨젨 Nem os livros, nem as teorias podem nos satisfazer; a nica idia que domina a milhares, esta de realiza豫o. verdade que existe um Deus? Se verdade, posso v-lo? Posso realizar a verdade? A mente ocidental pensar que tudo isto o mais impraticvel, mas para ns intensamente prtico. Por essa idia os homens abandonam seus lares e muitos deles morrem por causas das penas que tm que sofrer. Para a mente ocidental isto h de parecer visionrio e eu posso ver a razo deste ponto de vista. Mas, depois de anos de residncia no Ocidente, creio que esta idia a coisa mais prtica na vida.

젨젨젨젨젨젨 A vida momentnea, tanto se sois um varredor como um imperador governando a milhes. A vida s momentnea, seja que gozeis da melhor sade ou sofrais a pior. H uma s solu豫o na vida, disse o hindu e a essa se chama Deus e religio. Se isto verdade, a vida se faz explicar, a vida se faz suportvel e chega a fazer-se desfrutvel. De outra maneira a vida uma carga intil. Tal nossa idia, mas no h razo capaz de demonstra-la; a razo s pode faze-la provvel e nisto detm-se. Os fatos dependem somente dos sentidos e ns temos que sentir a religio para demonstra-la. Temos de sentir a Deus para nos convencermos que h um Deus. S nossas prprias percep寤es podem dar realidade a essas coisas para ns.

젨젨젨젨젨젨 Esta idia se apoderou do rapaz e sua vida inteira ficou concentrada nela. Dia aps dia, dizia chorando: 밠e, verdade que existes ou tudo poesia? a Bem-aventurada Me imagina豫o dos poetas e de pessoas equivocadas, ou existe na realidade?. Vimos que de leituras, de instru豫o, no sentido que damos a esta palavra, nada possua; em conseq獪ncia, tanto mais natural, tanto mais s era sua mente, tanto mais puros seus pensamentos no contaminados com pensamentos de outros. Aquele pensamento dominante em sua mente se fortaleceu dia aps dia, at que foi incapaz de pensar em outra coisa. J no podia dirigir o culto apropriadamente; j no podia atender aos diversos detalhes em toda sua mincia. Com freq獪ncia se esquecia de colocar a oferenda de comida ante sua imagem, s vezes se esquecia de fazer oscilar a luz, de tudo o mais. Por fim, se fez impossvel servir no templo. O abandonou e internou-se num pequeno bosque que ficava perto e ali viveu. Sobre esta parte de sua vida, ele me disse muitas vezes que no podia dizer quando saa o sol, nem quando se punha, nem como viveu. Perdeu todo o pensamento de si mesmo e se esqueceu de comer. Durante esse perodo esteve amorosamente vigiado por um parente, que punha o alimento em sua boca e ele o mastigava mecanicamente.

젨젨젨젨젨젨 Dias e noites transcorreram assim para o jovem. Ao anoitecer, o toque das campanas dos templos chegavam ao bosque; as campanas e as vozes de pessoas cantando entristeciam muito ao rapaz, que chorando exclamava: 밬m dia se foi em vo, Me, e Tu no vieste; outro dia desta curta vida se foi e eu no conheci a verdade. Na angstia de sua alma, s vezes, esfregava seu rosto contra a terra e chorava.

젨젨젨젨젨젨 Esta a tremenda sede que se apodera do cora豫o humano. Mais tarde, este mesmo homem me dizia: 밊ilho meu, suponha que haja um saco de ouro em uma casa e um ladro em uma casa contgua. Crs que o ladro pode dormir? No pode. Sua mente estar continuamente pensando em como entrar na outra casa e apoderar-se do ouro. Crs tu, ento, que um homem firmemente persuadido de que existe uma realidade por detrs de todas estas sensa寤es, de que existe um Deus, de que existe o Uno que nunca morre, o Uno que infinito em meio a toda bem-aventurana e comparados com ela estes prazeres dos sentidos so simples joguetes, pode descansar resignado sem lutar por alcana-lo? Pode parar por um momento seus esforos? No. Enlouquecer em tal anseio.

젨젨젨젨젨젨 Esta divina loucura se apoderou do rapaz. Naquele tempo no tinha instrutor; ningum que o aconselhasse; todo o mundo acreditava que estava louco. Assim pode ocorrer; a quem se afasta das inutilidades do mundo, chamam de louco; mas tais homens so o sal da terra. De tais loucuras tm surgido poderes que movem este nosso mundo e s de tal loucura viro os poderes que, no futuro, movero o mundo.

젨젨젨젨젨젨 Assim passaram dias, semanas, em contnua luta da alma para chegar a verdade. O jovem comeou a ter vises, ver coisas maravilhosas; os segredos de sua natureza comearam a abrir-se para ele. Vu atrs de vu, por assim dizer, ia desaparecendo. A Me mesma se converteu no instrutor e iniciou o rapaz na verdade que buscava. Nesta oportunidade chegou ao lugar uma mulher; formosa, erudita alm de toda compara豫o. Mais tarde, este Santo costumava dizer com respeito a ela, que no era erudita, mas a encarna豫o da erudi豫o; que era a sabedoria mesma em forma humana.

젨젨젨젨젨젨 Aqui vedes tambm o peculiar da na豫o indiana. Em meio ignorncia em que a metade das mulheres hindus vive, em meio do que nos pases ocidentais se chama de falta de liberdade, pode surgir uma mulher de to suprema espiritualidade. Ela foi uma sannyasini, porque as mulheres tambm renunciam ao mundo, deixam suas propriedades, no se casam e se dedicam ao culto de Deus. Veio ela e ao inteirar-se deste jovem no bosque, se ofereceu para ir v-lo e a sua ajuda foi a primeira que ele recebeu. De imediato compreendeu em que consistia a dificuldade e lhe disse: 밊ilho meu, bendito o homem que chega a tal loucura. O universo inteiro est louco; uns por riquezas, outros por prazeres, alguns por fama e outras por centenas de outras coisas. Bendito o homem que est louco por buscar a Deus. Estes so muito poucos.

젨젨젨젨젨젨 Esta mulher permaneceu perto do jovem durante anos; lhe ensinou as formas de religio da ndia; o iniciou nas diferentes prticas de yoga e, como se diz, canalizou aquela tremenda torrente de espiritualidade.

젨젨젨젨젨젨 Mais tarde foi ao mesmo bosque um sannyasin, um dos monges mendicantes da ndia, um erudito, um filsofo. Era um homem peculiar; um idealista. No acreditava que neste mundo existia tal realidade e para demonstrar que nunca viveria sob um teto, vivia ao ar livre, mesmo sob a chuva ou a luz do sol. Este homem comeou a ensinar ao rapaz a filosofia dos Vedas e logo descobriu, com surpresa, que em certos pontos o discpulo sabia mais que o mestre. Esteve por vrios meses com o rapaz e depois de inicia-lo na ordem dos sannyasines, partiu.

젨젨젨젨젨젨 Os parentes acreditaram que poderiam curar sua loucura casando-o. 픰 vezes, na ndia, os pais e os parentes casam as crianas sem seu consentimento. Haviam casado este jovem com a idade de uns dez ou oito anos, com uma menina de cinco. Naturalmente, tal matrimnio no mais que um compromisso; o verdadeiro matrimnio se verifica quando a esposa tem mais idade; o costume que o esposo busque a noiva e a traga a seu lar. Neste caso, no entanto, o esposo tinha esquecido completamente que tinha uma esposa.

젨젨젨젨젨젨 Em seu longnquo lar, a moa tinha ouvido que seu marido havia-se convertido em um entusiasta religioso, a quem alguns at consideravam louco. Decidiu averiguar a verdade por si mesma; ps-se a caminho e chegou ao lugar de residncia de seu esposo. Quando, por fim, ficou em sua presena, este reconheceu, em seguida, o direito que ela tinha a sua vida; no obstante que na ndia toda pessoa, homem ou mulher, que abraa a vida religiosa, fica por isso mesmo livre de toda outra obriga豫o, o jovem rindo-se aos ps de sua esposa, disse: 밶prendi a considerar toda mulher com a Me; mas eu estou a teu servio.

젨젨젨젨젨젨 A donzela era pura e nobre, foi capaz de compreender as aspira寤es de seu esposo e simpatizou com elas. De imediato lhe disse que no desejava arrasta-lo vida mundana, seno estar perto dele, servir-lhe e aprender com ele. Assim, converteu-se em uma de suas devotas discpulas, reverenciando-o sempre como a um ser divino. De maneira que graas ao consentimento de sua esposa, desapareceu a ltima barreira e pode livremente levar a vida que havia escolhido.

젨젨젨젨젨젨 Imediatamente depois, o desejo que se apoderou da alma deste homem foi conhecer a verdade acerca das diversas religies. At ento no havia conhecido nenhuma religio que a sua prpria, queria saber como eram as demais. Assim, buscou instrutores das outras religies. Deveis ter presente sempre o que entendemos na ndia por instrutores; no a vermes de bibliotecas, seno a homens que realizaram, que conhecem a verdade de primeira mo e no sculos depois. Encontrou um santo maometano e foi viver com ele; submeteu-se s disciplinas que este lhe prescreveu e descobriu, com surpresa, que uma vez cumpridas fielmente, tais disciplinas devocionais lhe conduziram a mesma meta que havia alcanado. Uma experincia similar o levou verdadeira religio de Jesus, o Cristo. Percorreu as diversas seitas existentes em nosso pas, que estavam a sua disposi豫o e tudo o quanto empreendeu, o praticou de todo cora豫o. Fez exatamente o quanto lhe diziam que fizesse, e em cada caso obteve idntico resultado. Desta maneira, pela prpria experincia, soube que a meta de todas as religies a mesma; que cada uma trata de ensinar a mesma coisa; que a diferena estava, principalmente, no mtodo e, sobretudo, na linguagem. No fundo, todas as seitas e todas as religies tm a mesma finalidade.

젨젨젨젨젨젨 Logo chegou a convic豫o de que, para ser perfeito, preciso abandonar a idia de sexo, porque a alma no tem sexo, a alma no masculina nem feminina. O sexo existe somente no corpo e o homem que deseja chegar ao esprito no pode, ao mesmo tempo, manter distin寤es quanto ao sexo. Tendo nascido em um corpo masculino, este homem queria por a idia feminina em todas as coisas. Comeou a pensar que era mulher, se vestiu de mulher, falou como mulher, abandonou as ocupa寤es prprias dos homens e viveu entre as mulheres de sua prpria famlia, at que depois de anos desta disciplina, sua mente mudou e esqueceu completamente a idia de sexo; todo pensamento a este respeito se desvaneceu e todo seu ponto de vista sobre a vida mudou, para ele.

젨젨젨젨젨젨 Se fala no Ocidente da adora豫o das mulheres; mas o que se adora comumente, sua beleza e juventude. Em troca, este homem entendia por adora豫o s mulheres, que todo rosto de mulher era o da Bem-Aventurada Me e nada mais que isso. Eu mesmo o vi frente s mulheres depreciadas pela sociedade, cair a seus ps banhado em lgrimas, dizendo: 밠e, em tua forma Tu ests na rua, em outra forma Tu s o universo. Eu te sado, Me, eu te sado. Imaginem a santidade dessa vida, da qual se havia desvanecido toda carnalidade; em que cada rosto de mulher se transfigurava unicamente no rosto da Me Divina, a Bem-Aventurada, a Protetora da raa humana, brilhando sobre o homem capaz de olhar toda mulher com tal amor e reverncia! Isso o que ns queremos. Ousais dizer que a divindade por trs de toda mulher pode ser enganada? Nunca foi e jamais ser. Esta divindade, inconscientemente, se impe por si mesma. Infalivelmente se descobre a fraude, descobre a hipocrisia; em equivocar-se, sente o calor da verdade; a luz da espiritualidade, a santidade da pureza. Tal pureza absolutamente necessria, quando se alcana a verdadeira espiritualidade.

젨젨젨젨젨젨 Esta rigorosa e imaculada pureza se encontrava na vida daquele homem; todas as lutas que temos em nossas vidas haviam terminado para ele. As gemas de espiritualidade, duramente conquistadas, pelas quais havia dado trs quartas partes de sua vida, estavam j em condi寤es de serem entregues humanidade e, ento, comeou sua misso. Seus ensinamentos e prega寤es eram peculiares, pois nunca assumia a posi豫o de mestre. Em nosso pas, o mestre uma pessoa venerada; considerado como Deus. No temos o mesmo respeito nem a nosso pai e me. Estes nos do o corpo, mas o mestre nos mostra o caminho da salva豫o. Somo seus filhos; nascemos na linha espiritual do mestre.

젨젨젨젨젨젨 Todos os hindus vm tributar sua homenagem a um mestre extraordinrio; todos se agrupam ao seu redor. Naquele homem estava o mestre, mas no pensava se tinha que ser respeitado ou no, no tinha a menor idia se que erra um grande mestre; acreditava que era a Me que fazia tudo, no ele. Sempre dizia: 밪e algo bom sai de meus lbios, a Me a que fala; que tenho que ver eu com isso?. Esta foi a nica idia com respeito a sua obra e at o dia de sua morte, nunca a abandonou. Seu princpio era: primeiro formar o carter e conquistar a espiritualidade; logo os resultados viriam por si mesmos. Sua ilustra豫o favorita era: 밦uando a flor de loto se abre, as abelhas vm por sua prpria deciso sugar o mel; deixa que o loto de teu carter floresa completamente e o resultado sobrevir. Esta uma grande li豫o que devemos aprender.

젨젨젨젨젨젨 Meu mestre me ensinou esta li豫o centenas de vezes; contudo, com freq獪ncia a esqueo. Poucos compreendem o poder do pensamento; logo, no apresseis a cavar a cova para se encerrar nela e pensar um pensamento realmente grande e depois de morrer, esse pensamento atravessar os muros diamantinos da cova, vibrar no espao e finalmente penetrar na raa humana inteira. Tal o poder do pensamento; logo, no se apresseis a dar vossos pensamentos a outros. Primeiro tende algo que dar. S ensina quem tem algo a dar; porque ensinar no falar; ensinar no repartir doutrinas, comunicar. A espiritualidade pode se comunicar to realmente como eu os posso dar uma flor. Isto verdade em seu mais literal sentido. Esta idia muito antiga na ndia e tem sua ilustra豫o no Ocidente, na crena terica da sucesso apostlica. Por conseguinte, primeiro formar o carter; tal o dever mais elevado que podeis cumprir. Conheceis a verdade por vs mesmos e muitos viro a quem podeis ensinar depois. Tal era a atitude de meu mestre; ele no censurava a ningum.

젨젨젨젨젨젨 Durante anos vivi com tal homem, mas jamais ouvi de seus lbios uma palavra de condena豫o contra seita alguma. Tinha a mesma simpatia para com todas, havia descoberto a harmonia entre elas. O homem pode ser intelectual, ou devocional, ou mstico, ou ativo e as diversas religies representam um e outro desses tipos. No entanto, possvel que se combinem os quatro em um mesmo homem e isto o que alcanar a humanidade do futuro. Tal era sua idia. No condenava a nenhuma, seno que via o bem de todos.

젨젨젨젨젨젨 As pessoas corriam por milhas para ver este homem maravilhoso, para ouvi-lo falar em um dialeto cada palavra da qual era potentado e estava carregada de luz. No o que se diz, nem em linguagem que se emprega, seno a personalidade de quem fala e que anima sua palavra e lhe d influncia. Cada um de ns percebe isso, s vezes. Ouvimos esplndidos discursos, conferncias maravilhosamente racionais; vamos para casa e esquecemos o quanto ouvimos. Outras vezes ouvimos umas poucas palavras ditas na linguagem mais singela e estas nos acompanham toda nossa vida, chegam a ser parte e por豫o de ns mesmos e produzem resultados duradouros. A palavra de um homem capaz de por sua personalidade nela produz efeito, mas h de ter uma personalidade formidvel. Todo ensinamento implica em dar e tomar; o mestre d e a aluno recebe; mas o primeiro h de ter algo que dar e o segundo, h de estar disposto a receber.

젨젨젨젨젨젨 Este homem foi viver perto de Calcut, capital da ndia e cidade universitria de nosso pas, de onde saem a cada ano centenas de cticos e materialistas; contudo, a mais seleta das diversas universidades ia escuta-lo. Falaram-me deste homem e fui ouvi-lo. Sua aparncia era como a de qualquer individuo ordinrio, nada de notvel se via nele. Empregava uma linguagem muito singela e eu me perguntei: Pode este homem ser um grande instrutor? Conduzi-me at ele e lhe fiz a mesma pergunta que havia formulado a outros durante toda a minha vida: 밅rs em Deus, Senhor?. 밪im, me respondeu. 밣odeis prova-lo, Senhor?. 밪im. 밅omo?. 밣orque O vejo, da mesma forma que o vejo aqui, s que num sentido muito mais intenso. Isso me impressionou. Pela primeira vez havia encontrado um homem que se atrevia a afirmar que via Deus; que a religio era uma realidade, capaz de ser percebida, sentida, de maneira infinitamente mais intensa que o mundo.

젨젨젨젨젨젨 Dia a dia me aproximava mais daquele homem e vi, praticamente, que a religio podia ser dada. Um contato, uma olhada e pude transformar uma vida inteira. Eu havia lido a respeito de Buda, de Cristo e de Maom, todo o escrito sobre essas esses luzeiros de tempos antigos, de como podiam levantar-se e dizer: 밪ede tu so e o homem ficava so. Descobri, ento, que isso era verdade e quando vi, por mim mesmo, este homem, todo meu ascetismo se desvaneceu. Podia desenvolver-se; e meu Mestre costumava dizer: 밃 religio se pode dar e tomar de um modo mais tangvel, mais real que qualquer outra coisa no mundo. preciso ser espiritual primeiro; ter algo que dar e, ento, colocar-se ante o mundo e d-lo. A religio no discurso, nem doutrinas, nem teoria, nem tampouco sectarismo. A religio no pode viver em seitas nem sociedades. a rela豫o entre a alma e Deus; como se pode fazer dela uma sociedade? Desta maneira degeneraria em negcio e onde quer que haja negcio ou princpios comerciais, a espiritualidade morre.

젨젨젨젨젨젨 A religio no consiste em erigir templos ou construir igrejas, ou assistir ao culto pblico; no encontrada em livros, nem em conferncias, nem em palavras, nem em organiza寤es. Todos sabemos que nada nos satisfaz at que conheamos a verdade por ns mesmos. No importa o quanto discutamos ou quanto ouamos, o nico que nos satisfaz nossa prpria realiza豫o; tal experincia possvel para cada um de ns quando decidimos prova-lo. O primeiro ideal desta inten豫o de realizar a religio a renncia. At onde nos seja possvel, temos de renunciar. A luz e a obscuridade, o gozo do mundo e o desfrute de Deus nunca viro juntos. 밡o podeis servir a Deus e a Maom.

젨젨젨젨젨젨 A segunda idia que aprendi de meu Mestre, a qual talvez seja a mais vital, a maravilhosa verdade de que as religies do mundo no so contraditrias nem antagnicas; s so diversas fases da nica Religio infinita e existir sempre; esta Religio se expressa nos diversos pases de diferentes maneiras. Por esse motivo devemos respeitar todas as religies e procurar aceita-las at onde nos seja possvel. As religies se manifestam, no s segundo a raa e a situa豫o geogrfica, mas tambm segundo os poderes individuais. Em um homem, a religio se manifesta com intensa atividade, como trabalho. Em outro, se manifesta por intensa devo豫o; em outro, como misticismo e em outro, como filosofia, etc. errneo dizer aos outros: 밮ossos mtodos no so corretos.

젨젨젨젨젨젨 Aprendeis este segredo central de que a verdade pode ser uma e ao mesmo tempo mltipla; de que podemos ter vises diferentes da mesma verdade de diferentes pontos de vista. Ento, em vez de sentir antagonismos em qualquer uma delas, sentireis infinita simpatia para com todas. Sabendo que, enquanto nascem neste mundo naturezas diferentes, estas requerem diferentes aplica寤es das mesmas verdades religiosas, compreendemos que devemos ser indulgentes uns com os outros. Assim como a natureza unidade dentro da variedade, uma infinita varia豫o no fenomenal e atrs de todas essas varia寤es est o Infinito, o Imutvel, o Absoluto, assim tambm ocorre em cada homem; o microcosmo no mais que uma repeti豫o em miniatura do macrocosmo; apesar de todas essas varia寤es, nelas e atravs delas existe eterna harmonia e devemos reconhece-lo. Esta idia sobre todas as demais constitui, a meu entender, a urgente necessidade da poca. Vindo de um pas que um foco de seitas religiosas ao que por boa ou m fortuna todos aqueles que tm uma idia religiosa querem se elevar - desde minha infncia vivi em contato com as diversas seitas do mundo; at os mrmons foram pregar na ndia. Bem-vindos sejam todos! Aquele o terreno para pregar qualquer religio, porque enraza melhor que em qualquer outro pas.

젨젨젨젨젨젨 Se vais ensinar poltica, os hindus no os entendero, mas se pregais religio, por mais estranha que seja, tereis logo centenas e at milhes de sectrios e amplas oportunidades de convert-los em um deus vivente nesta vida. Eu me alegro que assim seja, pois umas das coisas que queremos na ndia. As seitas dos hindus so muito numerosas, quase infinitas; algumas delas, contraditrias e aparentemente sem remdio. No entanto, todas elas dizem que no so manifesta寤es diferentes da Religio. 밃ssim como os diferentes rios nascem em montanhas diferentes e fluem serpenteando ou em linha reta, mas todos levam e mesclam suas guas no oceano, assim, as diferentes seitas, com seus diversos pontos de vista, chegam todas, no final, a Ti. Isto no teoria, h de se reconhecer, mas no com condescendncia desdenhosa, como se dissesse: 밢h, sim, tem algumas coisas muito boas (alguns at sustentam a peregrina idia de que todas as religies so pequenos fragmentos de uma evolu豫o pr-histrica) 뱈as a nossa a realiza豫o das coisas. Um diz que por ser a sua a religio mais antiga, a melhor; outro afirma o mesmo porque a sua a ltima. Temos que reconhecer que cada um deles tm o mesmo poder de salvar que o outro. Isso de que existe alguma diferena, supersti豫o crassa que se ouve em todas as partes.

젨젨젨젨젨젨 O mesmo Deus responde a todos; no sois vs, nem eu, nem ningum, os responsveis pela segurana e salva豫o do mais mnimo fragmento de alma; o mesmo Deus todo-poderoso responsvel por todas elas. No compreendo como pessoas que afirmam crer em Deus, podem crer, ao mesmo tempo, que Deus confiou toda a verdade a um pequeno grupo de homens e que estes so os guardies do resto da humanidade. No trateis de perturbar a f de homem algum. Se podeis dar-lhe algo melhor, se podeis apoiar a um homem onde quer que este se encontre e empurra-lo para cima, faa-o, mas no destruas o que j existe. O nico instrutor verdadeiro aquele capaz de descer, no mesmo instante, ao nvel do discpulo e transferir sua alma do discpulo, ver por todos os olhos deste, ouvir pelos seus ouvidos e entender por sua mente. Tal instrutor pode ensinar, mas no outro. Todos esses instrutores negativos, destruidores, que existem neste mundo, nunca podero fazer bem algum.

젨젨젨젨젨젨 Em presena de meu Mestre compreendi que o homem pode ser perfeito, mesmo em seu corpo atual. Seus lbios nunca condenaram, nem sequer censuraram ningum. Aqueles olhos haviam transcendido a possibilidade de ver o mal, aquela mente havia perdido o poder de pensar mal. No via mais que bem. Essa formidvel pureza, essa formidvel renncia, o nico segredo da espiritualidade. 밡em pela riqueza, nem pela prognie, mas somente pela renncia se alcana a imortalidade, dizem os Vedas. 밮ende tudo o que tenhas, d-lhes aos pobres e segue-me, disse Cristo.

젨젨젨젨젨젨 Assim tm-se expressado todos os grandes santos e profetas e o cumpriram em suas vidas. Como h de poder se alcanar grande espiritualidade sem essa renncia? Esta renncia est no fundo de todo pensamento religioso, onde quer que esteja; notareis que, a medida em que esta idia de renncia perde fora, mais penetram os sentidos no campo da religio e a espiritualidade diminui na mesma propor豫o. Aquele homem era a personifica豫o da renncia. Em nosso pas, para que um homem chegue a ser um saanyasin, tem que abandonar toda riqueza e posi豫o mundanas e isto cumpriu o Mestre ao p da letra. Teve muitos que consideraram uma bn豫o que ele tivesse aceitado um favor de suas mos, que teriam dado milhares de rpias se ele as quisesse aceitar; mas estes foram os nicos homens dos quais se distanciava. Era um exemplo triunfante, uma realiza豫o vivente do completo domnio da cobia e do desejo do dinheiro. Estava alm de toda idia de ambos. Tais homens so necessrios neste sculo. Essa renncia necessria nesta poca em que os homens comeam a pensar que no podem viver sem o que chamam de 뱋 indispensvel, o qual aumenta em propor豫o geomtrica. Num tempo como este, necessrio que surja um homem capaz de demonstrar aos ascticos do mundo que deseja um a quem no importa um pouco de ouro e toda a fama existente no universo. E tais homens existem.

젨젨젨젨젨젨 Meu Mestre dedicou a primeira parte de sua vida a adquirir espiritualidade e o resto de seus anos a distribui-la. Os homens vinham em multides para ouvi-lo e ele falava durante vinte horas, das vinte e quatro do dia; e isso no em um dia, mas durante meses e meses, at que, por ltimo, seu corpo se esgotou sob a presso de to formidvel tenso. Seu intenso amor pelo gnero humano no lhe permitia negar sua ajuda nem ao mais humilde dos milhares que a pediam. Gradualmente se desenvolveu uma doena larngea mortal; contudo no se pode persuadi-lo de abster-se de tais esforos. To logo se inteirava de que as pessoas pediam para v-lo, insistia em que lhe permitisse a entrada e respondia a todas as suas perguntas. No havia descanso para ele. Certa vez algum lhe suplicou: 밪enhor, vs sois um grande yogui; por que no pe tua mente um pouco no teu corpo e cura tua enfermidade?. No princpio no respondeu, mas ao repetir a splica, disse gentilmente: 밠eu amigo, pensava que eras um sbio, mas falas como outros homens do mundo. Esta mente foi entregue ao Senhor, pretendes que devo recupera-la e a ponha no corpo que no seno uma mera jaula da alma?.

젨젨젨젨젨젨 Assim, continuou pregando ao povo e percorreu a notcia de que seu corpo ia morrer; as pessoas comearam a fluir para ele em multides maiores que antes, no podeis imaginar como as pessoas corriam a estes grandes instrutores na ndia; agrupam-se ao seu redor e os endeusam enquanto esto vivos. Milhares contentam-se em tocar a barra de sua vestimenta. Mediante esta aprecia豫o da espiritualidade nos outros, se produz espiritualidade. Quando um homem quer e aprecia, isso o que consegue; o mesmo ocorre s na寤es. Se vais ndia e dais uma conferncia poltica, por mais importante que seja, apenas encontrareis pessoas que os escute; mas ide e ensinai religio, vive-a, no faleis meramente dela e centenas viro a v-los, a tocar vossos ps. Quando as pessoas supunham que era provvel que este santo homem os deixaria logo, correram a ele mais que antes e meu Mestre continuou ensinando-lhes, sem a menor considera豫o por sua sade. No podiam impedi-lo. Muitas pessoas vinham contestando suas perguntas: 밇nquanto possa falar, devo ensinar-lhes, dizia e cumpria sua palavra. Um dia nos disse que nesse dia iria abandonar seu corpo e repetindo a palavra mais sagrada dos Vedas, entrou em samadhi e, assim, se foi.

젨젨젨젨젨젨 Seus pensamentos e sua mensagem eram conhecidos por muitos poucos capazes de ensina-los. Entre outros, deixou uns poucos rapazes jovens que haviam renunciado ao mundo e estavam dispostos a continuar sua obra. Alguns tiveram a inten豫o de esmaga-los, mas se mantiveram firmes, pois tinham ante eles a inspira豫o daquela grande vida. Tendo estado durante anos em contato com aquela vida bendita, no cederam. Estes jovens viviam como sannyasines, mendigando pelas ruas do povoado onde haviam nascido, mesmo alguns pertencendo a famlias de classe alta. No princpio, tropearam com grandes antagonismos, mas perseveraram e foram, dia aps dia, difundindo por toda a ndia a mensagem daquele grande homem, at que o pas inteiro se encheu com as idias que ele havia pregado. Este homem de uma remota aldeia de Bengala, sem instru豫o, simplesmente pela pura fora de sua determina豫o, realizou a verdade e a deu a outros, deixando s uns poucos jovens para mant-la viva.

젨젨젨젨젨젨 Hoje o nome de Sri Ramakrishna Paramahansa conhecido por toda a ndia, com seus milhes de habitantes. E mais, o poder desse homem se estendeu mais alm da ndia e se tem havido uma palavra de verdade, uma palavra de espiritualidade enquanto se fala pelo mundo todo, eu devo ao meu Mestre; s os erros so meus.

젨젨젨젨젨젨 Esta a mensagem de Sri Ramakrishna ao mundo moderno: 밡o vos preocupeis com doutrinas; no vos preocupeis com dogmas ou seitas, ou com igrejas ou templos; eles contam pouco em compara豫o com a essncia da existncia que mora em cada homem, a qual espiritualidade e quanto mais se desenvolve esta espiritualidade no homem, mais potente este para o bem. Ganha-a primeiro, adquira-a; no critiqueis nada, porque todas as doutrinas e todos os credos contm algo de bom. Demonstrai com vossas vidas que a religio no significa palavras, nem nomes, nem seitas, mas realiza豫o espiritual. Somente so capazes de compreender aqueles que sentiram. Somente quem alcanou a espiritualidade, pode comunica-la aos outros e podem ser os grandes instrutores do gnero humano. Eles, unicamente, so as potncias da luz.

젨젨젨젨젨젨 Quantos mais de tais homens produzam um pas, mais este se elevar; o pas que carea, em absoluto, de tais homens, est simplesmente condenado, nada o pode salvar. Por conseguinte, a mensagem de meu Mestre humanidade : 밪ois espirituais e realizais a verdade por vs mesmos. Ele queria que renuncisseis ao bem de vossos semelhantes; ele queria que deixsseis de trabalhar para provar vossas palavras. Chegou o tempo de renunciar, de realizar; ento vereis harmonia em todas as religies do mundo. Sabereis que no h necessidade de confrontar-se e s ento estareis preparados para ajudar a humanidade. A misso do meu Mestre foi proclamar e expor claramente a fundamental unidade subjacente em todas as religies. Outros instrutores tm ensinado religies especiais que levam seus nomes, mas este grande instrutor do sculo XIX no reclamou nada para si; no perturbou nenhuma religio, porque havia realizado que, em realidade, todas elas so parte e por豫o da nica Religio Eterna.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

밢 SENHOR BUDA

 

Swami Vivekananda

(Conferncia dada em Detroit)

 

 

젨젨젨젨젨젨 Em toda religio encontramos desenvolvida, de maneira particular, um tipo de auto-devo豫o. O tipo de obrar sem um motivo se desenvolve ao mximo, no budismo. No confundais budismo com brahmanismo. Neste pas sois propensos a essa confuso; o budismo uma de nossas seitas. Foi fundado por um grande homem, chamado Gautama, que se fartou das eternas discusses metafsicas de sua poca, dos complicados rituais e mais especialmente do sistema de castas. Algumas pessoas dizem que pertencemos, por nascimento, a certa condi豫o e, por conseguinte, somo superiores a outros que no pertencem a ela. Estava tambm contra o terrvel sacerdcio. Praticava uma religio na qual no havia motivo egosta e foi perfeitamente agnstico quanto metafsica ou teorias sobre Deus.

젨젨젨젨젨젨 Com freq獪ncia perguntavam a Buda se havia um Deus e ele respondia que no sabia. Quando lhe perguntaram qual era a conduta correta, costumava responder: 밢bra bem quem bom. Acorreram a ele cinco brmanes pedindo-lhe que houvesse uma discusso entre eles. Um disse: 밪enhor, meu livro diz que Deus tal e tal e que este o caminho para chegar a Deus. Outro disse: 밒sso um erro, porque meu livro disse tal e tal e este o caminho para chegar a Deus; e assim disseram os demais. Buda escutou a todos eles com calma e depois perguntou a um por um: 밃lguns de vossos livros disse que Deus se encoleriza, que causa dano a algum, que impuro?. 밡o, senhor; todos eles ensinam que Deus puro e bom. 밇nto, amigos meus, por que no os tornais puros e bons, primeiro, para que possais conhecer o que Deus?.

젨젨젨젨젨젨 Naturalmente, eu no subscrevo toda sua filosofia; gosto muito da metafsica, mas para mim. Difere em muitos sentidos; no obstante, o fato de que difere, razo para que no perceba a beleza do homem? Buda foi o nico homem desprovido de todo motivo egosta. Houve outros grandes homens que afirmaram todos ser encarna寤es de Deus e disseram que quem cresse neles, iriam ao cu. Mas que disse Buda no momento de expirar? 밡ada pode ajuda-los; ajuda-os a vs mesmos; obtm vossa prpria salva豫o. Sobre si mesmo, disse: 밄uda o nome do conhecimento infinito, to infinito como o cu; eu, Gautama, alcancei tal estado; todos vs o alcanareis tambm, se os esforais para isto.

젨젨젨젨젨젨 Desprovido de todo motivo egosta, no queria ir ao cu, no queria dinheiro, abandonou seu trono e tudo o demais e foi mendigando seu po por todas as ruas da ndia, pregando pelo bem dos homens e dos animais, com um cora豫o to grande como o oceano. Foi o nico homem sempre disposto a dar sua vida pelos animais para evitar um sacrifcio. Certa vez disse a um rei: 밪e o sacrifcio de um cordeiro te ajuda ir ao cu, sacrificar um homem te ajudar melhor; ento, sacrifica-me. O rei ficou atnito. E, no entanto, este homem no tinha motivo egosta algum. a perfei豫o do tipo ativo e a altura a que chegou demonstra que, mediante o poder da a豫o, podemos alcanar tambm a espiritualidade mais elevada.

젨젨젨젨젨젨 Para muitos, o caminho se torna mais fcil se acreditar em Deus. Mas a vida de Buda atesta que at aquele que no cr em Deus, no conhece metafsica, nem pertence a seita alguma; que no vai a nenhuma igreja ou templo e materialista declarado, at este pode alcanar o mais elevado. No temos direito de julga-lo. Quisera eu possuir uma parte infinitesimal do cora豫o de Buda. Pode ser que Buda acreditasse ou no acreditasse em Deus; isso no me importa. Ele alcanou o mesmo estado de perfei豫o que chegaram outros por bhakti (amor a Deus), yoga ou jnana. A perfei豫o no surge da crena nem da f. De nada servem os discursos. Os papagaios podem falar, tambm. A perfei豫o se alcana mediante a execu豫o desinteressada da a豫o.

 

 

 

 

 

 

DISCUSS홒 NA UNIVERSIDADE DE HARVARD 1

 

Swami Vivekananda

 

 

1. Esta discusso ocorreu na conferncia do swami A Filosofia Vedanta, dada na Sociedade de Graduados em Filosofia da Universidade de Harvard, EE. UU de N. A., em 25 de maro de 1896.

 

젨젨젨젨젨젨 Perg. Gostaria de saber algo sobre o atual movimento do pensamento filosfico na ndia. At que ponto se discute tais questes?

젨젨젨젨젨젨 Resp. Como tenho dito, quase a maioria do povo hindu 밺ualista e a minoria 뱈onista. O tema principal de discusso maia e jiva. Ao vir a este pas, percebi que os jornaleiros estavam a par da atual condi豫o poltica, mas quando lhes perguntei o que religio e quais so as doutrinas de tal ou qual seita, me responderam: 밡o sabemos. Vamos a igreja. Na ndia, se pergunto a um lavrador: 밦uem te governa?, me responde: 밡o sei; pago minhas contribui寤es. Mas se lhe pergunto qual tua religio, me responder: 밪ou dualista e se aprontar para dar-me detalhes sobre maia e jiva. No sabe ler nem escrever, mas aprendeu tudo isto dos monges e gosta de discuti-lo. Depois de seu trabalho dirio, os lavradores se sentam sob uma rvore e discutem essas questes.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Que significa ortodoxia para os hindus?

젨젨젨젨젨젨 Resp. Em tempos modernos significa, simplesmente, obedecer a certas leis de casta e quanto a comida, bebida e matrimnio. Fora disto, o hindu pode adotar qualquer crena que lhe apraza. Nunca existiu na ndia uma igreja organizada, de maneira que nunca houve um grupo de homens que formularam doutrinas ortodoxas. Em termos gerais, dizemos que quem cr nos Vedas so ortodoxos, mas na realidade muitas seitas dualistas crem mais nos Puranas que nos Vedas unicamente.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Que influncia teve vossa filosofia hindusta sobre a dos esticos da Grcia?

젨젨젨젨젨젨 Resp. muito provvel que houve alguma influncia sobre ela por media豫o dos alexandrinos. Existe alguma suspeita de que o pensamento sankhya exerceu alguma influncia em Pitgoras. De todo modo, cremos que a filosofia sankhya o primeiro intento de harmonizar a filosofia dos Vedas por meio da razo. Encontramos a Kapila citado at nos Vedas: 밃quele que apia por meio do conhecimento o primeiro sbio nascido, Kapila.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Em que consiste o antagonismo entre este pensamento e a cincia ocidental?

젨젨젨젨젨젨 Resp. No h antagonismo algum. Estamos em harmonia com ela. Nossa teoria da evolu豫o, do akasha e prana , exatamente, a que vossas filosofias modernas sustentam. Vossa crena na evolu豫o tambm se acha entre nossos yoguis e na filosofia sankhya. Por exemplo, Patanjali fala de uma espcie que se transforma em outra por infiltra豫o da natureza; s difere de vs na explica豫o; o explica como evolu豫o espiritual. Disse que assim como quando um agricultor quer regar seu campo, pegando a gua dos canais prximos, no tem mais que levantar a comporta, assim tambm cada homem o Infinito, s que barras e cavilhas o tem dificultado; mas, enquanto as elimina, se lana e expressa a si mesmo. No animal, o homem estava em estado latente, mas quando surgiram circunstncias favorveis, se manifestou como homem. Assim mesmo, to logo como as circunstncias foram adequadas, se manifestou Deus no homem. De modo que temos muito pouco em que diferir com as novas teorias. Por exemplo, a teoria da sankhya, quanto percep豫o, difere muito pouco da moderna fisiologia.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Mas vosso mtodo diferente?

젨젨젨젨젨젨 Resp. Com efeito. Sustentamos que o nico meio para chegar ao conhecimento concentrar os poderes da mente. Na cincia externa, concentra豫o da mente fixa-la em algo externo; na cincia interna, atrai-la si mesmo. Chamamos yoga a esta concentra豫o da mente.

젨젨젨젨젨젨 Perg. No estado de concentra豫o, se torna evidente a verdade destes princpios?

젨젨젨젨젨젨 Resp. Os yoguis sustentam muitas coisas. Afirmam que por meio da concentra豫o mental, todas as verdades do universo se fazem evidentes para a mente; tanto a verdade interna como a externa.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Que pensam os advaitistas sobre cosmologia?

젨젨젨젨젨젨 Resp. O advaitista diria que toda esta cosmologia e tudo o mais existe unicamente em maia, no mundo fenomenal. Na verdade, no existem. Mas enquanto estamos sujeitos, temos que perceber estas vises. Dentro destas vises as coisas vm com certa ordem regular. Mas alm delas no h lei nem ordem, seno liberdade.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Existe antagonismo entre a advaita e o dualismo?

젨젨젨젨젨젨 Resp. Como os Upanishads no esto em forma sistemtica, foi fcil aos filsofos escolherem textos onde quiseram para formar um sistema, mas sempre buscaram esses textos nos Upanishads, pois do contrrio seus sistemas careceriam de base. No entanto encontramos nos Upanishads todas as diferentes escolas de pensamento. Nossa concluso que no h antagonismo entre a advaita e o dualismo. Dizemos que este ltimo s um de trs escales. A religio compreende trs escales. O primeiro o dualismo; logo o homem ascende a um estado mais elevado, ou seja, no-dualismo parcial. Finalmente percebe que uno com o universo. Por conseguinte, os trs no se contradizem, mas se complementam.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Por que existe maia ou ignorncia?

젨젨젨젨젨젨 Resp. O porqu no se pode perguntar mais alm do limite de causa. S se pode perguntar dentro de maia. Dizemos que responderemos a pergunta quando for formulada logicamente. Antes disto no temos direito de responder.

젨젨젨젨젨젨 Perg O Deus pessoal pertence a maia?

젨젨젨젨젨젨 Resp. Sim; mas o Deus pessoal o mesmo Absoluto visto atravs de maia. O absoluto, sob o controle da natureza, se chama a alma humana; e o que controla a natureza ishvara ou o Deus pessoal. Se um homem parte daqui para vir o sol, primeiro o ver pequeno, mas na medida em que sobe o ver mais e mais grande, at que chegue ao sol real. Em cada etapa de sua ascenso ver, aparentemente, um sol diferente; no entanto estamos seguros de que est vendo o mesmo sol. De mesma maneira que todas estas coisas no so vises do Absoluto e em tal sentido so reais. Nenhuma uma viso falsa; s podemos dizer que constituem uma etapa mais baixa.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Qual o procedimento especial pelo qual algum chega a conhecer o Absoluto?

젨젨젨젨젨젨 Resp. Ns dizemos que h procedimentos: um positivo e outro negativo. O positivo aquele pelo qual o universo marcha, ou seja, o do amor. Se este crculo de amor se dilata indefinidamente, chegamos ao amor universal nico. O outro o 뱊eti, 뱊eti 뱊o isto, 뱊o isto; detendo cada onda na mente que trate de desvia-la; ao fim, a mente morre, por assim dizer e a Real descobre a si mesma. Ns chamamos a isso 뱒amadhi ou superconscincia.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Isso seria, ento, fundir o sujeito com o objeto!

젨젨젨젨젨젨 Resp. Fundir o objeto no sujeito, no fundir o sujeito no objeto. Na realidade, este mundo morre e eu permaneo. Eu sou o nico que permanece.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Alguns de nossos filsofos, na Alemanha, tm opinado que a doutrina inteira bhakti (amor ao divino) e a ndia foi, muito provavelmente, resultado de influncia ocidental.

젨젨젨젨젨젨 Resp. No apoio tal idia, essa suposi豫o foi efmera. O hbakti da ndia no o mesmo que o do Ocidente. A idia nossa central que no devem existir pensamentos de temor; repete sempre: ama a Deus. No h adora豫o por medo, mas sempre por amor, do princpio ao fim. Em segundo lugar a suposi豫o no necessria. Fala-sede bhakti no mais antigo dos Upanishads, o qual muito mais velho que a Bblia crist. Os germes de bhakti se encontram at nos 뱒amhita (hinos vdicos). A palavra bhakti no ocidental; foi sugerida pela palavra 봲hraddha.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Que idia tem a ndia sobre a f crist?

젨젨젨젨젨젨 Resp. Que muito boa. A vedanta aceita todos. Na ndia pensamos de um modo peculiar. Suponhamos que tenho um filho; no devo ensinar-lhe religio alguma, hei de ensinar-lhe respira寤es; a prtica de concentra豫o da mente e s uma brevssima ora豫o; no ora豫o no vosso sentido, mas simplesmente algo assim: 밇u medito Nele que o criador deste universo; que Ele ilumine minha mente. Desta maneira ser educado; logo ir ouvir aos diferentes filsofos e instrutores. Entre estes escolher aquele que melhor lhe acomode. E ser este seu guru ou instrutor e ele se converter em um 뱒hishya ou discpulo. Dir a esse homem: 밇sta forma de filosofia que vos pregais a melhor; sendo assim, ensina-me. Nossa idia fundamental que vossa doutrina no pode ser a minha, nem a minha a vossa. Cada um h de ter sua maneira prpria. Minha filha pode ter um mtodo; meu filho, outro e eu, de minha parte, outro. Cada um tem, pois, seu 밿shta, ou caminho escolhido; mas no o revelamos. O segredo se conserva entre o instrutor e o discpulo para no suscitar querelas. De nada serve falar destas coisas com outros, porque cada um ter que encontrar seu prprio caminho, de maneira que s se pode ensinar filosofia geral e mtodos gerais universalmente. Tomemos um caso, dando um exemplo ridculo, que me convenha dizer que para meu melhor desenvolvimento espiritual devo manter-me parado sobre um p. Os pareceria ridculo se eu dissesse que todos devem fazer o mesmo; mas convm a mim. Me perfeitamente possvel ser dualista e para minha esposa, monista, etc. Um de meus filhos pode adorar Cristo, ou Buda, ou a Maom, contanto que obedea as leis da casta. Tal o ponto 밿shta.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Crem todos os hindus em castas?

젨젨젨젨젨젨 Resp. Esto obrigados a isso. Pode ser que no creiam, mas tm que obedecer.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Praticam-se universalmente os exerccios de respira豫o e concentra豫o?

젨젨젨젨젨젨 Resp. Sim. S que alguns praticam um pouco, o justo para satisfazer os requisitos de sua religio. Os templos da ndia no so como as igrejas daqui; embora todos desapaream amanh, no sentiro sua falta. Constri um templo quem quer ir ao cu, ou ter um filho, ou algo semelhante, logo empregam alguns sacerdotes para que celebrem servios nele. Eu no necessito ir ali, porque fao meu culto em minha casa. Em cada casa h uma habita豫o especial, separada, que se chama capela. O primeiro dever da criana, depois de sua inicia豫o, tomar um banho e logo render culto; seu culto consiste em praticar a respira豫o, a medita豫o e repetir certo nome; ademais deve manter o corpo erguido. Cremos que a mente tem completo poder para manter sadio o corpo. Depois de se fazer isto, vem outro e se senta; cada um guarda silncio. 픰 vezes estaro reunidos trs ou quatro na mesma habita豫o, mas cada qual pode ter um mtodo diferente. Este culto repetido pelo menos duas vezes por dia.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Esse estado de unidade que o senhor fala um ideal, ou algo que se alcana realmente?

젨젨젨젨젨젨 Resp. Ns dizemos que est dentro da realidade; dizemos que realizamos tal estado. Se fosse s falcia, de nada valeria. Os Vedas ensinam trs coisas; primeiro se h de ouvir acerca de Eu, logo se h de racionalizar e depois, h de meditar sobre ele. Quando um homem ouve estas coisas pela primeira vez, h de racionalizar para no crer com ignorncia, mas com conhecimento e, depois, h de realiza-las. E isto religio. A crena no forma parte da religio. Ns dizemos que a religio um estado superconsciente.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Se o senhor chega alguma vez a esse estado de superconscincia, pode dizer algo sobre o mesmo?

젨젨젨젨젨젨 Resp. No; mas o conhecemos por seus frutos. Quando um idiota dorme, ao despertar segue sendo idiota ou algo pior. Outro homem se abisma na medita豫o e quando sai dela, um filosofo, um sbio ou um grande homem. Isso mostra a diferena entre estes estados.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Queria perguntar, prosseguindo a pergunta do professor..., se conhece o senhor pessoas que tenham estudado os princpios do auto-hipnotismo, que indubitavelmente se praticou muito extensamente na ndia e o que se tem dito e praticado recentemente sobre esta questo. Supostamente que no abunda tanto na ndia moderna.

젨젨젨젨젨젨 Resp. O que no Ocidente chamais de hipnotismo no seno uma parte do real. Os hindus o chamam auto-hipnose. Dizem que vs estais j hipnotizados, que deveis sair de tal estado e des-hipnotizar vs mesmos. 밃li o sol no pode iluminar, nem a lua, nem as estrelas; nem tampouco o resplendor do raio; que dizer deste fogo mortal! Brilhando isso, tudo o mais brilha. Isto no hipnose, mas des-hipnose. Ns dizemos que toda religio que pregue essas coisas como reais, pratica uma forma de hipnotismo. O seu o nico sistema que sabe, mais ou menos, que o hipnotismo acompanha toda forma de dualismo. Mas o advaita diz: arremessa at o Deus pessoal; arremessa longe mesmo os Vedas; arremessa at teu prprio corpo e mente e no deixes nada, a fim de ver-te perfeitamente livre do hipnotismo. 밃li, nem a mente, nem a palavra, alcanam; conhecendo a bem-aventurana de Brahman, j no existe o medo. Isto des-hipnose. 밡o tenho nem vcio nem virtude, nem infelicidade nem felicidade; no me interessa os Vedas, nem sacrifcios, nem cerimnias; no sou nem alimento, nem comida, nem o que a come, porque eu sou Existncia Absoluta, Conhecimento Absoluto, Bem-aventurana Absoluta; eu sou Ele, eu sou Ele. Sabemos tudo sobre o hipnotismo. Temos uma psicologia que o Ocidente comea agora a conhecer, mas inadequadamente, lamento diz-lo.

젨젨젨젨젨젨 Perg. A que chamais de corpo astral?

젨젨젨젨젨젨 Resp. O corpo astral o que chamamos 뱇inga sharira. Quando este corpo morre, como pode vir a tomar outro corpo? A fora no pode manter-se sem matria. Assim permanece uma pequena por豫o de matria sutil, por meio da qual os rgos internos constroem outro corpo. Porque cada qual est fabricando seu prprio corpo. a mente que faz o corpo. Se eu chego a ser um sbio, meu crebro se transforma no de um sbio; e os yoguis dizem que, mesmo nesta vida, um yogui pode mudar seu corpo em um corpo-deus.

젨젨젨젨젨젨 Os yoguis exibem muitas coisas maravilhosas. Uma ona de prtica vale como mil libras de teoria. Portanto, eu no tenho direito de dizer que, por no ter visto fazer isto ou outro, falso. Os livros yoguis dizem que, mediante a prtica, pode-se conseguir mltiplos resultados maravilhosos. Os resultados pequenos se podem conseguir em curto tempo, mediante prtica regular; de modo que se v que no h fraude, nem charlatanismo nisso. Estes yoguis explicam, de maneira cientifica, as mesmas coisas maravilhosas mencionadas em todas as escrituras. A questo est em como estes registros de milagres penetraram em todas as na寤es. O homem que diz que todos so falsos e que no necessita explica豫o, no razovel. Vs no tendes o direito de nega-los enquanto no possais demonstrar sua falsidade. S depois de provar que carecem de todo fundamento, tereis o direito de levanta-los e nega-los. Mas isto vs no fizestes. Por outro lado, os yoguis dizem que no so milagres e afirmam que podem realiza-los tambm hoje. Na atualidade se fazem coisas maravilhosas na ndia, mas nenhuma delas se faz por milagre. Existem muitos livros sobre o tema. Portanto, se nada feito a esse respeito, aparte da cientifica aproxima豫o da psicologia, se h de dar crdito aos yoguis.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Pode o senhor dizer, no concreto, que demonstra寤es pode fazer o yogui?

젨젨젨젨젨젨 Resp. O yogui no quer que tenhamos em sua cincia mais f que a que temos nas outras cincias; s nos pede que faamos os experimentos com sinceridade. O ideal dos yoguis tremendo. Eu presenciei as coisas mais baixas que se podem fazer pelo poder da mente; no tenho, pois, direito de negar que possam ser feitas as coisas maiores. O ideal do yogui paz eterna e amor mediante oniscincia e onipotncia. Conheo um yogui que foi mordido por uma cobra e caiu exnime ao cho. tarde se reanimou e ao perguntar-lhe o que havia acontecido, respondeu: 밮i um Mensageiro e meu Bem-amado. Todo dio, ira e inveja, foram eliminados naquele homem. Nada o pde fazer reagir; ele amor infinito, em todo tempo, e onipotente em seu poder de amar. Tal o yogui verdadeiro. E isto de manifestar coisas diferentes acidental, transitrio; no o que ele quer alcanar. O yogui disse: todo ser humano um escravo, exceto o yogui. O homem escravo de seu alimento, do ar, de sua esposa, de seus filhos, do dlar; escravo de sua na豫o; escravo do nome e da fama e de mil coisas deste mundo. O homem no dominado por nenhuma dessas liga寤es, o nico homem real, um verdadeiro yogui. 밅onquista existncia relativa nesta vida quem est firmemente fixado na igualdade. Deus puro e igual para todos. Por conseguinte, se diz que eles vivem em Deus.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Os yoguis atribuem alguma importncia casta?

젨젨젨젨젨젨 Resp. No. A casta s a escola de treinamento para mentes mesmo no desenvolvidas.

젨젨젨젨젨젨 Perg. No existe conexo entre esta idia de superconscincia e o calor da ndia?

젨젨젨젨젨젨 Perg. Eu no creio; porque esta filosofia foi idealizada a uma altura de mais de quinze mil ps sobre o nvel do mar, nos Himalaias, com uma temperatura quase glacial.

젨젨젨젨젨젨 Perg. fcil alcanar xito num clima frio?

젨젨젨젨젨젨 Resp. ; o nico factvel neste mundo. Ns dizemos que cada um de vs vedantista nato. Estais manifestando vossa unidade com tudo, em cada momento de vossa vida. Cada vez que vosso cora豫o se comove sois verdadeiros vedantistas, embora no o sabeis. Sois morais, sem saber porque; e a vedanta a filosofia que analisou e ensinou ao homem como ser moral conscientemente; a essncia de todas as religies.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Diria o senhor que em nosso povo ocidental existe um princpio insocivel que nos faz pluralistas e que o povo oriental mais simpatizante que ns?

젨젨젨젨젨젨 Resp. Eu creio que o povo ocidental mais cruel e o povo oriental mais misericordioso para todos os seres. Mas isso se deve simplesmente a que vossa civiliza豫o muito mais recente. Leva tempo conseguir que algo desperte nossa misericrdia. Possuis muito poder; mas haveis praticado pouco o poder da mente. Tomar tempo faz-los gentis e bons. Este sentimento colore cada gota de sangue na ndia. Se vou s aldeias ensinar poltica s pessoas, no me entendero; mas se vou ensinar-lhes vedanta, diro: 밃gora, swami, o senhor tem razo. Este 뱕airagya, desapego, est em toda a ndia, at hoje. Temos degenerado muito, mas mesmo assim temos reis que abandonam seus tronos e vagam pelo pas sem possuir coisa alguma.

젨젨젨젨젨젨 Em alguns lugares a alde comum com sua roca de fiar disse: 밡o me faleis de dualismo, minha roca disse: 멣oham, Soham, 멐u sou Ele, 멐u sou Ele뮅. Ide e falai com essa gente e pergunta-lhes por que falam assim e, no entanto, se ajoelham ante uma pedra. Eles diro que para vs religio dogma, mas para eles realiza豫o. 밇u serei vedantista, dir um deles, unicamente quando tudo isto se desvanecer e possa ver a Realidade. At ento no haver diferena entre eu e o ignorante. Assim, utilizo estas pedras e vou aos templos, etc., para chegar realiza豫o. Eu ouvi, mas quero ver e realizar. 밠todos diferentes de falar, diferentes maneiras de explicar os mtodos das Escrituras, s so para o gozo dos eruditos, no para alcanar liberdade (Shankara).

젨젨젨젨젨젨 Perg. esta liberdade espiritual entre o povo compatvel com a aten豫o casta?

젨젨젨젨젨젨 Resp. Certamente que no. Eles dizem que no deveria haver castas. At os que pertencem uma casta dizem que no uma institui豫o muito perfeita. Mas aderem, quando encontramos outra e melhor, a abandonaremos. Perguntam: que nos dareis em troca? Onde no existem castas? Em vossa na豫o lutais constantemente para formar uma casta. Enquanto algum possui uma boa quantidade de dlares, diz: 밇u sou um dos Quatrocentos. S ns conseguimos constituir uma casta permanente. Outras na寤es lutam e no conseguem. Temos bastantes supersti寤es e males. Devido s castas que trezentos milhes de pessoas encontram, talvez, um pedao de po para comer. , sem dvida alguma, uma institui豫o imperfeita. Mas se no fosse pelas castas, vs no tereis livros em snscrito para estudar. Esta casta levantou muralhas que rodearam e sitiaram exrcitos invasores de toda espcie sem poder penetra-las. Essa necessidade no desapareceu e por isso a casta se mantm. A que temos agora no a mesma de setecentos anos; cada golpe a reforou. Percebeis que a ndia o nico pas que nunca saiu de sua fronteira em busca de conquistas? O grande imperador Asoka insistiu para que nenhum de seus descendentes devesse sair para conquistar. Se os povos querem enviar-nos instrutores, que nos ajudem; mas que no nos prejudiquem. Por que viriam todos estes povos para conquistar os hindus? Acaso eles prejudicaram alguma na豫o? O pouco bem que puderam fazer, o fizeram para o mundo; ensinaram cincia, filosofia, religio e tem civilizado as hordas selvagens da terra. E esta a recompensa; s assassinato e tirania e cham-los de velhacos pagos. Ledes os livros escritos por ocidentais sobre a ndia e os relatos de muitos viajantes que vo ali. Em represlia de que danos assim se expressam?

젨젨젨젨젨젨 Perg. Qual o conceito vedantista sobre a civiliza豫o?

젨젨젨젨젨젨 Resp. Vs sois filsofos e no credes que uma bolsa de ouro estabelece diferena entre homem e homem. Que valor tem todas estas mquinas e cincias? Produzem um s resultado; difundem conhecimento. Vs no haveis resolvido o problema da necessidade; s haveis aguado essa necessidade. As mquinas no resolvem a questo da pobreza; simplesmente fazem com que os homens lutem mais. A competi豫o aumenta. Que valor tem a natureza em si mesma? Por que levantais um monumento a um homem que envia eletricidade por um arame? No faz a natureza isso mesmo milhes de vezes? J no existe tudo na natureza? Que valor tem que o que tens, posto que est ali? Seu nico valor consiste em que permite o desenvolvimento. O universo , simplesmente, um ginsio em que a alma faz exerccio; depois destes exerccios, nos convertemos em deuses. De maneira que o valor de tudo se julgar calculado at que ponto manifesta豫o de Deus. A civiliza豫o a manifesta豫o dessa divindade no homem.

젨젨젨젨젨젨 Buda foi um dos sannyasines da vedanta. Iniciou uma nova seita, como outras que se iniciam na atualidade. As idias que hoje se classificam como budistas no eram suas, eram muito mais antigas. Foi um grande homem que deu fora s idias. O elemento exclusivo do budismo foi o social. Os brahmanes e os kshatriyas tm sido sempre nossos instrutores; a maior parte dos Upanishads foi escrita por kshatriyas, enquanto que as por寤es ritualistas dos Vedas vieram dos brahmanes. A maioria de nossos grandes instrutores na ndia tem sido kshatriyas, cujos ensinamentos foram sempre universais; enquanto que os profetas brahmanes foram, com exce豫o de dois deles, muito exclusivistas. Rama, Krishna e Buda, adorados como encarna寤es de Deus, foram kshatriyas.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Ajudam a realiza豫o das seitas, as cerimnias e as escrituras?

젨젨젨젨젨젨 Resp. Quando um homem alcana a realiza豫o, abandona tudo. As diversas seitas, cerimnias e livros, servem como meios para chegar a este ponto, so bons; mas se no servem para isso, devem ser trocados. 밢 que sabe, no h de depreciar a condi豫o dos ignorantes, nem tampouco deve destruir a f do ignorante em seu mtodo prprio; seno que mediante a豫o adequada o h de guiar e mostrar o caminho para chegar onde ele est.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Como explica a vedanta a individualidade e a tica?

젨젨젨젨젨젨 Resp. O individuo real o Absoluto; esta personifica豫o o resultado de maia. s aparente; na realidade ela sempre o Absoluto. Na realidade existe s o Uno, mas em maia aparece como muitos. Esta varia豫o est em maia. No obstante, at na mesma maia h sempre tendncia a voltar ao Uno. Como o expressa a tica e a moralidade de cada na豫o, enquanto necessidade constitucional da alma. Encontrar a unidade; esta luta por encontrar a unidade o que chamamos tica e moralidade. Portanto, temos de pratica-la sempre.

젨젨젨젨젨젨 Perg. Acaso, a maior parte de tica no se refere rela豫o entre indivduos?

젨젨젨젨젨젨 Resp. Isso tudo o que . O Absoluto no entra em maia.

젨젨젨젨젨젨 Perg. O senhor disse que o individuo o Absoluto, eu ia lhe perguntar se o individuo possui conhecimento.

젨젨젨젨젨젨 Resp. O estado de manifesta豫o individualidade e a luz de tal estado o que chamamos conhecimento. Por conseguinte, empregar a palavra conhecimento para designar a luz do Absoluto no exato, pois o estado de Absoluto transcende o conhecimento relativo.

젨젨젨젨젨젨 Perg. O inclui?

젨젨젨젨젨젨 Resp. Sim, neste sentido. Assim como um pedao de ouro se pode converter em toda sorte de moedas, o mesmo ocorre com este estado. Pode-se separar em conhecimentos de toda espcie. Se este estado de super-conscincia inclui tanto a conscincia como a inconscincia. O homem que alcana tal estado possui tudo o que chamamos conhecimento. Quando quer realizar a conscincia do conhecimento, h de descer a um escalo mais baixo. O conhecimento um estado inferior; s em maia podemos possuir conhecimento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ENSINAMENTOS INSPIRADOS 1

 

밣laticas Inspiradas (em espanhol)

 

 

Swami Vivekananda

 

 

젨젨젨젨 (Notas tomadas por Miss S.E. Waldo, uma discpula)

 

Tera-feira, junho 25.

 

1. Ensinamentos dados pelo Swami Vivekananda a um grupo de discpulos seletos em Thousand Island Park, EE.UU., vero de 1895.

 

젨젨젨젨젨젨 Depois de cada felicidade, vem a infelicidade; pode estar afastada ou prxima. Quanto mais avanada se acha a alma, tanto mais rapidamente segue uma a outra. O que necessitamos no a felicidade nem a infelicidade. As duas nos fazem esquecer nossa verdadeira natureza; ambas so cadeias, uma de ferro, a outra de ouro; por detrs delas est o Atman, que no conhece a felicidade nem o sofrimento. Esses so estados e, portanto, sujeito a mudanas; mas a natureza da alma felicidade, paz imutvel. No necessitamos obt-la, j a temos; tira a escria e a vereis.

젨젨젨젨젨젨 Afirma-vos no Ser, s ento podereis amar verdadeiramente o mundo. Mantendes-vos em uma posi豫o muito, muito elevada; conhecendo vossa natureza universal, devemos contemplar com perfeita serenidade todo o panorama do mundo. S um jogo infantil; bem o sabemos e por isso no deve perturbar-vos. Se a mente se deleita com o louvor, o desagradar a censura. Todos os prazeres dos sentidos e at os da mente so fugazes, mas dentro de ns mesmos se acha o nico verdadeiro prazer que de nada depende e com nada se relaciona. perfeitamente livre, a felicidade. Quanto mais interior for nossa felicidade, tanto mais espirituais somos. O prazer do Eu Superior o que o mundo denomina de religio.

젨젨젨젨젨젨 O universo interno, o real, resulta infinitamente maior que o externo, sombria proje豫o do verdadeiro. Este mundo no verdadeiro nem ilusrio, a sombra da verdade. 밃 imagina豫o a dourada sombra da verdade, disse o poeta.

젨젨젨젨젨젨 Penetramos na cria豫o e ento ela se torna vivente para ns. As coisas em si mesmas esto mortas; somos ns que damos vida e logo, como loucos, giramos ao se redor, nos assustando e gozando delas. Mas procureis no vos parecer com aquelas pescadoras que, surpreendidas por uma tormenta ao regressar do mercado aos seus lares, tiveram que se refugiar na casa de uma florista. Foram alojadas para passar a noite em uma habita豫o prxima, onde o ambiente estava saturado da fragrncia das flores. Em vo trataram de dormir, at que uma delas props que umedecessem as cestas e as aproximassem de suas cabeas. Ento dormiram profundamente.

젨젨젨젨젨젨 O mundo nossa cesta de pescado; no devemos depender dela para nosso bem-estar; quem o faz so tamasas, ligados. Depois esto os rajasas, ou seja, os egostas, que sempre dizem eu, eu; s vezes fazem o bem e podem chegar a ser espirituais. Mas os mais elevados so os sattwikas, os introspectivos, que s vivem no Eu. Estas trs qualidades: tamas, rajas e sattwa se acham em todos ns e em todo momento predomina uma delas.

젨젨젨젨젨젨 A cria豫o no implica na constru豫o de algo, mas na luta por recobrar o equilbrio como as de cortias atiradas no fundo de um cubo de gua e que sobem precipitadamente superfcie, juntas ou separadas. A vida est e deve estar acompanhada pelo mal. Um pouco de mal a origem da vida; a pouca perversidade que existe no mundo muito conveniente, pois ao se recuperar o equilbrio, o mundo terminaria, j que a homogeneidade e a destrui豫o so uma mesma coisa. Enquanto o mundo marcha, o bem e o mal vo com ele; mas quando o transcendemos, nos liberamos do bem e do mal e obtemos a felicidade.

젨젨젨젨젨젨 Jamais ser possvel conseguir prazer sem dor, bem sem mal, porque a mesma vida no seno o equilbrio perdido. O que necessitamos liberdade, no vida, nem prazer, nem bem. A cria豫o infinita, carece de principio e de fim; uma incessante onda em um lago infinito. Existem profundidades no alcanadas ainda e outras, onde o equilbrio j foi recuperado, mas a onda progride constantemente, eterna a luta por recobrar o equilbrio. Vida e morte so s diferentes nomes de um mesmo fato, o verso e reverso de uma moeda. Ambos so Maia, o inexplicvel estado de esforar-se em viver em certo momento e morrer um instante depois. Alm disto encontra-se a verdadeira natureza, o Atman. Ainda que reconheamos um Deus, na realidade s o Eu, do qual nos separamos e que adoramos como se estivesse fora de ns, mas Ele sempre nosso verdadeiro Ser. Ele somente e o nico Deus.

젨젨젨젨젨젨 Para recuperar o equilbrio devemos contrabalanar o tamas com rajas e depois conquistar o rajas com satwa, esse estado tranqilo e belo que ir crescendo constantemente at que tudo o mais tenha desaparecido. Rompe teus vnculos, converte-te em filho, se livre e ento poders ver o Pai, como Jesus O viu. A fora infinita religio e Deus. Evita a debilidade e a escravido. S s uma alma se fores livre; alcanars a imortalidade se fores livre; existe um Deus se Ele livre.

 

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젨젨젨젨젨젨 O mundo para mim, no eu para o mundo. O bem e o mal so nossos escravos, no ns os seus. Na besta natural permanecer onde est (no progredir); natural no homem buscar o bem e iludir o mal; em Deus, natural no buscar nem um nem outro, mas ser eternamente feliz. Sejamos deuses! Fazei do cora豫o um oceano; ide mais alm das trivialidades mundanas. Enlouquecei de jbilo mesmo ante o mal; considerai o mundo como um quadro e desfrutai de sua beleza sabendo que nada vos afeta. Crianas que encontram miangas em um pntano, tal o bem no mundo. Contemplai o mundo com serena complacncia, considerai o bem e o mal como numa e mesma coisa, pois ambos so simplesmente o jogo de Deus; gozai de tudo.

젨젨젨젨젨젨

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젨젨젨젨젨젨 Meu Mestre costumava dizer: 밫udo Deus, mas o Deus-tigre deve ser evitado. Toda a gua gua, mas a gua suja no serve para beber.

젨젨젨젨젨젨 O firmamento inteiro o incensrio de Deus; o sol e a lua so as lmpadas. Que templos necessitamos? Todos os olhos so Teus e no entanto Tu no tens olhos; todas as mos so Tuas e no obstante Tu no tens mos.

젨젨젨젨젨젨 No busques nem recuses, toma o que vier. A liberdade consiste em no deixar que coisa alguma nos afete. No te contentes em suportar; mantenha-te desligado. Recorda o conto do touro: um mosquito pousou durante longo tempo no chifre de um touro, mas lhe remoeu a conscincia e disse: 밪enhor touro, permaneci aqui um longo tempo, talvez tenha-o incomodado; lamento muito, vou embora. O touro lhe respondeu: 밡o, de maneira nenhuma! Podes trazer tambm toda sua famlia e viver com ela em meu chifre, que isso me importa?.

 

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Quarta-feira, junho 26.

 

젨젨젨젨젨젨 Efetuamos nosso melhor trabalho, exercemos nossa maior influncia quando esquecemos por completo o eu. Todos os grandes gnios o sabem. Nos abramos ao nico Divino Ator e deixemo-lo obrar; nada faamos. 밢h, Arjuna! Eu no tenho dever algum no mundo, disse Krishna. Sedes perfeitamente resignados, perfeitamente indiferentes; s ento podereis realizar a verdadeira obra. No h olhos que possam ver as foras reais, s podemos ver os resultados; deixe de lado o eu, perca-o, esquea-o; deseje simplesmente que Deus atue, pois assunto Seu. No temos nada a fazer, seno que nos afastar e deixar que Deus atue. Quanto mais nos afastamos, tanto mais se aproxima Deus. Despoja-te do pequeno eu e deixe viver s o grande Eu.

젨젨젨젨젨젨 Somos o que nossos pensamentos nos tornaram; portanto tem cuidado com o que pensais. As palavras tm importncia secundria. Os pensamentos vivem e vo muito longe. Cada pensamento que pensamos est colorido com nosso prprio carter; por conseguinte, no homem santo e puro at suas repreenses e brincadeiras levaro o selo de seu prprio amor e pureza e faro bem.

젨젨젨젨젨젨 Nada desejeis; penseis em Deus e no busqueis recompensas; o homem carente de desejos quem obtm resultados. Os monges mendicantes levam a religio at a porta de casa, mas crem que nada fazem; no pretendem coisa alguma; fazem sua obra inconscientemente. Se comerem o fruto da rvore do conhecimento, tornar-se-iam egostas e desapareceria todo o bem que fizeram. To logo como dizemos eu, nos referimos a ns mesmos e a isto chamamos conhecimento, mas no seno dar voltas e mais voltas, como o boi atado a uma rvore. O Senhor quem tem conseguido ocultar melhor e Sua obra a melhor; assim que, quem melhor se oculta o que mais faz. Conquista a vs mesmos e o universo ser vosso.

젨젨젨젨젨젨 No estado de sattwa vemos a natureza das coisas, transcendemos os sentidos e a razo. A diamantina muralha que nos encerra o egosmo; tudo o que referimos a ns mesmos, pensando eu fao isto, eu fao aquilo e tudo o mais. Voa despojais do mesquinho eu; matais em vs este demnio; no eu, mas Tu; dize-o, sinta-o, vive-o. Enquanto no deixarmos o mundo manufaturado pelo ego, no poderemos entrar no reino dos cus. Ningum o alcanou e nem o alcanar dessa forma. Afastar-se do mundo esquecer do ego, desconhece-lo por completo, viver no corpo, mas no ser dele. Este ego patife deve ser eliminado. Bendizeis a quem os injuriam; pensais bem no que eles esto fazendo; eles s podem causar dano a si mesmos. Ide onde as pessoas odeiem, deixai que lhes aoitem o ego e o arranque, assim vos aproximareis mais do Senhor. Faamos como a macaca 1, abracemos a nosso filho, o mundo, enquanto podemos; mas no fim, quando nos vermos obrigados a pisote-lo e passar por cima dele, ento estaremos prontos para chegar a Deus. Bem-aventurado aquele que perseguido por amor justia. Bem-aventurados se no sabemos ler, porque ser menos o que nos separa de Deus.

 

1.      A macaca sente muito carinho para com seus filhos, enquanto no existe perigo, mas quando este chega, no tem escrpulos em atira-los ao cho e pisote-los, se for necessrio, para se salvar. (Ed.).

 

젨젨젨젨젨젨 Devemos pisotear e esmagar o prazer, a serpente de um milho de cabeas. Renunciamos, continuamos avanando, logo nada achamos e nos desesperamos; mas perseverai, perseverai. O mundo um demnio, um reino com um pequeno ego como rei. Destronai-o e mantenha-vos firmes. Abandonai a luxria, o ouro e a fama e apegue-se ao Senhor; desta maneira chagareis finalmente a um estado de perfeita indiferena. A idia de que o deleite dos sentidos constitui um prazer, puramente materialista; no h nem uma chispa de verdadeiro prazer nisso; toda a alegria que produz um mero reflexo da verdadeira felicidade.

젨젨젨젨젨젨 Aqueles que se entregam ao Senhor, fazem mais pelo mundo que todos os chamados trabalhadores. O homem que se purificou completamente, faz mais que um regimento de pregadores. Da pureza e do silncio procede a palavra poderosa.

젨젨젨젨젨젨 밪ede como a aucena, permaneceis quietos em seu lugar, abris vossas ptalas e as abelhas viro por si mesmas. Era grande o contraste entre Keshab Chunder Sem e Sri Ramakrishna; este nunca reconheceu no mundo nenhum pecado, nem dor, nem mal contra o qual lutar. O primeiro era um grande reformador tico, dirigente e fundador da Brahmo-Samaj. Em doze anos o tranqilo profeta de Dakshineswar produziu uma revolu豫o, no s na ndia, mas no mundo todo. O poder pertence aos silenciosos que s vivem e amam e logo retiram sua personalidade. Nunca dizem mim, nem meu; sentem-se felizes sendo instrumentos. Tais homens so os construtores de Cristos e Budas, sempre viventes, completamente identificados com Deus, existncias ideais que nada pedem, nem esto conscientes de que fazem algo. So os verdadeiros impulsionadores, os jivanmuktas 1, absolutamente desprovidos de eu, nos quais desapareceu por completo a pequena personalidade e no existe a ambi豫o. So todo princpio, sem personalidade.

 

1. Jivanmuktas, literalmente: livres mesmo em vida. (Ed.).

 

 

Segunda-feira, julho 1.

(Sri Ramakrishna Deva)

 

젨젨젨젨젨젨 Sri Ramakrishna era filho de um brahmin muito ortodoxo que recusava at um favor, se no lhe era oferecido por certa classe de brahmines; no podia trabalhar, nem sequer ser sacerdote em um templo, nem vender livros, nem servir a ningum. S podia aceitar o que lhe 밹asse dos cus (esmolas) e at estas no podiam proceder de um brahmin cado. A religio hindu no d importncia aos templos; se todos fossem destrudos, a religio no ficaria afetada o mnimo por isso. O homem deve construir uma casa somente para 밆eus e para os hspedes; faze-la para si mesmo seria incorrer no egosmo; por conseguinte, ele erige os templos como moradas para Deus.

젨젨젨젨젨젨 Devido extrema pobreza de sua famlia, Sri Ramakrishna se viu obrigado, em sua adolescncia, a aceitar o cargo de sacerdote em um templo dedicado a Divina Me, chamada tambm prakriti ou Kali, representada pela figura feminina de p sobre outra masculina; a qual significa que at que desaparea maia, nada podemos conhecer. Brahman neutro, desconhecido e incognoscvel, mas para objetivar-se, se cobre com o vu de maia, se converte na Me do universo e desse modo produza cria豫o. A figura prostrada (Shiva ou Deus) se torna sava (morta, inerte) por estar coberta de maia. O jnani diz: 밇u descobrirei Deus pela fora (advaitismo); mas os dualistas exclamam: 밆escobriremos Deus orando Me, rogando-lhe que nos abra a porta cuja chave s Ela possui.

젨젨젨젨젨젨 O servio dirio da Me Kali despertou gradualmente to intensa devo豫o no cora豫o do jovem sacerdote, que chegou um momento em que no pode continuar o culto regular do templo, de modo que abandonou seus deveres e se retirou a um pequeno bosque prximo, onde se entregou por inteiro medita豫o. O bosque estava nas margens do Ganges e certo dia a corrente atirou aos ps de Sri Ramakrishna os exatos materiais necessrios para construir uma pequena choupana. Naquela choupana residiu, chorou e orou, sem preocupar-se com seu corpo, nem de coisa alguma que no fosse sua Divina Me. Um parente lhe dava de comer uma vez por dia e zelava por ele. Mais tarde chegou a ele uma dama sannyasini (asceta) para ajuda-lo a achar a sua Me. Qualquer mestre que necessitava, vinha a ele sem buscar-lhe; apresentou-se a ele um santo de cada seita para oferecer-lhe instru寤es e a cada um escutou ansiosamente. Mas ele adorava s a Me; tudo era a Me, para ele.

젨젨젨젨젨젨 Sri Ramakrishna jamais pronunciou uma palavra dura contra ningum. Era to belamente tolerante, que cada seita considerava que lhe pertencia; amava a todas e para ele todas as religies eram verdadeiras. Achou lugar para cada uma delas. Ele era livre, mas livre em amor, no em violncia. O tipo suave cr, o violento espalha. Paulo foi o tipo da violncia para espalhar a luz 1.

 

1.      Muitos tm dito que o swami Vivekananda foi, de certo modo, o So Paulo de Ramakrishna. (Ed.).

 

젨젨젨젨젨젨 A poca de So Paulo, porm, passou; temos que ser as novas luzes para a poca atual. Hoje necessitamos de uma organiza豫o adaptada aos nossos dias. Quando a tivermos, esta ser a ltima religio do mundo. A roda deve girar e ns devemos ajuda-la e no entorpecer seu movimento. As ondas do pensamento religioso sobem e descem; sobre a mais alta est o profeta da poca. Ramakrishna veio para ensinar a religio de hoje, construtiva, no destrutiva. Teve que voltar natureza em busca de fatos e adquiriu uma religio cientifica que nunca disse crer, mas ver; eu vejo, e tu tambm podes ver. Empregueis os mesmos meios e alcanareis a mesma viso. Deus chegar a cada um de ns; a harmonia se encontra ao alcance de todos. Os ensinamentos de Ramakrishna constituem a essncia do hinduismo; no lhe pertencia como coisa prpria, nem jamais pretendeu que o fosse; nada lhe importava, nome nem fama.

젨젨젨젨젨젨 Comeou a pregar quando tinha uns quarenta anos, mas nunca saiu para faze-lo. Esperava que quem necessitasse de seus ensinamentos viesse a ele. De acordo com o costume hindu, foi casado por seus pais numa idade precoce, com uma menina de cinco anos que ficou na casa com sua famlia, em uma aldeia distante, inconsciente da grande luta pela qual seu jovem esposo estava passando. Quando ela chegou a maturidade, j ele estava profundamente absorvido na devo豫o religiosa. Ela viajou a p desde sua casa at o templo de Dakshisneswar, onde ele residia e assim que o viu, conheceu sua grandeza, porque ela tambm era uma grande alma, pura e santa, que s aspirou a ajudar-lhe em sua obra, sem intentar nunca faze-lo descer ao nvel de grihastha (chefe de famlia).

젨젨젨젨젨젨 ndia adora a Sri Ramakrishna como uma das grandes Encarna寤es; o aniversrio de seu nascimento celebra-se ali como festival religioso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tera-feira, julho 2.

(A Divina Me)

 

젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨 Swami Vivekananda

 

젨젨젨젨젨젨 Os saktas adoram a Energia Universal como Me, o nome mais doce que conhecem; porque representa o ideal mais elevado de feminilidade na ndia. Os hindus chamam o caminho da direita e a adora豫o de Deus como Me, como Amor; que conduz espiritualidade, mas nunca prosperidade material. O adorar a Deus em seu aspecto terrvel dizer no caminho da esquerda e conduz, geralmente, grande prosperidade material, mas raras vezes espiritualidade e, eventualmente, leva degenera豫o e extin豫o da raa que o pratica.

젨젨젨젨젨젨 A me a primeira manifesta豫o de poder e considerada como um conceito mais elevado que o pai. Com o nome de me vem a idia de sakti, a Energia Divina e a onipotncia, da mesma maneira que a criana cr que sua me todo-poderosa, capaz de fazer qualquer coisa. A Divina me o Kundalini 1 que dorme em ns; sem adora-la nunca poderemos conhecer a ns mesmos. A onipresena, onipotncia e absoluta misericrdia, constituem os atributos da Divina Me. Constituem a soma total da energia no universo. Cada manifesta豫o de poder no universo a Me. Ela a Vida, a Inteligncia e o Amor. Est no universo e, no entanto, est separada dele. uma pessoa e pode ser vista e conhecida (como a viu e conheceu Sri Ramakrishna). Apoiados no conceito de Me, podemos fazer qualquer coisa. Ela responde rapidamente as ora寤es.

 

1.      Kundalini: 밇nrolado na forma de espiral. A energia existente, que segundo os yoguis est situada na base da coluna vertebral, a que nos homens comuns produz sonhos, imagina寤es, percep寤es psquicas, etc., e a que conduz percep豫o direta de Deus quando est completamente desperta e purificada. (Ed.).

 

젨젨젨젨젨젨 Pode mostrar-se a ns sob qualquer forma e em qualquer momento. A Divina Me pode ter forma (rupa) e nome (nama) ou nome sem forma e ao adora-la nesses variados aspectos, podemos nos elevar a Existncia pura que carece de forma e de nome.

젨젨젨젨젨젨 O conjunto de todas as clulas de um organismo constitui uma pessoa; da mesma maneira, cada alma como uma clula e a soma delas Deus; mais alm disto est o Absoluto. O Absoluto o mar em calma; o mesmo mar com ondas, a Divina Me. Ela tempo, espao e causalidade; Deus Me e possui duas naturezas, a condicionada e a no-condicionada. Como condicionada Deus, natureza e alma (homem). Como no-condicionada desconhecida e incognoscvel. Do incondicionado provm a trindade: Deus, natureza e alma, o tringulo da existncia. Esta a idia vishihtadvaista 1.

 

1.      Vishishtadvaista: monismo qualificado (Ed.).

 

젨젨젨젨젨젨 Krishna foi um fragmento, uma gota da Me; Buda foi outra e outra foi Cristo. A adora豫o, embora seja de uma chispa da Me em nossa me terrena, conduz grandeza. Adorai a Ela, se quereis amor e sabedoria.

 

Sbado, julho 20.

젨젨젨젨젨젨 A percep豫o constitui nosso nico conhecimento real ou religio. Embora falemos de nossa alma durante sculos, no a conheceremos com isso. No existe diferena entre teorias e atesmo. Na realidade, o ateu o homem mais sincero. Cada passo que dou para a luz meu para sempre. Quando vais a um pas e o vistes, ento vosso. Cada um de ns deve ver por si mesmo; os mestres s podem trazer o alimento, ns temos que come-lo para nos nutrir. Os argumentos nunca podem demonstrar Deus, exceto como uma concluso lgica.

젨젨젨젨젨젨 impossvel achar Deus fora de ns. Nossas prprias almas produzem toda a divindade que h fora de ns. Somos o maior de todos os templos. A objetiva豫o s uma dbil imita豫o do que vemos dentro de ns mesmos.

젨젨젨젨젨젨 A concentra豫o dos poderes da mente o nico instrumento de que dispomos para ver a Deus. Se conhecerdes uma alma (a vossa), conhecereis todas as almas passadas, presentes e futuras. A vontade concentra a mente e certas coisas excitam e controlam esta vontade, tais como a razo, o amor, a devo豫o, a respira豫o, etc. A mente concentrada uma lmpada que nos mostra todos os rinces da alma.

젨젨젨젨젨젨 No existe um mtodo que convena a todos. Os diferentes mtodos no so passos necessrios que devem dar-se uns depois dos outros. As cerimnias constituem a forma inferior, depois vem o Deus externo e logo o interno. Em alguns casos pode se necessitar de gradua豫o, mas em muitos necessrio um s caminho. Seria a maior loucura dizer a todos: 밆eveis passar por carma e bhakti antes de poder alcanar jnana.

젨젨젨젨젨젨 Aferreis-vos vossa razo at que alcanceis algo mais elevado e sabereis que mais elevado, porque no estar em choque com a razo. O estado superior conscincia a inspira豫o (samadhi), mas no confundais os transes histricos com a inspira豫o real. coisa terrvel pretender falsamente que se sinta tal inspira豫o e confundi-la com instinto. No existe prova externa da inspira豫o, a conhecemos por ns mesmos; nosso guardio contra o erro negativo: a voz da razo. Toda religio consiste em ir alm da razo, mas a razo a nica guia para chegar a ela. O instinto se parece ao gelo, a razo com a gua e a inspira豫o com a forma mais sutil, o vapor; cada um sucede ao outro. Em todas as partes se acha este eterno encadeamento; inconscincia, conscincia, inteligncia; matria, corpo e mente; e a ns parece como se a cadeia comeasse no elo particular que primeiro nos vem a mo. Os argumentos de ambos os lados so de igual peso e verdadeiros. Devemos chegar mais alm deles, onde no existe nem um, nem outro. Todas essas sucesses, so maia.

젨젨젨젨젨젨 A religio se acha por cima da razo, sobrenatural. A f no crena, seno apoderar-se do ltimo, uma ilumina豫o. Primeiro se deve ouvir, logo racionalizar e achar quando pode oferecer a razo prxima de Atman; deixai que a aluvio da razo passe sobre ele, depois tome o que ficar. Se no ficar nada, ds graas a Deus por haver escapado da supersti豫o. Quando houveres determinado que nada pode arrebatar o Atman, que ele resiste a todas as provas, aferra-vos a isto e ensina-o a todos. A verdade no pode ser parcial, para o bem de todos. Finalmente meditai nela em perfeita paz e repouso, concentrai vossa mente e unificai-vos com ela. Ento no ser necessria nenhuma palavra; o silncio conduzir a verdade. No gasteis vossas energias em falar; meditais em silncio e no permitais que o burburinho do mundo externo vos perturbe. Quando vir, a mente se achar no estado mais elevado, sereis inconscientes dele. Acumuleis potncia em silncio e converte-os num dnamo de espiritualidade. Que pode dar um mendigo? Somente o rei pode dar unicamente quando nada necessita para ele.

 

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젨젨젨젨젨젨 Considerai vosso dinheiro como se fosseis simplesmente custodias de algo que pertence a Deus. No tenhais apego por ele. Abandoneis nome, fama e dinheiro; constituem uma escravido terrvel. Sentis a maravilhosa atmosfera de liberdade. Sois livres, livres, livres! Bem-aventurado sou! Sou livre! Sou o infinito! No posso achar princpio nem fim em minha alma. Tudo meu Eu. Repetis incessantemente.

 

Segunda-feira, julho 29.

젨젨젨젨젨젨 픰 vezes indicamos uma coisa descrevendo aquilo que a rodeia. Quando dizemos Satchidananda (Existncia, Conhecimento, Felicidade), indicamos simplesmente as costas de um indescritvel Mais Alm. Ao nos referirmos a isso, nem sequer podemos dizer , porque isto tambm relativo. Qualquer imagina豫o, qualquer conceito, resulta vo; neti, neti (isto no, isto no) tudo quanto podemos dizer, porque at o pensar implica em limitar e, portanto, perder.

젨젨젨젨젨젨 Os sentidos os enganam dia e noite. A vedanta o descobriu h muito tempo; a cincia moderna recm est observando o mesmo fato. Um quadro s tem comprimento e largura e o pintor copia o erro da natureza, dando-lhe artificialmente a aparncia de profundidade. No existem duas pessoas que vejam o mesmo mundo. O mais elevado conhecimento lhes dir que no h movimento nem mudana em nada; que somente a idia disso j mais. Estudar a natureza como um todo dizer estudar o movimento. Nem a mente, nem o corpo, so o nosso Ser real; ambos pertencem natureza; mas eventualmente podemos conhecer o ding na sich 1. Ento, tendo transcendido o corpo e a mente, desaparece quando eles concebem. Quando deixeis completamente de conhecer e ver o mundo, realizareis o Atman. O que necessitamos a supresso do conhecimento relativo. No h mente infinita nem infinito conhecimento, porque tanto a mente como e conhecimento, so limitados. Vemos agora atravs de um vu; depois alcanamos a incgnita, que a Realidade de todo nosso conhecimento.

 

1.      Ding an sich: expresso alem que significa 밶 coisa em si. (Ed.).

 

젨젨젨젨젨젨 Se olharmos um quadro atravs de um orifcio feito em um carto com a ponta de um alfinete, adquirimos uma no豫o completamente equivocada; no entanto, vemos realmente a pintura. A medida em que ampliamos o orifcio, teremos uma idia mais clara. Obtemos as diferentes vises da realidade, de acordo com nossas incorretas percep寤es de nome e forma. Ao tirar o carto, veremos o mesmo quadro, mas o vemos tal como . Ns absorvemos todos os atributos, todos os erros, sem que por isso se altere o quadro. Isto porque o Atman a realidade de tudo; tudo o quanto vemos Atman. Mas no tal como o vemos, como homem e forma; isto est em nosso vu, em maia.

젨젨젨젨젨젨 Se parecem com as manchas na objetiva de um telescpio; contudo, a luz do sol quem nos mostra as manchas. No poderamos ver nem sequer a iluso, a no ser pelo fundo da realidade que Brahman. O swami Vivekananda precisamente a pequena mancha que est sobre a objetiva. Eu sou Atman, real, imutvel e s essa realidade me permite ver o swami Vivekananda. Atman a essncia de toda alucina豫o; mas o sol nunca se identifica com as manchas que existem no cristal do telescpio; s nos faz ver. Nossas a寤es, segundo sejam boas ou ms, aumentam ou diminuem as manchas, mas nunca afetam a Deus que existe em nosso interior. Se limparmos perfeitamente a mente de manchas, instantaneamente vemos que 밇u e meu Pai somos um.

젨젨젨젨젨젨 Ns percebemos primeiro e racionalizamos depois. Devemos ter esta percep豫o como um fato e isto de chama religio, realiza豫o. No importa que algum nunca tenha ouvido falar de credo, profeta ou livro; que adquira essa realiza豫o e no necessite de mais nada. Depuremos a mente, nisto consiste toda a religio; e at que ns mesmos eliminemos todas as manchas, no poderemos ver a Realidade tal como . A criana no v o pecado; carece at de capacidade suficiente para isso. Livrais-vos dos defeitos dentro de vs mesmos e j no podeis v-los fora. Uma criana v um roubo sem que tenha significado para ela. Enquanto tenhais visto uma vez a figura oculta em um quebra-cabea, a vereis sempre depois; da mesma maneira, quando vos acheis livres e imaculados, s vereis liberdade e pureza no mundo que os rodeia. 밡esse momento se desatam todos os ns do cora豫o; o tortuoso torna-se reto e este mundo se desvanece como um sonho. E ao despertar, como nos admiramos de ter conseguido sonhar algo to disparatado!

젨젨젨젨젨젨 밃dquirido isso, nem o sofrimento, grande como uma montanha, possui o poder de comover a alma.

젨젨젨젨젨젨 Com a tocha do conhecimento, cortais e separais as rodas: o Atman fica livre, embora o impulso do movimento adquirido faa girar a roda da mente e do corpo. Esta roda s poder, agora, marchar retamente e fazer o bem. Se o dito corpo fizer algo mau, sabereis que o homem no jivanmukta; mentireis, se afirmareis tal coisa. Somente quando as rodas tiverem alcanado um movimento reto e bom (pela depura豫o da mente), se pode aplicar a machadada. Toda a a豫o purificadora d, consciente ou inconscientemente, golpes sobre a iluso. Chamar pecador a outro o pior que podereis fazer. Uma boa a豫o efetuada com ignorncia, produz o mesmo resultado e ajuda a romper as liga寤es.

젨젨젨젨젨젨 O erro fundamental consiste em identificar o sol com as manchas que podem existir na objetiva do telescpio. Sabeis que nada afeta, jamais, o sol, o Eu e consagrai-vos a eliminar as manchas. O homem o ser maior que pode existir. O culto mais elevado adorar ao homem como Krishna, Buda, Cristo. Acrediteis quanto desejeis. Livre-vos do desejo.

 

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젨젨젨젨젨젨 Os anjos e os defuntos esto todos aqui, vendo este mundo como cu. Cada um v a incgnita de acordo com sua disposi豫o mental. A melhor viso da incgnita pode ser alcanada aqui, na terra. Nunca trateis de ir ao cu; esta a pior das iluses. Mesmo aqui a excessiva riqueza e a aniquiladora pobreza so limita寤es que nos apartam da religio. Possumos trs grandes dons; primeiro, um corpo humano. (A mente humana o reflexo mais imediato de Deus; ns somos 뱒ua prpria imagem). Segundo, o desejo de sermos livres. Terceiro, a ajuda de uma alma nobre que tenha cruzado o oceano da iluso e nos serve de mestre. Se possures estas trs coisas, bendizei ao Senhor; podeis estar seguros de libertar-vos.

젨젨젨젨젨젨 O que s alcanceis intelectualmente pode ser destrudo por um novo argumento; mas o que realizeis vosso para sempre. De pouco serve falar e falar de religio. Ponhais Deus por trs de todas as coisas, homens, animais, alimentos, trabalhos; fazeis disto um hbito.

젨젨젨젨젨젨 Certa vez disse Ingersoll: 밅reio que devemos aproveitar este mundo o mais possvel, espremer a laranja at que fique seca, porque este mundo o nico no qual estamos seguros. Respondi-lhe: 밅onheo uma maneira melhor de espremer a laranja deste mundo e tirar mais suco. Sei que no posso morrer, por isso no me apresso; sei que nada h que temer; e por isso gozo ao espreme-la. No tenho deveres, nenhum lao de esposa, filhos ou propriedades; posso amar a todos os homens e mulheres. Cada um deles Deus para mim. Considerai a alegria de amar o homem como a Deus! Espremei, assim, vossa laranja e obtereis mil vezes mais suco. No perdereis nem uma s gota.

젨젨젨젨젨젨 Aquilo que parece ser a vontade, o Atman que est atrs dela e realmente livre.

 

Segunda-feira tarde.

젨젨젨젨젨젨 Jesus foi imperfeito porque no viveu completamente seu prprio ideal e, sobretudo porque no deu mulher um lugar igual ao do homem. As mulheres fizeram tudo por ele, mas estava to influenciado pelos costumes judeus, que a nenhuma delas fez seu apstolo. No obstante, Cristo foi o homem maior depois de Buda, que tampouco foi completamente perfeito. Buda, no entanto, reconheceu que na religio, os direitos da mulher eram iguais aos do homem e seu primeiro e um de seus maiores discpulos foi sua prpria esposa, que chegou a ser a cabea de todo o movimento budista entre as mulheres da ndia. Mas no devemos criticar a estes grandes homens; deveramos considera-los somente como muito superiores a ns. No entanto, no devemos depositar nossa f em nenhum homem, por maior que seja; devemos tratar de ser tambm Budas e Cristos.

젨젨젨젨젨젨 Nenhum homem deve ser julgado por seus defeitos. As grandes virtudes que tem um homem so suas, enquanto que seus erros so as debilidades comuns da humanidade e nunca deveriam levar-se em conta ao estimar seu carter.

 

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젨젨젨젨젨젨 Vira, a palavra snscrita equivalente a 밾erico, de origem do vocbulo virtude, porque nos tempos antigos o melhor lutador era considerado como o homem mais virtuoso.

 

Tera-feira, julho 30.

젨젨젨젨젨젨 Os Cristos e Budas so simplesmente ocasies sobre as quais objetivamos nossos poderes internos. Na realidade, somos ns que respondemos a nossas prprias ora寤es.

젨젨젨젨젨젨 uma blasfmia pensar se no houvesse nascido Jesus, a humanidade no tinha sido salva. horrvel esquecer assim a divindade da natureza humana, uma divindade que deve manifestar-se. Nunca esqueceis da glria da natureza humana. Ns somos o Deus maior que j houve, que h ou que possa haver. Os Cristos e os Budas so somente ondas no oceano ilimitado que Sou Eu. No vos inclineis ante nada, a no ser ante vosso prprio eu superior. At saber que sois esse mesmo Deus de deuses, no haver liberta豫o para vs.

젨젨젨젨젨젨 Todas nossas passadas a寤es foram realmente boas porque nos trouxeram ao que atualmente somos. A quem temos de mendigar? Eu sou a existncia real e tudo o mais um sonho, exceto eu. Eu sou todo o oceano; no chameis eu a pequena onda que haveis formado; sabeis que somente uma onda. Satyakama (amante da verdade) ouvia uma voz interna que dizia: 밫u s o infinito, o universal est em ti. Controla a ti mesmo e escuta a voz de teu verdadeiro Eu.

젨젨젨젨젨젨 Os grandes profetas que lutam ho de ser menos perfeitos que os que vivem uma vida de santidade silenciosa, concebendo grandes pensamentos e ajudando, deste modo, o mundo. Esses homens, ao morrer um aps outro, produzem como resultado final, o homem poderoso que prega.

 

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젨젨젨젨젨젨 O conhecimento existe, o homem s o descobre. Os Vedas so o conhecimento eterno por meio do qual Deus criou o mundo. Pregam filosofia superior (a mais elevada) e fazem esta tremenda afirma豫o.

 

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젨젨젨젨젨젨 Dizei a verdade ousadamente, sem pensar se causar dano ou no. No transigis com a debilidade. Se a verdade demasiado forte para os intelectuais e os derruba, deixe-os cair, quanto mais rpido, melhor. As idias infantis so para as crianas e os selvagens; e no todas elas se acham nas nurseries e nos bosques, algumas caram nos plpitos.

젨젨젨젨젨젨 mal ficar em uma igreja depois de haver crescido espiritualmente. Saias e morres no campo raso da liberdade.

젨젨젨젨젨젨 Todo progresso est no mundo relativo. A forma humana a mais elevada e o homem o maior dos seres, porque aqui e agora podemos nos livrar por completo do mundo relativo e alcanar a liberdade e esta a meta. No s podemos alcana-la, mas tambm alguns chegaro perfei豫o; de maneira que no nos importa quo delicados sejam os corpos futuros, mas s podem pertencer ao plano relativo e nada faro mais que ns, porque alcanar a liberdade o quanto se pode fazer.

젨젨젨젨젨젨 Os anjos jamais cometem a寤es perversas, portanto no so castigados nem salvos nunca. So os golpes que despertam e nos ajudam a interromper o sonho. Nos demonstram a insuficincia deste mundo e nos fazem sentir nsias de escapar, de ter liberdade.

 

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젨젨젨젨젨젨 A uma coisa percebida tenuemente denominamos com um nome; e a mesma, ao ser percebida plenamente, recebe outro. Quanto mais elevada for a natureza moral, tanto mais elevada ser a percep豫o, e mais forte a vontade.

 

Tera-feira, pela tarde.

젨젨젨젨젨젨 O pensamento e a matria se harmonizam porque so os dois lados de uma mesma coisa (chamada x), que divide em interno e externo.

젨젨젨젨젨젨 A palavra paraso procede do snscrito para-desa, que foi introduzida na linguagem persa e significa, literalmente, mais alm da terra ou realmente o mais alm ou outro mundo. Os antigos rios sempre acreditaram em uma alma, nunca que o homem fosse o corpo. Seus cus e infernos eram todos temporrios, porque nenhum efeito pode durar mais que sua causa e nenhuma causa eterna; portanto, todo efeito deve ter um fim.

젨젨젨젨젨젨 Toda a filosofia vedanta sintetiza-se nesta histria: Dois pssaros de plumagem dourada esto pousados na mesma rvore. Um acima, sereno, majestoso, sumido em sua prpria glria. O outro abaixo, intranqilo e comendo os frutos da rvore, umas vezes doces e outras, amargos. Certa vez come um fruto excepcionalmente amargo, ento se detm e olha o majestoso pssaro mais acima; mas logo se esquece do outro pssaro e segue comendo os frutos da rvore, como antes. Novamente come outro fruto amargo e desta vez salta para uns ramos acima, aproximando-se mais do pssaro que est no alto. Assim acontece muitas vezes at que, finalmente, o pssaro de baixo chega onde est o mais elevado e perde a si mesmo. D-se conta, ento, que nunca tinha sido dois pssaros, mas que ele sempre foi o pssaro do alto, sereno, majestoso e sumido em sua prpria glria.

 

Quinta-feira, pela tarde, agosto 1.

젨젨젨젨젨젨 Existem inumerveis sries de manifesta寤es, como tiovivo (carrocel), no qual as almas cavalgam, por assim dizer. As sries so eternas; as almas individuais pretendem sair, mas os sucessos se repetem eternamente e a isso se deve ao fato de que pode ser lido o passado e o futuro de uma pessoa, porque tudo , na realidade, o presente. Quando a alma se acha em uma determinada cadeia, tem que passar pelas experincias dessa cadeia. De uma srie passa a outras. Algumas delas se evadem para sempre, mediante a realiza豫o de que Brahman. Apoderando-se de um sucesso proeminente em uma cadeia e sujeitando-o, pode atrair-se e ler-se toda a cadeia. Este poder se adquire com facilidade, mas no possui valor real e pratica-lo nos despoja de outra tanta fora espiritual. No corrais atrs destas coisas: adorai a Deus.

젨젨젨젨젨젨 Nishtha (devo豫o a um ideal) constitui o princpio da realiza豫o. Sugai o mel de todas as flores; sede amigo de todos, rendei homenagem a todos, dizei-lhes: 밪im, irmos, sim, irmo, mas mantenha-vos firmes em vossa prpria senda. Um estado mais elevado consiste em tomar praticamente a posi豫o de outro. Se eu sou tudo, por que no hei de poder simpatizar real e ativamente com meus irmos e ver com seus olhos? Enquanto sou dbil, devo seguir um s caminho (nishta), mas quando sou forte, posso sentir com cada um de meus semelhantes e simpatizar perfeitamente com suas idias.

젨젨젨젨젨젨 A teoria antiga era 밺esenvolver uma idia apesar de todas as demais; a moderna 밺esenvolver a mente e controla-la e coloca-la, depois, onde se queira; rapidamente se obter o resultado. Esse o mtodo mais seguro de desenvolvermo-nos. Aprendeis a concentra豫o e valei-se delas em qualquer sentido. Assim no perdereis nada. Quem obtm o todo deve, por fora, obter as partes. O dualismo se acha includo no advaitismo (monismo).

 

밣rimeiro vi a ele e ele viu a mim.

Um relmpago cruzou de meus olhos aos seus, e dos seus aos meus.

젨젨젨젨젨젨 Assim ocorreu at que as duas almas se uniram to estreitamente que se converteram realmente em uma.

 

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젨젨젨젨젨젨 Existem duas espcies de samadhi; uma consiste em concentrar-se em si mesmo e a outra em concentrar-se at alcanar a unidade do sujeito e objeto.

젨젨젨젨젨젨 Deveis poder simpatizar completamente com cada uma em particular e depois, de um salto, passar ao mais elevado monismo. Depois de t-los aperfeioado, os limitais voluntariamente. Empregai todo vosso poder em cada uma de vossas a寤es. Sede capazes de tornar-se dualistas em um dado momento, esquecendo a advaita e tomando-a logo outra vez a sua vontade.

 

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젨젨젨젨젨젨 Causa e efeito, tudo maia. J chegaremos a compreender que tudo o quanto vemos to desconexo como nos parecem agora os contos de fadas. Na realidade no existem causa e efeito; j chagaremos a compreende-lo. Depois, se podeis, rebaixais vosso intelecto e deixais que qualquer alegoria passe por vossa mente, sem vos preocupar sobre sua coerncia. Desenvolve amor fic豫o e poesia formosa, gozando logo de todas as mitologias como poesia. No vos aproximeis da mitologia com idias de histria e racionaliza豫o. A deixeis fluir atravs de vossa mente, que gire como uma candeia ante vossos olhos, sem perguntar quem a sustm; e assim vos apoderareis do crculo; permanecer em vossa mente o resduo de verdade.

젨젨젨젨젨젨 Os autores de todas as mitologias escreveram em smbolos que viram e ouviram, pintando formosos quadros. No intenteis escolher demasiadamente os temas, desse modo destruirias a pintura, aceita-os como so e deixe-o atuar sobre vs. Julga-os s pelo efeito e escolhes o bom que haja neles.

 

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젨젨젨젨젨젨 Vossa prpria vontade a que responde s prega寤es, mas se apresenta cada mente sob o disfarce dos diferentes conceitos religiosos. Podemos denominar-lhe Buda, Jesus, Krishna, Al, Agni, mas s o Ser, o Eu.

젨젨젨젨젨젨 Os conceitos evoluem, mas as alegorias que os apresentam carecem de valor histrico. As vises de Moiss talvez sejam mais equivocadas que as nossas, porque ns temos mais conhecimento e menos provvel que nos deixemos enganar pelas iluses.

젨젨젨젨젨젨 Os livros so inteis para ns at que nosso prprio livro se abra; depois, todos os demais livros so bons at onde esto de acordo conosco. S o forte compreende a fora, s o elefante compreende o leo, no ao rato. Como poderemos compreender Jesus enquanto no formos seus iguais? To ilusrio alimentar cinco mil pessoas com dois pes, como dois com cinco pes; so coisas irreais que no se afetam uma a outra. S a grandeza aprecia a grandeza; s Deus realiza a Deus. O sonho s o sonhador, no possui outra base. No so coisas diferentes. A tnica presente em toda a partitura 밇u sou Ele, Eu sou Ele; as demais notas so unicamente varia寤es que no afetam o tema real. Somos os livros viventes e os livros so to somente as palavras que temos pronunciado. Tudo o Deus vivente; o vivente Cristo; vedes-lo como tal. Ledes ao homem, que o poema vivente. Somos a luz que ilumina todas as Bblias, Cristos e Budas que existiram no mundo. Sem isso, eles estariam mortos para ns, inertes.

젨젨젨젨젨젨 Aferras-vos a vosso prprio Eu.

젨젨젨젨젨젨 O cadver nada sente; faamos como se nossos corpos estivessem mortos e cessemos de nos identificar com eles.

 

Sbado, agosto 3.

젨젨젨젨젨젨 Quem obteve a liberdade nesta vida, deve viver milhares de anos somente no trmino dela. Tem que se colocar vanguarda de seus tempos, enquanto que as massas s podem arrastar-se. Assim temos Cristos e Budas.

 

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젨젨젨젨젨젨 Certa vez havia uma rainha hindu que ansiava de tal modo que seus filhos alcanassem a liberta豫o nesta vida, que ela mesma tomou a seu encargo o cuidado dos meninos e enquanto os embalava para que dormissem, lhes cantava sempre a mesma can豫o: 밫at tvam asi, Tat tvam asi (Tu s Aquele, Tu s Aquele). Trs dos prncipes chegaram a ser sannyasines, mas o quarto foi eleito soberano de certo reino. A ponto de retirar-se de seu lar, a rainha lhe entregou um pedao de papel que devia ser lido quando fosse homem. Ali estava escrito: 밪 Deus verdade; tudo o mais falso. A alma nunca mata nem pode ser morta. Vive s ou em companhia de santos. Quando o jovem prncipe leu isto, renunciou tambm ao mundo e se fez sannyasin.

젨젨젨젨젨젨 Abandonai, renunciai ao mundo. Parecemos ces soltos na cozinha comendo um pedao de carne, olhando em torno, receosos de que em algum momento entre algum e nos expulse dali. Em vez disso, sedes reis e sabeis que o mundo vos pertence. Isto no poder ser alcanado at que renuncieis e cesseis de estar ligados. Renunciais desde o fundo e o mais profundo de vossos cora寤es. Tendes vairagyam (renncia). Este o sacrifcio real e sem ele impossvel obter espiritualidade. No desejeis, porque o que se deseja se obtm e acarreta em terrvel escravido. No seno produzirmos 뱊arizes como sucedeu no caso do homem que devia pedir trs graas 1. Nunca obteremos a liberdade at no possuirmos domnio sobre ns mesmos. 벸 o Eu quem salva ao eu, ningum mais.

 

1. Certa vez, um pobre homem alcanou consagrar-se com um deus que lhe ofereceu trs dons, jogando trs vezes os dados. O homem voltou feliz para sua casa e comunicou sua mulher a noticia de tal felicidade. Ela, cheia de alegria, lhe disse, em seguida, que jogasse os dados para pedir, primeiro, riquezas. O homem respondeu a isto: Ns dois temos o nariz pequeno e feio, pelo que as pessoas riem-se de ns; peamos primeiro um formoso nariz aquilino, pois a riqueza no pode tirar tal deformidade. Mas a mulher preferia obter primeiro a riqueza e tomando-lhe a mo, conteve a jogada de dados; ele a retirou apressadamente e no mesmo instante atirou os dados exclamando: 밦ue tenhamos belos narizes e nada mais que narizes. O corpo deles cobriu-se de imediato de muitos formosos narizes, mas isto se tornou um estorvo to grande que convinha lanar os dados pela segunda vez para pedir sua elimina豫o. Assim aconteceu, mas, perdendo seus prprios narizes, ficaram desnarigados. Dessa maneira desperdiaram dois dons e, completamente aflitos, no sabiam o que fazer. S lhes restava um dom a pedir. Tendo perdido seus prprios narizes, ficaram piores do que antes. Nem em sonhos imaginaram que se achariam em tal situa豫o. Desejaram ter um formoso nariz, mas temiam que os interrogassem sobre tal transforma豫o e que os tomassem por dois grandes tolos, incapazes de remedia-lo nem at com a ajuda de trs graas, de maneira que se puseram de acordo e voltaram a jogar os dados, pedindo novamente o mesmo feio e pequeno nariz de antes.

젨젨젨젨젨젨젨젨 Este relato ilustra a frase citada: 밡o desejeis, porque o que se deseja se obtm e acarreta terrvel escravido.

 

젨젨젨젨젨젨 Aprendeis a sentir-vos nos outros corpos, a sabeis que todos somos um. Atirais ao vento as demais tolices. Lanceis vossas a寤es, boas ou ms e no voltais a pensar nelas. O feito, feito est. Despojai-vos de supersti寤es. No tenhais debilidade at na presena da morte. No vos arrependeis, nem rumineis a寤es passadas, nem recordeis vossas boas obras; sede azad (livres). O fraco, o medroso e o ignorante nunca alcanaro o Atman. No podeis desfazer o feito, o efeito deve chegar; enfrentai-o, mas cuidai-vos de no repetir a mesma coisa. Cedeis a carga de vossos atos ao Senhor; d-lhe tudo, tanto o bem como o mal. No guardeis o bem dando s o mal. Deus ajuda a quem no ajuda a si mesmo.

젨젨젨젨젨젨 밄ebendo a taa do desejo, o mundo enlouquece. Jamais se une o dia e a noite; da mesma maneira, tampouco podem ir juntos o desejo e o Senhor. Rejeita o desejo.

 

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젨젨젨젨젨젨 Existe grande diferena entre dizer alimento, alimento e ingeri-lo; entre repetir gua, gua e bebe-la. Do mesmo modo, em s repetir a palavra Deus, Deus, no podemos esperar alcanar a realiza豫o. Devemos nos esforar e praticar.

젨젨젨젨젨젨 S ao retornar a onda ao mar, pode tornar-se ilimitada; nunca como onda, pode chegar a s-lo. Logo, depois de ser mar, pode voltar a ser onda novamente, uma onda to grande como queria ser. Rompeis vossa identifica豫o com a corrente e sabeis que sois livres.

젨젨젨젨젨젨 A verdadeira filosofia consiste na sistematiza豫o de certas percep寤es. O intelecto termina onde comea a religio. A inspira豫o muito mais elevada que a razo, mas no deves contradiz-la. A razo a ferramenta tosca para os trabalhos rudes; a inspira豫o a luz deslumbrante que nos mostra toda a verdade. A vontade de fazer um coisa no necessariamente inspira豫o.

 

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젨젨젨젨젨젨 Em maia, a progresso um crculo que os leva novamente ao ponto de partida; mas partis ignorantes e chegais ao fim com todo o conhecimento. A devo豫o a Deus e aos santos, a concentra豫o, a medita豫o e a obra altrusta, so os caminhos para livrar-se faz redes de maia; mas antes devemos ter um veemente desejo de nos libertar. O raio de luz que iluminar nossas trevas est em ns; o conhecimento e nossa natureza (no existem 밺ireitos de nascimento, pois nunca nascemos). A nica coisa que devemos fazer dissipar as nuvens que o cobrem.

젨젨젨젨젨젨 Abandoneis todo desejo de gozos terrenos e celestiais. Governais os rgos dos sentidos e controlais a mente. Suportais todas as desventuras sem saber sequer que sois desventurados. No pensais seno na liberta豫o. Tenhais f no guru, em seus ensinamentos e na segurana de que podereis ser livres. Dizei Soham, Soham (Eu sou Ele), suceda o que suceder. Diga-los at ao comer, ao andar, quando sofres; repitas-lo na mente sem cessar; que tudo o quanto vimos jamais existiu, que s existe o Eu. Um relmpago e o sonho se desvanecero! Penseis dia e noite: este universo zero, s existe Deus. Mantenhais latente o intenso desejo de ser livres.

젨젨젨젨젨젨 Nossos parentes e amigos s so 뱕elhos poos secos; camos neles e sonhamos com deveres e liga寤es, sem que esses sonham tenham fim. No crieis iluso ajudando a algum. s como a rvore baniano que cresce incessantemente. Se sois dualistas, loucura tratar de ajudar a Deus. Se sois monistas, sabeis que sois Deus; donde encontrareis o dever? No tenhais deveres para vosso marido, nem para vossos filhos e amigos. Tomai as coisas como vm, fiqueis tranqilos e quando vosso corpo flutuar, deixes-vos levar, eleves-vos com a crescente dos mares e desceis com a vazante. Deixeis que morra o corpo; esta idia do corpo uma fbula muito gasta.봃icai-vos tranqilos e sabeis que sois Deus.

젨젨젨젨젨젨 O nico que existe o presente. No h passado nem futuro, nem mesmo em pensamento, porque para pensar neles tereis que converte-los em presente. Abandonais tudo e desejai que voltes de onde queira. Este mundo s uma iluso, no permitais que os enganem de novo. Vos haveis tomado pelo que no s; se o corpo arrastado a alguma parte, deixa-o ir; no vos preocupeis com o lugar onde est. To tirnica idia do dever, constitui um terrvel veneno que vai destruindo o mundo.

젨젨젨젨젨젨 No espereis ter uma harpa e descansar por etapas. Por que no tomar a harpa e comear aqui? Por que esperar o cu? Faas-lo aqui. No cu no h casamentos; por que no comea-los e termina-los aqui? O hbito amarelo do sannyasin o sinal de liberdade. Abandoneis as mundanas vestes de mendigo; usais o ensinamento da liberdade, o hbito ocre.

 

Domingo tarde.

젨젨젨젨젨젨 A mente um instrumento nas mos do Atman, do mesmo modo que o corpo um instrumento da mente. A matria o movimento exterior e a mente o movimento interior. Todas as mudanas comeam e terminam no tempo. Se o Atman imutvel, deve ser perfeito; se perfeito, deve ser infinito e se infinito deve ser s Um; no pode haver dois infinitos. Por conseguinte, o Atman, o Eu, s pode ser Um. Embora parea ser vrios, realmente s Um. Se um homem se dirigisse para o sol, a cada passo veria um sol diferente e, no entanto, o sol seguiria sendo sempre o mesmo.

젨젨젨젨젨젨 Asti (essncia) a base de toda a unidade e quando a achamos, comea a perfei豫o. Se todas as cores se resumissem a uma s, a pintura deixaria de existir. A unidade perfeita repouso; ns referimos todas as manifesta寤es a um s Ser. Taostas, confucionistas, budistas, hindus, judeus, maometanos, cristos e zoroastrianos, todos pregam a regra de ouro e quase com as mesmas palavras; mas s os hindus tem dado a racionaliza豫o, porque eles vem a razo; o homem deve amar aos outros, porque esses outros so ele mesmo. S h Um.

젨젨젨젨젨젨 Dos grandes mestres religiosos que o mundo tem conhecido, s Lao Tse, Buda e Jesus transcenderam a regra de ouro e disseram: 밊az bem a teus inimigos. 밃ma a quem te odeia.

젨젨젨젨젨젨 Os princpios existem; s os descobrimos, no os criamos. A religio consiste s em realiza豫o. As doutrinas so mtodos, no religio. As diferentes religies so somente aplica寤es de uma religio nica, moldada s necessidades das diferentes na寤es. As teorias levam luta; por isso o Nome de Deus, que deveria trazer unicamente paz, tem sido a causa da metade do sangue derramado no mundo. Ide fonte direta. Perguntai a Deus o que Ele . Se no responde, no ; mas todas as religies ensinam que Ele responde.

젨젨젨젨젨젨 Tendes algo a dizer a vs mesmos, porque do contrrio como tereis idia alguma do que os outros dizem? No vos aferreis s velhas supersti寤es e estais sempre dispostos para as novas verdades. 밡scios so aqueles que bebem gua salobra no poo cavado por outros. At que realizemos Deus, no saberemos nada sobre Ele. Cada homem perfeito por sua mesma natureza; os profetas manifestaram esta perfei豫o, mas est potencialmente em ns. Como poderemos compreender que Moiss viu Deus a no ser que ns O vejamos tambm? Se Deus veio alguma vez para algum, tem que vir para mim tambm. Eu irei diretamente a Deus; que Ele fale a mim. No posso tomar como base a crena, isso atesmo e blasfmia. Se Deus falou a um homem faz dois mil anos nos desertos da Arbia, tambm pode falar hoje comigo; do contrrio, como posso saber se Ele no est morto? Chegais a Deus pelo caminho que possais, contanto que chegueis. Mas no derrubem outros para chegar.

젨젨젨젨젨젨 Os que conhecem, devem apiedar-se dos ignorantes. O que conhece est disposto a dar seu corpo at por uma formiga, porque sabe que o corpo no vale nada.

 

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Segunda-feira, agosto 5.

젨젨젨젨젨젨 A pergunta : Para chegar aos estados mais elevados necessrio passar por todos os inferiores, ou se podem alcanar de um salto? Os americanos modernos levaram vinte e cinco anos para obter o que seus antepassados alcanaram em sculos. Os hindus chegam em vinte anos a altura alcanada em oito mil, por seus antepassados. No campo fsico, o embrio percorre, na matriz, a escala de ameba ao homem. Tais so os ensinamentos da cincia moderna. A vedanta chega mais longe e nos diz que s temos que viver a vida de toda a humanidade passada, seno tambm a vida futura de toda a humanidade. O homem que faz o primeiro, o instrudo; o segundo o jivanmukta, livre para sempre.

젨젨젨젨젨젨 O tempo simplesmente a medida de nossos pensamentos e como eles possuem uma velocidade inconcebvel, no h limite para a velocidade com que poderemos viver a vida futura. Por conseguinte, no pode dizer-se quanto durar esta. Pode transcorrer um segundo ou levar cinqenta vidas; depende da intensidade do desejo. Portanto, o ensinamento deve ser modificado segundo as necessidades do discpulo. O fogo consumidor est disposto para todos, at a gua e os pedaos de gelo se consomem rapidamente. Disparai um tiro com espingardas de chumbo e pelo menos um dar em branco; ds a um homem um museu de verdades, levar o tempo que melhor se adapte a ele. As vidas passadas tm modelado nossas tendncias. O intelectual, o mstico, o devocional, o prtico, constituem a base; tomai como base um destes aspectos, mas ensinai aos demais ao mesmo tempo. O intelecto deve ser equilibrado com o amor, a natureza mstica com a razo e a prtica deve tomar parte de cada um dos mtodos. Tomai cada qual onde est e faa-o avanar. O ensinamento religioso deve ser sempre construtivo, no destrutivo.

젨젨젨젨젨젨 Cada tendncia mostra a a豫o de uma vida passada, a linha ou raio que deve recorrer o homem. Todos os raios conduzem ao centro. Nunca intenteis obstaculizar as tendncias de ningum. Pois isso faz retroceder o mestre a o discpulo. Quando ensinas jnanam, deves faz-los jnanis e coloca-los mentalmente no lugar do discpulo. Do mesmo modo se deve proceder em cada uma das outras yogas. Desenvolveis cada faculdade como se fosse a nica que possuis; tal o verdadeiro segredo do denominado desenvolvimento harmnico. Isto significa: adquires extenso e intensidade, mas no uma coisa na dependncia da outra. Ns somos infinitos. No temos limita寤es e podemos ser to intensos como o mais devoto maometano, e to amplos como o mais furioso ateu.

젨젨젨젨젨젨 Isto no se alcana dedicando a mente a um s objetivo, mas desenvolvendo e controlando a mente; depois podereis dirigi-la sobre qualquer ponto que os agrade. De tal maneira obtereis a intensidade e a extenso. Sentis jnana como se fosse o nico que existe, depois fazei o mesmo com bhakti, com raja e com carma. Abandoneis as ondas e ide ao oceano; depois podereis ter as ondas quando queirais. Controlai o lago da vossa prpria mente, do contrrio no podereis compreender o lago da mente alheia.

젨젨젨젨젨젨 O verdadeiro mestre aquele que pode somar todas suas energias tendncia do discpulo. Sem verdadeira simpatia nunca poderemos ensinar bem. Afastais o conceito de que o homem um ser responsvel; s o homem perfeito responsvel. Os ignorantes beberam da taa da iluso at esgota-la e no esto em seu so juzo. Vs que sabeis, tendes infinita pacincia com eles. No sintais seno amor para com eles e tratais de descobrir a enfermidade que contraram, ao ver o mundo de maneira to errnea; ajudais-lhe a curar-se e a ver com retido. Recordais sempre que s os livres possuem livre arbtrio; os demais esto escravizados e no so responsveis pelo que fazem. A vontade, como tal, est ligada. A gua produzida ao derreter-se a neve no pico do Himalaia livre, mas ao converter-se em rio, cai atrada no leito; contudo, o impulso original a leva ao oceano, onde recobra sua liberdade. Primeiro se produz a 밹ada do homem e logo sobrevm 밶 ressurrei豫o. Nem um s tomo encontrar repouso at que encontre sua liberdade.

젨젨젨젨젨젨 Certas imagina寤es ajudam a romper as liga寤es de outras. Todo o universo imagina豫o, mas uma srie de imagina寤es cura a outra. Aquelas que nos dizem que no mundo h pecado, sofrimento e morte, so terrveis; mas as que sempre nos repetem 뱒ou santo, h Deus, no h dor, so boas e ajudam a romper as liga寤es causadas pelas outras imagina寤es. A imagina豫o mais elevada e que melhor pode romper todos os elos da cadeia, a do Deus pessoal.

젨젨젨젨젨젨 밢m Tat Sat o nico que est mais alm de maia, mas Deus existe eternamente. Enquanto existir as cataratas do Nigara, existir o arco-ris; mas a gua corre incessantemente. As cataratas so o universo, o arco-ris o Deus pessoal e ambos so eternos. Enquanto existir o universo, Deus deve existir. Deus cria o universo, o universo cria Deus e ambos so eternos. Maia no existncia nem no-existncia. Tanto as cataratas do Nigara como o arco-ris mudam eternamente; Brahman visto atravs de maia. Os persas e os cristos dividem a maia em dois e chamam Deus de a metade boa e o diabo a metade m. A vedanta considera a maia como um todo e reconhece uma unidade mais alm dela: Brahman.

 

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젨젨젨젨젨젨 Maom observou que o cristianismo estava se apartando da grei semtica e seus ensinamentos se dirigiram para demonstrar que o cristianismo deve ser uma religio semtica, porque sustenta a existncia de um Deus nico. O conceito rio de que 밇u e meu Pai somos um, lhe causou desgosto e terror. Na realidade, o conceito da Trindade foi um grande impulso sobre a idia dualista de um Jeov separado do homem para sempre. A teoria da encarna豫o o primeiro elo na cadeia de idias que conduzem ao reconhecimento da unidade de Deus e o homem. Deus, que aparece primeiro em forma humana e reaparece depois em diferentes pocas e outras formas humanas, finalmente reconhecido como residindo em cada forma humana ou em todos os homens. O monismo o estado mais elevado; o monotesmo um estado inferior. A imagina豫o os levar ao mais elevado com mais rapidez e facilidade, at que o racionalizes.

젨젨젨젨젨젨 Deixes que uns poucos se afastem e vivam somente para Deus e salvem a religio para o mundo. No pretendeis ser como Janaka quando somente sois progenitores de iluses. (Janaka significa progenitor e o nome de um rei que, mesmo quanto conservava o reinado por amor a seu povo, havia abandonado tudo, mentalmente). Sois honestos e dizeis: 뱕ejo o ideal, mas no posso pratica-lo; no simuleis que renunciais quando, na realidade, no o fazeis. Se renunciais, vos mantenhais firmes. Embora na batalha caiam cem soldados, tomais a bandeira e a levais adiante. De todo modo Deus verdade, no importa quem caia. Aquele que cai deve entregar a bandeira a outro para que a leve adiante; a bandeira nunca deve cair.

젨젨젨젨젨젨 Se estou banhado e limpo, por que me ho de atirar impurezas sobre mim? Busqueis primeiro o reino dos cus e abandonais tudo o mais. No desejeis que vos agreguem algo; alegrai-vos de ficar livres de tudo. Renunciais e sabeis que o xito ser a conseq獪ncia, embora jamais o vejais. Jesus s deixou doze pescadores e, no entanto, estes poucos destruram o imprio romano.

젨젨젨젨젨젨 Sacrificais no altar de Deus o melhor e mais puro que produz a terra. Quem luta vale mais que o que nunca o intente. At o fato de olhar um ser que renunciou, exerce um efeito purificador. Sejais pra Deus; desligai-vos do mundo. No transijais; renunciais ao mundo, pois s assim ficareis livres do corpo. Quando morrer o corpo, sereis livres. Sejais livres. Somente a morte no basta para vos libertar. Devemos alcanar a liberdade mediante nossos esforos durante a vida; depois, quando morrer o corpo, j no haver renascimento para o livre.

젨젨젨젨젨젨 A verdade deve ser julgada pela verdade e nada mais. O fazer bem no a prova da verdade. No necessitamos de tochas para ver o sol. Embora a verdade destrua o universo, continuar sendo a verdade; sujeite-se a ela.

젨젨젨젨젨젨 A prtica das formas concretas da religio fcil e atrai as massas, mas na realidade nada h nas exterioridades.

젨젨젨젨젨젨 밃ssim como a aranha tece a teia de si mesma e a absorve novamente, da mesma maneira este universo emana de Deus e reabsorvido por Ele.

 

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Tera-feira, agosto 6.

젨젨젨젨젨젨 Sem o eu no pode existir o vs no exterior. Alguns filsofos deduziram disto que o mundo externo no existe seno no sujeito, que o tu s existe no eu. Outros argiram que o eu s pode ser conhecido mediante o tu, com igual lgica. Os dois pontos de vista so parcialmente certos; em parte falsos e em parte corretos. O pensamento to material e est tanto na natureza como no corpo. A matria e a mente existem numa terceira, uma unidade que se divide nos dois. Esta unidade o Atman, o Eu Real.

젨젨젨젨젨젨 Existe o ser, uma incgnita que se manifesta como mente e como matria. Seus movimentos no visvel se realizam ao largo de certas linhas fixas chamadas leis. Como unidade, livre; como pluralidade, est ligado pela lei. No entanto, apesar de todas estas limita寤es, sempre persiste uma idia de liberdade e isto nivriti (arrancar-se do apego). As foras materializantes que nos levam a tomar parte ativa nos assuntos mundanos, mediante o desejo, so chamadas pravritti (ir para o apego).

젨젨젨젨젨젨 A豫o moral aquela que nos livra dos laos da matria e vice-versa. Este mundo aparece como infinito porque tudo se acha em um crculo; tudo volta a seu ponto de partida. O crculo se completa e por isso no h aqui descanso nem paz em nenhuma parte. Devemos sair. Mukti o nico fim que devemos alcanar.

 

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젨젨젨젨젨젨 O mal muda de forma, mas em essncia acaba sendo o mesmo. Nos tempos antigos governava a fora, hoje rege a astcia. Na ndia, a misria no to grave como na Amrica, porque aqui o pobre nota um contraste entre sua m condi豫o e a dos outros.

젨젨젨젨젨젨 O bem e o mal se acham inextricavelmente combinados e no se pode ter um sem o outro. No universo, a soma total de energia se parece com um lago; cada onda produz, inevitavelmente, a correspondente depresso. A soma total permanece inaltervel; de maneira que fazer feliz a um homem equivale a fazer desgraado a outro. A felicidade externa material e tem proviso fixa; ningum pode obter nem um gro, sem tirar de outro. A felicidade s pode ser alcanada, sem perda para ningum, alm do mundo material. A felicidade material unicamente uma transforma豫o do sofrimento material.

젨젨젨젨젨젨 Aqueles que nasceram em uma onda e se mantm nela, no notam a depresso nem que esteja ali. Nunca penseis que podeis melhorar ou fazer mais feliz o mundo. O boi junto ao moinho de azeite nunca alcana o fardo de feno diante dele; s mi as sementes. Da mesma maneira, perseguimos o fogo ftuo da felicidade que sempre nos ilude, s moemos no moinho da natureza e depois morremos para comear de novo. Se pudssemos nos livrar do mal, nunca chegaramos a vislumbrar algo mais elevado; ficaramos satisfeitos e no lutaramos para obter a liberdade. A religio comea quando o homem compreende a insensatez de buscar a felicidade na matria. Todo conhecimento humano constitui somente numa parte da religio.

젨젨젨젨젨젨 O bem e o mal esto equilibrados no corpo humano e se o homem quiser, pode libertar-se de ambos.

젨젨젨젨젨젨 O livre nunca se escravizou; ilgico inquirir como o fez. Onde no existe escravido, no h causa e efeito. 밪onhei que era uma raposa e um co me perseguia. Como pode perguntar agora por que me perseguia o co? A raposa era parte do sonho; por conseq獪ncia lgica surgiu um co; mas ambos pertencem ao sonho e fora dele carecem de existncia. A cincia e a religio so esforos para sair do cativeiro; s que a religio mais antiga e por supersti豫o, pensamos que a mais santa. O , de um certo modo, porque faz da moralidade um ponto vital, enquanto que a cincia no.

젨젨젨젨젨젨 밄em-aventurados os puros de cora豫o, porque eles vero a Deus. Somente esta sentena bastaria para salvar a humanidade, at que desaparecessem todos os livros e profetas. Tal pureza de cora豫o traz uma viso de Deus. o tema de toda msica deste universo. Na pureza no existem liga寤es. Arranquemos por meio da pureza os vus da ignorncia e ento nos manifestaremos como realmente somos e saberemos que jamais estivemos ligados. Ver os muitos o grande pecado de todo mundo. Vedes tudo como o Eu e ame-o todo; despojais-vos de toda idia de separa豫o.

 

* * *

젨젨젨젨젨젨 O homem diablico parte de meu corpo como uma ferida ou uma queimadura. Devemos cuidar dele e melhora-lo; at que se cure e se sinta novamente feliz e so.

젨젨젨젨젨젨 Enquanto pensamos no plano espiritual relativo, temos o direito de crer que como corpos, podemos ser prejudicados pelas coisas relativas e igualmente ajudados por elas. A esta idia de ajuda, quando abstrata, chamamos Deus. Deus o conjunto de todas as idias de ajuda; o composto abstrato do quanto misericordioso, bom e capaz de prestar ajuda; essa deveria ser a nica idia. Como Atman, no possumos corpo; portanto absurdo dizer: 밻u sou Deus e o veneno no pode prejudicar-me. Enquanto existe um corpo e o vemos, no realizamos Deus. Pode um pequeno redemoinho continuar existindo quando o rio desaparece? Pedis ajuda e a tereis, no fim achareis que o pedido de ajuda se desvanece e tambm o Ajudante; o jogo termina, s fica o Eu.

젨젨젨젨젨젨 Uma vez alcanado isso, volteis a jogar segundo vossa vontade. Este corpo j no poder causar prejuzo, porque a liberta豫o s chega quando todas as ms foras tenham sido queimadas; todas as impurezas queimam e s fica 밹hama sem fumaa e sem calor.

젨젨젨젨젨젨 O impulso dado faz avanar o corpo, mas este s pode fazer bem, porque o mal desapareceu antes de chegar liberdade. O ladro moribundo na cruz colheu os efeitos de suas passadas a寤es. Tinha sido um yogui e teve um deslize; precisou nascer novamente; voltou a cair e se converteu em ladro; mas o bem que fez anteriormente frutificou e encontrou Jesus no instante em que podia alcanar a liberta豫o e uma s palavra o libertou.

젨젨젨젨젨젨 Buda liberou seu maior inimigo porque este o odiava tanto que pensava constantemente Nele; esse pensamento purificou sua mente e ficou em condi寤es de alcanar a libera豫o. Portanto, pensais constantemente em Deus e isso os purificar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CARTAS

 

de Swami Vivekananda

 

(1)

541 Dearborn Avenue, Chicago.

3 de maro de 1894.

 

젨젨젨젨젨젨 Estimado...: Estou de acordo com o senhor em que a f uma maravilhosa percep豫o interior e em que s ela pode salvar; mas existe o perigo de que alimente o fanatismo, impedindo o progresso ulterior.

젨젨젨젨젨젨 Jnana coisa boa contanto que no se converta em seco intelectualismo. O amor grande e nobre; mas pode desvanecer-se, transformando-se em sentimentalismo sem sentido. O que se necessita harmonia entre todos eles. Ramakrishna representou tal harmonia. Seres como ele existem poucos e nascem muito de vez em quando; tomando-o e a seus ensinamentos como ideal, podemos marchar adiante. Se entre ns no pode cada um, individualmente, alcanar tal perfei豫o, podemos alcana-la coletivamente, neutralizando-nos, equilibrando-nos, ajudando-nos e completando-nos uns aos outros. Esta harmonia, alcanada entre certo nmero de pessoas, constituiria um decidido progresso sobre as demais formas e credos.

젨젨젨젨젨젨 Para que uma religio seja eficaz, se requer entusiasmo. Ao mesmo tempo temos que evitar o perigo da multiplica豫o de credos. Ns o temos alcanado constituindo uma seita 뱊o sectria, com todas as vantagens de uma seita e a amplitude de uma religio universal.

젨젨젨젨젨젨 Embora Deus esteja em todas as partes, podemos conhece-lo em e por meio do carter humano. Nenhum carter foi jamais to perfeito como o de Ramakrishna; este haveria de ser o centro ao redor do qual deveramos nos agrupar; deixando, ao mesmo tempo, que cada um o considere sob sua prpria luz; seja como Deus, como Salvador, como instrutor, como modelo ou como grande homem, como for melhor.

젨젨젨젨젨젨 Ns no pregamos nem igualdade, nem desigualdade social, seno que todos os seres tm os mesmos direitos; e insistimos na liberdade de pensamento e de a豫o em todos os sentidos;

젨젨젨젨젨젨 No rechaamos a ningum; nem o atesta, nem ao pantesta, monista, politesta, agnstico, nem ateu; a nica condi豫o para ser discpulo modelar o carter para que seja o mais amplo e o mais intenso possvel.

젨젨젨젨젨젨 Tampouco insistimos em determinados cdigos de moralidade enquanto conduta, carter, comida e bebida, salvo aquele que prejudique aos outros.

젨젨젨젨젨젨 Tudo quanto retarde o progresso ou ajude a cada, vcio; tudo o quanto ajude na ascenso e a estabelecer harmonia, virtude.

젨젨젨젨젨젨 Desejamos a todos plena liberdade para conhecer, escolher e seguir aquilo que lhe acomode e ajude. Assim, por exemplo, comer carne pode ajudar a um, comer frutas a outro. Cada qual tem direito a suas prprias peculiaridades, mas no deve criticar a conduta dos demais porque isso acabaria por prejudicar a si mesmo; muito menos insistir para que outros sigam seu caminho. Para alguns, uma esposa pode ser uma ajuda na senda do progresso; para outros, pode resultar em prejuzo positivo. Mas o solteiro no tem direito de dizer que um casado est equivocado; muito menos impor seu prprio ideal de moralidade a seu irmo.

젨젨젨젨젨젨 Opinamos que todo ser divino, que Deus. Cada alma um sol coberto por nuvens de ignorncia; a diferena entre alma e alma est na densidade das capas de nuvens. Cremos que tal a base, consciente ou inconsciente, de todas as religies e a explica豫o da historia inteira do progresso humano; seja no plano material, no intelectual ou no espiritual. O mesmo esprito se manifesta atravs de todos os planos.

젨젨젨젨젨젨 Cremos que isto a essncia dos Vedas e que dever de toda alma tratar as outras almas, pensar nelas, comportar-se com elas, como tais; dizer como deuses e no odi-las, despreza-las, denegri-las, nem tratar de prejudica-las de nenhuma maneira, nem por meio algum. Tal o dever, no s do sannyasin, mas tambm de todos os homens e mulheres. A alma no tem sexo, nem casta, nem imperfei豫o.

젨젨젨젨젨젨 Em nenhuma parte afirmam os Vedas, Darshanas, Puranas ou Tantras, que a alma tenha sexo, credo ou casta. Por conseguinte, coincidimos com quem diz: 밦ue tem a ver a religio com as reformas sociais?. Mas ho de estar de acordo conosco quando lhes dizemos que a religio no tem porqu formular leis sociais e insistir nas diferenas entre os seres; porque seu objetivo e finalidade so apagar todas as fic寤es e monstruosidades.

젨젨젨젨젨젨 Se alegar-se como razo que graas a esta diferena alcanaremos, finalmente, igualdade e unidade, responderemos que a mesma religio diz uma ou outra vez que o barro no pode ser limpo com barro.

젨젨젨젨젨 Como se um homem pudesse tornar-se moral, sendo imoral!

젨젨젨젨젨젨 As leis foram criadas por condi寤es econmicas, sob a san豫o da religio. O terrvel erro da religio foi imiscuir-se em questes sociais. Mas com que hipocrisia disse, contradizendo-se: 밃 reforma social no assunto da religio!. Exato; o que queremos que a religio no seja uma reformadora social; mas insistimos, ao mesmo tempo, que a religio no tem o direito a converter-se em legislador social. No vos intrometais; mantenha-vos dentro de vossos prprios limites e tudo ficar bem!

 

1. Educa豫o a manifesta豫o da perfei豫o j existente no homem.

2. Religio a manifesta豫o da divindade j existente no homem.

젨젨젨젨젨젨 Portanto o nico dever do instrutor, em ambos os casos, eliminar as obstru寤es do caminho. No se imiscuir, como digo sempre e tudo ficar bem. dizer, nosso dever despejar o caminho. O Senhor faz o resto.

젨젨젨젨젨젨 Em conseq獪ncia tenha o senhor presente que a religio se relaciona unicamente com a alma e nada tem que fazer em questes sociais. Tenha tambm em conta que isto se aplica inteiramente ao mal j feito. como se algum, depois de tomar pela fora a posse da propriedade de outro, chora, quando este outro trata de recupera-la e se pe a pregar a santidade do direito humano.

젨젨젨젨젨젨 Com que direito o sacerdote se intromete (prejudicando a milhes de seres humanos) em toda questo social?

젨젨젨젨젨젨 Falais do kshatriya que come carne; com carne ou sem ela, so os pais de todo o nobre e belo que h no hinduismo. Quem escreveu os Upanishads? Quem foi Rama? Quem foi Krishna? Quem foi Buda? Quem foram os tirthankaras dos jainos? Onde quer que os kshatriyas preguem religio, a deram a todo o mundo; em troca, quando os brahmanes escreveram algo, negaram todo o direito a outros. Leia o Gita e os Sutras de Vyasa, ou faa com que algum os leia. O Gita abre o caminho a todos, homens e mulheres de todas as castas e todas as cores; mas Vyasa trata de interpretar a seu modo os Vedas para enganar aos pobres shudras. acaso Deus um tolo nervoso para que o rio de sua misericrdia possa ficar estancado por um pedao de carne? Se assim fosse, no valeria um confeito!

젨젨젨젨젨젨 No espere nada de mim; mas estou convencido, como lhe escrevi e disse ao senhor, que a ndia h de ser salva pelos hindus mesmo. Assim, senhores, filhos da me ptria, podem converter-se por dzias em quase fanticos deste novo ideal? Pensem, juntem materiais, escrevam um esboo da vida de Ramakrishna, evitando cuidadosamente todos os milagres. Essa biografia deve ser escrita como ilustra豫o das doutrinas que ele pregou. S isto; no incluam a mim, nem a pessoa vivente alguma. O objetivo principal deve ser dar ao mundo que ele ensinou e descrever a vida que ilustra tal ensinamento. Eu, indigno como sou, tenho uma misso; mostrar o cofre de jias que me foi confiado e passa-lo aos senhores. Por que aos senhores? Porque os hipcritas, os ciumentos, os escravos e os covardes, os que crem unicamente na matria, jamais podem fazer algo. A inveja a calamidade de nosso carter nacional; e natural dos escravos. Nem o Senhor, com todo o seu poder, pode fazer nada por ns por causa dos cimes.

젨젨젨젨젨젨 Pense em mim como algum que cumpriu com seu dever e est agora morto e desaparecido. Pense que todo o trabalho pesa sobre seus ombros. Pensem que os senhores, jovens de nossa me ptria, foram destinados para fazer isto. Ponham-se tarefa. Deus os bendiga. Abandonem-me, percam-me de vista. Preguem o novo ideal, a nova doutrina, a nova vida. No preguem contra ningum; contra nenhum costume. No preguem contra nenhuma casta, nem contra qualquer outro mal social; preguem; 밡o imiscuir-se, e todo ficar bem.

젨젨젨젨젨젨 Com minha bn豫o para todos os senhores, meus valentes, firmes e amantes almas,

젨젨젨젨젨젨 Vosso,

젨젨젨젨젨젨 젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨 젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨VIVEKANANDA.

 

(2)

Chicago, 23 de junho de 1894.

젨젨젨젨젨젨

젨젨젨젨젨젨 Alteza: Que Sri Narayana vos bendiga e aos vossos. Agradeo pela bondosa ajuda de vossa Alteza de possibilitar minha vinda a este pas. Desde ento, chego a ser bem conhecido aqui e este povo hospitaleiro tem satisfeito todas as minhas necessidades. Este um pas maravilhoso em muitos sentidos. Em nenhuma outra na豫o se emprega tanto maquinrio no trabalho dirio, como aqui. Tudo so mquinas. Constitui s a vigsima parte da popula豫o total do mundo; no obstante, possui uma sexta parte de toda riqueza da terra. Sua riqueza e luxo no tm limites. Contudo, tudo muito caro. Os jornais do trabalhador so os mais altos do mundo; todavia, a luta entre o capital e o trabalho constante.

젨젨젨젨젨젨 Em parte alguma da terra gozam as mulheres de tantos privilgios como na Amrica; pouco a pouco tomam todas as coisas em suas mos; e estranho dizer que o nmero de mulheres cultas muito maior que o de homens. Naturalmente os gnios superiores pertencem s fileiras masculinas. Apesar do muito que os ocidentais censuram nossa casta, eles tm uma pior, a do dinheiro. O todo-poderoso dlar, como dizem os americanos, tudo pode aqui...

젨젨젨젨젨젨 Nenhum outro pas da terra tem tantas leis; mas em nenhum pas so to pouco tidas em conta. Em conjunto, nosso pobre povo hindu tem mais moral que qualquer dos ocidentais. Em religio, ou so hipcritas, ou fanticos. Os homens desapaixonados esto desgostosos com suas religies supersticiosas e dirigem seus olhares ndia em busca de nova luz. Vossa Alteza no pode imaginar, sem v-la, a nsia com que recebem qualquer fragmento das grandes idias dos santos Vedas, que resistem inclumes aos ataques da cincia moderna. As teorias sobre a cria豫o surgida do nada, sobre uma alma criada, sobre um tirnico Deus sentado em um trono em um lugar chamado cu e sobre o fogo eterno do inferno, tem nauseado todas as pessoas instrudas. Em troca, as nobres idias dos Vedas sobre a eternidade da cria豫o e da alma e sobre Deus em nossas prprias almas, esto infiltrando-se rapidamente, de uma forma ou outra. Dentro de cinqenta anos, as pessoas cultas do mundo chegaro a crer na eternidade, tanto da alma como da cria豫o e em um Deus que no seno nossa natureza superior e perfeita, segundo se ensina em nossos santos Vedas. Agora, at os sacerdotes instrudos interpretam a Bblia neste sentido. Minha concluso que necessitam se mais civiliza豫o espiritual e ns, uma mais material.

젨젨젨젨젨젨 A raiz principal de todos os males da ndia a condi豫o dos pobres. Os pobres do Ocidente so demnios; comparados com eles, os nossos so anjos; por conseguinte, fica muito mais fcil levantar nossos pobres. O nico servio que podemos prestar a nossas classes baixas dar-lhes educa豫o; desenvolver sua perdida individualidade. Esta a grande tarefa entre nosso povo e os prncipes. At agora, nada foi feito nesse sentido. O poder sacerdotal e a conquista estrangeira tm pisoteado durante sculos, at que por ltimo, os pobres da ndia esqueceram que so seres humanos. Devemos dar-lhes idias; abrir seus olhos ao que ocorre no mundo que os rodeia; logo eles mesmos trabalharo por sua salva豫o. Dem-lhes idias; esta a nica ajuda que necessitam; o mais h de seguir como conseq獪ncia. Nossa fun豫o consiste em juntar os elementos qumicos, a cristaliza豫o se produz pela lei natural. Nosso dever pr idias em suas cabeas; eles faro o resto. Isto o que necessrio fazer na ndia. Tal a idia que h muito tempo cobio em minha mente. No pude realiza-la na ndia; por isso vim a este pas. A grande dificuldade na maneira de educar os pobres de nosso pas reside no seguinte: supondo que Vossa Alteza abrisse uma escola gratuita em cada povo, no faria bem algum porque a pobreza na ndia tanta, que os meninos prefeririam ajudar seus pais nos campos, ou ganhar a vida de alguma maneira, antes de ir escola. Agora bem, se a montanha no vai a Maom, Maom ter que ir montanha. Se o menino pobre no pode ir receber instru豫o, a instru豫o tem de ir at ele.

젨젨젨젨젨젨 Existem em nosso prprio pas milhares de sannyasines com sincero esprito de sacrifcio, que vo de povo em povo, ensinando religio. Se fosse possvel organizar alguns deles como mestres de coisas seculares, tambm iriam de lugar em lugar, de casa em casa, no s pregando, mas ensinando por sua vez. Suponhamos que dois desses homens vo a um povo com uma cmara, um globo, alguns mapas, etc. Poderiam ensinar muito sobre astronomia e geografia aos ignorantes. Mediante relatos sobre diferentes na寤es, poderiam dar aos pobres cem vezes mais informa寤es de ouvido, que a que podem obter lendo livros durante toda sua vida. Isto requer organiza豫o e tambm dinheiro. H bastante homens na ndia para desenvolver este plano; mas ai! Carecem de dinheiro. Fica muito difcil pr uma roda em movimento. Mas uma vez posta em marcha, se move com crescente velocidade. Depois de buscar ajuda em meu prprio pas, sem encontrar simpatia alguma dos ricos, vim a este com a ajuda de Vossa Alteza. Aos americanos no interessa o mnimo se os pobres da ndia vivem ou morrem. E por que haveria de lhes importar, quando nosso prprio povo s pensa em seus egosmos?

젨젨젨젨젨젨 Meu nobre prncipe, esta vida curta, as vaidades do mundo so transitrias; s vive quem vive para outros; os demais esto mais mortos que vivos. Um filho exaltado, de pensamento nobre e real da ndia, como Vossa Alteza, pode fazer muito para levantar de novo a ndia e, assim, deixar posteridade, um nome que ser adorado. Que o Senhor faa sentir intensamente em vosso nobre cora豫o, o sofrimento de milhes de hindus, sumidos na ignorncia, a prega豫o de

 

젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨 VIVEKANANDA.

sua Alteza, Maharaj de Mysore.

 

 

(3)

54 West 33rd Street, N. Y.

1 de fevereiro de 1895.

 

젨젨젨젨젨젨 Apreciada irm: Acabo de receber sua formosa cartinha. Acontece, s vezes, ser boa disciplina ver-se forado a trabalhar pelo trabalho mesmo, embora a ponto de no poder desfrutar dos frutos de seu labor. Regozijam-me muito suas crticas e no as lamento o mnimo. Outro dia, na casa da senhorita T., tive uma viva discusso com um cavalheiro presbiteriano, quem, como de costume, se acalorou, aborreceu e insultou. No entanto, mais tarde, fui severamente repreendido pela senhora B. por isso; porque essas coisas obstaculizam meu trabalho. Parece que a senhora tem a mesma opinio.

젨젨젨젨젨젨 aprazvel que me escreva a senhora sobre ele agora, porque refleti muito sobre o assunto. Eu no lamento, em absoluto, estas coisas. Talvez isso desgoste a senhora, pode ser. Eu sei perfeitamente bem quando convm para a situa豫o mundana, que algum se faa agradvel... Fao tudo o que posso para s-lo, mas quando para isso devo barganhar com a verdade interna, me detenho. Eu no creio na humildade; creio em 뱒amadarshitvam; o mesmo estado mental com respectivo a todos. O dever do homem ordinrio obedecer aos mandatos de seu 밆eus, ou seja, sociedade; mas os filhos da Luz nunca fazem assim. Esta uma lei eterna. Algum se acomoda ao meio ambiente e a opinio social e obtm tudo da sociedade, que para ele a doadora de todo o bem. Outro permanece s e eleva a sociedade a si mesmo. O homem acomodatcio encontra uma senda de rosas; e no acomodatcio um caminho de espinhos. Mas os adoradores da 밮ox populi chegam muito logo aniquila豫o; os filhos da verdade vivem eternamente.

젨젨젨젨젨젨 Comparo a verdade a uma substncia corrosiva de poder infinito. Onde quer que caia, se abre caminho queimando; se a substncia branda, de imediato; se duro granito, pouco a pouco; mas h de queima-lo. O escrito, escrito est. Lamento muitssimo, irm, no poder fazer-me agradvel e acomodatcio a toda negra falsidade. Porm no posso. Sofri por isso toda minha vida; porm no posso. Procurei e provei; porm no posso. Por fim, o deixei. O Senhor grande. Ele no permitir que me torne um hipcrita. Agora deixemos que saia o que est dentro. No encontrei a maneira de agradar a todos e no posso ser seno como sou, fiel a mim mesmo. 밃 juventude e a beleza se desvanecem, a vida e a riqueza desaparecem, o nome e a fama se esfumam, at as montanhas se tornam p. A amizade e o amor se desvanecem, s a verdade perdura. Deus da verdade, seja Tu meu nico guia! Sou demasiado velho para converter-me em leite e mel; deixa-me permanecer tal qual sou. 밪em temor, sem mercantilismo, sem preocupar-te pelo amigo, nem pelo inimigo, mantm a verdade, sannyasin e desde este instante, abandona este mundo e o seguinte e todos os que ho de vir, com seus gozos e suas vaidades. Seja tu, verdade, meu nico guia. No ambiciono riqueza, nem nome, nem fama, nem gozos, irm, eles so p para mim. Quero ajudar meus irmos. No tenho tato para ganhar dinheiro; o Senhor seja bendito. Que razo h para conformar-me com os caprichos deste mundo e no obedecer a voz da verdade interna? A mente dbil, irm, ela, s vezes, se aferra mecanicamente ajuda terrena. Mas no tenho medo. O medo o pecado maior, segundo ensina minha religio.

젨젨젨젨젨젨 A ltima controvrsia com o sacerdote presbiteriano e a longa luta depois com a senhora B., me fizeram ver, claramente, o que disse Manu ao sannyasin: 밮ive s, marcha s. Toda amizade, todo amor, s limita豫o. Nunca houve amizade, especialmente de mulheres, que no fosse exigente. Oh, grandes sbios! Vs tnheis razo. Mantm-te tranqila, alma minha; ficas s! E que o Senhor esteja contigo. A vida no nada; a morte uma iluso! Tudo isto no ; s Deus ! No temas, alma minha; ficas s! Irm, o caminho longo, o tempo curto, a noite se aproxima. Devo chegar logo em casa. No tenho tempo de transmitir minha mensagem. Os senhores so to bons e amveis; no farei tudo pelos senhores, mas no se incomodem, vejo-os a todos como crianas.

젨젨젨젨젨젨 No sonhes mais! Oh, no sonhes mais, alma minha! Em uma palavra, tenho uma mensagem a dar; no tenho tempo para fazer-me agradvel ao mundo; cada inten豫o de ser agradvel me converte em hipcrita; morrerei mil vezes antes de levar uma existncia de medusa e ceder a cada demanda deste mundo nscio; no importa se for em meu prprio pas ou no estrangeiro.

젨젨젨젨젨젨 Est a senhora equivocada, completamente equivocada se cr que tenho um trabalho, como a senhora B. acredita; eu no tenho trabalho sob o sol, nem mais alm. Tenho uma mensagem e a darei a minha maneira. No farei minha mensagem hindusta, nem crist, nem a darei forma mundana alguma; a darei da minha forma e isso tudo. Liberdade, mukti, condensa toda minha religio, evitarei lutando ou fazendo tudo o quanto trate de torce-la. Bah! Eu tratar de apaziguar aos sacerdotes! Irm, no leve isto a mal. Os senhores so criaturas e as criaturas se submetem a ser ensinadas. No beberam, todavia, na fonte que torna a razo irracional; ao mortal, imortal; a este mundo, zero; e ao homem, Deus. Afaste-se, se pode, desta rede de necessidades que eles chamam mundo. Ento a chamarei de verdadeiramente valente e livre. Se no pode, encoraje aos que se atrevem a atirar ao solo este falso Deus, a sociedade, e pisotear sua protegida hipocrisia; se no os pode encorajar, ore, guarde silncio, mas no trate de arrasta-los ao abismo, impulsionando-os s necessidades de transigir para tornar-se fino e agradvel.

젨젨젨젨젨젨 Odeio este mundo, a este sonho, a este horrvel pesadelo, com suas igrejas e ardis, seus livros e patifarias; seus belos rostos e falsos cora寤es, seus uivos de retido na superfcie e completa vaidade por debaixo e sobre tudo, seu mercantilismo santificado. Qu, medir minha alma de acordo com os que se dizem servos do mundo! Bah! Irm, a senhora no conhece o sannyasin. 밇le est na cabea dos Vedas, dizem isto, porque est livre de igrejas, seitas, religies, profetas, livros e de toda essa mesquinhez.

젨젨젨젨젨젨 Missionrio ou no missionrio, deixe que uivem e me ataquem com tudo o que possam; os tomo, como disse Bhartrihari: 밪egue teu caminho, sannyasin. Alguns diro, quem este louco? Outros, quem este tagarela?; outros sabero que s um sbio. Alegra-te deste tagarelar dos mundanos. Mas quando te atacarem, sabers que o elefante, ao cruzar o mercado, ser acossado sempre pelos ces; mas ele no far caso, seguir direto seu prprio caminho. Assim acontece sempre, quando aparece uma grande alma, so muitos os que a acossam com seus latidos.

젨젨젨젨젨젨 Vivo com L. em 54 West 33rd street. uma alma valente o nobre, Deus o bendiga. 픰 vezes vou dormir em casa de G.

젨젨젨젨젨젨 Deus os bendiga sempre a todos e os tire logo desta grande farsa, o mundo! Que nunca se deixem fascinar por esta velha bruxa, o mundo! Que Shankara os ajude! Que Uma lhes abra a porta da verdade e lhes tire as iluses!

젨젨젨젨젨젨 A senhora com carinho e bn豫os,

젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨 VIVEKANANDA.

 

 

 

(4)

 

A UM INGLS

 

Nova Yorque, 9 de agosto de 1895.

 

젨젨젨젨젨젨 ...Tratarei de expressar-lhe algumas de minhas opinies como correspondente. Creio plenamente que a religio fermenta periodicamente na sociedade humana e que o mundo instrudo est atravessando um desses perodos. Mesmo cada fermento aparecendo quebrado em vrias pequenas bolhas, estas so todas similares e demonstram que tm uma mesma causa. Esse fermento religioso que no presente atrai a cada dia mais aos homens que pensam, tem esta caracterstica: todos os pequenos redemoinhos de pensamento em que se quebram, afirmam um s objetivo, ou seja, a viso e a busca da unidade dos seres. Nos planos: fsico, tico e espiritual, flutua uma sempre mais ampla generaliza豫o, levando-nos ao conceito da Unidade eterna. Podemos, pois, considerar que todos os movimentos da poca representam, a saber ou sem sabe-lo, a mais nobre das filosofias sobre a unidade do homem, ou seja, a advaita-vedanta.

젨젨젨젨젨젨 Por outro lado, observado sempre que, como resultado da luta entre os diversos fragmentos do pensamento, em uma poca dada, sobrevive uma s bolha. As demais s nascem para fundir-se com ela e formar uma s grande onda, a qual arrasta a sociedade com fora irresistvel.

젨젨젨젨젨 Na ndia, na Amrica e na Inglaterra (os pases que conheo) centenas dessas bolhas esto lutando no momento presente. Na ndia as frmulas dualistas esto j decaindo; s a advaita se mantm vigorosa. Na Amrica, muitos movimentos lutam pelo predomnio; todos eles representam o conceito da advaita em maior ou menor medida e a srie que se difunde mais rapidamente, a que se aproxima, mais que as outras, quela. Agora bem, se algo tem sido sempre claro para mim, que uma delas h de sobreviver, absorvendo todas as demais, para constituir o poder do futuro. Qual ser?

젨젨젨젨젨젨 Se recorrermos a histria, veremos que unicamente sobrevive o fragmento mais apto e que o faz mais apto seno o carter? A advaita ser a religio futura da humanidade pensante. No h dvida. E em todas as seitas, s ganhar a batalha quem mostrar mais carter em suas vidas, no importa quo longe estejam.

젨젨젨젨젨젨 Permita-me contar-lhe uma experincia minha: quando meu Mestre deixou o corpo, ramos uma dezena de jovens sem um centavo e desconhecidos. Contra ns se erguiam centenas de organiza寤es poderosas que lutavam duramente para florescer. Mas Ramakrishna nos havia legado um grande dom; o desejo de, no falar somente, mas viver a vida, mesmo que para isso tivesse que lutar durante toda a existncia. E hoje, toda a ndia conhece e reverencia o Mestre; e as verdades que ele ensinou se propagam como fogo na selva. H dez anos no consegui reunir cem pessoas para celebrar o aniversrio de seu nascimento. No ano passado, havia cinco mil.

젨젨젨젨젨젨 Nem a multido, nem o poder, nem a riqueza, nem o saber, nem a eloq獪ncia, nem outra coisa alguma prevalece mais que a pureza, viver a vida. Em uma palavra, anubhuti, realiza豫o. Se existisse em cada pas uma dezena de tais almas-lees, que tivessem rompido suas prprias liga寤es, que tivessem alcanado o Infinito, cuja alma inteira tivesse ido a Brahman e que no buscassem nem riqueza, nem poder, nem fala, bastariam para sacudir o mundo.

젨젨젨젨젨젨 Nisto consiste o segredo. Patanjali, pai do yoga, disse: 밦uando um homem rechaa todos os poderes sobre-humanos, ento alcana a nuvem da virtude. V a Deus, converta-se em Deus e ajuda a outros a chegar a ser o mesmo. Isto tudo o que tenho que pregar. As doutrinas tm sido bastante explicadas. H livros por milhes. Oh! se houvesse uma ona de prtica!

젨젨젨젨젨젨 E quanto s sociedades e organiza寤es, elas se encontraro a si mesmas. Pode haver cimes onde no h de qu estar ciumento? Os nomes de quem queiram nos prejudicar, sero legio. Mas, no isso mesmo o sinal mais patente de que possumos a verdade? Quanto mais oposi豫o encontrar, tanto mais se expressar minha energia. Tem sido exaltado e adorado pelos prncipes; tem sido caluniado pelos sacerdotes e laicos por igual. Mas, que importa isso? Benditos sejam todos. Eles so Eu mesmo. No me ajudaram, atuando como trampolim, para que minha energia tomasse mais e mais elevados os vos?

젨젨젨젨젨젨 ... descobri um grande segredo; nada tenho que temer dos que falam de religio; e os grandes seres que realizam no so inimigos para ningum. Deixemos que os tagarelas falem. No sabem de nada melhor. Deixemos que fartem de nome, de fama, de dinheiro e de mulheres. Mantenhamos o desejo de realiza豫o; de ser Brahman; de nos convertermos em Brahman. Atenhamos-nos verdade at a morte e de vida em vida. No prestemos a mnima aten豫o ao que os outros digam; e se depois do esforo de toda a vida, uma alma, s uma, romper as liga寤es deste mundo e ver-se livre, teremos realizado nossa obra. Hari Om!

젨젨젨젨젨젨 ...uma palavra mais. Indubitavelmente eu amo a ndia. Mas cada dia minha viso se torna mais clara. Que a ndia, ou Inglaterra, ou Amrica para ns? Somos os servidores desse Deus a quem os ignorantes chamam Homem. Quem rega as razes, no rega tambm toda a rvore?

젨젨젨젨젨젨 S h uma base para o bem-estar social, poltico e espiritual: saber que eu e meu irmo somos um. Isto verdade para todos os pases e para todas as pessoas. Os ocidentais, permitam-me dizer, se daro conta disso antes que os orientais, os quais se esgotaro, quase, formulando a idia e produzindo uns poucos casos de realiza豫o individual.

젨젨젨젨젨젨 Trabalhemos sem desejo de nome ou fama, nem de mandar nos outros. Mantenhamos-nos livres de concupiscncias, cobia e de ira. E a verdade est conosco.

 

CARTAS

 

(5)

EE.UU. de N.A., agosto de 1895.

 

젨젨젨젨젨젨 Quando receber esta presente, querido A, eu estarei em Paris. Tenho realizado muito trabalho este ano e espero que o que vem, realizar muito mais. No te preocupes com os missionrios; muito natural que gritem. Quem no grita, quando seu po diminui? Os fundos dos missionrios tm experimentado uma grande diminui豫o durante os ltimos anos e esta diminui豫o est se acentuando. No entanto, desejo aos missionrios, xito completo. Enquanto sentes amor por Deus e ao guru e f na verdade, nada pode prejudicar-te, filho meu. Mas a perda de qualquer destes perigosa. Tua observa豫o acertada; minhas idias daro melhores resultados no Ocidente que na ndia. Eu fiz mais pela ndia que o que este fez jamais por mim. Creio, em verdade, que o Senhor me envia trabalhadores em grande nmero onde quer que eu v e no so como... os discpulos; seno que esto dispostos a dar suas vidas por seu guru.

젨젨젨젨젨젨 A verdade meu Deus, o universo minha ptria. No creio no dever. O dever a maldi豫o do 뱒amsari, no para o sannyasin. O dever uma farsa. Sou livre, minhas liga寤es esto cortadas; que me importa aonde vai ou deixa de ir este corpo? Tu tens me ajudado quase sozinho. O Senhor te recompensar. No tenho buscado louvores, nem da ndia, nem da Amrica, nem busco tais bagatelas. Eu, o filho de Deus, tenho uma verdade que ensinar. E Aquele que me deu a verdade, me enviar colaboradores dos mais valentes e melhores da terra. Vs, os hindus, vero dentro de poucos anos, o que o Senhor faz no Ocidente. Parecero a vs os judeus da antiguidade; ces de hortelos que nem comem, nem deixam comer. No tero religio, vosso Deus a cozinha, vossa Bblia as panelas. So uns poucos rapazes valentes...Conserva-os assim; que no haja covardes entre meus filhos... Acaso se alcanam as grandes coisas sem dificuldades? O tempo, a pacincia e a vontade indomvel devem triunfar. Poderia ter dito muitas coisas que teriam feito palpitar teu cora豫o, mas no as direi. Quero vontades de ferro e cora寤es que no fraquejem. Firmes! Que o Senhor os bendiga. Vosso sempre com bn豫os,

 

젨젨젨젨젨 젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨 젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨VIVEKANANDA

 

 

(6)

 

63 St. George뭩 Road, London, S. W.

Julio 6 de 1986.

 

젨젨젨젨젨젨 Querido F.: 꾿s coisas vo muito bem deste lado do Atlntico.

젨젨젨젨젨젨 As conferncias dominicais tiveram muito xito e o mesmo as aulas. O ciclo terminou e me sinto completamente exausto. Darei uma volta pela Su暲a com a senhorita Muller. Os G. tm sido muito, muito amveis, J. os conquistou de forma esplndida. Verdadeiramente, admiro a J. por seu tato e seu modo tranqilo; todo um homem de Estado, feminino. capaz de governar um reino. Poucas vezes vi um ser humano em sentido comum, to firme e bom. Voltarei no prximo outono a renovar meu trabalho na Amrica.

젨젨젨젨젨젨 Anteontem noite fui a uma festa na casa da Sra. M., a quem seguramente conheces j por tudo o que J. te havia contado.

젨젨젨젨젨젨 A obra segue crescendo, silenciosa, porm firmemente, na Inglaterra. So muito numerosos os homens e mulheres que tm vindo a falar-me de seu trabalho. Apesar de todos seus defeitos, o Imprio Britnico a melhor mquina existente para disseminar idias. Tenho inten豫o de colocar minhas idias no centro desta mquina e assim se espargiro pelo mundo inteiro. No entanto, toda grande obra se efetua com lentido e nesta, as dificuldades so muitas, sobretudo per serem nossos hindus, a raa conquistada. E sem dvida, por essa mesma razo obteremos o resultado, porque os ideais espirituais tm provido sempre os povos pisoteados. Os judeus oprimiram o imprio romano com seus ideais espirituais.

젨젨젨젨젨젨 Te alegrar saber que a cada dia vou aprendendo minha li豫o de pacincia e sobretudo de simpatia. Creio que estou comeando a ver a Divindade at nos altaneiros e poderosos anglo-hindus. Creio que pouco a pouco vou me aproximando de um estado do qual serei capaz de amar ao mesmssimo demnio, se que existe.

젨젨젨젨젨젨 Aos vinte anos, era eu o mais inflexvel e desalmado dos fanticos, por nada teria pisado a calada dos teatros de Calcut. Agora, aos trinta e trs, posso viver na mesma casa com prostitutas, sem que me ocorra dirigir-lhes uma palavra de reprova豫o. Estou degenerando? Ou ser que estou ampliando no Amor Universal que o Senhor Mesmo? Tambm tenho ouvido dizer que se algum no v o mal ao seu redor, no pode fazer boa obra, pois cai em uma espcie de fatalismo. No me parece certo. Pelo contrrio, meu poder de trabalhar est aumentando imensamente e tornando-se muito eficiente. Em certos dias me sinto possudo por uma espcie de xtase. Sinto nsias de bendizer a tudo, bendizer a todos; quero amar e abraar todas as coisas; vejo que o mal uma iluso enganosa. Estou justamente agora com uma disposi豫o de nimo assim, meu querido F. e verto verdadeiras lgrimas de felicidade ao recordar oi carinho e as aten寤es que tu e tua esposa me proporcionaram. Bendigo o dia em que nasci. Colhi tantas bondades e tanto carinho aqui! E aquele Infinito Amor que me deu o Ser, protege cada um de meus atos, bons ou maus (no te assustes); que eu sou, por acaso, que fui sempre, seno um instrumento em Suas mos, em mos Daquele para servir o abandonado de tudo; meu bem-amado, minha alegria, minha vida! Ele meu brincalho querido; sou Seu companheiro de jogo. Nada tem razo de ser neste Universo! Que razo pode sujeita-lo, liga-lo? Ele, o meu brincalho, est jogando; todas estas lgrimas e risos formam parte de Seu jogo. muito divertido, muito divertido, como disse J.

젨젨젨젨젨젨 Este um mundo cmico e o individuo mais cmico que jamais vistes Ele o Bem-amado! No uma diverso? Fraternidade ou camaradagem: um monto de meninos traquinas soltos na cancha de esportes que o mundo! Acaso no assim? A quem louvar, a quem censurar? Tudo Seu jogo. Eles pedem explica寤es, mas como poderamos lhes explicar Ele? No tem crebro e carece de razo. Nos tem enganado dando-nos minsculos crebros e razes; mas desta vez j no me encontrar dormindo.

젨젨젨젨젨젨 Tenho aprendido uma ou duas coisas: mais alm, muito mais alm da razo e das palavras e da erudi豫o, est esse sentimento, esse 밃mor, o Amado. Sim, Sake 1, enche nossa taa para que possamos beber e enlouquecer.

젨젨젨젨젨젨 Teu para sempre na loucura,

VIVEKANADA

 

1. Sake: denomina豫o persa dada s mulheres que serviam bebidas aos reis e nobres.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(7)

 

UM AMIGO AMERICANO

 

Alameda, Califrnia. 12 de abril de 1900.

 

젨젨젨젨젨젨 A Me se torna propcia uma vez mais. As coisas prometem. Assim tem que ser.

젨젨젨젨젨젨 O trabalho sempre traz consigo o mal. Tenho pagado o mal acumulado, com m sade. Alegro-me. Minha mente est muito melhor graas a isso. A vida tem agora para mim, uma doura e uma serenidade que jamais tive antes. Estou aprendendo que estar apegado o mesmo que desapegado e mentalmente chegar a ser meu prprio dono...

젨젨젨젨젨젨 A Me est fazendo seu prprio trabalho; pouco me preocupo agora. Traas como eu morrem aos milhares a cada instante; Seu trabalho continua o mesmo. Glria a Me! S e flutuando na corrente da vontade da Me, vivi minha vida inteira. Se em algum momento tive a inten豫o de romper isto, de imediato fui lastimado. Faa-se Sua vontade!

젨젨젨젨젨젨 Sinto-me feliz, em paz comigo mesmo e mais sannyasin que nunca. O afeto s minhas amizades e familiares diminui a cada dia e de minha Me aumenta. As recorda寤es de longas noites de viglia com Sri Ramakrishna, sob a rvore baniana de Dakshineswar, se despertam uma vez mais. E o trabalho? Que trabalho? De quem o trabalho? Para quem o trabalho?

젨젨젨젨젨젨 Sou livre. Sou o filho de minha Me. Ela trabalha, ela joga. Por que hei de fazer planos? Que plano hei de fazer? As coisas vieram e se foram, justamente como ela quis, sem meus planos. Ns somos seus autmatos. Ela a que tira os elos.

젨젨젨젨젨젨젨젨 VIVEKANANDA.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(8)

 

Alameda, Califrnia, 18 de abril de 1900.

 

Minha querida Joe:

 

젨젨젨젨젨젨 Acabo de receber sua carta de boas-vindas, juntamente com a do Sr. B. Lhe dirijo a presente a Londres. Alegro-me muitssimo de que a Sra. L. esteja em vias de melhoras.

젨젨젨젨젨젨 O trabalho sempre difcil; rogue por mim, Joe, para que meu trabalho cesse para sempre e minha alma seja absorvida na Me. S Ela conhece Suas obras.

젨젨젨젨젨젨 Deve estar o senhor contente de achar-se novamente em Londres, com os velhos amigos; expresse a todos meu carinho e agradecimento.

젨젨젨젨젨젨 Estou bem, muito bem mentalmente. Sinto mais o descanso da alma que o do corpo. As batalhas se ganham e se perdem. J embrulhei meu equipamento e estou esperando o grande libertador.

젨젨젨젨젨젨 밪hiva, oh Shiva, conduz minha barca a outra margem!.

젨젨젨젨젨젨 Depois de tudo, Joe, sou somente aquele rapaz que escutava, transportado e embevecido maravilhosa palavra de Ramakrishna sob a rvore baniano de Dakshineswar. Essa minha verdadeira natureza; os trabalhos e as atividades, o fazer o bem e o demais, so tudo sobre-imposi寤es. Agora ouo de novo sua voz, a mesma voz de antes que me estremece a alma. Minhas liga寤es esto rompendo-se, o amor morre, o trabalho perde seu sabor, a vida j no tem esse brilho deslumbrante. S ressoa a voz do Mestre chamando.

- 밓 vou, Senhor, j vou.

- 밆eixa que os mortos enterrem os mortos; tu vens e segue-me.

- 밓 vou, meu Senhor muito amado, j vou.

젨젨젨젨젨젨 Sim, j vou. Ante mim se estende o nirvana. O sinto a momentos, esse mesmo oceano infinito de paz, sem a menor onda, sem a mais leve brisa.

젨젨젨젨젨젨 Alegro-me de ter nascido, alegro-me de ter sofrido, alegro-me de ter cometido grandes desatinos, alegro-me de penetrar na paz. Nem deixo ningum ligado nem levo liga寤es. Seja que este corpo caia e deixe-me livre, seja que alcance eu a libera豫o, estando mesmo no corpo, o homem que eu era desapareceu, se foi para sempre e nunca voltar.

젨젨젨젨젨젨 O guia, o guru, o dirigente, o mestre morreu; s fica o rapaz, o estudante, o servidor.

젨젨젨젨젨젨 Compreender agora porque no quero intrometer-me com...? Quem sou eu para intrometer-me com algum, Joe? Faz muito que abandonei meu posto de dirigente; eu no tenho o direito de elevar minha voz. Desde o comeo deste ano nada foi dito na ndia. Bem sabe o senhor. Muito obrigado por tudo que o senhor e Sr. B. foram para mim no passado. Que todas as bn豫os fiquem com os senhores para sempre! Os instantes mais doces de minha vida foram aqueles em que me deixei arrastar pela corrente; de novo estou flutuando e me leva a gua alm, no alto, brilha o sol clido abundante vegeta豫o me rodeia por tudo tudo est quieto e silencioso, como adormecido pelo calor e me deixo flutuar deriva no clido cora豫o do rio. No me atrevo a movimentar as mos nem os ps, tal meu temor de romper esta maravilhosa quietude, to maravilhosa em verdade, que me faz estar seguro de que uma iluso!

젨젨젨젨젨젨 Por detrs de meu trabalho havia ambi豫o, por detrs e meu amor havia personalidade, por detrs e minha pureza havia medo, por detrs do quanto fiz por dirigir aos homens havia a sede de poder 1. Tudo isso est se desvanecendo agora; me leva a corrente. J vou, Me, j vou a Teu clido seio, vou flutuando onde Te queira conduzir-me, ao estranho pas do silncio, j vou. Sou expectador, j no sou ator!

 

1.      A existncia fenomenal implica impureza. O swami fala aqui do ponto de vista do Absoluto, com o qual est agora identificado. (Ed.).

 

젨젨젨젨젨젨 Ai, que tranqilo est tudo! Meus pensamentos parecem chegar de muito longe, das longnquas profundidades do prprio cora豫o. Parecem sussurros distantes e apagados; e a paz est sobre todas as coisas, uma paz doce, doce como a que se sente durante uns curtos instantes antes de dormir, quando os objetos so vistos e percebidos como sombras sem medo, sem amor, sem emo寤es a paz que algum sente estando s e rodeado de esttuas e pinturas. J vou, Senhor, j vou!

젨젨젨젨젨젨 O mundo no nem formoso nem feio, mas como sensa寤es que no suscitam emo豫o alguma. Supera-se, oh Joe, a felicidade deste estado! Tudo bom e belo, pois as coisas esto perdendo para mim suas propor寤es relativas, meu corpo entre as primeiras. OM, Aquela Existncia!

젨젨젨젨젨젨 Espero grandes coisas para todos os senhores em Londres e Paris; novas alegrias, novos benefcios para a mente e o corpo.

젨젨젨젨젨젨 Com afetos como sempre para o senhor e Sra B.

젨젨젨젨젨젨 Seu fielmente,

VIVEKANANDA.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

POEMAS

 

 

밢 CANTO DO SANNYASIN 1

 

젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨 Swami Vivekananda

 

 

1.      Composto em Thousand Island Park, N. York, em junho de 1895.

 

 

 

 

Faz vibrar a nota! O canto que nasceu

muito longe, onde mcula alguma do mundo jamais pode chegar;

nas cavernas das montanhas e nas clareiras das frondosas selvas,

cuja calma nenhuma nsia de luxria, fama ou fortuna

atreveu-se jamais a turbar; ali onde flua a corrente

de sabedoria, verdade e a felicidade que a segue.

Eleva essa nota, sannyasin valente! diz: 밢m tat sat, Om!

 

Rompe teus grilhes! Laos que te atam,

de ouro reluzente ou metal mais obscuro e baixo;

amor, dio bem ou mal e todas as dualidades.

Sabe-o, o escravo acaricia o aoite, escravo , e nunca livre;

porque os grilhes no atam menos por ser de ouro;

ento, fora com eles Sannyasin valente! Diz: 밢m tat sat, Om!

 

Dissipa a obscuridade; o fogo ftuo que leva

com luz cintilante a acrescentar sombras sobre sombras.

Extingue para sempre esta sede de vida que arrasta

a alma de morte nascimento, de nascimento morte.

Conquista tudo quem conquista o eu. Sabe isto

e no te rendas nunca, sannyasin valente! diz: 밢m tat sat, Om!.

 

밦uem semeia colhe dizem e a causa trar

o seguro efeito; ou bom; ou mal, mal; e nada

escapa lei. Mas quem leva uma forma

deve arrastar a cadeia. Demasiado certo; mas mais alm

do nome e da forma est o Atman, sempre livre.

Sabe que tu s Aquele, sannyasin valente! diz: 밢m tat sat, Om!

 

Ignoram a verdade quem sonha sonhos to vazios

como pai, me, filhos, esposa e amigo.

O Eu Supremo sem sexo! De quem s pai, de quem s filho?

de quem amigo, de quem inimigo Ele que s Uno?

O Eu Supremo tudo em tudo, nada mais existe;

e tu s Aquele, sannyasin valente! diz: 밢m tat sat, Om!

 

S h Uno e Livre o Conhecedor o Eu Supremo!

sem nome, sem forma ou mancha.

Nele est a maia, sonhando todo este sonho.

Ele, a Testemunha, aparece como natureza e alma.

Sabe que tu s Aquele, sannyasin valente! Diz: 밢m tat sat, Om!

 

 

 

 

Onde tu buscas? Essa liberdade, amigo, nem este mundo

nem aquele podem dar-lhe. V

tua busca em livros e templos. s tua a mo que sujeita

a corda que te arrasta. Cesse ento teu lamento,

solta a corda, sannyasin valente! diz: 밢m tat sat, Om!

 

Diz, 밣az a todos; de mim no h perigo

para coisa alguma vivente; naqueles que moram no alto,

naqueles que se arrastam pelo cho, eu sou o Eu Supremo em todos!

renuncio a toda vida aqui e mais alm,

a todos os cus e terras e infernos, a todas as esperanas e temores.

Corta assim todos teus laos, sannyasin valente! diz: 밢m tat sat, Om

 

No te importe mais como este corpo vive ou se v,

sua tarefa est feita. Deixa que o carma o arraste em sua corrente;

que algum lhe ponha grinaldas e outro pisoteie

esta figura; nada digas. No pode haver elogio ou vituprio

onde o que louva e louvado, o caluniador e o caluniado so um.

Seja, assim, tranqilo, sannyasin valente! Diz: 밢m tat sat, Om!

 

A verdade nunca chega onde a luxria, a fama

e o af de lucro residem. Nenhum homem que pensa em uma mulher

como esposa, pode ser perfeito;

nem aquele que possui a mnima coisa, nem aquele

a quem encadeia a ira podem passar pelas portas de maia.

Assim, que, abandona tudo isso, sannyasin valente! diz: 밢m tat sat, Om!

 

No tenhas lar. Que lar pode conter-te, amigo?

O cu teu teto; a relva teu leito; e alimento

aquele que traga o acaso, bem ou mal cozido, no o julgue.

Nem comida, nem bebida alguma podem manchar aquele nobre Eu Supremo

que conhece a Si Mesmo. Como rio impetuoso e livre

s sempre tu, sannyasin valente! Diz: 밢m tat sat, Om!젨젨젨젨

젨젨젨젨젨젨

S poucos conhecem a verdade. Os demais te odiaro

e se riro de ti, oh grande!, mas no prestes aten豫o.

V tu, o livre, de lugar em lugar a ajuda-los

a sair da obscuridade, do vu de maia. Sem

medo da dor e sem buscar prazer,

transcendendo a ambos, sannyasin valente! diz: 밢m tat sat, Om!

 

Assim, dia aps dia, at que extinguido o poder do carma

se libere a alma para sempre. No h mais nascer,

nem eu, nem tu, nem Deus, nem homem. O 밇u

se tornar o Todo, o Todo 밇u e Felicidade.

Sabe que tu s Aquele, sannyasin valente! diz: 밢m tat sat, Om!젨젨젨

젨젨젨젨젨젨

 

 

 

 

 

A T A A

 

Swami Vivekananda

 

 

Esta tua taa, a taa que te foi destinada desde os comeos do tempo,

Bem sei, filho Meu, at que ponto o obscuro veneno que contm

foi fabricado por ti mesmo, com tuas faltas e paixes, em idades remotas,

alm dos profundos anos de ontem. Eu sei.

 

Este teu caminho, um caminho angustioso, montono, fatigante.

Eu mesmo fiz as pedras que te impedem todo repouso.

Eu preparei para teu amigo sendas agradveis e luminosas

pelas quais chegar, o mesmo que tu, a Meu peito.

Mas tu, filho Meu, deves caminhar por tua senda.

 

Esta tua taa. Carece de alegrias e privilgios,

mas no foi designada para outra mo que no a tua,

e em Meu universo tem destinado teu lugar;

execute-a, no peo que compreendas.

 

Te peo que feches os olhos para ver minha face.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

P A Z 1

 

 

Swami Vivekananda

 

Olha! Chega com toda sua potncia

essa fora que no tem poder,

essa luz que est na obscuridade,

essa sombra de uma luz deslumbrante.

 

Essa felicidade que jamais alcanou expressar-se,

e dor que no sente, de to profunda.

a via imortal no vivida,

a eterna morte no chorada.

 

No alegria nem pena,

seno aquele que entre ambas est;

nem a noite nem a alvorada

seno o que as une.

 

doce pausa na msica,

descanso breve na arte sagrada,

silncio que se produz ao falar;

e entre dois paroxismos de paixo

ela a paz do cora豫o

 

beleza jamais contemplada,

amor solitrio que em seu isolamento se afirma,

uma can豫o vivente que nunca ser cantada,

a sabedoria que jamais conheceremos.

 

a morte entre duas vidas,

entre dois tormentos a quietude que embala.

o vazio de onde surgiu a cria豫o,

esse aterrador vazio ao qual retornar.

 

Ali vai parar a lgrima,

para se transformar em sorriso.

a Meta da Vida

e teu nico lar: a Paz!

 

1. Composto em Ridgeley Manor, New York, ano 1899.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

밢 HINO AO SAMADHI 1

 

Swami Vivekananda

 

 

Vede! O sol no existe; nem existe a faceira lua;

extinta est toda a luz; no imenso vazio do espao

flutua como uma sombra a imagem do universo.

 

No vazio da mente que a si mesma se contempla, flutua

este universo fugaz; flutua, se funde e de novo ressurge,

 

e torna a fundir-se, interminavelmente, na corrente 밇u.

 

Lenta, lentamente, a sombra-multido

penetrou na matriz primria, e flutuou sem cessar

a corrente nica, o 밇u sou, eu sou.

 

Vede! Deteve-se. Nem sequer essa corrente flutua j.

O vazio se dissolveu no vazio, mais alm da fala e do pensamento.

Aquele cujo cora豫o compreende, na verdade compreende.

 

  1. Originalmente em bengali.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4 DE JULHO 1

 

젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨젨 Swami Vivekananda

 

 

Olha! J se dissolvem as obscuras nuvens

que durante a noite se agruparam em densas massas, qual

fnebre mortalha disposta a envolver a terra.

Teu toque mgico desperta o mundo.

Os pssaros cantam em coro.

Erguem as flores suas corolas,

que parecem estrelas umedecidas de orvalho,

e ondulantes te do as boas-vindas.

Abrem os lagos amorosamente

seus cem mil olhos de loto

para agasalhar-te, com toda sua profundidade.

Todos te aclamam, Senhor da Luz!

Bem-vindo seja hoje, oh Sol. Hoje derramas Liberdade.

Pensa no muito que o mundo tem estado esperando-te

e clamado por ti, em todos os tempos e todos os climas.

Alguns abandonaram seu lar e o carinho dos seus

e partiram em busca de ti, expatriando-se por prpria vontade

e cruzando interminveis oceanos, selvas primitivas

donde cada passo entranhava uma luta de morte.

At que chegou o dia em que seu labor deu fruto, e deu fruto

sua devo豫o, amor, sacrifcio,

cumpridos, aceitos e completados.

Ento tu, propcio, apareceste para derramar

a luz da Liberdade sobre a humanidade

Segue avanando, oh Senhor, por tua irresistvel senda!

At que tua melodia se estenda sobre a terra toda,

at que cada comarca reflita tua luz,

at que homens e mulheres, com cabea erguida,

contemplem suas cadeias rompidas e sintam,

preenchidos de alegria, que sua vida ficou renovada.

 

 

1.      bem sabido que a morte do swami Vivekananda (ou sua ressurrei豫o, como preferem alguns cham-la) ocorreu em 4 de julho de 1902. No dia 4 de julho de 1898 ele se encontrava viajando com alguns discpulos americanos por Cachemira e querendo contribuir com a conspira豫o familiar para a celebra豫o desse fato, a declara豫o americana da independncia, preparou este poema que foi lido em alta voz durante o desjejum e logo cuidadosamente conservado por Sthira Mata.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

밠EU JOGO TERMINOU

 

Swami Vivekananda

 

 

Alando-me de contnuo e de contnuo fundindo-me com as ondas do tempo, sigo arrastado, no entanto, pelo fluxo e refluxo da vida, contemplando cenas a qual mais transitria, a qual mais efmera.

Ai! Estou farto desta interminvel farsa. J no me deleita

este contnuo perseguir sem nunca alcanar, sem sequer vislumbrar a margem.

De vida em vida sigo esperando ante as portas. Ai de mim! No se abrem.

Meus olhos se nublam de tanto vo esforo por captar sequer um raio da luz desejada.

De p sobre a estreita ponte desta pequena vida, contemplo a meus ps

a multido que chora, ri e trabalha. Para qu? Ningum pode sabe-lo.

Ante mim se erguem aqueles portais obscuros e ameaadores, dizendo-me: 밆aqui no passars;

este o limite; no tentes o destino, suporta-o como melhor puder;

v, mescla-te com essa multido e bebe dessa mesma taa e volte-te to louco como eles.

Quem intenta saber, s dor alcana; detenha-se, pois, e fica com os demais.

Infeliz de mim, que no posso repousar! Nem esta bolha flutuante, a terra,

nem sua forma oca e seu oco nome, nem seu oco morrer e seu oco viver,

nada significam para mim! Quanto anseio transcender a casca

do nome e da forma! Abre, abre as portas! Para mim devem abrir-se.

Abre as portas da luz, oh Me, a este Teu fatigado filho.

Quanto, oh, quanto desejo regressar a meu lar! Me, meu jogo terminou.

 

Me enviaste a jogar na obscuridade e te pusestes uma espantosa mscara;

ento a esperana fugiu, chegou o terror, e o jogo se converteu em dever.

Jogado de um lado a outro, atirado de uma a outra onda neste fervente e embravecido mar

de tremendas paixes e angstias profundas, donde a dor e a alegria talvez ser;

onde a vida e a morte vivente, ai, e a morte... quem sabe se ser

outro comeo, outra volta que do girar desta velha roda do pesar e da alegria?

Onde os meninos sonham dourados e brilhantes sonhos, para

descobrir demasiado cedo que s so p,

e logo voltar a vista para a perdida esperana e a vida

convertida em um monto de ferrugem!

 

Demasiado tarde chega com os anos o conhecimento; apenas abandonamos a roda

outras vidas viosas e jovens lhe aplicam sua fora, e assim prossegue girando

de dia em dia e de ano em ano. No seno joguete da iluso;

a falsa esperana constitui seu motor; o desejo, sua nave, seus raios so a alegria e a dor.

Vou a deriva, sem saber para onde. Salva-me deste fogo!

Salva-me, Me misericordiosa, de flutuar com o desejo!

No voltes para mim Teu rosto de espanto, que no poderia eu suportar;

mostra-te misericordiosa e carinhosa comigo; esquece-te de repreender minhas faltas;

eleva-me, oh Me, quelas praias onda as lutam para sempre cessam;

mais alm de todas as angstias, mais alm das lgrimas,

mais alm at da felicidade terrena;

cuja glria nem o sol, nem a lua, nem as estrelas rutilantes,

nem o fulgor do relmpago consegue expressar. To s refletem sua luz.

No permitas que os enganosos sonhos voltem jamais a me ocultar Teu rosto.

Meu jogo terminou, oh Me. Rompe minhas cadeias e d-me a liberdade!

 

(Escrito na primavera de 1985, em Nova York).

 

 

 

B E N O 1

 

Swami Vivekananda

 

 

O cora豫o da Me, a vontade de um heri,

a suavidade das mais suaves flores;

o encanto e a fora que eternamente fazem flutuar

as chamas brincalhonas do sagrado fogo do altar;

a fortaleza de nimo que conduz e guia, mas sabe obedecer quando ama;

sonhos de longo alcance; modos pacientes;

F eterna em teu prprio Ser e em tudo o quanto existe;

atiar a luz divina nos grandes seres e nos mais nfimos;

Tudo isto, e mais o que alcano imaginar,

queira hoje concede-lo a 밠e.

 

Sempre seu com carinho e bn豫os,

 

1.      Escrita para uma discpula americana de Perros Guirce, Inglaterra,setembro 22 de 1900.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

NDICE

 

Prefcio

O swami Vivekananda

Postulados

Discursos no Congresso das Religies

O ideal do karma-yoga

O segredo do trabalho

Os primeiros passos para bakthi

O mestre da espiritualidade

A necessidade de smbolos

Sobre espiritualidade prtica

A filosofia vedanta

Maia e iluso

O homem real e o aparente

O ideal da uma religio universal

Cristo, o Mensageiro

Meu Mestre

O senhor Buda

Discusso na Universidade de Harvard

Prticas inspiradas

Cartas

Poemas

 

 

Esta edi豫o de 3.000 exemplares

terminou de imprimir nas

oficinas grficas errece

Balbastro 5902 Buenos Aires

Repblica Argentina

No ms de abril de 1977

 

Contra capa:

 

HORUS

 

H seres cujos alcances escapam s precises de quem, ansiando pelo desenvolvimento material, esquecem a evolu豫o de princpios motores de acentuada incidncia no progresso espiritual da humanidade. Na verdade, o sutil implica na purifica豫o do denso e esse processo contnuo e irreversvel traz consigo, na manifesta豫o mltipla, reflexos reveladores revestidos de aparncias visveis e tangveis, para que a ilusria ignorncia ceda o passo ao Conhecimento da Verdade.

O Swami Vivekananda um dos escolhidos que soube, com devo豫o e total entrega a seus ideais, estampar com o pensamento, a palavra e a obra, o selo indelvel da Divindade, em sua passagem pela terra. Suas conferncias, discursos, prticas, poemas e epistolrio, constituem a sntese de uma vida posta ao servio da humanidade.

Aquele 4 de julho de 1902, quando o Swami Vivekananda, despojado das liga寤es carnais, absorveu-se no Eterno e Incognoscvel, sua mensagem comeou a cobrar caractersticas formais de real digesto reformador.

Correspondeu ao Swami Pavitrananda o mrito de recopilar a maioria dos escritos do Mestre. Planificadamente foi compilando o mais representativo, autntico e comovedor daquele excelso guia espiritual.

Em uma poca em que discrdias de todo tipo parecem enlouquecer com este minsculo planeta da galxia, a palavra do Swami Vivekananda chega at ns para nos recomendar as virtudes essenciais que nos permitiro alcanar a transcendncia tanto tempo desejada. Tolerncia, respeito, auto-perfei豫o, amor e paz, so o cajado que nos entrega aquele erudito Escolhido para salvar com inteireza os escarpados trechos do Sendero da Vida... Sua doutrina objetiva e cordial, e pode resumir-se com suas prprias palavras:

 

A verdade meu Deus, o universo minha ptria.

 

 

 

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